Segurança Pública
Finalidades
O art. 144, CF/88 determina ser a segurança pública
A política de segurança será implementada
Órgãos
Os órgãos indicados pela Constituição como
os encarregados pela segurança
pública são os seguintes
- Oportunizar uma convivência pacífica e harmoniosa entre os indivíduos;
- Excluir a violência nas relações sociais;
- Alcançar a tranquilidade cotidiana nos espaços comuns e socialmente partilhados.
- Dever do Estado;
- Direito e responsabilidade de todos;
- Ademais, será exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio.
(i) pela polícia ostensiva (que é preventiva e visa evitar que os fatos criminosos se efetivem), e
(ii) pela polícia judiciária (responsável pela investigação, atua de modo repressivo, após a ocorrência do ilícito).
(i) polícia federal;
(ii) polícia rodoviária federal;
(iii) polícia ferroviária federal;
(iv) polícias civis;
(v) polícias militares e corpos de bombeiros militares;
(vi) polícias penais federal, estaduais e distrital.
Esquematicamente7:
Segundo o STF, sobre o rol do art.
144 podemos dizer que:
7. MASSON, Nathalia. Manual de Direito Constitucional. 9ª. ed. Salvador: Juspodivm, 2021.
(i) é taxativo (não é exemplificativo; razão pela qual as Guardas Municipais, que não estão ali citadas, não são responsáveis pela segurança pública);
(ii) é de observância compulsória, o que significa que é um dispositivo dirigido também à organização dos Estados-membros, do que decorre não poderem estes, em suas constituições estaduais ou leis, alterar ou acrescer o conteúdo substancial do referido artigo da Constituição Federal.
Estruturação dos órgãos de segurança pública
Órgãos federais – a segurança pública
realizada pelos órgãos da União
Órgãos estaduais – a segurança pública realizada pelos órgãos dos
Estados
(i) Polícia Federal: é instituída por lei como órgão permanente, organizado e mantido pela União, estruturado em carreira e possuidor de funções de polícia judiciária (art. 144, § 1º, I e IV, CF/88) e de polícia ostensiva (art. 144, § 1º, II e III, CF/88). Destina-se a:
I – apurar infrações penais contra a ordem política e social ou em detrimento de bens, serviços e interesses da União ou de suas entidades autárquicas e empresas públicas1, assim como outras infrações cuja prática tenha repercussão interestadual ou internacional e exija repressão uniforme, segundo se dispuser em lei;
II – prevenir e reprimir o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o contrabando e o descaminho, sem prejuízo da ação fazendária e de outros órgãos públicos nas respectivas áreas de competência;
III – exercer as funções de polícia marítima, aeroportuária e de fronteiras;
IV – exercer, com exclusividade, as funções de polícia judiciária da União.
(ii) Polícia Rodoviária Federal: órgão permanente, organizado e mantido pela União e estruturado em carreira, destina-se ao patrulhamento ostensivo das rodovias federais.
Não exerce funções de polícia judiciária, por ser esta função exclusividade da polícia federal.
(iii) Polícia Ferroviária Federal: órgão permanente, organizado e mantido pela União e estruturado em carreira, destina-se ao patrulhamento ostensivo das ferrovias federais.
(iv) Polícia Penal Federal: organizada e mantida pela União, vincula-se ao órgão administrador do sistema penal federal, que é o DEPEN (Departamento Penitenciário Nacional), e destina-se à segurança dos estabelecimentos prisionais.
(i) Polícias Civis: dirigidas por delegados de polícia de carreira, estão incumbidas das funções de polícia judiciária e a apuração de infrações penais, exceto as militares e as de competência da União (art. 144, § 4º, CF/88);
(ii) Polícias Militares: às polícias militares cabe a polícia ostensiva e a preservação da ordem pública (art. 144, § 5º, CF/88). São, ainda, forças auxiliares e reserva do Exército1; (iii) Corpos de bombeiros militares: possuem suas atribuições definidas em lei, dentre elas: prevenção e extinção de incêndios, salvamento de vidas humanas, socorro em casos de afogamento, desabamentos, dentre outras. É tarefa deles, também, a execução de atividades de defesa civil;
(iv) Polícia Penal Estadual: destina-se à segurança dos estabelecimentos prisionais.
A segurança pública no Distrito
Federal
A segurança pública nos Municípios
A segurança pública nos
Territórios Federais
- Originariamente, o inciso XVI do art. 22, CF/88, tratava tanto da organização das polícias civil, militar e do corpo de bombeiros do Distrito Federal, quanto dos Territórios Federais.
Com a entrada em vigor da EC nº 19/1998 retirou-se qualquer referência aos Territórios.
Nada obstante, os artigos 42 e 144, § 6º, CF/88, seguem fazendo menção aos órgãos de segurança nos Territórios. Isso nos permite concluir que se novos Territórios forem constituídos por lei complementar (o que a Constituição autoriza no art.18, § 2°), terão órgãos de segurança pública, instituídos, organizados e mantidos pela União, nos termos do art. 33, CF/88.
- No Distrito Federal temos a particularidade de suas polícias civil, penal, militar e corpo de bombeiros serem organizadas e mantidas pela União, conforme podemos extrair da leitura do art. 21, XIV, CF/88, muito embora estejam subordinadas ao Governador do Distrito Federal (art. 144, § 6º da CF/88).
- Os Municípios poderão constituir guardas municipais destinadas à proteção de seus bens, serviços e instalações (art. 144, § 8º, CF/88). Referidas guardas, porque responsáveis pelo policiamento preventivo e ostensivo, possuem natureza de “polícia administrativa”
e não de órgão policial de segurança pública. Visam, portanto, impedir a realização de atos lesivos por infrações a regras do Direito Administrativo, não aplicando sanções de privação de liberdade. Nesse sentido, a missão dessas guardas é zelar pela boa conduta dos administrados no que se refere às leis e aos regulamentos administrativos concernentes à realização dos direitos de liberdade e propriedade.
- Em agosto de 2015, no RE 658570-MG1, o STF firmou uma importante tese em sede de repercussão geral sobre as guardas municipais: “É constitucional a atribuição às guardas municipais do exercício do poder de polícia de trânsito, inclusive para a imposição de sanções administrativas legalmente previstas (ex: multas de trânsito)”. Isso porque a fiscalização do trânsito, com a consequente aplicação das sanções administrativas legalmente previstas, embora possa se dar de modo ostensivo, constitui mero exercício de poder de polícia. Não há, portanto, óbice ao seu exercício por entidades não policiais como as guardas municipais.
Direito de greve e carreiras de segurança pública
Segurança viária
- Em decisão tomada em abril de 2017 – no julgamento do Recurso Extraordinário com Agravo (ARE) 654.432, que teve repercussão geral reconhecida —, o Plenário do STF (por maioria de votos) reafirmou entendimento no sentido de que é inconstitucional o exercício do direito de greve por parte de policiais civis e demais servidores públicos que atuem diretamente na área de segurança pública. Vale dizer: a Corte afirmou que o exercício do direito de greve é vedado aos integrantes de todas as carreiras policiais enunciadas no art. 144, CF, o que significa que os membros das seguintes corporações não podem fazer greve: Polícia Federal; Polícia Rodoviária Federal; Polícia Ferroviária Federal; Polícia Civil;
Polícia Militar e Corpo de Bombeiros militar.
- Em julho de 2014 o parágrafo 10 foi incluído no art. 144 pela EC nº 82, dispondo sobre “segurança viária” – expressão que designa o conjunto de ações planejadas para preservar a integridade física e patrimonial das pessoas nas vias públicas bem como a ordem pública, e compreende a educação, a engenharia e a fiscalização de trânsito (além de outras atividades estabelecidas em lei), que garantam ao cidadão o direito à mobilidade urbana eficiente.
- Determinou a emenda, ainda, competir, no âmbito dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, aos respectivos órgãos ou entidades executivos e seus agentes de trânsito, estruturados em carreira, na forma da lei.