Esta tese tem como foco estudar os modos de subjetivação dos trabalhadores no contexto da desinstitucionalização psiquiátrica na realidade brasileira. Partiremos, para tanto, das teorizações de Michel Foucault, acerca dos conceitos de sujeito e modos de subjetivação, dos discursos e regimes de verdade, das relações de saber-poder e biopolítica. Traremos em especial a perspectiva do autor que entende a problemática de produção do sujeito em relação com as lutas políticas de seu tempo, associando uma dimensão histórica aos modos de constituição dos sujeitos.
Entendendo que este campo conceitual, possibilita pensar a subjetivação em processo de produção e de relações na vida individual, coletiva, social e institucional, os conceitos de Deleuze e Guattari, de processos de subjetivação, de multiplicidade, singularidade, resistências, potência, criação, diferença, territórios existenciais e territorializações, desterritorialização e reterritorialiazação, entre outros que operam de forma a realizar a análise dos acontecimentos e a complexidade destes movimentos estarão articulados aos conceitos foucaultianos para a problematização das questões do estudo.
Para trabalhar com as questões do processo de desinstitucionalização, nos serviços de saúde mental, utilizaremos também os referenciais da psiquiatria democrática italiana, através dos escritos e do pensamento de Franco Basaglia. Este, foi médico psiquiatra e precursor da reforma psiquiátrica da Itália e responsável pela experiência de desinstitucionalização naquele país. Basaglia nos oferece, através de sua vida e obra contribuições fundamentais para a compreensão dos processos de ruptura com o modelo manicomial, tendo trabalhado na construção de serviços de atenção à saúde mental, com funcionamento no território de vida das pessoas, assim como nos oferece as bases e os princípios do que entendemos como desinstitucionalização da loucura.
Os pensadores franceses Michel Foucault, Gilles Deleuze e Felix Guattari têm em comum sua rejeição aos rótulos, enquadramentos ou denominações ou associações de seu pensamento ou de sua pessoa à escolas de pensamento filosófico ou a outras categorizações. O pensamento destes autores é essencialmente de produção imanente, ou seja, em transformação e em processo contínuo de revoluções ainda que menores, segundo eles próprios o dizem de diferentes formas.
Foucault, Deleuze e Guattari, em suas vidas e obras se contrapõem de diversas formas a unificação do pensamento, ao direcionamento às grandes formações narrativas, próprias do conhecimento cientifico e das exigências acadêmicas, ao cerceamento da vida à uma linha de pensamento específica, que caracterizam as escolas de pensamento filosóficas, da linguagem, da psicologia, medicina ou outras. Os referidos autores estiveram a serviço da produção de novas enunciações, da criação, de pensar o modo como vivemos e como o mundo se organiza para o controle dos homens. Ainda assim, Foucault, Deleuze e Guattari estão associados na literatura como pensadores pós-estruturalistas, pelas características de seu modo de pensar e conceber o mundo e suas relações.
Michel Foucault foi filósofo da geração de 68, historiador das descontinuidades, da constituição dos discursos, das relações de poder. Sua obra é complexa e se compõe aos saltos, em direções não lineares.
Foi identificado como estruturalista pelo seu trabalho no livro As palavras e
as Coisas (1981), onde o saber é estratificado entre o que se diz (palavras) e o que
se faz (coisas). Foi identificado como pós-estruturalista, após sua obra, Vigiar e
Punir (2000) no qual desenvolveu concepções e análises sobre o poder. Entendeu
o poder como criador e produtor de saberes e verdades. Desenvolveu concepções éticas sobre a verdade compreendendo que esta serve de suporte aos sistemas de repressão, quando determina padrões e formas de normalidade. Abordou a relação entre poder e governamentabilidade, e as práticas de subjetivação.
Trabalhou com uma crítica de bases nietzschianas, na qual opõe ciência e poder, saber e poder, reformulando conceitos modernos bem estabelecidos. Foucault propõe o rompimento com o estatuto da razão como modus operandi e explicativo para os questionamentos da sociedade. O homem se constrói a partir das relações de poder existentes na sociedade e da qual ele é parte inexoravelmente.
Em suas teorias sobre as relações de poder-saber concluiu que o sujeito, se constrói a partir destas relações, sendo um produto das mesmas (COSTA, 2012).
Desenvolveu um trabalho sobre o micro social, e as relações que se estabelecem neste plano, rompendo com sistematizações e conceitos totalitários e generalizados do paradigma científico. Compartilha da idéia de que o passado é provisório e trabalha com o conceito de descontinuidade da história. Investe contra o historicismo, enquanto totalidade de referentes contínuos, e como um processo evolutivo. Elimina o sujeito enquanto agente histórico fundamental, portanto a historicidade lhe é exterior. Destitui o caráter das centralidades, que limitam o pensamento, e obstruem as multiplicidades. Para o autor o discurso é produzido. O sujeito é um efeito da linguagem, do discurso de enunciação. Com relação à verdade afirma que esta não é absoluta, porém, estão articuladas aos regimes de verdade que se estabelecem temporariamente a partir dos saberes. Seu pensamento é da multiplicidade (COSTA, 2012). O pensamento de Foucault não se desenvolve em uma trajetória contínua, mas se constrói a partir de deslocamentos e problematizações.
Considerando que o estudo desta tese versará sobre o modo de subjetivação dos trabalhadores do processo de desinstitucionalização, partiremos aqui, dos conceitos foucaultianos da subjetividade, com uma perspectiva arqueológica, e posteriormente, trabalharemos sobre os movimentos da subjetividade a partir dos conceitos da genealogia proposta por Foucault (1992) para então nos dedicarmos às concepções éticas do autor sobre a constituição da subjetividade do sujeito.
Nesta linha argumentativa, passaremos pelos conceitos de discurso, enunciado, regimes de verdade, saber-poder, relações de micro-poderes, biopoder, biopolítica, sujeito e subjetivação desenvolvidos por Foucault.
O pensamento foucaultiano em sua fase arqueológica abordou a questão da discursividade, e esta como produtora do sujeito, através da noção da verdade. Foucault entende que o sujeito é produzido pelos discursos, e que portanto, não está no estatuto da razão, do sujeito cognoscente, capaz de autonomia, liberdade e racionalidade, atributos que o pensamento moderno, delega ao sujeito, como na perspectiva de sujeito transcendental do pensamento de Kant.
A arqueologia se ocupa de questionar esse sujeito, fazendo emergir problematizações acerca da subjetividade nos jogos de enunciação, dando visibilidade aos lugares possíveis ao sujeito, no contexto da produção dos saberes.
O autor ressalta que o movimento de objetivação está no jogo entre o objeto e o sujeito, ambos podendo assumir as características ou identidade de objetivação ou de sujeito. A arqueologia possibilita mapear a subjetividade, entendendo-a como um modo de relação entre os regimes de produção de verdades e o conjunto de práticas discursivas que se apresentam no jogo da objetivação (VIVAR Y SOLER, 2008).
Revel (2005) afirma que se tomamos a subjetividade como central, é preciso notar que a arqueologia e a genealogia põem em operação temáticas e instrumentos conceituais. A arqueologia faz emergir os processos históricos que ativaram os mecanismos de sujeição constituintes dos sujeitos; de outro, a genealogia quer ativar os mecanismos de sujeição dos saberes históricos e de suas verdades constituintes de sujeitos. Gros (2011) indica que a arqueologia presume os cálculosdos efeitos da verdade, enquanto a genealogia, os atos da verdade.
A problematização genealógica da subjetividade aparece na obra de Foucault (2000) a partir da análise realizada no livro Vigiar e Punir,onde o indivíduo surge imerso nas relações de poder dos diferentes dispositivos institucionais de ordem diversas. Compreende-se o indivíduo envolvido nas maquinarias institucionais, no conjunto das práticas sociais, nas políticas e nas disciplinas, expostos a vigilância, exame e controle. A diferença do pensamento foucaultiano em relação a outros pensadores que apontaram os mecanismos de poder que aprisionam o homem, é que aqui não há o propósito de mapear ou descrever as formas de dominação, mas sim, pensar de que modos os efeitos destas relações de poder, constituem o sujeito, visto que se estendem em todos os aspectos da vida.
O pensamento genealógico, desenvolvido por Foucault (2007a) na A vontade
de Saber, dedica-se a discussão da subjetividade em relação ao poder que se
produz sobre a vida. O autor vai desenvolver então os conceitos de biopoder, que em suas duas modalidades, disciplinar e biopolítica, se efetivam em todas as dimensões da vida individual e coletiva. Sendo este um poder com características de controle, mas também de produção.
Consideramos esses conceitos importantes, visto estarem relacionados a aspectos relevantes para este estudo, entre os quais as ideias de normalização, controle político sobre a vida e os modos de subjetivação.
Foucault realiza ainda mais um deslocamento, na trajetória de seu pensamento, buscando compreender a história política da subjetividade, na perspectiva ética do cuidado de si. Estes estudos pressupõem a análise das
experiências éticas em diferentes processos de estética de existência, de cuidado com sua alma, com seu corpo e do exame da consciência e entendimento dos sentidos (VIVAR Y SOLER, 2008).
Foucault evidencia que os modos de subjetivação e as possibilidades de resistência, se mobilizam de forma marcante na contemporaneidade, quando as questões políticas, impõem modos de existências notoriamente individualistas, globalizantes e totalitárias. Frente a estas regras universais à sempre a possibilidade de resistir e de criar modos e estilos de existências, em processos de subjetivação (MANSANO, 2009).
O método arqueológico desenvolvido por Foucault permite uma análise da história da loucura, trabalhando com a noção de descontinuidade histórica, que implica em observar as alterações dos discursos, sem a rigidez da sucessão temporal da história, detendo-se nos momentos de acontecimento de uma forma de saber e das práticas a este relacionada (MACHADO, 2006).
A medicina se afirma em um paradigma racionalista, onde o problema está colocado em uma relação de causa e solução. No caso da doença mental, onde esta equação não encontra o resultado esperado, ou seja, a cura. A instituição psiquiátrica encontra-se neste espaço, onde seu objeto não é totalmente conhecido, no caso a doença mental, que não se deixa explicar pelo paradigma clássico, fortalecendo a característica de uma instituição residual, isto é que ocupa-se do insolúvel, do desconhecido, do fracasso científico, enfim da impotência da ciência e da sociedade, e que portanto, precisa ser excluída e negada.
No referencial médico o tratamento centra-se em conceitos da biologia, da anatomia e na observação do fenômeno, de forma a conhecê-lo intrinsecamente, constituindo um limite, no que se refere à perspectiva de uma visão integral de sujeito imerso em uma vida, condicionado histórica e socialmente.
A ciência psiquiátrica produz o conhecimento, fundamentado em uma fragmentação do sujeito, reduzindo-o a um conjunto de condutas e sintomas, sem voz, desejo ou razão, cria as possibilidades para a ocorrência do que hoje entendemos como um duplo da doença mental, ou seja, a loucura enquanto produzida, também pela sociedade e pelas instituições, que a segregaram do espaço coletivo.
O discurso psiquiátrico constituiu-se como verdade no contexto da modernidade, e produziu uma série de enunciados tais como: os da desrazão, da
segregação, da periculosidade, da cronicidade, da incapacidade, entre outros, assim como produziu saberes e práticas específicos para fazer com que estas verdades se consolidem, em um campo institucional, científico e social.
De acordo com o pensamento de Foucault acerca dos jogos de verdade, estes incluem um conjunto de regras e procedimentos, a serviço da produção de um regime de verdade, sustentando as concepções e saberes construídos e considerados verdades em cada época e de acordo com as condições de possibilidades vigentes (NARDI, 2002).
Para Foucault (1999, p.13) a definição de verdade quer dizer que estas expressam o “conjunto das regras segundo as quais se distingue o verdadeiro do falso e se atribui ao verdadeiro, efeitos específicos de poder". Com esta afirmativa o autor aponta a existência de um jogo de tensões, para a afirmação de uma ideia, que passa por procedimentos, que incluem poderes e saberes, em um campo determinado. É possível associar a constituição do discurso psiquiátrico nesta relação de força, da produção de saberes, a partir do conhecimento científico e deste exercendo-se enquanto poder de nomear, classificar, validar, normalizar a vida.
Se entendermos o conceito de Foucault (2012) sobre as condições de possibilidades de um discurso ou prática discursiva, estas estabelecem o surgimento da psiquiatria no contexto da grande internação, na qual Pinel encontra a possibilidade de separar, observar, classificar e criar uma nosografia dos tipos de alienação mental, concluindo a partir de seus fenômenos. Produz um conhecimento acerca da doença, sendo que este corresponde ao acúmulo de informação possível naquele momento, no qual o pensamento científico segue os pressupostos positivistas, e o saber médico se constitui pela observação, descrição e classificação, sobre o homem, enquanto objeto de estudo.
Em sua concepção acerca do discurso, Foucault (2012) refere-o como produzido, controlado, selecionado, organizado e distribuído por procedimentos, cuja função é minimizar seus riscos, poderes e perigos. Entre outros aspectos, o autor refere os procedimentos de exclusão, que através da partilha e da rejeição, quando relacionado ao discurso do louco, é para expulsá-lo à um lugar de negação e invisibilidade.
No caso específico do discurso psiquiátrico, o poder que exclui e aparta o discurso da loucura, se produz de diversas maneiras, ao longo da história da
sociedade moderna. Este se encontra ignorado e desvalorizado, ou inversamente, quando escutado, ganha status de verdade, geralmente, como enunciativo daquilo que se queria esconder. Ainda em nosso tempo, se encontram o procedimento de partilha e o discurso da loucura, mesmo quando em relação à produção de um discurso de aproximação e desmistificação, como o que se pressupõe em relação à desinstitucionalização, onde as resistências e lutas se materializam como barreiras e destituição do saberes implicados no processo.
Outro procedimento descrito por Foucault (2012) que se pode relacionar, ao processo de constituição do discurso psiquiátrico hegemônico e ainda ao discurso da desinstitucionalização, trata-se do procedimento de oposição do verdadeiro e do falso. Este segundo o autor, mesmo estando em outra escala, que pressupõe a questão do saber, atravessa a história legitimando e desconstituindo os discursos, no transcorrer do desenvolvimento da humanidade e em cada período histórico, conforme sua possibilidade de ocorrências e de interesses da sociedade, constituindo um poder que permite à vontade de verdade, se produzir através das formas que se põem em jogo.
Em relação à experiência da loucura, muitas verdades passam a ser produzidas por jogos de saber-poder criando-se todo um aparato institucional e uma rede de construção e distribuição de saber, de forma a cercar, limitar e apoderar-se desta, para dominar e controlar sua manifestação.
A materialização no discurso psiquiátrico se apóia em um conjunto de conhecimentos com base na ciência médica, assim como em uma série de práticas de assujeitamento e controle, próprias das instituições jurídicas e políticas, entre as quais o cerceamento de liberdade e a perda de direitos.
Como é possível observar, o discurso psiquiátrico, não se ampara ou se justifica, apenas pelo saber médico, estando sempre acompanhado por outros, com poder de verdade e legitimados socialmente, que deste se utilizam para consolidar a exclusão e negação da loucura do espaço social.
Os procedimentos que instituem o caráter de verdade quando relacionados ao discurso da loucura, produzem a concepção da destituição da razão, da periculosidade, da alienação do sujeito, da fragmentação deste à doença e ainda um conjunto de práticas e institui um lugar específico para sua existência, criando o manicômio. Este procedimento considerou falso toda a percepção da loucura, enquanto modo de existência, podendo incluir nesta, o sofrimento, o desejo e a
diferença. E instituiu ainda a impossibilidade de liberdade, autonomia e conhecimento. Estes procedimentos materializaram-se nas práticas manicomiais e na legitimação destas, enquanto formas de proteção social e afastamento da “danosa” aproximação com a loucura.
O discurso da desinstitucionalização da loucura trabalha para construir outras séries de enunciados e práticas, que não se constituam simplesmente a partir da oposição ao discurso tradicional, mas que afirmem outros pressupostos, com variações e acontecimentos distintos, considerando suas condições de aparecimento e de desenvolvimento.
Foucault (2012) aponta a formação dos discursos, entre outros o discurso sobre a loucura, considerando sua descontinuidade, dispersão e regularidades, visando captar suas formas e poder de afirmação, de constituir ou negar aquilo que se constitui enquanto falso e verdadeiro. Este entendimento, não busca revelar ou desvendar sentidos, mas expor a raridade e a afirmação das premissas formuladas, que se constituem em práticas, através da ciência, das disciplinas, dos saberes e das instituições presentes em nossa sociedade em relação à loucura.
O discurso é compreendido por Foucault (2012) enquanto prática, com efeitos sobre o corpo e a subjetividade, como materialidade que se produz e é produzida por relações de poder-saber. Na perspectiva do saber psiquiátrico o movimento é de anulação do sujeito da loucura, enquanto potência de vida e de criação.
A perspectiva arqueológica do pensamento foucaultiano, se debruça sobre o discurso para entender sua constituição, suas regras, seus procedimentos, suas formas de controle e distribuição, regulação e sua materialidade. Este interroga o saber, quanto a sua produção, e quanto a sua função, sua mobilidade e emergência. Foucault entende o discurso como um conjunto de enunciados, que se apóiam em uma mesma formação discursiva, e que estas são mais do que a expressão de ideias, por que devem estar dentro de um campo discursivo e a este relacionado (FOUCAULT, 2013).
No caso do discurso psiquiátrico, seus procedimentos externos e internos, trabalham para desconstituir o devir-louco6 como parte da natureza do humano, e
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Tal e a simultaneidade de urn devir cuja propriedade e furtar-se ao presente. Na medida em que se furta ao presente, o devir nao suporta a separação nem a distinção do antes e do depois, do passado e do futuro. Pertence a essência do devir avançar, puxar nos dois sentidos ao mesmo tempo.[...] O born senso e a afirmação de que, em todas as coisas, ha um sentido determináveI; mas o paradoxo e
produz para este o caráter de adoecimento, de fuga dos padrões normalizados conforme os ditos científicos.
A emergência do saber psiquiátrico enquanto disciplina, segundo Foucault (2013) se estabelece na modernidade como um acontecimento, que encontra condições de possibilidades na sociedade capitalista em expansão no desenvolvimento da ciência médica, na urbanização, no contingente humano a margem do processo de crescimento e industrialização. São elementos ainda, para este acontecimento, o modo de vida individualista e focado na produtividade, na ética do trabalho, na perspectiva de progresso e solução para todas as questões do sujeito, previstos no projeto da modernidade. A loucura destoa deste projeto, rompe com a visão de mundo racional e passível de ser conhecido, torna-se uma lacuna, que não sendo preenchida, é afastada e expulsa.
O poder saber psiquiátrico literalmente subjuga e segrega a loucura, mantendo seu controle através de práticas legitimadas pelo conhecimento médico, se afirma no caráter ritual dos que estão autorizados a falar em um campo discursivo. No caso da loucura, estes são os médicos e em última instância a justiça. Estes procedimentos encerram o fenômeno da loucura no campo da medicina, para ser contido e anulado e, da justiça para ser afastado da sociedade pelo internamento involuntário e compulsório.
As condições impostas ao internado nas grandes instituições asilares estabeleciam-se a partir das relações de saber-poder, estes conceitos relacionados ao discurso sobre a loucura, podem ser compreendidos a partir da análise genealógica no pensamento foucaultiano, que a entende como uma estratégia de normatização, institucionalização e constituição fundamental do discurso da loucura (HADDOCK-LOBO, 2008).
A perspectiva genealógica do pensamento foucaultiano se debruça sobre a questão da produção dos saberes e das relações de força que se articulam e dos
a afirmação dos dois sentidos ao mesmo tempo.[...] O verdadeiro devir-Iouco que nao se detém nunca, nos dois sentidos ao mesmo tempo, sempre furtando-se ao presente, fazendo coincidir o futuro e o passado, o mais e o menos, o demasiado e o insuficiente na simultaneidade.[...] o puro devir, o ilimitado, e a materia do simulacro na medida em que se furta a ação da Ideia, na medida' em que contesta ao mesmo tempo tanto o modelo como a copia (DELEUZE, 1998, p.7-8).
poderes que se processam em torno e a partir destes, para definir o que é ou não