2. Trabalho experimental
2.3. Resultados e discussão
No quadro 18 apresenta-se a estimativa das necessidades energéticas das vacas em lactação, em função do lote a que pertencem. Este quadro evidencia as diferenças nas necessidades energéticas para produção de leite, de acordo com a quantidade e composição do leite produzido. Assim, para uma diferença aproximada entre lotes de 13 kg de leite produzido (38,34 – 25,21 kg), regista-se uma diferença de 50 MJ/dia nas necessidades de energia metabolizável para produção de leite.
Quadro 18 – Necessidades energéticas das vacas em produçãoa
“Alta” produção “Baixa” produção
Enet manutenção (MJ/dia) 44,51 44,51
EM manutenção (MJ/dia) 60,93 60,93
Enet produção de leite
MJ/kg 2,93 3,15
Total (MJ/dia) 112,24 79,4
EM produção de leite (MJ/dia) 173,34 122,63
Enet ΔPV (MJ/dia) -7,98 9,5
EM ΔPV (MJ/dia) - 15,44
EM produção de leite corrigida para ΔPV (MJ/dia) 161,01 138,07
Fator de correção para o nível de ingestão 1,05 1,04
Necessidades diárias em EM (MJ) 232,5 207,12
Recomendações diárias em EM (MJ)b 244,13 217,48
aCálculos apresentados no quadro 3A do anexo A; bInclui margem de segurança de 5%; Enet: energia net; EM:
energia metabolizável; ΔPV: variação de peso vivo
As necessidades em proteína metabolizável (PM) para as vacas em produção são apresentadas no quadro 19. Neste caso, as necessidades em PM para a lactação entre lotes variam aproximadamente 480 g/dia, o que reflete a menor necessidade proteica das vacas no lote de “baixa” produção.
Eficiência reprodutiva e produtiva de uma exploração de vacas leiteiras do Entre Douro e Minho
28
Quadro 19 – Necessidades proteicas (g/dia) das vacas em produçãoa
“Alta” produção “Baixa” produção
PM manutenção 281,92 281,92
PM perdas dérmicas 14,5 14,5
Pnet produção de leite 1169,2 838,2
PM produção de leite 1719,4 1232,7
PM variação de peso -69,0 69,0
Necessidades em PM 1946,8 1598,1
Recomendações em PMb 2044 1678
aCálculos apresentados no quadro 4A do anexo A; bInclui margem de segurança de 5%; PM: proteína
metabolizável; Pnet: proteína net
A concentração energética, IMS e composição química das dietas fornecidas às vacas em produção são apresentadas no quadro 20. Quanto à concentração energética estimada das dietas, esta manteve-se constante durante o período considerado. Contudo, observa-se uma ligeira superioridade energética para o lote de “alta” produção, que consideramos adequada uma vez que as necessidades energéticas destas vacas são elevadas (quadro 18) e a capacidade de ingestão é insuficiente para satisfazer as suas necessidades produtivas.
Os resultados relativos à MS oferecida (quadro 20) correspondem ao alimento disponibilizado na manjedoura calculado através dos regimes alimentares, mas não contabilizam o refugo diário de alimento necessário para que se possa garantir a ingestão ad
libitum de alimento pelas vacas. Por outro lado, os valores de IMS observada apresentados
consideram a quantidade de alimento rejeitado pelos animais. Assim, com o auxílio do produtor, estimou-se um refugo na manjedoura de 50 kg de alimento, o que representa em média 313 g de alimento rejeitado diariamente por animal. Regista-se que ao longo do período considerado, a IMS observada apresentou tendência crescente para ambos os lotes, no entanto o lote de “alta” apresentou ingestão superior em cerca de 2 a 3 kg face ao lote de “baixa” produção. Ainda assim, quando comparamos a IMS observada e a IMS recomendada (calculada a partir das recomendações energéticas), registamos que os valores observados ultrapassam sempre as recomendações. Para além de demonstrar que os animais estão a ser alimentados de acordo com as suas necessidades, esta diferença pode indicar a utilização de margens de segurança superiores (10 a 15%) na formulação destas dietas. Por isso, é de salientar a elevada proximidade entre os valores teoricamente adequados (isto é, os obtidos a partir das recomendações energéticas) e os que foram observados na prática. Importa refletir apenas o erro de estimativa inerente a qualquer sistema de recomendações alimentares, que podemos
considerar neste caso, muito baixo ou ainda a variação na quantidade de alimento realmente refugado (que poderá ser superior a 50 kg). Podemos pois concluir que a estrutura de cálculo das necessidades energéticas estipulada pelo AFRC (1993), por nós adotado, se revelou adequada para prever a IMS das vacas. Naturalmente, seria impossível que os valores coincidissem plenamente, uma vez que os sistemas de recomendações alimentares são apenas estimativas e nunca poderão alojar a variação individual e os múltiplos fatores que influenciam as necessidades alimentares e a capacidade de ingestão das vacas.
A composição química das dietas para as vacas em produção apresentada no quadro 20, permite-nos analisar as diferenças existentes ao longo do período em estudo e em função do lote de produção. Os teores em PB obtidos sugerem uma tendência para o seu decréscimo nas dietas, no entanto, como este constituinte está estreitamente dependente da participação de alimento concentrado na dieta (AC 7 e AC 8 apresentados no quadro 1A do anexo A), infere- se que este decréscimo tem origem no aumento da proporção de forragem:concentrado dos regimes alimentares implementados na exploração. Salienta-se que com esta estratégia de aumentar a utilização de forragem face ao concentrado, e dado que o preço atual das matérias- primas é elevado, estamos a diminuir a PB do regime alimentar e consequentemente a tornar a alimentação das vacas menos dispendiosa, como indica Roy et al. (2011). Esta alteração contribuirá ainda para reduzir a excreção de azoto e, portanto, o impacto ambiental.
No que diz respeito aos hidratos de carbono não fibrosos, particularmente ao amido, este encontra-se dentro da gama de valores (23 a 30% na MS) recomendados por Sniffen (2004 citado por Grant, 2005). Como desejável, a percentagem mínima de amido veiculado pela dieta foi superior para os lotes de “alta” produção, refletindo as maiores exigências energéticas destes animais relativamente aos do lote de “baixa” produção. Com estes resultados demonstra-se que a qualidade da forragem permitiu diminuir a incorporação de concentrado na dieta, sem comprometer o teor energético da mesma. Contudo, no estudo realizado por van Vuuren et al. (2010), o aumento do teor em amido de 12 para 33% da MS acarretou um aumento na IMS e paralelamente a diminuição da digestibilidade do amido e da fração NDF. No nosso estudo não foi possível determinar a digestibilidade das dietas, mas não excluímos a possibilidade da digestibilidade ter sido inferior, à semelhança dos resultados obtidos por Beckman e Weiss (2005) e van Vuuren et al. (2010).
A fração NDF veiculada pela dieta foi superior para o lote de “baixa” produção, explicada pela maior incorporação de forragem nestas dietas. Os resultados obtidos para os teores em NDF das dietas aproximam-se das recomendações de Sniffen (2004 citado por Grant,
Eficiência reprodutiva e produtiva de uma exploração de vacas leiteiras do Entre Douro e Minho
30
2005) e do NRC (2001), que são de 28-32% e 25-33% da MS respetivamente. O desvio das recomendações em fibra veiculada pela dieta circunscreve-se ao lote de “baixa” produção (NDF ≥33,5% da MS), no entanto para a fração de NDF veiculada pela forragem os resultados ultrapassam as recomendações em ambos os lotes. Sniffen (2004 citado por Grant, 2005) recomenda que a fração NDF veiculada pela forragem represente entre 18 a 23% da MS, enquanto o NRC (2001) recomenda valores mais restritos, entre 15-19% da MS. Estes resultados comprovam uma vez mais a participação preferencial de forragem em detrimento do alimento concentrado, que o produtor tem vindo a implementar.
Quadro 20 – Estimativa da concentração energética, ingestão de matéria seca (IMS), composição química e
relação forragem:concentrado nas dietas (média ± desvio-padrão) das vacas em produção
Ano
2009 2010 2011
Lote de produção “Alta” “Baixa” “Alta” “Baixa” “Alta” “Baixa”
Concentração energética da dieta estimada (MJ EM/kg de MS)
11,2 ± 0,2 11,0 ± 0,2 11,2 ± 0,0 11,0 ± 0,0 11,2 ± 0,0 11,0 ± 0,0
MSoferecida (kg/dia) 23,9 ± 0,8 20,8 ± 1,0 23,9 ± 0,3 21,2 ± 0,4 24,6 ± 0,7 22,2 ± 0,1
IMS observada (kg/dia) 23,6 ± 0,8 20,5 ± 1,0 23,6 ± 0,3 20,9 ± 0,4 24,3 ± 0,7 21,9 ± 0,1
IMS recomendada (kg/dia) 21,7 ± 0,3 19,9 ± 0,4 21,8 ± 0,1 19,8 ± 0,0 21,7 ± 0,1 19,8 ± 0,1
Composição química (%)
PB na dieta 16,2 ± 0,8 16,1 ± 1,2 15,7 ± 0,4 15,7 ± 0,4 15,4 ± 0,3 15,4 ± 0,4
NDF veiculada pela dieta 31,8 ± 0,6 34,3 ± 1,0 31,7 ± 0,5 33,5 ± 0,2 31,4 ± 0,3 33,5 ± 0,3
NDF veiculada pela forragem 25,5 ± 0,6 27,5 ± 1,2 25,6 ± 0,5 26,9 ± 0,3 25,6 ± 0,4 27,2 ± 0,3
Amido veiculado pela dieta (mínimo)
26,7 ± 1,6 25,5 ± 2,7 28,0 ± 1,7 27,4 ± 1,1 29,1 ± 0,7 28,0 ± 1,2
% de forragem na dieta 61 ± 1 66 ± 2 63 ± 1 66 ± 1 64 ± 1 68 ± 0
% de AC na dieta 39 ± 1 34 ± 2 37 ± 1 34 ± 1 36 ± 1 32 ± 0
EM: energia metabolizável; MS: matéria seca; IMS: ingestão de matéria seca; PB: proteína bruta; NDF: fibra de detergente neutro; AC: alimento concentrado
No quadro 21 destaca-se a produção de leite na exploração de acordo com a lactação em que as vacas se encontram. É evidente a prevalência de vacas primíparas e multíparas de 2ª lactação. Para o número de lactações analisadas (495), verifica-se que cerca de 60% do efetivo da exploração em produção se encontra na 1ª e 2ª lactações. Esta informação alerta-nos para o facto da longevidade produtiva das vacas poder estar comprometida. Através dos dados recolhidos constata-se o aumento da produção de leite até à 3ª lactação, momento a partir do qual a produção vai diminuindo gradualmente. A tendência geral na produção de leite ao longo das lactações coincide com a apresentada pela ANABLE (2008), apesar do número de registos para as lactações superiores a 4 ser reduzido. Contudo, as médias produtivas apresentadas pelas
associações ANABLE e ABLN foram inferiores (ANABLE, 2008) ao observado na exploração em estudo. Enquanto a média produtiva mais elevada se regista na lactação 3, quando se observam os extremos mínimos e máximos, denota-se que o valor máximo é ligeiramente superior para a lactação 4 comparativamente à 3 (14424 vs. 14142 kg). Salienta-se que em termos médios as lactações mais produtivas apresentam lactações com produção acima dos 11000 kg de leite aos 305 dias.
Quadro 21 – Produção de leite (kg) por lactação
Nº de lactação N Média ± DP Mínimo Máximo Erro padrão
1 169 9806 ± 1243 7032 13734 96 2 138 10733 ± 1417 6678 13681 121 3 93 11196 ± 1334 8152 14142 138 4 56 11182 ± 1387 7307 14424 185 5 26 10883 ± 1439 7691 13215 282 >5 13 10460 ± 977 8978 12926 271
N: número de observações; DP: desvio-padrão
Os índices reprodutivos obtidos por análise estatística são apresentados no quadro 22 de forma sucinta, de acordo com o período analisado. Este procedimento permitiu também a recolha de algumas informações complementares, nomeadamente a idade média das vacas em produção (4 anos de idade, o que corresponde em termos médios à 2ª lactação). Esta informação é corroborada pelo número de observações apresentadas no quadro 21, onde se destaca o grande número de lactações de 1ª e 2ª ordem. Além disso, a idade média das vacas em produção permite-nos deduzir que a taxa de substituição da exploração é cerca de 25%.
A duração da gestação aproxima-se do valor padronizado de 280 dias, contudo apresenta diferenças significativas no período em estudo. No quadro 22 é demonstrada a diminuição da duração da gestação média entre 2009 e 2011.
Relativamente à idade ao 1º parto (quadro 22), a média manteve-se constante ao longo do período considerado, no entanto, encontra-se acima do registado por Hare et al. (2006) – 26,5 vs. 24 meses respetivamente. Estes resultados estão dependentes da idade à 1ª inseminação, número de inseminações (por gestação) e intervalo entre inseminações. A idade à 1ª inseminação é a principal condicionante na obtenção de idades ao primeiro parto mais precoces. Assim, a idade à 1ª inseminação tem evoluído positivamente, pelo que em 2011 se registaram valores médios próximos de 16 meses (quadro 22), mas com destaque para a persistência deste índice acima dos 16 meses ao longo do período analisado. Por outro lado, o número de
Eficiência reprodutiva e produtiva de uma exploração de vacas leiteiras do Entre Douro e Minho
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inseminações por gestação tem-se deteriorado significativamente, 1,2 em 2009 vs. 2,1 em 2011 (quadro 22), trata-se do aumento aproximado de 1 inseminação por vaca. Por fim, os intervalos entre inseminações não apresentam evidências estatísticas (quadro 22), mas as médias obtidas em muito ultrapassam o que seria desejável. O intervalo entre inseminações deve aproximar-se tanto quanto possível do ciclo éstrico típico de uma vaca – 18 a 24 dias (MAFF, 1984). Assim, no intuito de minimizar o período não produtivo das novilhas, estes 3 fatores são preponderantes para diminuir a idade ao 1º parto. Os resultados obtidos para o número de inseminações e intervalo entre inseminações indiciam problemas na eficaz deteção de cios, fertilidade e aparelho reprodutivo das vacas.
O intervalo entre parto e fecundação observado durante o período considerado foi superior a 138 dias, com tendência crescente. Os valores deste índice apresentados no quadro 22 indicam claramente o desvio face aos resultados ideais de 85-110 dias definidos por Varner et al. (1985) e Nebel (2009). Estes autores classificam os resultados obtidos na exploração como um problema grave, e por isso necessitam de intervenção. Para isso, é necessário considerar o intervalo entre inseminações, o número de inseminações por gestação e a taxa de fecundidade, uma vez que são os principais índices a afetarem o intervalo entre parto e fecundação. Inevitavelmente, com o prolongamento do intervalo entre parto e fecundação, o intervalo entre partos vai ser alargado e por isso os resultados obtidos no quadro 22 apresentam intervalos superiores a 420 dias. Este alongamento das lactações representa para a exploração menor produtividade, quer pelo reduzido número de crias nascidas anualmente, quer pela menor produção de leite por lactação. Rocha e Carvalheira (2002) obtiveram intervalos entre partos médios de 405 dias, enquanto Lucy (2001) analisou explorações com intervalos entre partos de 410 a 450 dias. Para melhor elucidar a distribuição dos intervalos entre partos ao longo do período considerado, são apresentados em anexo B (figuras 1B-4B) os histogramas correspondentes. Nas figuras 1B-4B salienta-se que o 1º quartil apresenta intervalos entre partos inferiores a 370 dias. Destaca-se também a mediana, que se aproxima dos 400 dias, enquanto a média é superior a 420 dias. Estes histogramas demonstram que este índice não apresenta uma distribuição normal dos dados.
O intervalo entre parto e 1ª inseminação observado evoluiu positivamente, evidenciando diferenças significativas ao longo do período em análise. Este índice diminuiu cerca de 15 dias entre 2009 e 2011, contudo o resultado presente no quadro 22 é classificado por Esslemont e Kossaibati (2000) e Nebel (2009) como um problema para a eficiência reprodutiva da exploração. Os valores classificados como ideais por estes autores são de 55-64 e 60-75 dias,
respetivamente. Ainda assim, os resultados registados para este índice sugerem ter ocorrido uma melhoria na identificação de cios e/ou no controlo reprodutivo do efetivo. O intervalo entre parto e 1ª inseminação é fundamental para minimizar o intervalo entre partos, por isso no anexo B (figuras 5B-8B) apresentam-se os histogramas relativos ao intervalo entre parto e 1ª inseminação para o período compreendido entre 2009 e 2011. Nas figuras 5B-8B constata-se que ao 1º quartil correspondem intervalos inferiores a 72 dias, enquanto para a mediana os valores oscilam entre 83 e 100 dias. Em conformidade com estes dados, a taxa de submissão à 1ª inseminação calculada para todas as vacas paridas é de 28,9%. Esslemont e Kossaibati (2000) classificam este resultado como um problema grave, aconselhando que este índice seja superior a 58% para refletir a eficiência na deteção de cios.
Quadro 22 – Índices reprodutivos (média ± desvio-padrão) da exploração por ano de parto
N 2009 2010 2011 Teste F
Duração da gestação (dias) 590 279,2 ± 5,7 278,3 ± 5,5 277,4 ± 5,2 0,005*
Intervalo entre inseminações 1 e 2 (dias)
388 41,4 ± 28,8 49,4 ± 27,2 44,1 ± 28,2 0,338
Intervalo entre inseminações 2 e 3 (dias)
213 43,2 ± 27,1 39,9 ± 27,8 40,3 ± 20,7 0,954
Intervalo entre inseminações 3 e 4 (dias)
103 27,7 ± 10,8 42,1 ± 31,6 44,5 ± 26,7 0,612
Id1ºP (meses) 183 26,5 ± 1,3 26,5 ± 1,6 26,5 ± 2,3 0,995
Idade à 1ª inseminação (meses) 235 17,1 ± 1,2 16,6 ± 1,0 16,3 ± 1,1 0,001*
Idade de refugo (meses) 187 51,7 ± 22,2 55,2 ± 21,2 47,0 ± 18,9 0,457
Nº de inseminações por gestação 600 1,2 ± 0,5 1,9 ± 1,2 2,1 ± 1,4 <0,0001* IPF (dias) 629 138,3 ± 68,7 141,5 ± 71,8 146,7 ± 77,7 0,632 IP1ªI (dias) 599 105,5 ± 38,3 91,5 ± 29,9 89,0 ± 34,2 0,001* IP (dias) 413 422,7 ± 76,3 421,6 ± 77,2 427,4 ± 83,2 0,813
N: número de observações; *diferenças significativas; Id1ºP: idade ao primeiro parto; IPF: intervalo entre parto e
fecundação; IP1ªI: intervalo entre parto e primeira inseminação; IP: intervalo entre partos
A dispersão dos índices reprodutivos anteriormente analisados é apresentada no quadro 23. Como já foi referido, observa-se uma grande dispersão nos intervalos entre inseminações, o que de acordo com Grusenmeyer et al. (1983 citados por Varner et al, 1985) significa que apenas 40 a 50% dos cios estão a ser identificados, para a média apresentada no quadro 22. No entanto, valores acima de 100 dias no intervalo entre inseminações sugerem que a eficiência na deteção de cios pode ser inferior a 40%. A grande amplitude dos dados é também verificada
Eficiência reprodutiva e produtiva de uma exploração de vacas leiteiras do Entre Douro e Minho
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para os índices intervalo entre parto e fecundação, intervalo entre parto e 1ª inseminação, e intervalo entre partos, de acordo com o que já foi referido anteriormente.
Quadro 23 – Dispersão dos índices reprodutivos da exploração entre 2009 e 2011
N Mínimo Máximo Erro padrão
Duração da gestação (dias) 590 250 305 0,23
Intervalo entre inseminações 1 e 2 (dias) 388 9 145 1,37
Intervalo entre inseminações 2 e 3 (dias) 213 10 147 1,78
Intervalo entre inseminações 3 e 4 (dias) 103 11 141 2,65
Id1ºP (meses) 183 23,1 35,3 0,13
Idade à 1ª inseminação (meses) 235 14,1 19,8 0,08
Idade de refugo (meses) 187 23,1 140,5 1,75
Nº de inseminações global 885 1 9 0,04
Nº de inseminações por gestação 600 1 9 0,05
IPF (dias) 629 38 415 3,07
IP1ªI (dias) 599 24 221 1,37
IP (dias) 413 312 786 3,88
N: número de observações; Id1ºP: idade ao primeiro parto; IPF: intervalo entre parto e fecundação; IP1ªI: intervalo entre parto e primeira inseminação; IP: intervalo entre partos
Em termos médios, as vacas são refugadas entre 4 a 5 anos de idade, mas com grande dispersão dos dados, como observado nos quadros anteriores (22 e 23). Por isso, apresenta-se de forma mais detalhada na figura 9 o padrão presente na exploração relativamente à idade em que os animais são excluídos da exploração.
Figura 9 – Idade de refugo global entre 2009 e 2011
0,0 5,0 10,0 15,0 20,0 25,0 30,0 35,0 40,0 45,0
< 3 anos entre 3 e 4 anos entre 4 e 5 anos > 5 anos
%
Assim, percebe-se que existem dois momentos principais de refugo de animais, até aos 3 anos e após 5 anos. Estes dados correspondem em termos produtivos a vacas que ainda não completaram a primeira lactação e vacas a partir da 3ª lactação, respetivamente. Estes valores são indicadores de que parte do efetivo com idade inferior a 3 anos não vai ter possibilidade de expressar todo o seu mérito genético para produção de leite. Contudo, importa salvaguardar que os animais vendidos entram nesta categoria de animais refugados, e por isso não significa que a sua vida produtiva esteja comprometida, mas são contabilizados por abandonarem a exploração.
Considerando as categorias da figura anterior, e para permitir identificar a evolução deste indicador, incluiu-se o ano em que ocorreu o refugo na figura 10. Esta figura permite identificar que o elevado número de vacas refugadas com idade superior a 5 anos aconteceu nos anos de 2009 e 2010, enquanto as vacas com idade inferior a 3 anos, anteriormente destacadas, foram os anos de 2009 e 2011 os mais relevantes no seu refugo.
Figura 10 – Idade de refugo por ano
O intervalo entre inseminações deve corresponder, para a maioria dos animais, ao ciclo éstrico típico da espécie – entre 18 e 24 dias (MAFF, 1984). Contudo, a figura 11 demonstra um padrão bastante diferente do que seria desejável para o intervalo entre inseminações 1 e 2, em que predominam inseminações com intervalo superior a 45 dias. Segundo o MAFF (1984), o intervalo 18-24 dias deve corresponder a 53% das inseminações, enquanto os nossos resultados indicam apenas 30% das vacas a serem inseminadas neste intervalo. Estes resultados comprometem todo o ciclo reprodutivo e deterioram a eficiência reprodutiva, sendo indicadores da ocorrência de morte embrionária precoce e/ou deficiente deteção de cios.
0,0 5,0 10,0 15,0 20,0 25,0 30,0 35,0 40,0 45,0 50,0
< 3 anos entre 3 e 4 anos entre 4 e 5 anos > 5 anos
%
Idade das vacas
Eficiência reprodutiva e produtiva de uma exploração de vacas leiteiras do Entre Douro e Minho
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Figura 11 – Intervalo entre inseminações 1 e 2
A situação altera-se ligeiramente para o intervalo entre inseminações 2 e 3 (figura 12), neste caso ocorre uma pequena redução para intervalos superiores a 45 dias, enquanto para os intervalos 18-24 e 25-38 dias se regista um aumento de 3 e 6%, respetivamente. De salientar que para estes intervalos, a categoria dos 18-24 dias consegue ultrapassar a categoria superior a 45 dias, o que não acontece na figura anterior.
Figura 12 – Intervalo entre inseminações 2 e3
Quando se observam os intervalos entre inseminações registados para todas as inseminações realizadas entre 2009 e 2011 (figura 13), transparece o agravamento dos intervalos para valores superiores a 45 dias a partir de 2010. Por outro lado, foi em 2009 que os intervalos entre inseminações mais se aproximaram do ideal proposto pelo MAFF (1984). A proporção mínima de vacas inseminadas com o ciclo ideal (18-24 dias) ocorreu no ano 2010 e posteriormente houve uma recuperação, o que aponta para irregularidades mais evidentes durante este ano, como o aumento da mortalidade embrionária precoce e/ou menor eficiência
3-17 dias 2% 18-24 dias 30% 25-38 dias 17% 39-45 dias 9% > 45 dias 42%
3-17 dias 18-24 dias 25-38 dias 39-45 dias > 45 dias
4%
33%
23% 9%
31%
na deteção de cios. A necessidade de registos completos relativos a problemas reprodutivos são fundamentais para ser possível identificar as falhas reprodutivas e perceber as causas associadas.
Figura 13 – Intervalo entre inseminações por ano
Por último, o número de inseminações necessárias para ocorrer gestação deve ser o mais próximo possível de 1 (MAFF, 1984). Na figura 14 observa-se que ao longo dos 3 anos, a proporção de animais gestantes com apenas 1 inseminação se manteve acima dos 40%, possivelmente pela elevada prevalência de vacas jovens (1ª e 2ª lactação). Tal como referido para o intervalo entre inseminações, o ano de 2009 apresentou resultados muito favoráveis, em que cerca de 90% das vacas ficaram gestantes após 1 inseminação. Contudo, a tendência registada aponta para uma degradação destes valores nos anos seguintes, em que houve claramente a necessidade de um maior número de inseminações por vaca gestante. O ano de 2011 destaca-se negativamente por um aumento nas inseminações superiores a 3, ultrapassando 10% dos animais que apenas ficam gestantes nesta altura. Contudo a taxa de gestação global é de 67% e segundo Esslemont e Kossaibati (2000) encontra-se de acordo com os objetivos ideais (>51%).
Figura 14 – Número de inseminações por gestação
0,0 10,0 20,0 30,0 40,0 50,0
3-17 dias 18-24 dias 25-38 dias 39-45 dias > 45 dias
% 2009 2010 2011 0,0 20,0 40,0 60,0 80,0 100,0 1 2 3 > 3 % Nº de inseminações 2009 2010 2011
Eficiência reprodutiva e produtiva de uma exploração de vacas leiteiras do Entre Douro e Minho
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Em resumo, apresenta-se o quadro 24 onde constam os valores observados e os valores tidos como objetivos por diversos autores referenciados ao longo deste trabalho. Destaca-se que apenas os índices taxa de gestação e número de inseminações por gestação se encontram dentro dos objetivos estabelecidos no quadro 24. Para a taxa de fecundidade, os resultados encontram- se dentro dos objetivos adotados por Young (2002), no entanto Esslemont e Kossaibati (2000) definem que este indicador deve ser superior a 91%.
Quadro 24 – Resultados médios obtidos para os índices reprodutivos e respetivos valores objetivo
Valores médios observados Valores objetivo
Intervalo entre inseminações (dias) 43 18-241
Id1ºP (meses) 26,5 242
Idade à 1ª inseminação (meses) 16,8 152