4.3 Modelo refor¸cado – RF
4.3.5 Resultados sobre RF
Nesta sec¸c˜ao mostram-se alguns resultados relativos `a formula¸c˜ao RF e `as suas relaxa- ¸c˜oes em programa¸c˜ao linear.
Sabe-se que um problema verifica a propriedade da integralidade se o seu valor ´optimo coincidir com o da sua relaxa¸c˜ao em programa¸c˜ao linear. No exemplo seguinte ´e analisada uma solu¸c˜ao ´optima da relaxa¸c˜ao em programa¸c˜ao linear RF para uma dada instˆancia do SARP.
Exemplo 4.2. Considere-se a instˆancia do SARP – cujo grafo aumentado se representa na Figura 4.2, onde os arcos com procura est˜ao a cheio – de parˆametros: tarefas com procura qu = 1 e dura¸c˜ao em servi¸co tu = 5; liga¸c˜oes com dura¸c˜ao em vazio du = 1;
K = 2 sectores; ve´ıculos de capacidade W = 2; dura¸c˜ao m´axima do servi¸co por sector L = 19; dura¸c˜ao de cada descarga λ = 1; e n´umero m´aximo de viagens por sector P = 2. Cada arco ´e designado pelo n´umero que se lhe juntou na figura (v[u] indica que v ´e o arco artificial associado ao arco u). O dep´osito e o dep´osito artificial situam-se, respectivamente, nos nodos 1 e 5 e os arcos artificiais foram numerados de 8 a 11.
3 2 4 1 1 2 7 6 5 4 3 5 8[1] 9[4] 10[5] 11[7]
Figura 4.2: Grafo aumentado G′ (Exemplo 4.2)
A solu¸c˜ao ´optima de RF ´e a apresentada na Tabela 4.1, de valor ´optimo 38.
Os valores das vari´aveis numa solu¸c˜ao ´optima da relaxa¸c˜ao em programa¸c˜ao linear RF (xpk
Tabela 4.1: Solu¸c˜ao ´optima para RF (Exemplo 4.2) Sector 1 2 Viagem 1 2 1 2 Viagem (5,7) (4,3,1) (5,7) (5,6,1) Tarefas servidas 7 3,4 5 1,6 Dura¸c˜ao da viagem 7 12 7 12 Dura¸c˜ao do sector 19 19
Tabela 4.2: Solu¸c˜ao ´optima para RF (Exemplo 4.2)
Sector (k) 1 2 Viagem (p) 1 2 1 2 Arco (u) 1 (5/12;0;5/12) (0;1;0) (7/12;0;7/12) 3 (1;0;1) 4 (1;0;2) 5 (1;0;2) (0;5/12;5/6) (0;7/12;7/6) 6 (5/12;0;5/6) (7/12;0;7/6) 7 (1;0;1)
Valores de xpku, yupke fupkdados nos ternos (xpku; yupk; fupk).
Os valores n˜ao apresentados s˜ao nulos.
Como se pode ver, para esta instˆancia existe uma solu¸c˜ao ´optima de RF n˜ao inteira de valor ´optimo 35 e, consequentemente, o valor ´optimo de RF (38) ´e estritamente superior ao valor ´optimo da relaxa¸c˜ao em programa¸c˜ao linear RF . ¤
Este exemplo permite enunciar a proposi¸c˜ao que se segue, onde se mostra que a formula¸c˜ao RF do SARP n˜ao verifica a propriedade da integralidade.
Proposi¸c˜ao 4.3. A formula¸c˜ao RF n˜ao verifica a propriedade da integralidade.
Prova. A instˆancia do SARP considerada no Exemplo 4.2 mostra que a formula¸c˜ao
RF n˜ao verifica a propriedade da integralidade.
Defina-se desvio linear como sendo a diferen¸ca entre o valor ´optimo de um problema e o valor ´optimo da respectiva relaxa¸c˜ao em programa¸c˜ao linear. O corol´ario seguinte estabelece que o valor ´optimo do SARP pode ser estritamente superior ao valor ´optimo da relaxa¸c˜ao em programa¸c˜ao linear de RF , ou seja, que o desvio linear pode ser positivo.
Corol´ario 4.1. O desvio linear de RF ´e superior ou igual a zero e existe pelo menos
uma instˆancia do SARP para a qual ´e estritamente positivo.
Prova. Sendo RF uma relaxa¸c˜ao de RF e este um problema de minimiza¸c˜ao, tem-se
que v(RF ) > v(RF ), donde sai imediatamente que o desvio linear de RF ´e superior ou igual a zero. Relativamente `a segunda parte da proposi¸c˜ao, basta considerar o Exemplo 4.2.
Os dois exemplos e as duas proposi¸c˜oes apresentados abaixo dizem tamb´em respeito a relaxa¸c˜oes quanto `as vari´aveis consideradas na formula¸c˜ao RF . A partir delas ir´a poder concluir-se que a integralidade das vari´aveis que representam o n´umero de travessias de arcos em vazio, ypk
u , n˜ao ´e suficiente para garantir que as vari´aveis de servi¸co, xpku ,
assumam valores bin´arios quando esta ´ultima condi¸c˜ao ´e omitida e vice-versa.
Seja dRF a relaxa¸c˜ao de RF resultante da substitui¸c˜ao das vari´aveis de servi¸co bin´arias, xpk
u , por vari´aveis reais definidas no intervalo [0, 1].
Exemplo 4.3. Considere-se a instˆancia do SARP do Exemplo 4.2 (p´ag. 81). Na Tabela 4.3 s˜ao apresentados os valores das vari´aveis xpk
u , yupk e fupk numa solu¸c˜ao ´optima
de dRF , sendo 35 o valor correspondente.
Tabela 4.3: Solu¸c˜ao ´optima para dRF (Exemplo 4.2)
Sector (k) 1 2 Viagem (p) 1 2 1 2 Arco (u) 1 (0;1;0) (1;0;1) 3 (1;0;1) 4 (1;0;2) 5 (7/11;0;14/11) (0;1;2) (4/11;0;8/11) 6 (1;0;2) 7 (7/11;0;7/11) (4/11;0;4/11)
Valores de xpku, yupke fupkdados nos ternos (xpku; yupk; fupk).
Os valores n˜ao apresentados s˜ao nulos.
Observa-se ent˜ao que, para esta instˆancia, existe uma solu¸c˜ao ´optima da relaxa¸c˜ao dRF n˜ao inteira para as vari´aveis xpk
u e fupk cujo valor ´e estritamente inferior ao valor ´optimo
Este exemplo ´e usado na proposi¸c˜ao que se segue, onde se mostra que a integralidade das vari´aveis que representam o n´umero de travessias de arcos em vazio, ypk
u , n˜ao ´e
suficiente para garantir que as vari´aveis de servi¸co, xpk
u , sejam bin´arias, ou seja, n˜ao ´e
suficiente para impor a integralidade da solu¸c˜ao ´optima. Proposi¸c˜ao 4.4. As vari´aveis de servi¸co, xpk
u , podem n˜ao assumir valores ´optimos
bin´arios na relaxa¸c˜ao dRF .
Prova. Para a instˆancia do SARP tomada no Exemplo 4.3 resultou uma solu¸c˜ao ´optima
com valores n˜ao bin´arios para as vari´aveis xpk
u . Conclui-se assim que a relaxa¸c˜ao dRF
n˜ao garante a integralidade da solu¸c˜ao ´optima.
Seja gRF a relaxa¸c˜ao de RF em que as vari´aveis inteiras n˜ao negativas relativas ao n´umero de travessias de arcos em vazio, ypk
u , s˜ao substitu´ıdas por vari´aveis cont´ınuas
n˜ao negativas.
Exemplo 4.4. Considere-se a mesma instˆancia do SARP – Exemplo 4.2 (p´ag. 81). Na Tabela 4.4 ´e dada uma solu¸c˜ao ´optima de gRF (xpk
u , yupk e fupk), de valor 37.5.
Tabela 4.4: Solu¸c˜ao ´optima para gRF (Exemplo 4.2)
Sector (k) 1 2 Viagem (p) 1 2 1 2 Arco (u) 1 (1;0;1) (0;1/2;0) (0;1/2;0) 2 (0;1/2;0) 3 (0;1;1) (1;0;1) 4 (1;0;2) (0;1/2;1) 5 (0;1/2;1) (1;0;2) 6 (1;0;1) 7 (1;0;1) 8 (0;1/2;0) 9 (0;1/2;0)
Valores de xpku, yupke fupkdados nos ternos (xpku; yupk; fupk).
Os valores n˜ao apresentados s˜ao nulos.
Para esta instˆancia verifica-se que existe uma solu¸c˜ao ´optima da relaxa¸c˜ao gRF n˜ao inteira para as vari´aveis ypk
u cujo valor ´e estritamente inferior ao valor ´optimo de RF
Este exemplo sugere a proposi¸c˜ao enunciada a seguir, onde se diz que o facto de as vari´aveis de servi¸co, xpk
u , serem bin´arias n˜ao ´e suficiente para garantir a integralidade
das vari´aveis que representam o n´umero de travessias de arcos em vazio, ypk
u , ou seja,
n˜ao ´e suficiente para assegurar a integralidade da solu¸c˜ao ´optima.
Proposi¸c˜ao 4.5. As vari´aveis de servi¸co que representam o n´umero de travessias de
arcos em vazio, ypk
u , podem n˜ao assumir valores ´optimos inteiros na relaxa¸c˜ao gRF .
Prova. Para a instˆancia do SARP usada no Exemplo 4.4 existe uma solu¸c˜ao ´optima
de gRF com valores n˜ao inteiros para as vari´aveis ypk
u . Conclui-se ent˜ao que a relaxa¸c˜ao
g
RF n˜ao garante a integralidade da solu¸c˜ao ´optima.