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2. Apresentação da Sana Editora

4.4. Revisão Textual

O processo de revisão de um texto passa por um processo de reescrita que pressupõe determinadas alterações ao conteúdo original de uma obra, tendo como principais focos a organização, o estilo, a ênfase e a simplificação de um texto. Implica acrescentar ou retirar informação de modo a que o texto se mantenha o mais coerente e simples possível, podendo reestruturá-lo ou até reformulá-lo. Públio Athayde define a revisão como:

[...] o conjunto das interferências não autorais no texto visando sua melhoria. Trata-se da reconsideração alheia a um texto original. As mudanças introduzidas desta reconsideração podem atingir palavras, frases ou parágrafos e ocorrem por supressões, inclusões, inversões ou deslocamento.

(Athayde, 2012, p. 11)

Acima de tudo, o revisor deve respeitar a integridade de uma obra, de maneira que não pode colocar palavras da sua autoria sem a autorização do autor, mas, sim, oferecer sugestões de melhoria.

De forma a que uma revisão seja bem-feita, o revisor deve ter o cuidado de ler a obra original para perceber o seu estilo, conteúdo e significado, de modo a que, na revisão, procure não alterar a integridade da obra.

A fase de preparação de originais constitui uma das mais delicadas da editoração, exatamente porque se situa num território pouco objetivo, entre o bom senso do revisor e o estilo do autor. A interferência do preparador no texto alheio inclui desde a revisão ortográfica até a argumentação, com o autor, sobre a necessidade de mudanças estruturais no texto, em função de eliminar incongruências ou exageros. A tarefa do revisor, portanto, além de incluir o cuidado para não ferir a suscetibilidade de quem escreve, consiste em saber delinear a frágil fronteira entre o estilo e a inadequação linguística. Há que vagar, então, pelo nebuloso caminho da subjetividade, sem perder de vista o objetivo do trabalho.

(Perpétua, 2008, pp. 78-79)

Assim, no âmbito da revisão textual, tive a oportunidade de rever, na íntegra, o segundo livro escrito pela jovem Sofia Silva, uma menina de 12 anos que viu o seu primeiro livro “Quem Raptou o Meia-Lua?” editado e publicado em Portugal, com apenas 8 anos de idade.

Para além de ter feito algumas sugestões à autora apenas de reformulação de frases, efetuei algumas correções de erros que notei recorrentes na sua escrita. (Tabela 1). Estes foram os mais comuns, embora houvesse outros a nível gramatical, lexical e até semântico. Dado a autora ser muito jovem, o uso de expressões coloquiais era muito frequente, assim como a ênfase dada a certas palavras, de modo a exprimir determinadas sensações, entenda-se, a adição e por conseguinte, repetição de letras numa palavra, por exemplo, “NÃOOOOO!!”. Contudo, não considerei um erro, dado que o livro é infantojuvenil e este estilo de escrita acaba por se enquadrar no seu género e público-alvo.

Independentemente dos aspetos que o revisor terá de intervir na obra, este terá sempre de a ter em conta no seu todo, respeitando o seu nível estrutural e o seu conteúdo. De modo a tornar a obra o mais coesa e coerente possível, o revisor procederá também a uma normalização do texto.

4.4.1. Tipos de Revisão e trabalho de revisão da obra “Quem Raptou o Meia- Lua?”

Embora a revisão seja feita e vista como um todo, esta subdivide-se em várias categorias, nas quais o revisor tem de ter especial cuidado e conhecimento

No meu caso, apenas tive de realizar revisões de normalização e linguística, uma vez que se tratava de um livro simples de rever, tendo em conta as restantes revisões e ao que se destinam. Na tabela abaixo assinalei as revisões que fiz, assim como os erros que fui encontrando e verificando mais comuns da autora na obra “ Quem raptou o Meia-Lua?”.

Exemplos de normalização

ORIGINAL CORREÇÃO

Duplos espaços “Não sei onde ele apanhou uma doença destas – disse Odi”

“Não sei onde ele apanhou uma doença destas – disse Odi.”

Espaços antes ou depois da pontuação

“- Muito bem. Fica combinado ! – responderam todos em uníssono”

“– Muito bem. Fica combinado! – responderam todos em uníssono.”

Substituição de hífen por travessão (ou semi-travessão)

“- Chega de conversa! –

disse Mister Moglin.” “– Chega de conversa! – disse Mister Moglin.”

Normalização de formatações

madmoiselle Mademoiselle

Figura 14: Email com as correções feitas pela Mafalda sobre o capítulo I da obra “Quem raptou o Meia-Lua?”.

Intervenção linguística ORIGINAL CORREÇÃO

Normalização de tempos verbais “Tem um sexto sentido muito apurado e na brincadeira os

amigos dizem que na outra vida ele devia ter sido uma gata.”

“Tem um sexto sentido muito apurado e na brincadeira os amigos dizem que na outra vida ele deverá ter sido uma gata.”

Tabela 2: Exemplo de revisão linguística.

Durante a lecionação das disciplinas de Técnicas de Revisão Textual e Técnicas de Revisão em Tradução, foi-nos ensinado como rever um texto manualmente, através do uso de símbolos, algo que, nos dias que correm, se apresenta como uma técnica desatualizada. Porém, foi-nos ensinado o que, no fundo, é o ato de revisão.

Na primeira fase, os capítulos chegavam até mim através da editora que, por sua vez, lhe eram enviados, via correio eletrónico, pela mãe de Sofia, a autora. Eu recebia os capítulos, de forma separada, e procedia à sua revisão. Como referi anteriormente, a revisora, Mafalda Frade, ensinou-me a utilizar as ferramentas que o Microsoft Word disponibiliza para a revisão de um documento. Assim, comecei a rever de acordo com os meus ensinamentos, sabendo que a minha revisão seria revista/corrigida pela revisora.

Assim, juntamente com esta mensagem (Figura 14), recebi a correção à minha revisão do primeiro capítulo. À medida que eu ia revendo, a revisora supervisionava o meu trabalho, eu corrigia segundo as suas indicações e, só depois, já estando o documento com as correções feitas e aprovadas, era enviado para a mãe da autora. A seguir, esta aceitava ou não as correções feitas, voltava a enviar para a editora, que depois me reenviava, para corrigir o documento, ou seja, concordar/aceitar com as mudanças propostas, para, no

Figura 15: Primeiras correções da Mafalda na obra..

Figura 16: Alterações feitas por mim dadas as correções..

final, enviar para a revisora, a quem cabia fazer a paginação do livro. O trabalho foi feito desta forma, de modo a que não houvesse gralhas ou mal-entendidos.

Figura 18: Texto completo e corrigido.

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