4. Da Gestão de Riscos Propriamente Dita
4.2. Risco de Crédito:
Esse item se aplica apenas aos Ativos Financeiros considerados de crédito privado.
Na Gestão do Risco de Crédito, a Gestora deverá: (a) agir com independência na avaliação do Ativo Financeiro, não devendo considerar potenciais ganhos da operação de forma isolada, (b) instituir, quando possível, e valer-se de mecanismos de mitigação de outros riscos não contemplados neste Manual, e (c) observar continuamente o disposto na legislação em vigor.
Com relação aos Ativos Financeiros de crédito privado, a Gestora deverá: (i) assegurar que as informações necessárias para decidir sobre a Negociação estão disponíveis; (ii) decidir sobre a Negociação somente com base em análise previamente realizada; (iii) verificar a compatibilidade com a política de investimentos do Fundo para o qual deseja adquiri-lo e os aspectos regulatórios aos quais estejam sujeitos; (iv) somente realizar a Negociação daqueles que tenham sido prévia e expressamente aprovados pelo Comitê ou pelo Diretor de Gestão de Riscos e de Compliance; e (v) monitorar periodicamente a qualidade deles.
Na hipótese de a Gestora realizar internamente análise de crédito, a Área de Gestão de Risco e de Compliance deverá ser responsável pelas análises necessárias e deverá atuar independentemente da Área de Gestão.
26 4.2.1. Fixação da Metodologia:
O Risco de Crédito será mensurado de acordo com as metodologias abaixo, cada uma delas será considerada como um Indicador de Risco:
a) Valor por nome de emissor, tomador ou contraparte;
b) Valor por grupo econômico;
c) Concentração por nome de emissor, tomador ou contraparte;
d) Concentração por grupo econômico;
e) Concentração por setor de atuação;
f) Concentração por rating de crédito emitido por agência especializada, quando disponível; e
g) Concentração por rating interno de crédito, a ser determinado pelo Comitê.
O Controle de Risco é realizado sobre os parâmetros fixados para os seguintes Indicadores de Risco:
a) Valor por nome de emissor, tomador ou contraparte; e
b) Volume por rating de crédito emitido por agência especializada, quando disponível.
No caso de corretoras, quando houver Risco de Crédito, será considerado como valor em Risco de Crédito o somatório de todas as garantias depositadas na corretora e o valor da liquidação diária de transações devida pela corretora.
No caso de derivativos de balcão, será considerado como valor em Risco de Crédito o peak exposure7 da transação, ou o valor credor máximo com determinado nível de confiança durante a vida da operação ou, ainda, outro a ser determinado pela Área de Gestão de Riscos e de Compliance.
São dispensados de Controle de Risco, o Risco de Crédito decorrente de:
a) Títulos públicos;
b) American Depositary Receipts, Brazilian Depositary Receipts, e correlatos;
c) Ativos Financeiros, incluindo derivativos, negociados e/ou liquidados em bolsas de valores, entidades do mercado de balcão organizado ou equivalentes;
7 O peak exposure é o valor máximo de exposição que se espera ocorrer numa data futura à determinado nível de confiança.
27 d) Bônus, recibos de subscrição e certificados de depósitos de ações, e seus equivalentes, quando negociados e/ou liquidados em bolsas de valores, entidades do mercado de balcão organizado ou equivalentes; e
e) Cotas de fundos negociadas em bolsas de valores, entidades do mercado de balcão organizado ou equivalentes.
4.2.2. Fixação de Valores por Contraparte, Tomador ou Emissor:
Os Indicadores de Riscos para Risco de Crédito por contraparte, tomador ou emissor são fixados pelo Comitê.
Como princípios para a fixação de parâmetros para Indicadores de Riscos, a Gestora adota os “6 Cs” de crédito, conforme Ofício-Circular/CVM/SIN/Nº 6/2014:
a) Caráter: perfil histórico de bom pagador. Para tanto, a Gestora poderá realizar pesquisas restritivas sobre o emissor do crédito, obter certidões, dentre outros. A Gestora também poderá aproveitar análises feitas por terceiros e utilizar checagens prévias realizadas por parceiros confiáveis;
b) Capacidade: geração de fluxo de caixa suficiente para honrar os compromissos;
c) Capital: parcela de capital próprio da contraparte, tomador ou emissor;
d) Condições: condições econômicas do setor;
e) Colateral: garantias existentes na transação; e
f) Conglomerado: verificar o grupo econômico do qual o devedor faz parte.
Na análise de crédito antes de uma determinada operação, a Área de Gestão de Riscos e de Compliance deverá analisar qualitativamente os aspectos estratégicos do investimento, simular cenários que possam envolver o perfil de crédito da operação e efetuar checagem restritiva sobre o emissor.
4.2.3. Fixação de Valores por Rating de Crédito e Setor de Atuação:
A Área de Gestão poderá instituir valores máximos de concentração por rating e por setor de atuação, para cada Fundo, e poderá requerer à Área de Gestão de Riscos e de Compliance relatórios de concentração.
A Área de Gestão de Riscos e de Compliance produzirá os Indicadores de Riscos por rating e por setor de atuação na periodicidade requisitada pela Área de Gestão, desde que disponha dos dados e informações necessárias.
28 A observância da concentração por rating e por setor de atuação, por Fundo é de responsabilidade exclusiva da Área de Gestão e não se constituirá por si só em Controle de Risco com enquadramento obrigatório, a menos que determinado especificamente pelo Comitê.
4.2.4. Fixação de Valores para Outros Indicadores de Riscos:
Indicadores de Riscos adicionais poderão ser estipulados pelo Comitê.
4.2.5. Restrição de Concentração:
Eventuais concentrações superiores a 10% (dez por cento) do patrimônio de um Fundo, por grupo econômico da contraparte, tomador ou emissor, quando permitido pelo respectivo regulamento ou contrato, dependerá de aprovação prévia e expressa do Comitê.
4.2.6. Monitoramento:
Os Indicadores de Riscos, Controles de Riscos, e outros requeridos pela Área de Gestão para Risco de Crédito, juntamente com suas respectivas condições de conformidade, constarão nos relatórios que serão produzidos, armazenados e divulgados pela Área de Gestão de Riscos e de Compliance.
Quando os Fundos realizarem a Negociação de Ativos Financeiros considerados de crédito privado, será preparado relatório contendo o resultado do monitoramento da qualidade deles. Este relatório ficará à disposição do administrador fiduciário dos Fundos e da ANBIMA, podendo ser solicitados, obedecendo os prazos previstos no Código ANBIMA de Regulação e Melhores Práticas para Administração de Recursos de Terceiros e na regulação vigente.
Os relatórios serão obrigatoriamente produzidos e enviados pela Área de Gestão de Riscos e de Compliance para os destinatários indicados neste Manual com a seguinte frequência:
(i) no mínimo, 1 (uma) vez a cada mês do calendário, ou com outra frequência, caso a regulamentação vigente assim determine, e/ou (ii) na frequência que o Diretor de Gestão de Riscos e de Compliance entenda ser necessária, desde que não seja inferior a determinada no item “i”, anterior.
A frequência de envio de relatórios poderá ser alterada, sempre que necessário, especialmente quando dados e informações necessárias para a sua produção não estiverem disponíveis.
29 4.2.7. Reenquadramento:
À despeito da fixação prévia, não há obrigatoriedade de tomada de ações gerenciais na hipótese de valores estabelecidos para os Indicadores de Riscos serem igualados ou excedidos.
Eventuais ações gerenciais e de Gestão de Riscos levarão em conta, dentre outros: (i) o Indicador de Risco cujo valor foi igualado ou excedido e o momento em que isto ocorreu;
(ii) a evolução e/ou o comportamento agregado dos Indicadores de Riscos; (iii) as circunstâncias da ocorrência; e (iv) as condições dos mercados.
Assim sendo, ações preventivas (i.e. antes do atingimento de valores estabelecidos) ou reativas (i.e., depois de excedidos os valores estabelecidos) poderão ser solicitadas ou tomadas sempre que necessário como parte da prática de Gestão de Riscos.
O reenquadramento, tanto ativo quanto passivo, deverá ser realizado de modo a causar o menor impacto negativo nos Fundos, observando as condições de mercado e o melhor julgamento dos Gestores.