4 RESULTADOS
A tabela 1 apresenta os dados referentes às características antropométricas e os parâmetros estabilométricos dos grupos analisados. Nosso estudo encontrou efeito do fator largura de oscilação do CP no eixo Y (F= 4.47 e P= 0.04) do grupo de idosas praticantes de exercício físico (1.63±0.48) em relação a idosas asiladas (2.50±1.30). Efeito também encontrado na área total de oscilação do CP (F= 12.44 e P= 0.001) do grupo exercício físico (2.38±1.42) sobre as idosas asiladas (4.96±4.30) e velocidade média do CP (F= 4.23 e P= 0.04) do grupo exercício físico (1.64±0.79) e asiladas (1.89 ± 1.00). Nas demais variáveis estabilométricas não se encontrou diferença significativa entre os grupos analisados.
Tabela – 1. Média e desvio padrão das características antropométricas e parâmetros estabilométricos dos grupos analisados bem como sua análise de variância simples
Média ± Desvio Padrão Variáveis Grupo Fisicamente ativas Grupo Asiladas F P Estatura (cm) Peso (kg) IMC (kg\cm²) Largura X (mm) Largura Y (mm)* Área (mm²)* 1.57±0.056 65.88±11.30 26.57±4.93 1.85±0.86 1.63±0.48 2.38±1.42 1.57±0.064 61.66±11.30 23.76±4.27 2.19±1.05 2.50±1.30 4.96±4.30 0.002 0.961 0.486 0.490 0.037 0.849 0.260 0.613 4.477 0.042 12.44 0.001 Velocidade (mm\s)* 1.64±0.79 1.89±1.00 4.23 0.04
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5 DISCUSSÃO
O presente estudo demonstrou maior instabilidade postural, avaliada pela estabilometria, no grupo de idosas asiladas em relação ao grupo de praticantes de exercícios físicos. Tal fato vem em encontro com o já exposto na literatura sobre a diminuição das capacidades funcionais no idoso; concomitante “a uma maior tendência a quedas, que constituem um dos principais problemas clínicos e de saúde pública, devido a sua alta incidência, aos custos assistenciais e às diversas complicações” (MCLEAN e LE COUTER, 2004 apud PADOIN et al 2010, p. 162) ocorridas, dentre elas, destacam-se as “fraturas, lacerações, declínio funcional, hospitalizações e óbito (AMADOR e LOERA, 2006 apud PADOIN et al 2010, p. 162)”.
Em virtude do declínio natural das capacidades motoras ocorridas durante o processo de senescência acredita-se que o exercício físico promova efeito positivo no que se refere à redução desse declínio. Dentre os principais componentes afetados nesse processo atribui-se a diminuição da massa muscular e da força muscular como sendo a maior causa pela degeneração da mobilidade e da capacidade funcional do idoso; sendo algumas características com padrões mais estáveis como a força dos músculos relacionados com as atividades diárias, força isométrica, contrações excêntricas, contrações de velocidade lenta, contrações repetidas de baixa intensidade, força de articulação de pequenos ângulos; outras já sofrem uma diminuição mais acentuada como a força dos músculos de atividades especializadas, força dinâmica, contrações concêntricas, contrações de velocidade rápida, produção de potência, força de articulação de grandes ângulos, força muscular no sexo feminino (SPIRDUSO, 1995 apud MATSUDO et al 2000, p. 26). Sendo justamente as características que mais se deterioram com o passar dos anos aquelas responsáveis pelo bom funcionamento do sistema de controle postural e ajustes responsáveis pela instabilidade postural.
São vários os fatores que podem explicar a perda de força no envelhecimento, esses mecanismos podem ser divididos em três grandes grupos, 1) musculares (atrofia muscular, alteração da contractilidade muscular ou do nível enzimático; 2) neurológicos (diminuição do número de unidades motoras, mudanças no sistema nervoso ou alterações endócrinas e ambientais;
3) nível de atividade física, má nutrição ou doenças (PORTER et al 1995 apud MATSUDO et al 2000, p. 26-27), demonstrando portanto que o exercício físico constitui um fator importante na prevenção de distúrbios oriundos dessas alterações.
Acreditamos que em nosso estudo encontrou-se diferenças estatisticamente significantes entre os grupos praticantes de exercícios físicos e asiladas sedentárias, tanto pelas adaptações provenientes da prática regular de exercício físico como nos mecanismos de origem central e mecanismos efetores que controlam e respondem as alterações do equilíbrio entre as forças responsáveis pela estabilidade postural. Embora essas características não tenham sido avaliadas, possivelmente este seja um dos poucos fatores que poderiam exercer algum efeito sobre os parâmetros estabilométricos.
O processo de senescência deteriora os sistemas do controle da postura, tanto nos componentes do sistema sensorial (visual, somatossensorial e vestibular), quanto o sistema efetor (força, amplitude de movimento, alinhamento biomecânico, flexibilidade) e central. Além disso, a integração dos vários sistemas corporais é fornecida sob comando central, que por sua vez sofre acentuado declínio com o aumento da idade cronológica (GAZZOLA et al 2006 apud MEIRELES et al 2010 p. 106).
Mediante os resultados encontrados em nosso estudo, nota-se a importância de promover medidas de incentivo a prática regular e contínua de exercícios físicos na população idosa como forma de promover “maior longevidade, prevenção do declínio cognitivo, manutenção da capacidade funcional, redução de quedas e incidência de fraturas e melhora da auto-estima ((MCLEAN e LE COUTER, 2004 apud PADOIN et al 2010, p. 163). “Exercícios físicos de qualquer natureza acabam por melhorar o contato social, o humor e diminuem a depressão (PADOIN et al 2010, p. 163)”.
Assim, o envelhecimento populacional associado ao crescimento da expectativa de vida traz a necessidade por “ações preventivas, as quais possam controlar os fatores de risco das quedas e promovam medidas que visem a participação dessa população à prática de atividade física (GUIMARÃES, 2004 apud PADOIN et al 2010, p. 163)”.
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6 CONCLUSÃO
A partir dos dados analisados aceitamos a hipótese sobre idosas praticantes de exercícios físicos regulares, domiciliadas na comunidade, apresentarem maior estabilidade corporal, avaliada pela estabilometria, que idosas sedentárias asiladas; demonstrando, por conseguinte, a importância clínica do exercício físico na estabilidade corporal das idosas avaliadas. Sugere-se em futuras investigações, analisar os fatores intervenientes na estabilidade como grau de força muscular, composição corporal, níveis de flexibilidade e capacidade funcional, estado cognitivo, tempo de prática de exercício físico bem como a especificação da modalidade, intensidade e freqüência do exercício físico realizado.
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