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2.1 IMPACTOS AMBIENTAIS DOS PRODUTOS DA CONSTRUÇÃO

2.1.2 Emissões e geração de resíduos

2.1.2.2 Emissões de resíduos sólidos

2.1.2.2.3 Reutilização e reciclagem

O reaproveitamento é uma das soluções de maior impacto para a redução, não apenas da quantidade de resíduos gerados, mas também da minimização de novos recursos consumidos (READON, 2005). Salienta-se que o mesmo, segundo Brasil (2002), pode ser feito de duas maneiras: através da reutilização ou da reciclagem.

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A reutilização caracteriza-se pelo processo em que os materiais ou resíduos recebem um novo uso diretamente, sem que sejam re-processados. Quando o reaproveitamento exige um novo processamento e a transformação do material residual em outro, denomina-se, então, reciclagem.

A escala dos produtos da construção civil, com possibilidades de reaproveitamento é bastante variável, por isso, ferramentas de avaliação ambiental de edificações, a exemplo do GBTool (COLE; LARSSON, 2002), apresentam critérios ambientais de avaliação fundamentados tanto no reuso de edificações e estruturas pré-existentes no terreno, quanto no reaproveitamento de materiais e componentes. Um exemplo disso, pode ser o reaproveitamento de materiais para atividades temporárias, como madeira para fôrmas, em elementos definitivos da edificação.

Edifícios antigos correspondem a uma significativa parte do tecido urbano e representam materiais e trabalho investidos, mas que, contudo, freqüentemente são demolidos antes do término da sua vida útil, devido a interesses econômicos e a critérios formais. A conservação desses edifícios não apenas reduz a exploração de novos recursos e o volume de lixo em aterros, mas também preserva a identidade das cidades (COLE; LARSSON, 2002). Porém, não são apenas antigas edificações e seus componentes que podem ser reutilizados; ao contrário, a utilização de resíduos de determinadas atividades da etapa de execução, como recursos para atividades posteriores, apresentam vantagens, como a de não exigirem transporte.

O reaproveitamento é, sobretudo, vantajoso para materiais compostos por recursos não renováveis, para aqueles que possuem um alto custo ambiental na extração, ou para os que consomem grandes quantidades de energia no processamento, a exemplo dos metais e, especialmente, do alumínio. Nesses casos, o impacto

ambiental pode ser proporcionalmente reduzido a cada reuso (READON, 2005).

A reutilização tem sido considerada ambientalmente vantajosa em relação à reciclagem, por não exigir novos processamentos, contudo Harris (1999) ressalta, que ela é substancialmente mais difícil de praticar, pois existem inúmeras barreiras para sua implementação. Classificação e limpeza dos materiais exigem dispêndios financeiros de água e de energia. Em adição, dificuldades práticas, como separação de esquadrias, tijolos e argamassas sem danos às peças, adicionam substanciais aumentos no tempo de trabalho, o que onera os empreendimentos da construção civil.

Quanto à reciclagem, como regra geral, materiais com alto conteúdo reciclado são preferíveis àqueles constituídos, apenas, de novos materiais. A principal ressalva quanto à reciclagem, no entanto, diz respeito aos impactos gerados pelos seus respectivos processos. Aspectos variáveis, como o próprio tipo de resíduo, a tecnologia empregada, e a utilização proposta para o material, podem tornar o processo de reciclagem ainda mais impactante do que o próprio resíduo antes de ser reciclado, superando os benefícios inicialmente considerados (ÂNGULO et alli, 2001; SPREAD, 1995 apud SPERB, 2000). Assim, deve-se ponderar se a reciclagem é ambiental e economicamente vantajosa, comparada à fabricação de novos produtos.

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No cenário brasileiro, a reciclagem massiva de resíduos da construção civil exige mudanças na gestão e no processamento dos resíduos, bem como adoção de práticas de demolição seletiva e redução no uso de materiais e produtos que gerem resíduos contaminantes (ÂNGULO et alli, 2001). Também aspectos de ordem técnica são determinantes. Para a viabilização de utilização de resíduos de construção e demolição como agregados, por exemplo, segundo Ângulo e John (2002), será fundamental que estejam disponíveis mecanismos rápidos confiáveis para a caracterização dos lotes produzidos, de forma a certificar a qualidade e classificar de acordo com a potencialidade de uso.

A incorporação de insumos reciclados nos processos de fabricação de alguns materiais tradicionalmente utilizados na construção civil é apresentado no quadro 13, enquanto o potencial de reaproveitamento para esses materiais, considerando-se as características e as limitações encontradas no contexto nacional, é apresentado no quadro 14.

Material Incorpora insumo

reciclado Observações Fonte

Aço para

construção civil Sim

Utilização de sucata como um dos principais

insumos. Gerdau, 2004

Alumínio Dependente do processo

A capacidade infinita de reciclagem com grandes vantagens econômicas faz com que muitas indústrias

utilizem o alumínio reciclado em substituição ao alumínio primário.

Associação Brasileira do Alumínio, 2005

CP I Não Sem adições

CP II-E Sim Adição de 34% escória de alto forno

CP III Sim Adição de 70% de escória de alto forno

Cimento

CP IV Sim Adição de 50% de cinza volante

Carvalho, 2002

Telha Cerâmica Dependente da indústria

Diversas indústrias utilizam serragem, cavaco, retalhos de madeiras, refil e casca de arroz, como

combustível. Esses são resíduos de outros processos produtivos, obtidos junto a serrarias,

madeireiras e indústrias de móveis. Também resíduos oriundos da etapa de queima são reincorporados à massa, por algumas indústrias,

sendo moídos e denominados Chamote.

Manfredini, 2003

Tijolo Maciço Dependente da indústria

Algumas indústrias utilizam como principal fonte energética, para a queima, além da lenha, a serragem, que é resíduo de serrarias e madeireiras.

Manfredini, 2003

Vidro Dependente da indústria e

do processo

À mistura vitrificável para fabricação do vidro sodo-cálcico, utilizado na construção, freqüentemente, é

adicionado vidro partido (cacos residuais) para diminuir a temperatura de fusão e a energia

necessária para a fundição.

Santa Marina Vitrage, 2002; Santos, 2005

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Reciclagem

Material Resíduo

Tóxico

Potencial de

Reuso Potencial Fonte

Potencial de reaproveitamento

Aço (estrutura de concreto) - baixo alto Gerdau, 2004 alto

Aço (perfis separados) - alto alto Gerdau, 2004 alto

Aço galvanizado - baixo alto alto

Alumínio (elementos) - alto alto ABAL, 2003(1) alto

Argamassas (cimento e areia) - nulo restrito Zordan, 2004 baixo

Blocos de pedra - alto ato alto

Concreto (cimento, areia e brita) - nulo restrito Zordan, 2004 baixo

Madeira com tratamento alternativo - alto alto alto

Madeira não tratada - alto alto alto

Madeira tratada com CCA (Arseniato de Cobre Cromatado), creosoto, pentaclorofenol, ou outras substâncias tóxicas

sim - - nulo

Placa cerâmica de revestimento

esmaltada e não esmaltada - alto restrito Zordan, 2004 alto

Telha cerâmica - alto restrito Zordan, 2004 alto

Tijolo cerâmico maciço - alto restrito Zordan, 2004 alto

Vidro para construção - alto alto Zordan, 2004 alto

Telha de fibrocimento com amianto sim nulo restrito nulo

Telha de fibrocimento sem amianto - alto restrito alto

Gesso sim - alto Nita et alli, 2004 baixo

(1) Associação Brasileira do Alumínio

Quadro 14: potencial de reaproveitamento de alguns materiais de construção

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