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1 PATRIMÔNIO HISTÓRICO E CULTURAL: ORIGEM E USOS

1.2 REVITALIZAÇÃO DOS CENTROS URBANOS : PERSPECTIVAS, PRÁTICAS E

1.2.1 Revitalização do Centro Histórico de João Pessoa

A cidade de João Pessoa nasceu às margens do rio Sanhauá, em 5 de agosto de 1585, sendo considerada a 3ª cidade mais antiga do Brasil. Antes, denominada Nossa Senhora das Neves, adquiriu outras denominações até chegar ao nome atual. Teve suas primeiras formações no Varadouro – região onde funcionava o comércio na época, (RODRIGUEZ, 1994) hoje, bairro que faz parte do Centro Histórico da capital paraibana.

A primeira providência que se tomou com o surgimento da cidade foi a construção de um forte no Varadouro, para impedir invasões e supostas entradas de inimigos. E nesse ritmo, a cidade crescia consideravelmente. Construções de igrejas, edificações monumentais, o surgimento do Porto do Capim - antigo Porto da Cidade (Id), entre outras obras, que ainda fazem parte da formação histórica e refletem a memória e a identidade do ambiente urbano.

O centro histórico é constituído por um conjunto urbano formado a partir das relações econômicas, políticas, culturais e sociais, e que na atualidade, representa o marco da identidade histórica e cultural da sociedade pessoense (COMISSÃO DO CENTRO HISTÓRICO, 2007). Hoje abriga uma área de 370 mil m² e abrange a Cidade Alta e a Cidade Baixa14 (esta, formada pelo Varadouro e o Antigo Porto do Capim). Foi homologado pelo IPHAEP – (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado da Paraíba), em 2007 e tombado pelo IPHAN15, em 2009.

Na década de 1980, a cidade começou a se desenvolver em torno dos bairros voltados para a orla da capital e o centro histórico, responsável por constituir o comércio na época, viu- se ameaçado, em estado de total abandono (SCOCUGLIA, 2004). Pode-se perceber a forte

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A Cidade Baixa está localizada num ambiente cujo entorno é banhado por uma área de manguezal, importante patrimônio natural, bem como por edificações de grande magnitude, que tornam o lugar ainda mais exuberante. A Cidade Alta, que está ligada a Cidade Baixa por intermédio da ladeira de São Francisco, assim como a Cidade Baixa, também é constituído por vários monumentos importantes, que retratam a imagem do lugar. Entre esses monumentos podemos destacar: Conjunto da Ordem Terceira de São Francisco, Teatro Santa Roza – o 3º mais antigo do Brasil, Academia Paraibana de Letras, Casa da Pólvora, entre outros.

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IPHAN. Disponível em:

<https://portal.iphan.gov.br/portal/montarDetalheConteudo.do?id=14237&sigla=Institucional&retorno=detalheI nstitucional>. Acesso em: 31/07/11.

presença do mundo moderno, que na época representava um fator importantíssimo para a sociedade, que tinha o interesse de modificar os centros urbanos, seguindo os padrões da cultura global, sem se preocuparem com os fatores ligados a identidade local e a preservação do patrimônio. O próprio centro histórico teve monumentos demolidos devido ao alargamento das ruas para se adequar à contemporaneidade.

Segundo a Comissão do Centro Histórico (2007), apenas no ano de 1987, é que o centro histórico, a partir do convênio entre o Brasil e a Espanha, firmado pelo MinC, pelo IPHAN, pela AECI – (Agencia Española de Cooperación Internacional), pelo Governo do Estado da Paraíba e pela Prefeitura Municipal de João Pessoa, foi inserido no processo de restauração/revitalização, por intermédio do Projeto de Revitalização do Centro Histórico de João Pessoa. A princípio era voltado apenas para a Cidade Alta e o Varadouro, abrangendo depois a região do Antigo Porto do Capim, local onde reside a comunidade do centro histórico, e que provavelmente será relocada para outra área, devido às etapas de revitalização neste espaço.

A sociedade começou a perceber a importância que representava o local e como era fundamental tentar deixá-lo com a mesma essência de antes. Mas a participação da população ainda era mínima. Como cita Scocuglia (2004, p. 2), “apenas em finais dos anos 1990 ocorreu um movimento mais articulado entre população local, poder público e iniciativa privada no sentido da revalorização do patrimônio cultural local”. E como se sabe, de fato, para que uma atividade seja desenvolvida adequadamente é fundamental que os órgãos públicos, a iniciativa privada, e a comunidade local estejam realmente inseridos no planejamento das ações que serão postas em prática.

Por meio desse processo, várias associações, fóruns e organizações foram criados com o intuito de incluir a população local nas atividades ligadas à restauração do centro histórico, entre eles, destacam-se: a ACEHRVO – (Associação Centro Histórico Vivo), voltado para a educação e cultura; a Associação Oficina-Escola de Revitalização do Patrimônio Cultural de João Pessoa, destinada a jovens de baixa renda e sua inserção no processo de restauração; e a Associação Folia de Rua, com o Projeto Folia Cidadã, que desenvolve trabalhos educativos para as crianças, voltados para o carnaval de rua (Id).

Na verdade, vários prédios e espaços públicos foram restaurados/revitalizados, tanto na Cidade Alta, como na Cidade Baixa. Como exemplos, há igrejas, casarões, a Praça Anthenor Navarro e o Largo de São Frei Pedro Gonçalves. Alguns bares, boates e cafés foram implantados e, em determinadas épocas do ano, a Praça Anthenor Navarro passou a abrigar

alguns eventos, como a prévia carnavalesca e o São João, promovidos pela FUNJOPE – (Fundação Cultural de João Pessoa).

O centro histórico passou a ser frequentado novamente pela sociedade, principalmente pela elite, apesar de a comunidade local não ter sido expulsa da área. No entanto, o que parecia ser algo perfeito não passava de uma fantasia. Segundo Scocuglia (Ib), por trás da restauração/revitalização de alguns espaços e monumentos, se escondiam os problemas que passaram a interferir bastante no desenvolvimento local. Após alguns anos em que se deu o processo de restauração, bares que estavam instalados na Praça Anthenor Navarro vieram a fechar e o número de eventos que estavam sendo realizados no local diminuiu gradativamente.

Nos dias atuais, o centro histórico continua com diversos problemas, mas a importância em relação ao lugar aumentou significativamente. Vários projetos estão sendo elaborados para dar continuidade à restauração e revitalização da área. Os órgãos públicos, entre eles, o IPHAN, o IPHAEP, a Comissão Permanente do Centro Histórico e a COPAC16 - Coordenadoria de Proteção dos Bens Históricos estão trabalhando em prol do desenvolvimento sociocultural e econômico do local. Contudo, a execução das tarefas acaba por atrasar, por causa dos recursos que não são suficientes para adiantar o processo, ainda mais que a parceria com o Governo Espanhol acabou, sendo esta instituição responsável pela execução de várias restaurações e revitalizações de monumentos e áreas degradadas.