No presente estado deste estudo é já possível construir o retrato robot de caracterização do produto Vinho do Porto à luz estatística da amostragem em que se fundamenta o presente tra- balho: garrafa com silhueta tipo ‘bordalesa’ com pescoço tipo ó e rebordo inferior (prateleira); com aproximadamente 30 cm de altura, produzida em vidro escuro, recebendo rótulo em papel quadrado, ocupando uma área que corresponderá a sensivelmente 50% da silhueta, com o fundo preto, a tipografia principal a branco ou dourado, a tipografia secundária a dourado ou preto (no caso dos rótulos com fundo claro) e recebendo uma cápsula negra de remate superior. Este retrato perfaz a identidade visual de um produto que não se pode considerar exclusivamente Vinho do Porto, quando comparado com as estratégias de embalagem verificadas entre por exemplo o Gin, o Vodka, os Ver- mutes ou os licores irlandeses de nata, tipo ‘Baileys’.
O conhecimento que se parece poder extrair da exaustiva análise desta amostra com cerca de 500 espécimes sobre o produto Vinho do Porto, está contaminada pela contingência prática dos casos que lhe dão suporte evocando um produto que por ventura não corresponde às expectati- vas materiais e de imaginário dos seus consumidores. A análise produz por isso uma radiografia bastante exacta do que existe, ainda que o que existe possa estar aquém do que deveria existir. O confronto com a realidade prática, produz o desconforto de não ver devidamente acautelado um
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padrão de diferenciação na comunicação visual do produto Vinho do Porto que, por isso oscilará a sua retórica comunicacional entre um conjunto disperso de tradições, o pragmatismo da sua in- dustrialização ao mais baixo custo e o desejo de ver reafirmada a singularidade da sua identidade. Ainda que o resultado obtido pelo retrato robot acima mencionado nos dê pouco mais que o código sintáctico que uma marca de vinho bastante universal, a observação menos analítica que sintética permite-nos eleger certos aspectos como marcos identitários de elevado valor de diferenciação. Assim, é o caso de experiências de produção de contentores que encontram o seu argumento mor- fológico na história oitocentista do produto, propondo garrafas baixas e estáveis, reforçadas pela prateleira de embasamento; a personalização directa sobre o vidro em processos de baixa sofisti- cação técnica (serigrafia); a exploração cromática do vinho, facultando a sua comunicação visual (qualidades organolépticas); a clara identificação da designação Porto, associada à sua categoriza- ção; a necessidade de valorização do produto, devolvendo-lhe o reconhecimento de preciosidade que a sua sofisticada produção justifica, por exemplo através do desperdício material que o excesso de espessura da parede do contentor pode aferir, ou acumulação de vidro na sua base aproximando da retórica usada por muitas embalagens de perfume constituirá o recurso de desenho de elevado impacto na identificação e memorização do produto pelos mercados.
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