3 O PRESENTE NA PRÁTICA: EXPERIÊNCIAS NÃO CONVENCIONAIS NO
3.3 RESULTADOS E IMPRESSÕES DO ESTÁGIO: FEEDBACK DOS
No último dia de aula, aplicamos um questionário visando ter um retorno das impressões dos alunos sobre nossas aulas e nossa atuação como professores. Os resultados superaram nossas expectativas, demonstrando que havíamos logrado estabelecer a relação que buscávamos, além de desenvolver as aulas atingindo os objetivos esperados. De 32 alunos que responderam, 31 assinalaram que os professores, na forma de apresentação dos conteúdos, “Conseguiram simplificar e torná-los interessantes”. 26 avaliaram que seu ponto de vista foi considerado nas aulas, 2, não, e 4, “em termos”. Um comentário interessante de aluno que respondeu positivamente foi “Sim, porque consegui entender o que eles queria passar.”, ou seja, o aluno interpreta que, para compreender os conteúdos de uma aula, necessita que seu ponto de vista seja pautado. Esse era, justamente, um dos focos da proposta de ensino.
Nas respostas à questão que perguntava “O que você achou das aulas em comparação com as aulas que costumam ter, em outras disciplinas e com outros professores de Sociologia?” nota-se a repetição das palavras “dinâmicas”, “legais”, “fora da rotina”, “interessantes” e “diferentes”. Alguns exemplos: “A aula dos estagiários, não foi aula de escrever, copiar e etc... eles ensinaram de um tipo diferente, ensinaram com „brincadeiras‟”, “Ficou mais interessante do que imaginei.”, “Acho que as aulas foram mais atrativas do que as demais.”. 29 dos respondentes ponderaram que “as aulas foram mais divertidas que de costume e isso ajudou a entender os conteúdos.” e 30 consideraram que os métodos e materiais didáticos utilizados substituíram satisfatoriamente ou foram melhores que o livro didático. 31 colocaram que compreenderam os conteúdos, 18 com facilidade e 13 apesar de dificuldades. Quanto às regras combinadas em conjunto com a turma, 19 declararam que acharam legal e por isso respeitaram, e 12 acharam legal, mas nem sempre as cumpriram. 29 acharam que a avaliação foi realizada de modo justo.
A opinião final dos alunos expressada na respectiva questão foi extremamente gratificante como um retorno às nossas disposições como professores e mesmo emocionante, para nós, como pessoas. Seguem exemplos: “Gostei eles souberam explica a matéria no método da brincadeira podemos dizer assim, porque não foi a aula de
costume, so copiar e tal, foi um jeito diferente e muito legal.”, “Os estagiários fizeram atividades que os alunos participaram bastante e sim deu para entender bem a matéria.”, “Sim, porque os métodos utilizados pelos professores e o modo como o assunto era abordado, facilitou e muito o meu entendimento.”, “Foi interessante a aula e com algumas dinâmicas compreendi mais o conteúdo.”, “Não ficou uma aula monotona e chata.”, “As aulas foram divertidas e dinâmicas e isso ajudou a prender a atenção dos alunos.”, “Gostei, pois achei melhor que os métodos tradicionais de ensino.”. Uma resposta, em especial, desperta reflexão: “Gostei porque foi a matéria que eu mais participei.” – a colocação pressupõe que a participação gera prazer, ou seja, que aulas em que os alunos construam o conhecimento agenciando o processo tendem a propiciar interesse e gosto.
Nas questões que perguntavam sobre conteúdos que o aluno compreendeu bem e sobre os que não haviam ficado claros, percebemos uma variedade nas respostas, que provavelmente reflete não mais que a subjetividade de cada aluno, em suas inclinações e capacidades. Conteúdos apontados como desafiadores por alguns alunos foram mencionados por outros como pontos de compreensão. Desse modo, podemos supor que as dificuldades se deveram mais às idiossincrasias dos estudantes que às explicações dos estagiários, que, contudo, poderiam em outro contexto considerar um aprofundamento de cada conteúdo para grupos que necessitassem.
Sobre sua participação em aula, a maioria dos alunos ponderou uma participação razoável; reconhecem que atrapalham a aula conversando ou se dispersando mas que, contudo, sentiram-se participantes. Destacam-se duas declarações opostas: “Um pouco desperça quando eles só ficam explicando mais quando é dinâmica presto atenção.” e “Não participo muito pois não gosto de trabalho em grupo.”. A diversidade dos estudantes inclui os mais favoráveis às inovações didáticas bem como os que se sentem mais bem adaptados aos métodos tradicionais, ainda que seja uma minoria. Um aluno que integra essa parcela indicou como sugestão: “Terem um pouco mais de autoridade”.
A última questão indagava a opinião do aluno sobre estudar Sociologia e se essa havia sido alterada pelo período do estágio. As respostas variaram entre alunos que já gostavam, que não gostavam, que ainda não gostam e que passaram a gostar. Esse
último grupo comporta aproximadamente um terço da sala, que passou a gostar ou ampliou seu interesse pelo tema, o que representa uma parcela significativa e corrobora a hipótese de que aulas mais interativas proporcionam o envolvimento do aluno com o conteúdo. A uma questão que tende a surgir, referente à possibilidade de que aulas interativas percam em consistência teórica, a resposta de uma aluna é pertinente: “Sempre gostei muito de sociologia por causa do debate, mas os estagiários possibilitaram para mim aprender a parte mais teórica da sociologia.”. Quer dizer, aulas em forma de dinâmicas e atividades não apenas podem dar conta de teorias e conceitos, mas também têm o potencial de torná-los mais acessíveis à compreensão do estudante, que os manipula por si mesmo em sala.
Por fim, é relevante observar resultados em relação à proposta de realizar ou contribuir para atingir uma aprendizagem significativa nos alunos. Não é possível afirmar com segurança quanto aos efeitos e reflexões que as aulas provocaram em cada estudante; podemos, contudo, supor um resultado próximo ao almejado através de duas colocações feitas por alunos no questionário: “Sociologia mostra um pouco das coisas que agente mal sabe, como na aula do estágio eles nos mostra que todos temos sua cultura porque nossos pais ensinaram aquilo e seguimos e que se fosse em outro país, íamos ter os costumes deles e não o costume que meus pais me ensinaram” e “Acho bacana saber que nem tudo o que é considerado normal, realmente o é, que a opinião da sociedade pode ou não influenciar a nossa própria opinião”. Tais afirmações demonstram formas de apreensão que transcendem a Sociologia em si e a transpõem para interpretação e sentido atribuído pelo próprio aluno, conectando os conceitos à sua compreensão daquilo que vê.
4 O FUTURO DO PASSADO: REFLEXÕES DESCARTENIZADAS: