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Resultados e Discussão

No documento TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO (páginas 27-34)

As classes atuais do Sistema Brasileiro de Classificação de Solos (SiBCS) e as classificações utilizadas anteriormente não satisfazem em quesito de utilização da nova classificação até quinto nível categórico correspondente, visto que as descrições dos dados morfológicos, físicos, químicos e mineralógicos do perfil devem ser analisados para posterior adequação da classificação do solo. Ao considerar a época de realização dos Levantamentos e Zoneamentos da Paraíba (Brasil, 1972; Paraíba, 1978), apresentam uma defasagem da classificação, onde quadros de correlação entre as classes não satisfazem a classificação, fazendo-se necessário a aplicação do SiBCS para a sua devida classificação.

Após análise das informações dos atributos morfológicos, físicos, químicos e mineralógicos pode-se explicar a grande diversidade de solos que ocorrem no estado da Paraíba. Dificuldades foram encontradas no processamento do resgate de tais informações, a começar pelos materiais desatualizados, datados da década de 70 onde contém alguns informes incoerentes e defasados. Nesse sentido, vale ressaltar ainda problemas no resgate de informações das Unidades de Mapeamento (UM), onde o arquivo digital disponibilizado pela AESA (2018) englobava UMs que não constavam descrição nos respectivos levantamentos, bem como não acompanhavam material descritivo, tornando o trabalho moroso.

A partir da observação dos fatores de formação do solo, em especial o material de origem e relevo, pode-se caracterizar as UMs de acordo com as mesorregiões. Como ferramenta auxiliar, realizou-se o MDE com resolução espacial de 30x30 (Figura 5), no qual consta a declividade em porcentagem do estado da Paraíba e suas respectivas classes morfológicas (IBGE, 2015). Segundo estudo de Sirtoli et al. (2008) a declividade consiste no atributo que melhor relaciona-se com as unidades de solos, sendo uma ferramenta amplamente utilizada.

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O diagnóstico dos dados do MDE mostra variações de altitude, caracterizando o relevo acentuado do estado e realçando algumas formações geomorfológicas do estado, como o Planalto da Borborema, a Depressão Sertaneja, e entre outros. Em virtude disso, quanto menor a resolução espacial, menor será a probabilidade de erro nas mensurações de altitude ou em possíveis geoprocessamentos das informações desses locais (Capoane et al., 2015).

Para a interpretação e a validação (qualitativa) da ocorrência da principal classe de solo da UM em cada uma das mesorregiões, estas foram consideradas como sendo uma Litossequência. Onde a diversidade de solos é explicada principalmente devido à variação dos fatores de formação material de origem (tipos de litologias) e do relevo (Nunes et al., 2016; Buol et al., 2011; Milne, 1935).

Na Zona da Mata há UMs formadas em sua maioria por associações onde a principais classes de solos são RQ, PV, PVA, ESK e os GJ, caracterizando de maneira geral os solos de mangue, onde até meados de 2016 eram considerados indiscriminados. A partir do levantamento exploratório, da caracterização de alguns solos da Área de Relevante Interesse Ecológico (AIRE) da Área de Proteção Ambiental da Barra do Rio Mamanguape em 2017 foi possível discriminar tais UMs em Associação de Gleissolos Tiomórficos Órticos sálicos e Organossolos Tiomórficos Sápricos (Nunes e Beirigo, 2017; Souza e Beirigo, 2017). Nos manguezais da Floresta Nacional de Cabedelo - FLONA de acordo com o levantamento detalhado de solos foi possível diferenciá-los em Gleissolos Tiomórficos Órticos sálicos e Gleissolos Sálicos Sódicos neofluvissólicos (Coelho et al., 2017). Entretanto, a UM G antiga Solos Gley Distróficos, necessitam de levantamentos nas áreas de ocorrência para posterior classificação destes solos em níveis categóricos mais elevados. Tais solos presentes na Zona da Mata são característicos de ambientes com elevados índices pluviométricos, confirmando a presença dos mesmos devido às chuvas de verão ocorrentes no estado.

Em todo o estado foi observado a ocorrência da UM RY (Figura 6) sempre associados a rede de drenagem, notadamente aquelas inseridas pertencentes aos maiores rios do estado, como o rio Paraíba e o Mamanguape, facilmente visualizado nos intermédios dos municípios de Cabedelo, Santa Rita, Rio Tinto e Marcação no litoral do estado.

21 Figura 6. Mapa de Solos do estado da Paraíba.

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Na mesorregião Agreste foi observada forte influência do Planalto da Borborema, onde a declividade acentuada e concomitância com o intemperismo das rochas do cristalino originaram as UMs TC, SX, SN, CX, RL, RR e PV, bem com a ocorrência de algumas classes de solo em associação com as UMs, tais como os VE e VX. No MDE foi observado o aumento de elevação do Agreste em relação à Mata Paraibana, acompanhado da mudança de relevo Plano para Montanhoso, elevando cerca de 500m de altitude. Tal fato, aliado a litologia da área, explica a ocorrência dos solos anteriormente citados por serem comumente encontrados em serras, serrotes e outros tipos de elevação residual.

Nas mesorregiões Borborema e Sertão, localizadas na Depressão Sertaneja, o intemperismo de rochas resultou nos RL, TC, SN, VX, VE, PV e RY, tendo algumas classes de solo em associação como o FF. Dentre as mesorregiões, a Borborema e o Sertão possuem baixos índices pluviométricos, com uma média de 600 mm ano-1 e elevado índice de evapotranspiração, resultando em um balanço hídrico negativo, contribuindo para a ocorrência de RL, TC e SN, pois são solos característicos de áreas com baixa disponibilidade de água e intemperismo químico restrito

No sertão, sob rochas graníticas no Planalto Sertanejo, originaram RL, PV e TC, onde estão entre as cinco classes de maior área do estado da Paraíba. É encontrado como classe associada TX às UMs próximo às cidades de São Mamede, Catolé do Rocha e Jericó.

A classe de maior abrangência no estado é o RL, apresentando cerca de 40% em todo o território (Tabela 1), em seguida o TC com aproximadamente 18%, SX com 11%, PV com 9%, RR com cerca de 5% e assim sucessivamente.

Os Neossolos são solos rasos e pouco evoluídos pedogeneticamente (Embrapa, 2013), seus atributos permite que desempenhem inúmeras funções ambientais, como o habitat biológico e reserva genética, estoque de carbono, suporte da vegetação (caatinga), transformação e produção de biomassa (Azevedo et al., 2007). No uso e manejo adequado desses solos, pode aumentar os estoques de carbono no solo, bem como atuar na redução da emissão de gases de Efeito Estufa (GEE) para a atmosfera (Carvalho et al., 2010). Com o armazenamento de carbono no solo (estoque de carbono) pode favorecer o mercado de créditos de carbono no país (Cidin, 2016) bem como a atenuação do aquecimento global (Carvalho et al., 2010).

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Tabela 1. Área das classes de solos do estado da Paraíba em % e km².

Classes Área Área

(Km²) (%) Neossolo Litólico 21.330,45 37,29 Luvissolo Crômico 9.839,55 17,20 Planossolo Háplico 5.929,18 10,36 Argissolo Vermelho 5.012,03 8,76 Neossolo Regolítico 2.616,91 4,57 Planossolo Nátrico 2.111,07 3,69 Neossolo Flúvico 1.944,52 3,40 Vertissolo Háplico 1.816,10 3,17 Neossolo Quartzarênico 1.517,45 2,65 Cambissolo Háplico 1.097,56 1,92 Argissolo Amarelo 737,11 1,29 Argissolo Vermelho-Amarelo 621,75 1,09 Argissolo Bruno-Acinzentado 557,09 0,97 Argissolo Acinzentado 357,85 0,63 Nitossolo Vermelho 334,62 0,58 Espodossolo Ferri-Humilúvico 309,00 0,54 Latossolo Vermelho 284,80 0,50 Latossolo Amarelo 263,35 0,46 Afloramento de Rocha 175,93 0,31 Gleissolo Tiomórfico 175,35 0,31 Vertissolo Ebânico 137,21 0,24 Gleissolos 28,54 0,05 Plintossolo Pétrico 4,00 0,01

A fim de melhorar a visualização das definições das UM no mapa de solos da Paraíba (Figura 6) para melhor adequação das informações descritas, fez-se necessário a criação de um mapa temático com diferença na coloração sugerida pela Embrapa (2013), conforme representado na Figura 7 a seguir. A coloração sugerida pelo SiBCS, em relação à área de estudo, dificulta a diferenciação dos polígonos por possuírem classes de coloração semelhantes, fazendo-se necessário a utilização de colorações diferenciadas para melhor visualização.

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