6.2 Resumo das respostas obtidas dos questionários Questionário online
O primeiro envio do questionário online aconteceu no dia 26/09/2018 e, inicialmente, foram recebidas 12 respostas. Após o reenvio em 15/02/2019 foi contabilizado um total de 19 respostas de professores de Matemática de diferentes escolas de Juiz de Fora/MG e região. Supõe-se que esse número de respostas, relativamente baixo com relação ao número de 94 escolas contactadas, deu-se porque os e-mails eram institucionais e não foram repassados aos professores ou pelo fato de que esses não possuíam interesse em participar da pesquisa.
Neste momento iremos retomar as perguntas, associá-las ao quantitativo de respostas e buscar traçar uma interpretação qualitativa dos dados a fim de promover discussões sobre os tópicos envolvidos. A primeira pergunta buscava identificar a formação do entrevistado: “Qual é a sua formação?”, constando, assim, 13 licenciados em Matemática, 5 graduados em Pedagogia e 1 mestre em Educação Matemática.
Em sequência, no questionamento “Qual o nome da(s) escola(s) em que leciona?”, foi solicitado que registrassem o nome da(s) escola(s) em que lecionam, para facilitar o acesso à mais informações e possibilitar as visitas às escolas. Foram 17 escolas apontadas, pois 4
professores ensinavam no mesmo local (dois a dois). Ao serem questionados sobre as escolas possuírem um Laboratório de Matemática, todas as respostas foram negativas. Apesar de todos os professores atuarem em Juiz de Fora, não é possível generalizar tal ocorrência, entretanto, reforça-se a ideia inicial de que há poucos – ou nenhum – laboratórios da disciplina em escolas básicas.
A quarta questão, “A escola que você leciona possui um Laboratório de Matemática?”, tornava possível assinalar mais de uma resposta e, do mesmo modo, inserir uma resposta escrita distinta. Essa indagava as denominações para um Laboratório com materiais e atividades ligadas à Matemática que os docentes possuíam conhecimento, sendo as respostas e respectivas quantidades:
Tabela 3. Respostas referentes à quarta questão. Laboratório de Matemática 11 Laboratório de Ensino de Matemática 11 Laboratório de Educação Matemática 9 Laboratório de Pesquisa em Matemática 3 Laboratório de Ciências 1
Experimentoteca 1
Fonte: Autora da pesquisa.
Esse item traz à tona a necessidade de se discutir a definição e, para além disso, a caracterização do espaço de um laboratório. Há muitas denominações, sendo “Laboratório de (Ensino de) Matemática” a mais comum em estudos e publicações, entretanto, se faz relevante estudar os diferentes nomes e definir qual melhor se aproxima do objetivo em questão.
O próximo tópico, “Durante sua formação acadêmica, teve contato com um Laboratório de Matemática?”, procurava sondar se, durante a formação acadêmica, esses professores tiveram contato com um Laboratório de Matemática. Em suma, a maioria (12 professores) declarou não ter experienciado qualquer tipo de situação nesse ambiente, o que demonstra que esses professores provavelmente possuem um conhecimento reduzido sobre o assunto. Isso pode estar diretamente relacionado à ausência de laboratórios nas escolas, uma vez que, se os professores não possuem familiaridade com a prática, não terão interesse ou motivação em colocá-la em execução.
Em seguida, o sexto item perguntava “Quando se fala no assunto "material didático/pedagógico", qual o primeiro nome que você poderia citar?”. Sendo essa uma questão discursiva, as respostas e respectivas quantidades recebidas foram:
Fonte: Autora da pesquisa.
Nota-se que há uma concentração em materiais como “Jogos” e o próprio “Livro didático”, sendo o último ponto importante para se debater com os docentes uma vez que a implementação do laboratório surge como alternativa ao formato tradicional de ensino e seus recursos habituais. Quanto aos jogos, esse termo é geralmente utilizado para englobar materiais que promovem a ludicidade, estando associados com os materiais didáticos manipuláveis, recursos relevantes no laboratório.
Ainda sobre o tema, foi indagado: “Você utiliza algum material pedagógico nas aulas além do livro didático?”, procurando saber se os professores possuíam práticas que diferem do ensino tradicional. A maioria (16 respostas) afirmou que procura utilizar outros recursos no momento de ensinar a disciplina.
A última pergunta, “Você considera que um espaço como o do Laboratório de Matemática na escola pode favorecer o processo de aprendizagem de seus alunos?”, buscava saber se, para esses docentes, o Laboratório de Matemática na escola era considerado como um espaço que poderia favorecer o processo de aprendizagem de seus alunos. Todos os professores responderam de maneira positiva, o que fortaleceu, entre outros fatores, a intenção de desenvolver o curso e manter o contato para promover essas reuniões.
Questionário impresso
Conforme evidenciado anteriormente, o primeiro registro do questionário impresso aconteceu no dia 02/10/2018 e, até a primeira quinzena de abril de 2019, após o tratamento das
Jogos 4
Livro didático 4
Material Dourado 2
Sólidos geométricos 2
Lúdico 1
Metodologia alternativa de ensino 1
Laboratório 1
TICs 1
Tangram 1
Maria Montessori 1
informações de acordo com os objetivos da pesquisa, foram coletados 38 questionários de professores de Matemática que atuam na cidade de Juiz de Fora/MG e região.
No período de outubro/18 a abril/19, foram registrados um total de 38 formulários respondidos. Como o questionário não foi feito especificamente para a pesquisa e contém dados que extrapolam esta investigação, o filtro principal aplicado para a seleção de docentes foi a demonstração de interesse pela prática (pergunta número 8): “Você tem interesse em participar de um minicurso para discutir o Laboratório de Matemática e as metodologias/materiais que nele podem ser desenvolvidas?” Por quê?). Dos participantes que assinalaram a resposta positiva, as seguintes respostas foram registradas:
Tabela 5. Respostas dos docentes interessados.
“Acho muito interessante e vai agregar valor nas minhas aulas. Também gostaria de montar um laboratório na minha escola.”
“Eu gosto muito de usar diversos materiais para dar aula. Quero aperfeiçoar conhecimentos.” “Porque de fato seria enriquecedor para exercer a minha profissão.”
“Para dar suporte nas aulas de Matemática com meus alunos.”
“Esses minicursos poderiam ser feitos nas escolas, principalmente em escolas de outras cidades.”
“Parabenizo o LaCEM pela ótima recepção e espaço oferecido aos alunos. Além da organização, há profissionais mediadores qualificados para despertar o saber dos alunos.
Parabéns!”
“Enquanto professora de Matemática, isso pode me ajudar muito com as práticas dentro de sala de aula.”
“Seria muito bom aprendizado.”
“Acho interessante continuar convidando escolas públicas e serviços assistenciais de JF e região para participarem de momentos que propicie o interesse pela Matemática e afins.”
“Porque é muito interessante.”
“Sim. Possibilidade de crescimento profissional e novas metodologias de trabalho.” “Para melhorar a minha prática em sala de aula e, quem sabe, construir um minilaboratório de
Matemática na escola.”
“O trabalho complementa nossas atividades da sala de aula.”
“Porque a Matemática está presente no nosso dia-a-dia. Gosto de aprender formas diferentes de ensinar a Matemática.”
“Aprendizagem contínua.”
“Aprimorar meu conhecimento e dessa forma passo mais conhecimento aos meus alunos.” “Acredito na importância de conhecer novas metodologias para meu crescimento profissional
e levar mais qualidade aos alunos.”
“Para tornar as aulas de Matemática prazerosas e dinâmicas.” “É sempre bom aprender.”
“Para pensar melhor sobre o ensino da Matemática.” “Aprimoramento profissional.”
“Para me ajudar a lecionar e para conhecimento.”
“A troca de conhecimento é importante para o conhecimento de ambas as partes.” “Para enriquecimento da minha prática pedagógica.”
“Para enriquecimento da minha prática pedagógica.” “Porque faz parte da minha profissão.”
“Há mais prazer no aprendizado a partir de materiais concretos.” “Para poder implantar na escola que trabalho.”
“É importante para nós, professores, discutir novas metodologias de ensino na área de Exatas.”
Fonte: Autora da pesquisa.
Oito professores apenas demonstraram interesse em participar, sem oferecer mais informações. Alguns professores alegaram não terem tempo ou não residirem na cidade de Juiz de Fora, o que impossibilitaria que participassem de um curso de formação continuada. Seguindo esses critérios, de um total de 38 registros, os questionários de 28 docentes foram selecionados para serem examinados com maior atenção.
Como consta nas respostas desses docentes, foram contabilizados professores de diferentes cidades além de Juiz de Fora/MG, como consta na tabela abaixo:
Tabela 6. Distribuição dos docentes por cidade. Cidade Nº de docentes Juiz de Fora/MG 19 Petrópolis/RJ 2 Viçosa/MG 1 Três Rios/RJ 1 Barbacena/MG 1 Tombos/MG 1 Ewbank da Câmara/MG 1 Além Paraíba/MG 1 Vassouras/RJ 1
Fonte: Autora da pesquisa.
Desse quantitativo, 7 docentes são vinculados ao ensino privado, 14 lecionam em escolas estaduais e 6 em escolas do município (uma docente não registrou a escola à qual é vinculada). A priori o público-alvo da pesquisa estava definido como professores que ensinam Matemática nos segmentos do Ensino Fundamental II e Médio em escolas públicas. Ao se deparar com inscrições de professores de outros segmentos e que desejavam participar da pesquisa, optou-se por também selecionar docentes do Ensino Fundamental I e de escolas particulares.
Destaca-se que, de maneira semelhante aos dados do questionário online, todas as respostas observadas indicaram que não há um espaço como o do laboratório no local em que esses professores lecionam, reforçando que esse ambiente não é habitual nas escolas da cidade e região. Entretanto, observando as respostas organizadas na tabela 5, é possível notar que os
docentes demonstram interesse pela prática, uma vez que alguns declaram que gostariam de implementar um laboratório em sua escola, outros acreditam que um curso de formação continuada influenciaria de maneira positiva em sua prática, além de falas que afirmam considerar que a utilização de novas metodologias pode tornar o processo de aprendizagem da matemática mais dinâmico.
A seguir será apresentado um levantamento complementar realizado com o intuito de se obter informações gerais e possíveis indicativos sobre a relação laboratório-escola. Nesse procedimento foram levantados dados por meio da pesquisa de sites de laboratórios em funcionamento. Essa busca também pretendia analisar as principais características, atividades e recursos de cada um dos laboratórios encontrados, a fim de agregar maiores informações e singularidades da prática, relacionando-as ou distinguindo-as.