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5 METODOLOGIA DA PESQUISA DE CAMPO

5.3 MODELO MOW

5.3.3 Resultados valorizados do trabalho (3)

O foco principal desta etapa da pesquisa do MOW foi coletar informações sobre o porquê das pessoas estarem exercendo determinadas funções laborativas. Em outras palavras, seria explorar questões motivacionais. No processo de trabalho os indivíduos procuram resultados e os reais propósitos desta atividade na vida deles. Para se conhecer estes itens do levantamento, o modelo do MOW idealizou perguntas-chave que seriam: porque a pessoa trabalha e dispende mais ou menos esforços no trabalho; qual a razão de ficar ou deixar um

emprego; por que motivo ele precisa ou não ir além daquilo que está prescrito como “dever”; qual a justificativa para exercer tarefas que não pertencem ao papel estipulado pela função; qual o propósito de atingir metas individuais maiores do que as estabelecidas.

Os produtos valorizados nos resultados da pesquisa do MOW em oito países estão na seguinte ordem: a remuneração; interesse e satisfação; relações sociais e interpessoais; servir a sociedade; ocupar o tempo; status e prestigio (KUCHINKE et al., 2014). Do mesmo modo, na pesquisa de campo desta dissertação, apareceram os aspectos da centralidade, das normas e dos resultados do trabalho tendo como fundamento os seguintes temas que abordam a Qualidade de Vida: o que é Qualidade de Vida; o que é tempo livre; prática de atividades no tempo livre e quais seriam elas; a diferença entre as atividades no trabalho e fora do trabalho; as relações entre tempo livre e tempo de trabalho.

Para Quintanilla e England (1994), na sociedade industrial, o significado do trabalho e seus resultados para o indivíduo são de grande relevância dado que ele preenche grande quantidade do tempo de vida do trabalhador, produz benefícios e custos econômicos, fisiológicos e sociais os quais estão relacionados com as demais áreas da vida pessoal como família, lazer, religião e comunidade. De acordo com os autores, outras noções permeiam esta afirmação e elas provêm de diversos autores que fizeram pesquisas de campo e obtiveram resultados diversos.

Por exemplo, em dois levantamentos, os respondentes definiram o trabalho como uma atividade que requer energia e empenho físico ou mental; em outro, a percepção sobre os resultados do trabalho estava ligada a sensação de pertencimento a um grupo social de grande escala; o trabalho é fonte definidora da identidade e de relações de parceria; três levantamentos abordam a questão do prazer: ele não é prazeroso; “trabalho é trabalho e pode ser agradável. Mas quando não é, mesmo assim deve ser feito” (ditado popular sem autoria); e finalmente, ele não pode ser simplesmente representado como algo que a pessoa não gosta de fazer.

Dando continuidade, os autores analisaram noções que dizem respeito à obrigação e ao controle das atividades laborativas. Fatores que interferem na construção conceitual do trabalho podem resultar do ambiente, do tempo dedicado ao trabalho, da jornada, de impedimentos, da chefia, responsabilidade e coerção. Quintanilla e England corroboram com

Firth (1948)37 quando ele afirmou existir algo de arbitrário, opinativo na definição de trabalho.

Quanto aos diversos aspectos de motivação ou satisfação pessoal relacionados com a atividade laboral, a grande maioria (74%) não atribuiu sentidos aos produtos do trabalho. O Gráfico 6, na próxima página, mostra um desiquilíbrio entre a importância atribuída à realização pessoal e a remuneração, que foram os dois resultados que obtiveram maior incidência, e a qualidade de vida. Somente 26% dos entrevistados explicitou na construção de significados o cruzamento entre o tempo livre e o tempo de trabalho com os benefícios pessoais provindos do trabalho.

Gráfico 6 – Percepção dos Resultados Valorizados do Trabalho pelo entrevistados. Fonte: Elaborado pela autora.

Nas relações entre qualidade de vida e trabalho destacam-se as seguintes relações:

1- Realização pessoal

“Se bem que no trabalho você pode ter a sua satisfação alcançando os objetivos, melhorando alguma coisa, tornando o trabalho melhor, o ambiente melhor”; “Fazer a ______________

37 FIRTH, Roderick (1917-1987). Ocupou vários cargos acadêmicos, incluindo o de professor de Filosofia na Universidade de Harvard. Ele é conhecido por seu trabalho “Teoria do Observador Ideal e o empirismo radical”. Disponível em:< http://www.rci.rutgers.edu/~stich/104_Master_File/104_Readings/Firth/Firth%20-

diferença. Eu não quero trabalhar num lugar onde eu só fique de modelo lá, sem não ter nenhuma função, nenhuma atividade ou que nada dependa de mim. Eu gosto da atividade. Gosto de fazer a diferença”; “Quanto mais eu consigo produzir, sem me deixar interferir por fatores externos, ficar feliz comigo mesmo, trabalhar acho que tudo isso influencia minha qualidade de vida”; “Eu trabalho aqui há 46 anos. Trabalho com o público e atendo muito bem ao pessoal e isso dá uma satisfação pra gente. E esta satisfação gera saúde”; “Houve uma evolução grande no meu trabalho, eu não era muito organizado. Já passei a me organizar mais, o trabalho é fundamental, ele tem me ajudado muito”; “A qualidade de vida ela pode vir no trabalho. Um trabalho com qualidade de vida”; “Costumo dizer assim: quando você desempenha uma função dentro daquilo que você gosta, que você escolheu pra ser a sua profissão você faz com satisfação”.

2- Benefícios da jornada flexibilizada

“Pra mim algo muito significativo tem sido trabalhar seis horas por dia. Teve „nossa!‟ uma melhoria gritante, assim, na minha Qualidade de Vida”; “Como a gente tem um jornada flexibilizada de seis horas, consigo conciliar a faculdade, meu tempo livre e o trabalho. Ela permite que a gente tenha uma ótima qualidade de vida. Porque se eu trabalhasse 8 horas eu sairia do trabalho e iria direto pra faculdade. Não teria tempo no final de semana pra ir surfar, ou não teria tempo pra ir na academia porque eu teria que aproveitar este tempo pra estudar”; “Bom, Qualidade de vida pra mim começa pelo trabalho. A jornada flexibilizada possibilitou que eu pudesse fazer outras coisas, e dentro dessas coisas algumas atividades que eu não poderia fazer em virtude das oito horas”.

3- Rendimentos

“Hoje estou aqui trabalhando. Acho que isso influencia no resto da minha vida. Porque o primeiro ponto que você tem como uma pessoa economicamente ativa é o trabalho”; “para mim, Qualidade de Vida é ter um trabalho, é ganhar o meu dinheiro, pra que eu possa viajar, poder dar um conforto pra minha família, ter um conforto próprio”. “Eu não tenho grandes ambições de ficar rica. Senão eu não estaria no serviço público. Porque eu tenho um salário que cobre as minhas necessidades, paga as minhas contas, eu não tenho uma vida extravagante, de luxo nem nada disso”. “Aqui eu ganho dinheiro fazendo o que eu gosto de

fazer”; “O tempo de trabalho é tempo profissional é o tempo que me mantem financeiramente e onde tenho que me dedicar e me dedico. Quando estou no trabalho é para o trabalho, é o „ganha pão‟. É a Instituição que você elegeu pra sua vida financeira inclusive”.