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Retomando o caso e os achados da pesquisa

No documento roseldaaparecidadesousa (páginas 132-137)

Nesta seção, pretende-se retomar os pontos cruciais discutidos neste primeiro capítulo a fim de organizá-los para então concatená-los às ideias do segundo capítulo que trará, além de dados resultantes da observação direta à instituição, também dados levantados em uma pesquisa mais sistematizada com atores educacionais e alunos do Centro Estadual de Educação Continuada – CESEC “Júlio Martins Ferreira”.

Então, fazendo a culminância dos achados dispostos neste primeiro capítulo, pode-se afirmar que a EJA no Brasil é ao mesmo tempo uma oportunidade de estudo e certificação para os alunos excluídos dos contextos educacionais de ensino regular e um desafio para a gestão educacional brasileira, o que não é e nem poderia ser diferente no referido CESEC.

Nessa instituição a Educação de Jovens e Adultos também é permeada de complexidades oriundas de diferentes e potenciais fatores da exclusão, dos preconceitos e das barreiras sociais diversas que afastam os seus alunos dos estudos, e acaba por não cumprir com suas funções reparadora, equalizadora e qualificadora.

É importante salientar que essa alternativa de ensino oferecida no CESEC, de acordo com literatura encontrada, deveria proporcionar condições e organizações de ensino diferenciadas daquelas estruturadas nas escolas regulares, de onde esses alunos já foram excluídos. Para se chegar a esse aspecto da EJA semipresencial, foi necessário procurar conhecer os motivos que levam o aluno que viveu o fracasso escolar no ensino regular a buscar outra forma de aprender e de ter reconhecido o conhecimento adquirido, e concluiu-se pela leitura de investigações acadêmicas e por órgãos de pesquisa social como o IBGE, que esses motivos vão desde o simples desejo de se ter um certificado ao mais alto sonho de promoção social.

Nessa linha de observação, em se tratando do ingresso dos alunos nessa modalidade de ensino não é difícil localizar informações. Os dados estatísticos sobre a procura pela EJA podem ser conseguidos a partir do Censo Escolar e dos sistemas de informação de cada estado brasileiro, e o que se pôde perceber é que o número de matriculados tem sofrido declínios desde nos últimos anos, fato que há de ser considerado pela gestão educacional do país no sentido de conhecer as causas desse declínio. Se ocorrem por fatores isolados como o aumento da aprovação dos alunos do ensino regular - considerando aqui a progressão parcial ou a promoção automática, se em razão dos exames supletivos, da certificação pelo ENEM, se por estar havendo maior acesso a bolsas de estudo na rede particular, se por haver o fim da relação educação/emprego e sobrevivência, ou se pela conjugação de mais de um desses fatores.

Também buscou-se definir de forma geral o que dificulta a conclusão dos cursos a ponto de mais uma vez esse sujeito desistir de estudar ou a permanecer

por longos anos envolvidos no processo, terminando muitas vezes numa ação sem êxito. Essas informações também foram possíveis pela literatura já corrente nos acervos de trabalhos educacionais e nas pesquisas censitárias, mas levantar dados sobre o abandono e a evasão na EJA na modalidade semipresencial foi impossível a nível nacional e estadual.

É verdade que existe uma precariedade significativa nesse sentido e mesmo na instituição de ensino essa informação não é fácil, porque há problemas estruturais dessa modalidade que dificultam a construção do dado, por exemplo, um aluno matriculado no CESEC, tendo sua matrícula encerrada no final de um ano letivo como “sem informação”, que corresponde a dizer que ele continua em curso, se concluir ou não os estudos por outras vias, vai continuar informado no sistema como que em curso.

Quanto à perspectiva da EJA em Minas Gerais os dados levantados nesse primeiro capítulo demonstram um considerável interesse do estado para com essa modalidade e ensino, mas é preciso ainda se verificar, podendo usar o CESEC “Júlio Martins Ferreira” como amostra da realidade da Educação de Jovens e Adultos semipresencial, quais são as limitações e os entraves que dificultam o acesso, as condições e alcance dos objetivos do estado para esse tipo de ensino.

Focando nesse CESEC “Júlio Martins Ferreira” com as pesquisas realizadas e com os dados apresentados nesse primeiro capítulo, pode-se dizer que eles evidenciam o problema colocado como origem desta investigação e que esse problema reside em diversos fatores que, sob o prisma da coletividade, são: culturais, estruturais, organizacionais, administrativos, políticos, econômicos, sociais e pedagógicos, mas que também são ligados a questões individuais, relacionadas à afetividade, cognição e emoção de quem trabalha e de quem estuda naquela instituição.

Tais fatores, alguns mais aparentes, outros não facilmente perceptíveis, exigindo investigação, conforme mostrado no decorrer deste capítulo 1, vão desde a localização do prédio, seu mobiliário e recursos didáticos e a forma como são colocados à disposição do seu público até o levantamento de dados e informações detalhadas do percurso escolar de cada aluno matriculado.

Pelos dados apresentados, principalmente na tabela 17, é possível perceber que existe uma realidade conflitante e aspectos educacionais que precisam ser revistos para que o índice de rendimento dos alunos do CESEC seja condizente

com o que está proposto nos planos educacionais tanto a nível de estado quanto de instituição. O alto índice de alunos em continuidade de estudo por longos períodos no CESEC e o baixo índice de conclusão são evidências de que a gestão da instituição está sendo desafiada e que há que se pensar para além somente da oferta, mas na qualidade e na terminalidade dos estudos para os que necessitam dessa modalidade de ensino para progredir na vida.

Apesar de realizadas amplas investigações sobre a EJA e sobre o CESEC “Júlio Martins Ferreira” neste capítulo, ainda há muito o que se investigar, sendo necessário aprofundar estudos sobre a realidade dessa instituição de maneira que se possa, a partir desse aprofundamento, consolidar dados para, finalmente, propor medidas que viabilizem a permanência e o êxito dos alunos dessa instituição.

De modo geral já foi possível, pelas investigações até aqui, perceber que existem grandes limitações no contexto da Educação de Jovens e Adultos e que elas existem como desafio à gestão em todos os níveis: nacional, estadual e de instituições de ensino.

2 AS DIMENSÕES DA GESTÃO ESCOLAR – COMPETÊNCIAS E DESAFIOS

Para atender aos objetivos levantados em torno do problema da ausência prolongada dos alunos da EJA do CESEC “Júlio Martins Ferreira”, neste capítulo serão desenvolvidas três seções. Na primeira estarão dispostos os eixos temáticos desta pesquisa: o ambiente escolar e o clima organizacional, e as dimensões da gestão escolar, sendo elas a gestão de pessoas, administrativa, pedagógica, de resultados e participativa.

Na segunda seção, será apresentada a abordagem metodológica e a discussão sobre a cultura própria da instituição e sobre os fatores que contribuem para o abandono e não conclusão do curso por parte do aluno do Ensino Médio daquela instituição, buscando verificar os mecanismos de integração desse aluno no ambiente escolar, bem como verificar se os profissionais da escola se sentem também integrados ao processo.

Por fim, na terceira seção, serão apresentados os resultados dos achados da pesquisa, baseados nos eixos temáticos e nos dados que serão analisados a partir de referenciais teóricos. Nesse sentido, serão apresentados também os argumentos que justificarão a elaboração da proposta de intervenção, com a proposição de ações de correção dos pontos de fragilidade da gestão, especialmente nos seus aspectos pedagógico e administrativo.

Para subsidiar o conteúdo deste capítulo serão utilizados, além dos referenciais teóricos, os resultados das entrevistas semiestruturadas realizadas com as equipes gestora e pedagógica da instituição e com os alunos e professores em grupos focais. Essa fundamentação se faz importante pois trarão a realidade do CESEC na perspectiva dos atores educacionais envolvidos diretamente com o trabalho na instituição.

Todas as informações e discussões apresentadas neste capítulo visaram possibilitar uma visão panorâmica da realidade do CESEC “Júlio Martins Ferreira” considerando os pontos de vista e experiências vivenciadas pelos profissionais e alunos no dia a dia da instituição. Também visaram verificar se o que está proposto no projeto político pedagógico é possível ou não de ser aplicado, e se as propostas que estão definidas nos planos de ação do CESEC são efetivamente transformadas em prática.

É intenção, ao final desse capítulo, ter desenhado o perfil desse Centro Estadual de Educação Continuada quanto aos seus propósitos educacionais e suas ações dentro da perspectiva do currículo, metodologia de ensino, procedimentos didáticos e pedagógicos e da avaliação específicos para a modalidade de ensino que oferece.

O aprofundamento de estudo e pesquisa realizado neste capítulo deverá ser suficiente para comprovar a existência do problema que deu origem a este trabalho de investigação, mas para além dessa comprovação, interessa também demonstrar as possibilidades de avanço, especialmente no que depende da atuação eficiente da gestão de pessoas, administrativa, pedagógica, de resultados e participativa.

Em outras palavras, a pesquisa feita neste segundo capítulo parte da evidência já colocada no primeiro, qual seja a de que o CESEC “Júlio Martins Ferreira” enfrenta problemas relacionados à ausência prolongada e ao rendimento escolar de seus alunos, sendo esse um problema que desafia a gestão.

No documento roseldaaparecidadesousa (páginas 132-137)