• Nenhum resultado encontrado

Resultados e Discussões

No documento 6 e 7 de Outubro, 2016 – Porto Alegre, RS (páginas 183-186)

específicos e, posteriormente, categorizadas em função das categorias de análise estabelecidas.       

Essa categorização será dinâmica e, em muitos casos, a etapa seguinte de exploração do material        será realizada através da interpretação e paráfrase das falas registradas nas entrevistas. 

2­  Exploração do material. Para esse fim, identificaremos as ideias implícitas e explícitas nas        entrevistas, buscando os sentidos mais amplos, atribuídos às ideias, e realizaremos o cotejamento        com a teoria estabelecida. Através da análise destes dados possivelmente encontraremos os        principais avanços, questões ocultas e, não raro, reformularemos as categorias de análise.  processados e ultra processados, aliado ao marketing desenvolvido pelas empresas tem impactado a cultura        alimentar. 

De acordo com Lang, Barling e Caraher (2009), as características da alimentação industrial foram        definidas pela indústria de alimentos. As tecnologias de armazenamento, transporte, embalagens e       

 

processamento (conservação artificial com uso de produtos químicos), segundo os autores, possibilitaram o        advento da “comida global”. Assim, com os alimentos cada vez mais processados, as indústrias adquirem o        poder de impor aos agricultores as condições de produção e os produtos que devem ser comercializados e aos        consumidores, com o uso massivo do marketing, à indução do consumo (Ibidem). 

Balem e Silveira (2015) discutem o processo de erosão da cultura alimentar, onde os alimentos cada vez        mais industrializados invadem a mesa dos consumidores, e as práticas alimentares tradicionais vão aos poucos        sendo substituídas por refeições rápidas e pré­prontas. Esse processo ocasiona um estreitamento da dieta        alimentar.  

No entanto, apesar do advento da “comida global”, muitos consumidores ainda preferem consumir        produtos dos mercados locais, nesse sentido as estratégias “face a face” de mercado se configuram em uma        alternativa de consumo para os consumidores e de renda e atividade para os agricultores. o estreitamento das        relações entre agricultores e consumidores é percebido nas feiras estudadas, pois a maioria dos consumidores        prefere comprar sempre dos mesmos agricultores. Por outro lado os agricultores, ao conhecer as demandas dos        consumidores mais jovens estariam menos presentes nas feiras, pois teriam hábito alimentar mais impactado e        erodido, utilizando a noção de Balem e Silveira (2015). No entanto, a faixa etária inferior a 50 anos totalizou 28       

Os consumidores possuem uma fidelidade as feiras, pois 62,5% dos questionados (30 consumidores),        frequentam semanalmente as mesmas, assim considerando que a forma de comercialização “face a face” é uma        alternativa em municípios pequenos, pois por haver maior familiaridade com os agricultores, desenvolvem­se        relações de confiança nos produtos a serem adquiridos. Além disso, esses espaços são os únicos onde os        consumidores podem adquirir produtos frescos, coloniais e com a identidade e cultura procurada pelos        consumidores. Como afirma Guimarães (2011) essas formas de mercado são construtoras de identidades        alimentares preservadas e recriadas. Além disso, de acordo com Estevam et. al. (2015), o contato “face a face”       

reduz os custos de transição ao aproximar o produtor do consumidor, uma vez que é possível conhecer a origem        dos produtos.  

Os produtos ofertados nas feiras são de grande quantidade e diversidade, como pode ser observado no        quadro 01. Observamos, desde a comercialização de hortifrutigranjeiros até agroindustrializados artesanalmente,        como panificados, doces, geleias, produtos de origem animal, além disso, a comercialização de grãos como        feijão, ovos, mel e carnes. Salientando que é mais expressivo é o consumo de hortifrutigranjeiros, pois se        considera que os mesmos recebam tratamento diferenciado aos que estão disponíveis nos mercados        convencionais. os consumidores acreditam que esses produtos recebem porções menores de agroquímicos no        processo produtivo, o que confere aos mesmos maior qualidade e saudabilidade. 

  

No caso dos processados a qualidade está relacionada diretamente com as características dos produtos        agroindustrializados artesanalmente ou coloniais, como são chamados nessas feiras, nesse caso, além do sabor e        das características simbólicas do produto, ainda é necessário considerar a ausência de produtos químicos que são        encontrados nos alimentos similares produzidos pelas grandes industrias alimentares.       ​Essa qualidade dialoga      diretamente com a produção artesanal e com a característica “caseira”, ou seja, aquela forma de fabricar que        pode ser repetida em casa, que é lembrada como o alimento que a mãe ou a vó fazia, presente no imaginário dos        consumidores. São alimentos com os quais, de alguma forma cultural, os consumidores se identificam. 

De acordo com Friedmann (2005), a completa globalização e transnacionalização da indústria alimentar        levam à crença de que todo o mercado seria globalizado e controlado por grandes e poucos complexos        transnacionais de controle da alimentação. No entanto, inúmeras iniciativas de mercados que valorizam mais os        atributos dos alimentos locais e sustentáveis contrariam essa lógica, a autora chama isso de contramovimento, ou        seja, movimentos contrários ao padrão hegemônico. Para Wiskerke (2009), a globalização e a industrialização do        abastecimento alimentar não desligaram o alimento por completo do seu contexto sociocultural e territorial,        elementos essenciais para a construção de uma proposta de paradigma alternativo. A busca por produtos        diferenciados nas feiras corroboram com a discussão da Friedmann (2005) e Wiskerke (2009). Apesar disso,        cabe salientar que muitos consumidores acreditam consumir produtos orgânicos ou agroecológicos (98%), no        entanto não são todos os agricultores que produzem dessa forma. ainda cabe salientar que 81,25% dos        consumidores questionados possuem preferência por produtos orgânicos e até mesmo 66,66% pagariam mais       

 

caro para tal alimento. Essa questão demonstra um consumidor mais consciente, disposto a consumir alimentos        livres de produtos químicos e uma agricultura que não está apta a atender esse consumidor. 

Ao considerar os critérios elencados como decisivos na compra de produtos das feiras são nítidas as        peculiaridades de confiança que os agricultores passam aos consumidores. No entanto, um aspecto negativo é        que os consumidores acreditam ter a possibilidade de consumir produtos orgânicos, o que não pode ser        comprovado com o instrumento aplicado nos agricultores. No entanto, mesmo ocorrendo essa questão, cabe        salientar que os agricultores de modo geral afirmam utilizar poucos produtos químicos na produção. Os        agricultores que afirmam não utilizar agroquímicos e produzir de forma orgânica não possuem certificação,        como determina o MAPA, de acordo com a Lei 10.831, de 31 de dezembro de 2003 que dispõe sobre a        agricultura orgânica e dá outras providências. Essa questão, novamente vem ressaltar as relações estabelecidas        no mercado “face a face”, principalmente a confiança, onde apenas o processo de interação construído basta para        o consumidor.

No documento 6 e 7 de Outubro, 2016 – Porto Alegre, RS (páginas 183-186)

Documentos relacionados