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Resumo das vantagens e desvantagens dos processos de amostragem

A Tabela 3 apresenta um resumo com os pontos fortes e fracos das técnicas de amostragem não-probabilística e probabilística.

Tabela 3 - Resumo de pontos fortes e fracos das técnicas básicas de amostragem

Amostragem Não-Probabilística

Técnicas Pontos Fortes Pontos Fracos Amostragem por

Conveniência

Menos dispendiosa Consome menos tempo Mais conveniente

Tendenciosidade de seleção Amostra não é representativa Não recomendada para pesquisa descritiva

Amostragem por Julgamento

Baixo custo Conveniente

Não consome tempo

Não permite generalização Subjetiva

Amostragem por Quotas

Amostra pode ser controlada em relação a determinadas

características

Tendenciosidade de seleção

Não há garantia de representatividade Amostragem tipo

Bola-de-neve

É possível estimar características raras

Amostragem Probabilística

Técnicas Pontos Fortes Pontos Fracos Amostragem

Aleatória Simples

Entendida facilmente Resultados projetáveis

Arcabouço Amostral difícil de construir Dispendiosa

Baixa precisão

Não há garantia de representatividade Amostragem

Sistemática

Pode aumentar a representatividade

Mais fácil de implementar do que a amostra aleatória simples Não é necessário arcabouço amostral

Amostragem Estratificada

Inclui todas as subpopulações importantes

Precisão

Difícil de selecionar variáveis de estratificação relevantes

Não é fácil de estratificar em muitas variáveis Dispendiosa Amostragem por Conglomerados Fácil de implementar Baixo custo Imprecisa

Dificuldade de calcular e interpretar resultados

No Brasil, assim como em outros países, existe uma legislação específica para orientar a preservação da saúde e da integridade dos trabalhadores em seus ambientes laborais. Dentre as Normas Regulamentadoras de Segurança e Medicina do Trabalho, a Norma Regulamentadora NR – 9 trata da obrigatoriedade da elaboração e implementação, por parte de todos os empregadores e instituições que admitam trabalhadores como empregados, isto é, regidos pela CLT, do Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA).

Esta norma prevê a necessidade do reconhecimento e avaliação de riscos ambientais existentes ou que venham a existir no ambiente de trabalho, levando em consideração a proteção do meio ambiente e dos recursos naturais. Além disso, regulamenta a responsabilidade do empregador e do empregado frente a estes riscos.

A mesma norma estabelece o que são considerados riscos ambientais passíveis de controle, conforme abaixo descrito:

9.1.5. Para efeito desta NR, consideram-se riscos ambientais os agentes físicos, químicos e biológicos existentes nos ambientes de trabalho que, em função de sua natureza, concentração ou intensidade e tempo de exposição, são capazes de causar danos à saúde do trabalhador.

9.1.5.1. Consideram-se agentes físicos as diversas formas de energia a que possam estar expostos os trabalhadores, tais como: ruído, vibrações, pressões anormais, temperaturas extremas, radiações ionizantes, radiações não ionizantes, bem como o infra-som e o ultra-som.

9.1.5.2. Consideram-se agentes químicos as substâncias, compostos ou produtos que possam penetrar no organismo pela via respiratória, nas formas de poeiras, fumos, névoas, neblinas, gases ou vapores, ou que, pela natureza da atividade de exposição, possam ter contato ou ser absorvido pelo organismo através da pele ou por ingestão.

9.1.5.3. Consideram-se agentes biológicos as bactérias, fungos, bacilos, parasitas, protozoários, vírus, entre outros.

A prevenção dos riscos ambientais é feita através da avaliação dos riscos e da exposição dos trabalhadores, da implantação de medidas de controle e avaliação de sua eficácia.

O reconhecimento dos riscos ambientais deverá conter a sua identificação; a determinação e localização das possíveis fontes geradoras; a identificação das possíveis trajetórias e dos meios de propagação dos agentes no ambiente de trabalho; a identificação das funções e determinação do número de trabalhadores expostos; a caracterização das atividades e do tipo da exposição; a obtenção de dados existentes na empresa, indicativos de possível comprometimento da saúde decorrente do trabalho; os possíveis danos à saúde relacionados aos riscos identificados, disponíveis na literatura técnica; a descrição das medidas de controle já existentes.

A avaliação quantitativa deverá ser realizada sempre que necessária para comprovar o controle da exposição ou a inexistência de riscos identificados na etapa de reconhecimento (avaliação qualitativa). Também permite dimensionar a exposição dos trabalhadores e subsidiar o equacionamento das medidas de controle ou neutralização dos riscos.

Deverão ser adotadas as medidas necessárias suficientes para a eliminação, a minimização ou o controle dos riscos ambientais sempre que, dentre outras situações, quando os resultados das avaliações quantitativas da exposição dos trabalhadores excederem os valores dos limites previstos na Norma Regulamentadora NR-15 ou, na ausência destes, os valores limites de exposição ocupacional adotados pela American Conference of Governmental Industrial Higyenists (ACGIH), ou aqueles que venham a ser estabelecidos em negociação coletiva de trabalho, desde que mais rigorosos do que os critérios técnico-legais estabelecidos.

A NR-15 considera nível de ação o valor acima do qual devem ser iniciadas ações preventivas de forma a minimizar a probabilidade de que as exposições a agentes ambientais ultrapassem os limites de exposição. As ações devem incluir o monitoramento periódico da exposição, a informação aos trabalhadores e o controle médico. Deverão ser objeto de controle sistemático as situações que apresentem exposição ocupacional acima dos níveis de ação: para agentes químicos, a metade dos limites de exposição ocupacional

considerados na NR-15; para o ruído, a dose de 0,5 (dose superior a 50%), conforme critério estabelecido na NR-15, Anexo I, item 6.

Para o monitoramento da exposição dos trabalhadores e das medidas de controle deve ser realizada uma avaliação sistemática e repetitiva da exposição a um dado risco, visando à introdução ou modificação das medidas de controle, sempre que necessário. Esta norma preconiza também que os empregadores deverão informar os trabalhadores de maneira apropriada e suficiente sobre os riscos ambientais que possam originar-se nos locais de trabalho e sobre os meios disponíveis para prevenir ou limitar tais riscos e para proteger-se dos mesmos. Além disso, o empregador deverá garantir que, na ocorrência de riscos ambientais nos locais de trabalho que coloquem em situação de grave e iminente risco a um ou mais trabalhadores, os mesmos possam interromper de imediato as suas atividades, comunicando o fato ao superior hierárquico direto para as devidas providências.

4. 1 Introdução

Estratégias de amostragem de agentes ambientais em exposição ocupacional não significa coletar um contaminante ou fazer uma medição de ruído, com um procedimento padrão. Embora avaliar, ou seja, obter uma determinação de um agente ambiental, é uma parte importante do processo, a estratégia de amostragem começa antes de qualquer medição.

Primeiro se faz uma caracterização básica, que consiste em definir quais os expostos, a quais agentes, em quais tarefas ou funções, em quais locais, etc.

Quando se parte para a determinação do agente ambiental propriamente dito, já se sabe qual o parâmetro desejado, qual a forma de proceder e qual a significância dos dados obtidos.

Estratégia de amostragem é um processo de conhecimento crescente da exposição de trabalhadores, que se inicia com uma adequada abordagem do ambiente (processo, pessoas, tarefas e agentes) e termina com afirmações estatisticamente fundamentadas sobre essa exposição. A partir de suas conclusões é possível adotar ações para o controle dos riscos. As ações de controle de engenharia, administrativas e nos indivíduos devem prosseguir até que a exposição seja eliminada ou reduzida a valores aceitáveis.

Exposição aceitável significa que a exposição se encontra sob controle técnico, isto é, o processo produtivo está considerado estável e o nível de exposição determinado e abaixo do nível de ação.

Segundo orienta a Norma de Higiene Ocupacional (NHO) 04, publicada pela FUNDACENTRO em 2001, as avaliações ambientais podem ser qualitativas ou quantitativas. Internacionalmente o National Institute for Occupational Safety and Health (NIOSH) reuniu estatísticos e higienistas para elaborar uma abordagem específica para a exposição ocupacional, realizando adaptações em ferramentas tradicionais da estatística. Neste sentido foi elaborado o Manual de Estratégias de Amostragem de Exposição

Ocupacional do NIOSH, lançado em 1977. Há outras publicações importantes sobre o mesmo tema, como o livro da American.Industrial Hygine Association (AIHA) de 1991. A revisão bibliográfica apresentada nos próximos itens está baseada nas informações retiradas da NHO-04 e do Manual do NIOSH, e concentra-se nas orientações quanto às peculiaridades das amostras em avaliações de riscos ambientais ocupacionais.