Celulose: Consecutivos aumentos de preço marcaram o 2T10
No 2T10, foram comercializadas mundialmente 10,1 milhões de toneladas de celulose de mercado, aumento de 0,2% e redução de 4,1% em relação ao 1T10 e 2T09, respectivamente, segundo o PPPC (Pulp and Paper Products Council – relatório World 20). A redução em relação ao 2T09 é reflexo dos volumes elevados de venda naquele período com intuito de redução dos níveis de estoque face à crise internacional.
Os embarques de celulose de eucalipto apresentaram redução de 3,1% e de 6,4% no 2T10 em relação ao 1T10 e ao 2T09, respectivamente, alcançando 3,4 milhões de toneladas. Essa redução reflete diretamente a restrição de oferta dos produtores chilenos devido ao terremoto que impactou parte de sua capacidade produtiva. Os principais destinos da celulose de eucalipto de mercado no 2T10 foram: Europa (45,9%), China (17,0%), América do Norte (11,9%), América Latina (11,5%) e Outros (13,8%).
No 2T10, a produção mundial de celulose de mercado alcançou aproximadamente 9,9 milhões de toneladas, com redução de 1,7% em relação ao 1T10 e aumento de 5,4% em relação ao 2T09, devido à retomada de parte das capacidades fechadas em função da crise financeira internacional.
A redução de capacidade produtiva de celulose observada a partir de fevereiro de 2010, em função, principalmente, do terremoto de alta intensidade que atingiu o Chile, foi revertida com a retomada da produção por parte dos produtores chilenos ao longo do 2T10, atingindo níveis de operação de aproximadamente 90% do patamar anterior ao incidente.
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No entanto, outros fatores limitaram a oferta mundial de celulose no 2T10, como: (i) atraso no início das operações da fábrica chinesa Rizhao (prevista para abril/10 e adiada para junho/10) e (ii) não retomada de capacidades ociosas e fechamentos temporários devido a problemas financeiros ou operacionais (ex.: Terrance Bay e Catalyst).
Após um período de 17 meses com demanda por celulose acima da produção, interrompido apenas em dezembro/09, janeiro/10 e maio/10, os estoques voltaram a cair e permaneceram reduzidos no 2T10, alcançando 25 dias de produção em junho/10, patamar 4 dias inferior ao registrado na mesma data do ano anterior e 7,7 dias abaixo da média histórica.
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Dada a baixa disponibilidade de celulose de mercado ao longo do 2T10, associada à manutenção da demanda em patamares similares ao mesmo período de 2009, foi mantida a tendência de aumento nos preços iniciada no ano anterior. O gráfico abaixo mostra os preços lista de celulose de fibra curta verificados no 2T10 e ao longo do período de um ano:
Fonte: Europa e China – FOEX (BHKP preço lista da última semana do mês) / América do Norte – RISI (BEKP preço lista)
Os preços de fibra longa também apresentaram tendência de alta, atingindo em junho US$ 976/ton na Europa, US$ 895/ton na China e US$ 1.020/ton na América do Norte (Fonte: FOEX, TerraChoice e RISI). Neste mesmo período, a diferença entre os preços lista de fibra longa e curta era de aproximadamente US$ 60/ton, condição que ainda estimula a substituição da fibra longa pela fibra curta.
Novos aumentos de preço foram anunciados em todos os meses do 2T10, levando o preço lista de celulose de eucalipto em junho para: US$ 920/ton na Europa, US$ 950/ton na América do Norte e US$ 850/ton na Ásia.
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Papel: Demanda nacional por papéis para imprimir e escrever e papelcartão cresce 13,6% em relação ao 2T09
A demanda brasileira por papéis para imprimir e escrever e papelcartão, segundo a Bracelpa, foi de 611,3 mil toneladas no 2T10, 6,0% e 13,6% superior ao 1T10 e 2T09, respectivamente, o que indica recuperação do mercado de papel pós-crise.
O volume total vendido de papéis para imprimir e escrever no Brasil foi de 457,5 mil toneladas no 2T10, 6,9% e 10,9% superior ao 1T10 e 2T09, respectivamente, ainda segundo a Bracelpa. Deste total, a demanda de papéis para imprimir e escrever não revestidos cresceu 7,0% no 2T10 em relação ao 1T10 e ficou em linha com o 2T09. A demanda por papéis revestidos cresceu 6,6% e 43,4% em relação ao 1T10 e 2T09, respectivamente.
Seguindo o mesmo comportamento, o volume total vendido de papelcartão no 2T10 apresentou crescimento de 3,7% e 22,2% em relação ao 1T10 e ao 2T09, respectivamente. A demanda por papelcartão no Brasil acompanhou o aquecimento da economia e retornou aos patamares históricos, anteriores à crise internacional.
Além da maior demanda nacional por papéis para imprimir e escrever e papelcartão, no 2T10 houve um aumento do volume de papel exportado pelo Brasil. O volume total exportado de papéis para imprimir e escrever e papelcartão foi de 331,3 mil toneladas no período, aumento de 3,3% e 6,3% em relação ao 1T10 e 2T09, respectivamente. De acordo com a Bracelpa, as exportações representaram 40,0% das vendas totais no 2T10, comparado a 40,9% e 40,3% no 1T10 e 2T09, respectivamente.
A participação das importações de papéis para imprimir e escrever no mercado interno apresentou queda no período: as importações representaram 23,4% do volume total vendido no mercado interno no 2T10, em comparação a 24,5% no 1T10 e 16,5% no 2T09. O aumento em comparação ao 2T09 ocorreu, principalmente, pela valorização do Real frente ao Dólar no comparativo entre os períodos.
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Em relação às importações de papel para imprimir e escrever revestidos, segmento no qual as importações de papel têm maior relevância, estas apresentaram participação de 52,4% no mercado doméstico em comparação a 53,4% no 1T10 e 42,4% no 2T09. No mesmo período, as importações de papel para imprimir e escrever não revestidos representaram 9,4% do volume total vendido no mercado interno em comparação a 10,5% no 1T10 e 7,8% no 2T09.
As importações de papelcartão representaram 5,0% do volume total vendido no mercado interno no 2T10, em comparação a 5,7% no 1T10 e 6,0% no 2T09.
A demanda global por papéis para imprimir e escrever aumentou 9,9% no 1S10 comparada ao 1S09, alcançando 47,2 milhões de toneladas, segundo o PPPC (Pulp and Paper Products Council), demonstrando recuperação do mercado. A maior parte deste crescimento tem ocorrido nos países emergentes, em especial na Ásia e América Latina, que cresceram 18,1% e 14,9%, respectivamente, no 1S10 em comparação ao 1S09. Os volumes totais vendidos nos mercados maduros (América do Norte e Europa Ocidental) foram 7,8% e 5,4% superiores ao 1S09.