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8 DOCUMENTOS CONSULTADOS

1.4 REVISÃO DA LITERATURA

Fazer uma revisão da literatura acerca da temática proposta requer um notável poder de síntese. Apesar de grande parte das pesquisas ter uma orientação generalista.

Não se tratar de uma simples reavaliação bibliográfica sobre a geologia da área em tela ou de suas adjacências. Este tópico versará sobre aqueles conhecimentos geológicos relevantes para a pormenorização geomorfológica. Para tal, reflexões preambulares mostram-se imperativas.

Teoricamente, a distinção entre o que é geológico [...] e geomorfológico repousa na perspectiva focalizadora do estudo do relevo. [...] Contudo, na prática, é tarefa que ainda envolve um certo grau de dificuldade. (MARINHO, 1995, p. 18).

Destarte, considerações esparsas e de cunho descritivo, versando sobre matérias que podem ser relacionadas à geologia e à geomorfologia da Paraíba, encontram-se dispersas em diversos documentos. No contexto das elucidações geológicas do leste de Pernambuco, da Paraíba e do Rio Grande do Norte, ³pode-se dizer que os trabalhos tiveram início de fato em 1870, quando foi publicada a conhecida obra de Hartt, intitulada Geology and Physical Geography of Brazil, nada

se conhecendo sobre a geologia desta área até aquele momento.´ (MABESOONE, 1991a, p. 11). Porém, a realidade não é bem essa.

No relatório de Hartt (1870, p. 440-450), mais precisamente no capítulo XI - The Province of Parahyba do Norte -, a Geologia e a Geografia Física da Paraíba são dissertadas em apenas onze páginas. O marco inaugural no entendimento geológico do leste da Paraíba e em especial na área hoje contemplada pelo município de João Pessoa, deve-se a Williamson (1868).

Além de detalhar as camadas Cretáceas do leste da Paraíba, Williamson (1868) fez importantes observações acerca da granulometria dos sedimentos e das concreções ferruginosas existente no litoral de João Pessoa. Outra importante colaboração para a área em exame foi a de Branner (1904). Em relação aos discernimentos geológicos do leste de Pernambuco, da Paraíba e do Rio Grande do Norte, Mabesoone (1991a) fez um apanhado geral da evolução dessas pesquisas, sendo também da sua autoria (Mabesoone, 1991c) o histórico das produções intelectuais, com a análise cronológica das proposições de maior envergadura.

No âmbito da Geomorfologia, o magno salto do conhecimento da área representada por João Pessoa e imediações deu-se com o advento do XVIII Congresso Internacional de Geografia, ocorrido na cidade do Rio de Janeiro (RJ), no ano de 1956. Neste ensejo, o Nordeste, notadamente, Pernambuco e Paraíba foram beneficiados com a vinda de geomorfólogos brasileiros e estrangeiros, de elevada reputação, cujas comprovações, in loco, possibilitaram um excepcional avanço das informações geomorfológicas daqueles Estados. Outrossim, são de significativa importância os convênios nacionais e internacionais, sobressaindo-se os executados pela SUDENE. Entre eles, pode-se exemplificar o Programa Bacia Escola de Hidrogeologia, com cooperação técnica francesa, iniciado na segunda metade de 1965.

decorrentes dos dados obtidos durante as excursões científicas, realizadas por ocasião do XVIII Congresso Internacional de Geografia. Na década de 1970, diminutas explanações teve por assunto a Geomorfologia da Paraíba e menos ainda sobre João Pessoa. Na década subsequente se faz notar, por seu pioneirismo em termos de geomorfologia paraibana, o livro intitulado de Estado da Paraíba:

Classificação Geomorfológica de Maria Gelza Fernandes de Carvalho (1982).

Merece igualmente destaque o compêndio de André Guilcher (1984) intitulado

Geomorphologie et Utilization de la Côte de la Paraíba (Brésil). Na década de

1990 persiste a escassez de produção, ressaltando-se apenas algumas ponderações localizadas. Nesse brevíssimo histórico, foram propositadamente omitidos excelentes textos de enfoque regional, como o volume referente à Folha SB. 24/25 Jaguaribe/Natal do Projeto RADAMBRASIL (1981). Da mesma maneira, preterimos boas obras atinentes ao meio ambiente paraibano, que não tinham a Geomorfologia como cerne. Exemplificam a afirmação acima a tese de doutorado de Antonio Sérgio Tavares de Melo (1983), intitulada /¶RUJDQLVDWLRQGHVSD\VDJHV GDQV O¶HVW GH OD 3DUDLED HW GX 5LR *UDQGe do Norte (Brésil): une contribution de lïmagerie-radar aux études eco-géographiques e duas publicações sobre a Géographie et Ecologie de la Paraíba, oriundas da parceria do &HQWUHG¶(WXGHVGH Géographie Tropicale, Centre National de La Recherche Scientifique, Conselho

Nacional de Pesquisa e Universidade Federal da Paraíba, no interstício de 1980- 1984.

Embora os trabalhos mencionados contemplem a área em foco, todos tiveram um caráter superficial em relação ao município de João Pessoa. A geologia e a geomorfologia de João Pessoa, até então, sempre estiveram inseridas em uma atmosfera generalista que envolvia vastas dimensões espaciais. Essas discussões estão dispersas em estudos a nível de Paraíba, ou até mesmo do Nordeste e foram muito úteis até um determinado momento.

Hoje, em virtude das necessidades de dados específicos, em escala apropriada, aquelas perquirições não são mais aconselháveis por simplificarem demasiadamente a realidade local, distorcendo-a, às vezes. ³Diante deste fato, fica constatado que, a metodologia concernente para caracterizar e classificar as formas de relevo deve ser dissímil, devido às diversas escalas de grandezas dos fatos estudados.´ 0$5,1+2f. 93). Entretanto, na prática, essa verificação nem sempre prende a atenção dos pesquisadores.

A geologia e a geomorfologia de João Pessoa só podem ser compreendidas em profundidade, extrapolando seus limites territoriais. O arcabouço geológico e geomorfológico no qual se insere é, sem dúvida, fundamental. Apesar disso, o equacionamento dos problemas geológico-geomorfológicos do município não se justifica, no estado da arte, apenas com informações originadas de sínteses.

Nessa perspectiva, é preciso avançar muito. As pormenorizações locais e privativas são ainda hoje raras. No âmbito geológico, particularmente estratigráfico, merece evidência o trabalho de Coutinho (1967). Em que pese algumas imprecisões, inclusive no título, essa obra se constitui em uma referência obrigatória. Para a elaboração dessa monografia, foram colhidas 12 amostras sedimentológicas, no trecho entre as praias Barra de Gramame e Cabo Branco, no litoral meridional do município de João Pessoa. O material recolhido foi submetido às análises granulométricas e morfoscópicas, sendo quantificado grau de arredondamento e esfericidade de cada amostra. Assim como foram realizados ensaios mineralógicos dos sedimentos clásticos e dos calcários, que subsidiaram a geóloga nas interpretações estratigráficas e hidrogeológicas de João Pessoa.

Outra importante contribuição deve-se a Rand (1977). O reconhecimento gravimétrico que o autor designou de Bacia João Pessoa trouxe à baila novas informações, que foram muito utilizadas no entendimento paleogeográfico da hoje denominada Sub-Bacia de Alhandra. Nesse levantamento gravimétrico, a área do

município de João Pessoa foi contemplada diretamente e individualmente com múltiplas observações.

Também faz jus ser assinalada a monografia de Monteiro (1989). Embora tenha feito um diagnóstico de um espaço geográfico restrito (porção meridional do município de João Pessoa), o referido técnico obteve bons dados faciológicos e, por extensão, geológicos.

As publicações geológico-geomorfológicas que avaliam de maneira exclusiva a área correspondente ao território do município de João Pessoa são bastante reduzidas. Nesse sentido, e em virtude do avanço das geociências, particularmente da geologia e da geomorfologia, grande parte das parcas obras tornadas públicas necessita de revisão.

Mais recentemente houve uma profusão de trabalhos acadêmicos provenientes dos diversos programas de pós-graduação, basicamente de instituições públicas de ensino superior. No entanto, as aludidas dissertações e congêneres apresentam a área em apreço em dois prismas. Em um deles, retrata um contexto espacialmente bem mais amplo, portanto de cunho regional. Em outro, aborda áreas internas do município de João Pessoa, portanto de cunho pontual.

No bojo de tais alegações, nos dias hodiernos, o município de João Pessoa ressente-se da ausência de circunspecções geológicas e geomorfológicas próprias, o que corrobora ainda mais para o caráter inovador desta tese. E, conforme visto previamente no item 1.1 (Preliminares, Justificativas e Relevância), tal fato tem repercussão bastante negativa, comprometendo o planejamento, a gestão e a sustentabilidade ambiental do município.

Entre as investigações geológicas, de maior fôlego, com primordial significado geológico-geomorfológico e de natureza regional, salientam-se: Gadi (1993), Souza (1999), Neves (2003), Barbosa (2004), Souza (2006), Barbosa (2007) entre outros. No que diz respeito aos documentos científicos, eminentemente

geomorfológicos, igualmente em escalas menores (semidetalhe), distinguem-se pela qualidade, Sá (1998) e Furrier (2007). Entre as temáticas localistas, limitados a uma certa parcela do território do município, logram destaque: Melo (2001), Silva (2007), Reis (2008), entre outros.

É bem verdade que outras apreciações estão disponíveis, principalmente em revistas especializadas, normalmente, derivadas das publicações citadas antecedentemente. Logo, em linhas gerais é este o panorama atual, do qual fica patente que os estudos geocientíficos no município de João Pessoa ainda se encontram em estado incipiente.