RECORDANDO
OBJETOS PÉRFURO-CONTUNDENTES:
PERFURAM CONTUNDINDO: Projéteis de Arma de Fogo (PAF), sovela, furador de gelo, agulha de crochê, ponta de guarda-chuva.
CLASSIFICAÇÃO DAS LESÕES CAUSADAS POR “PAFs” SEGUNDO À DISTÂNCIA DE DISPARO
TIRO ENCOSTADO
Um tiro encostado nos leva a suspeitar se tratar de suicídio. A execução, com a vítima inconsciente, também é possível em menor número de vezes. Apresentam uma ORLA DE QUEIMADURA causada pelo projétil aquecido e os gases superaquecidos oriundos da combustão da pólvora e uma área de CONTUSÃO E ENXUGO constituída pela borda da ferida perfuro-contusa e pelo trajeto inicial do projétil. Nestas regiões (ferida e trajeto inicial) além da contusão evidenciada pela hemorragia intersticial (borda equimótica), fragmentos das vestes perfuradas pelo PAF, resíduos metálicos e mesmo graxa lubrificante da arma são
“enxugados” e retidos. Quando disparado contra uma superfície óssea (osso temporal), o tiro encostado causa uma lesão típica (cavidade) denominada BURACO DE MINA DE HOFFMAN. Nesta modalidade de tiro também pode ser observada a impressão da boca do cano da arma no tegumento penetrado pelo projétil, principalmente nas semi-automáticas (pistolas).
TIRO À CURTA DISTÂNCIA (QUEIMA ROUPA)
Nesta modalidade o tiro é disparado cerca de 50 cm do alvo. Observa-se: ZONA DE ESFUMAÇAMENTO OU FULIGEM resultante da fuligem carreada pela fumaça do disparo e que é facilmente removida do corpo pela água; ZONA DE TATUAGEM causada pela impregnação cutânea de resíduos de pólvora incombusta; ORLA DE QUEIMADURA e CONTUSÃO e ENXUGO, semelhantes às do tiro encostado.
TIRO À MÉDIA DISTÂNCIA
Tiro disparado entre 50 a 500 cm com variações nestas distâncias na dependência do tipo de arma e pólvora empregadas no disparo. Observamos: ORLA DE QUEIMADURA DISCRETA NAS BORDAS; ZONA DE CONTUSÃO e ENXUGO.
TIRO À GRANDE DISTÃNCIA
São disparados por fuzis e rifles em distancia de até 1000m. Observa-se: ZONA DE CONTUSÃO e ENXUGO. A zona de queimadura passa a não existir uma vez que o PAF perdeu temperatura (resfriamento) em sua trajetória aérea.
BALÍSTICA PROPRIAMENTE DITA
A balística é o ramo da física newtoniana que estuda a propulsão, movimento, trajetória, impacto e trajeto de um projétil. Este pode variar desde uma pedra lançada manualmente, uma lança, flexa, um PAF ou um míssil balístico. Todo projétil, ao se deslocar no meio aéreo descreve uma parábola. Um PAF disparado para o alto retornara em queda livre animado da mesma velocidade com que foi disparado.
A balística divide-se em três distintas categorias:
BALÍSTICA INTERNA; processada no interior e uma arma de fogo. Desde a detonação até a saída do PAF pela “boca” da arma.
BALÍSTICA EXTERNA representada pelo “vôo” do PAF no meio aéreo (ou quido) e que descreve a trajetória deste PAF.
BALÍSTICA DO ALVO ou DE RESULTADO; que se interessa pelo impacto e trajeto do projétil ao alcançar o alv.
Resumindo
•BALÍSTICA INTERNA
É a interação do PAF no interior da culatra e do cano da arma.
•BALÍSTICA EXTERNA
É a interação do PAF no meio aéreo ou aquático que sofre a ação e influência dos ventos, temperatura, velocidade, aerodinâmica e arrasto.
Movimentos do “PAF” na balística externa, PAFs”diversos
•BALÍSTICA FINAL, do ALVO ou de RESULTADO.
Estuda os efeitos (trajeto, deformação e dano) no tecido vivo.
figura 08: penetração do PAF em ângulos diferentes.
figura 09: trajeto no alvo com a formação da cavitação real e virtual. Tombamento e
“giro” do PAF.
figura 10: deformação do PAF. Quanto maior a deformação maior será o dano local.
figura 11:trajetos possíveis de umPAF no corpo humano.
figura 08 figura
09 figura 10
figura 11
Os “PAFs” são Instrumentos ou objetos pérfuro-contundentes e agem por ação perfurante e contundente simultaneamente.
CLASSIFICAÇÃO DAS ARMAS DE FOGO
DIMENSÃO - portáteis (mais usadas em crimes, classificam-se em de cano longo – fuzil e metralhadoras, por exemplo – e de cano curto – revolver e pistola, e não portáteis , São geralmente as armas de guerra, canhões, mísseis etc.
MANEIRA COMO SÃO CARREGADAS - antecarga (carregada pela boca) e retrocarga (carregada por trás do cano, tambor, pente etc).
TIPO (presença ou ausência) de raias no interior do cano
MECANISMO DE AÇÃO:
De Repetição depende da força humana para o disparo e o engatilhamento da arma: fuzis, revolveres, garruchas, etc.
Semi AUTOMÁTICAS: depende da força humana par o engatilhamento inicial (primeiro disparo). Os demais disparos são realizados de maneira cadenciada e por encatilhamento sem a utilização da força do atirador: pistolas, fuzis automáticos.
AUTOMÁTICAS: de maneira análoga à semi-automáticas, somente ocorrer o primeiro engatilhamento pela força humana. Os demais engatilhamentos serão de forma automática rápida proporcionando o tiro “em rajada”, enquanto se mantiver apresão de disparo no gatilho da arma: metralhadoras e submetralhadoras.
COMPONENTES DO CARTUCHO
Cápsula - recipiente que aloja a espoleta
Espoleta mistura de compostos explosivos à percussão Bucha disco que separa a pólvora na cápsula
Pólvora explosivo que produz gases que impelem o projétil
Projétil corpo cilíndrico constituído de chumbo propelido pela força expansiva dos gases
RESÍDUOS METÁLICOS
Resultantes da abrasão do projétil no interior do cano da arma. Esse fenômeno ocorre em razão de três fatores concomitantes:
(1) movimento helicoidal do projétil;
(2) base mais larga;
(3)
dureza do cano da arma.Os Resíduos metálicos ocorrem tanto nos projéteis de chumbo nu não-encamisados quanto nos projéteis encamisados ou jaquetados (zinco, cobre, etc). Os resíduos mais comuns das ligas metálicas dos projéteis: chumbo e antimônio
RESÍDUOS METÁLICOS E NÃO METÁLICOS.
Resultantes da combustão da mistura iniciadora e do propelente.
Dependem da marca de fabricação
Os mais comuns são os íons: nitrato, nitrito, bário, chumbo II, potássio, sulfeto, carbonato, antimônio III e cálcio.
FORMA DE DISPERSÃO DE RESÍDUOS
CONSIDERAÇÕES SOBRE OS RESÍDUOS
É de suma importância, a maneira correta da coleta e o local dos mesmos. Os resíduos resultantes do disparo de uma arma de fogo, além das mãos do atirador, também podem ser encontrados nas vestes, cabelos e objetos.
MECANISMO DE DISPARO
Acionamento do gatilho ◊ percussor bate na base do cartucho (espoleta) ◊ explosão ◊ queima da pólvora ◊ produção de gases ◊ projétil disparado.
Após o disparo, há a formação da estriação lateral final, impressão variável de acordo com as características das raias do cano.
MICROSCÓPIO BALÍSTICO COMPARADOR
INSTRUMENTOS
No exame dos ferimentos causados por esses instrumentos, temos que observar:
Orifícios de entrada
Orifícios de Saída
Trajetos e
• Locais de alojamentos
Orifícios de entrada Podem ser:
Maiores que diâmetro do projétil.
Iguais ao diâmetro do projétil.
Menores que diâmetro do projétil Os Orifícios de Entrada apresentam:
Zona de Contusão
Zona de enxugo
Zona de Queimadura
Zona de Esfumaçamento
Zona de Tatuagem.
ESQUEMA DOS DISPAROS
CONCENTRAÇÃO DOS PONTOS TATUADOS (tiro “à queima roupa”)
Todo projétil ao atingir o corpo humano, produz uma cavitação.
Temporária
Permanente
A cavitação dependerá sempre da área atingida, da energia do projétil e do tipo de arma utilizada.
Cavitação produzida em laboratório.
MANCHAS
Hoje são exames que rapidamente os laboratórios podem emitir um diagnóstico de certeza quanto a (s) substância (s) formadora da mancha, face ao avanço tecnológico.
Nas perícias forenses as mais estudadas são:
SANGUE;
ESPERMA;
SALIVA;
LEITE – COLOSTRO LÍQUIDO AMNIÓTICO INDUTO SEBÁCEO MECÔNIO
MATERIAL FECAL
IMPORTA AVALIAR:
Quantidade.
Cor.
Forma.
Local.
• Estado físico.
Fotografar
Filmar
Medir
ESTADOS FÍSICOS COMO PODEM SER ENCONTRADAS.
Líquido.
Sólido como crosta, paredes, chão etc.
Sólido em vestimentas.
Diluídas, água.
FORMAS COMO PODEM SER ENCONTRADAS.
– Isoladas pequenas ou grandes.
– Múltiplas num único local?
– Agrupadas, formando poças.
– Escorridas, sobre superfícies.
– Borrões ou denunciando um pisar, por exemplo.
Provas laboratoriais
Genéricas.
Certeza.
• Específicas.
Provas Genéricas. São provas que orientam o perito no local do crime.
Van Deen
Adler
• Meyer
PROVAS DE CERTEZA
Microcristalografia - Hemina
Hemocromogênio.
Teichmann Espectroscopia
Glóbulos vermelhos
ESPECÍFICAS
Configuração hemácias.
Soro precipitação A-B-O
Coombs
H.L.A.
• D.N.A.
Diagnose regional
ESPERMA
É uma das pesquisas mais difíceis.
Normalmente está misturado com: Fezes - Urina - Saliva - Sangue.
Tríade a ser estudada: Vítima –agressor -local.
Provas que podem ser realizadas:
Orientação
• Certeza e
• Específica
• ORIENTAÇÃO
• Reação de Florence.
• Reação de Barbério.
• Reação da Fosfatase Ácida.
• CERTEZA
• Reação tintorial
• Corin-Stockes
Espermatozóides Íntegros.
ESPECÍFICA
Soro Precipitação A-B-O
• H.L.A.
• D.N.A.
LEMBRETES – QUESTÕES MAIS FREQUENTES
Transplantes/Morte Encefálica/Doação de Órgãos.
1. A doação de órgãos para transplante no Brasil obedece a critérios que estabelecem: A morte encefálica deve ser diagnosticada por 2 médicos não relacionados à equipe de implantação de órgãos e confirmado por exames complementares.
2. Homem, 35 anos, com TCE por FAF, Glasgow 3 é intubado e transferido para UTI onde, após 24h, permanece sem reflexos corneanos e pupilares, sem resposta a estímulos álgicos supra-orbitais. Teste de apnéia: (+). A fim de que se possa declarar o paciente em morte encefálica e candidato a doador de órgãos, é necessário: 2 exames clínicos de morte encefálica com 6h de intervalo e um EEG demonstrando isoeletricidade em todas as derivações.
3. Podem ser encontrados na morte encefálica: arreflexia miopática global; movimentos mioclônicos esporádicos em membros; batimentos cardíacos presentes (movimentos respiratórios esporádicos excluem a morte encefálica).
4.
O conceito atual de morte diz que uma pessoa cujo coração esteja funcionando adequadamente pode ser considerada morta.ÉTICA
1. Você é o médico de uma empresa de medicina de grupo, contratado em regime de CLT, com carteira profissional assinada, trabalhando como diarista no ambulatório. Alegando necessidade de baixar os gastos, a empresa estabeleceu uma norma restringindo a realização de exames complementares. Este ato resultou na recusa de autorizações para exames que você solicitou aos seus clientes e que considerava indispensável.
Segundo o Código de Ética, deve ser adotada a seguinte conduta: comunicar o fato ao CRM.
2.
Pré-escolar, 3 anos, está em tratamento para LLA. Os pais são testemunhas de Jeová e repetidamente lhe disseram que em hipótese alguma a criança deveria receber transfusão de sangue. Ela é trazida ao hospital profundamente anêmica com ICC. Você diz aos pais que se a criança não for transfundida imediatamente poderá morrer. Mesmo assim, os pais recusam-se a autorizar a transfusão. Conduta: realizar a transfusão e depois comunicar o fato ao juiz.ABUSO E MAUS TRATOS
1. Violência contra a criança: predomina na faixa ataria >7 anos; o principal agressor é a mãe, seguida do pai; os filhos adotivos têm maior chance de sofrerem agressão; o fato de o pai ou a mãe terem sido abusados quando crianças é um fator de risco importante;
pais jovens ou mães solteiras são fatores de risco destacado.
2. No diagnóstico diferencial de Morte Súbita e Inexplicada do Lactente, o médico deve considerar a possibilidade de maus tratos. Nesta última circunstância, a morte pode ocorrer, por intrusão da cabeça da criança em sacos plásticos. Esta suspeita será reforçada se o cadáver apresentar: petéquias.
3. Criança, 2 anos, sacudida violentamente por seus pais. Esta forma de violência é denunciada por: hemorragias retinianas (A Sd. da criança sacudida é uma forma de violência contra a criança que pode resultar em hemorragia intra-craniana e da retina.
Não há sinais externos do trauma. O cérebro de uma criança é facilmente deformado e sujeito a este tipo de lesão. No exame de uma criança com suspeita de abuso por violência o FO não deve ser esquecido).
4.
Lactente, 5 meses, com sonolência excessiva, já que não acorda quando é chamada. A responsável informa que este problema ocorreu após crise convulsiva tônico-clônica generalizada. Até aquele momento, a criança encontrava-se em BEG, embora fosse um bebê que chorasse muito desde o nascimento. A mãe se encontra aflita, pois perdera um filho com hemorragia cerebral. Exame: sonolência, abaulamento de fontanela anterior, equimoses em tórax, nádegas e MMII, hemorragia retiniana bilateral. Tempo desangramento, TAP, KPTT: normais. TC crânio: edema cerebral difuso e hemorragia.
Após a internação a conduta, a que conduta que se deve tomar é: fazer notificação ao Conselho Tutelar.
5.
Lactente, 18 meses, dá entrada no PS com manchas arroxeadas pelo corpo há 3h.Acompanha-se de hipertermia e vômitos. Exame: petéquias difusas, equimoses em dorso e face. Tempo de enchimento capilar: 6seg, PA: 80x50. Taquicárdico e
taquipnéico. Conduta: FO + comunicar aos órgãos de proteção a criança.
PREVENÇÃO DE ACIDENTES
1. Pré-escolar, 2 anos, atendido na emergência devido a queimadura de 2° grau no tronco por derramamento de conteúdo de panela que foi puxada pela criança de cima do fogão.
A medida mais eficiente que teria evitado este acidente: impedir o acesso da criança a cozinha.
2.
Durante um consulta de rotina, os pais de um lactente de 7 meses, pesando 8kg, indagam sobre a maneira mais segura de transportar seu filho no banco traseiro do automóvel. Transportar a criança presa ao cinto, em um assento de segurança, semi-reclinado e voltado para a traseira do veículo.CERTIDÃO DE ÓBITO
1. As causas de morte, a serem registradas no atestado de óbito, são todas aquelas doenças, estados mórbidos ou lesões que produziram a morte, ou que contribuíram para ela, e as circunstâncias do acidente ou violência que produziram essas lesões. A causa básica, registrada na última linha, dá origem a uma ou mais complicações, causas conseqüências, que devem ser registradas nas linhas acima. A última causa conseqüência, registrada na 1° linha acima é chamada de causa terminal. No caso de um paciente com LMA, que morreu de edema agudo de pulmão, em conseqüência de uma hipoalbuminemia, a ordem encontrada é: A) causa terminal imediato: edema agudo de pulmão; B) hipoalbuminemia; C) LMA.
2. Paciente com câncer gástrico e HAS, evolui com metástases pulmonares e posteriormente PN, levando a óbito. O atestado de óbito deve ser preenchido da seguinte maneira: A) PN, B) metástases pulmonares, C) carcinoma gástrico.
3. Paciente de 25 anos, jateador em oficina de lataria e pintura, portador de Silicose, foi internado na UTI com insuficiência respiratória aguda. Entubado e colocado sob ventilação assistida, apresentou agravamento do quadro com hipóxia severa, seguida de parada cardíaca e óbito. Na declaração de óbito deve constar como causa básica:
silicose.
4. Pré-escolar, 4 anos, vítima de queda de uma laje, com TCE, evoluiu de forma desfavorável, em UTI, TC: hemorragia cerebral difusa, principalmente em tronco. Após 72h de internação ocorreu óbito, às 18h de um sábado. A família solicitou atestado de óbito, que deveria ser fornecido pelo: perito do IML.
5. EUTANÁSIA: a morte por compaixão, para abreviar um sofrimento terminal. Isto é ilegal (crime de homicídio) e antiético.