O risco operacional consiste no risco de perdas resultantes de deficiências ou falhas dos processos internos, recursos humanos, sistemas ou de fatores externos.
A CEMG obteve autorização do Banco de Portugal, com efeitos a partir de 30 de Junho de 2010, para a adoção do Método Standard (TSA) para efeitos de cálculo de requisitos mínimos de fundos próprios para cobertura de risco operacional. Com o alargamento do perímetro de consolidação verificado em 2011, este método encontra-se em fase de implementação nas restantes entidades do Grupo.
Com referência a 31 de Dezembro de 2014, os requisitos de fundos próprios para risco operacional da CEMG, do MG Cabo Verde e do Montepio Crédito foram calculados de acordo com o método Standard (TSA). Para o Montepio Investimento, Banco Terra e Finibanco Angola, os requisitos foram calculados de acordo com o método do indicador básico (BIA). Em resultado desta realidade, os requisitos de fundos próprios em base consolidada para cobertura do risco operacional correspondiam, em 31 de Dezembro de 2014, a 65,6 milhões de euros.
No método do indicador básico, o cálculo dos requisitos de fundos próprios para cobertura do risco operacional corresponde à média do indicador relevante anual positivo dos últimos três anos ponderada por 15%, enquanto no método Standard corresponde à média do indicador relevante anual positivo dos últimos três anos obtido nas diferentes linhas de negócio, multiplicado pelos respetivos ponderadores, de acordo com as definições do Banco de Portugal.
Os elementos contabilísticos considerados no cálculo do indicador relevante estão alinhados com o preconizado na Instrução n.º 23/2007 do Banco de Portugal e com o disposto na alínea d) do n.º 5 do Anexo I do Aviso n.º 9/2007 do Banco de Portugal, no que respeita às exceções a considerar relacionadas com as rubricas contabilísticas que não resultem da atividade corrente da CEMG.
Os critérios de atribuição por segmentos de atividade seguem o disposto no Aviso n.º 9/2007 do Banco de Portugal. O quadro seguinte sistematiza a relação entre os Segmentos de Atividade e a Lista de Atividades existente na CEMG:
Disciplina de Mercado - 2014 33 Quadro 26 – Segmentos de Atividade e Lista de Atividades
Quadro 27 – Requisitos de Capital para Risco Operacional
(milhares de euros)
Método
Indicador relevante Requisitos de fundos próprios (Consolidado) 2012 2013 2014
Total 433.442 419.973 516.713 65.632
1. Total das atividades sujeitas ao método
do Indicador Básico 37.091 43.127 55.390 6.780
2. Total das atividades sujeitas ao método
Standard 396.351 376.846 461.323 58.852
2.1. Financiamento das empresas 2.317 4.644 5.852 2.2. Negociação e vendas -44.818 -14.602 -17.310 2.3. Intermediação relativa à carteira de
retalho 7.999 7.612 7.850
2.4. Banca comercial 305.742 277.251 281.632
2.5. Banca de retalho 86.862 63.672 145.879
2.6. Pagamento e liquidação 33.094 32.646 30.621
2.7. Serviços de agência 5.156 5.623 6.799
2.8. Gestão de activos 0 0 0
Segmento de Actividade Lista de Actividades
Corporate Finance - Tomada firme de instrumentos financeiros e/ou colocação de instrumentos financeiros numa base de tomada firme;
- Consultoria às empresas em matéria de estruturas de capital, de estratégia industrial e questões conexas e de consultoria, bem como de serviços no domínio da fusão e da aquisição de empresas;
-Negociação por conta própria;
-Intermediação nos mercados monetários;
-Recepção e transmissão de ordens em relação a um ou mais instrumentos financeiros;
-Execução de ordens por conta de clientes;
- Emissão e gestão de meios de pagamento.
- Operações de Pagamento
Banca Comercial -Recepção de depósitos e de outros fundos reembolsáveis;
Banca de Retalho - Empréstimos;
-Locação financeira;
- Concessão de garantias e assunção de compromissos.
Serviços de agência - Guarda e administração de instrumentos financeiros por conta de clientes, nomeadamente a custódia e serviços conexos, tais como a gestão de tesouraria/de cauções.
-Recepção e transmissão de ordens em relação a um ou mais instrumentos financeiros;
-Execução de ordens por conta de clientes.
Gestão de Ativos - Gestão de OICVM.
Intermediação relativa à carteira de retalho Negociação e vendas
Pagamento e liquidação
Disciplina de Mercado - 2014 34 12. Análise de sensibilidade dos requisitos de capital
12.1 Risco de taxa de juro da carteira bancária
A identificação, mensuração e controlo do risco de taxa de juro da carteira bancária da CEMG fazem parte das funções da DRI. A gestão do risco de taxa de juro pela CEMG tem como referência os princípios recomendados pelo Bank for International Settlements.
A medição e avaliação do risco de taxa de juro da carteira bancária da CEMG assentam, fundamentalmente, no método de Repricing Gap.
Este método utiliza as seguintes componentes de simulação:
Ativos e Passivos remunerados que constituem o balanço da CEMG (saldo, moeda, data de repricing, data de maturidade, taxa de juro do contrato, tipo de indexante, prazo renovação de taxa de juro e tipo de amortização);
Contas extrapatrimoniais (nomeadamente swaps de taxa de juro);
Estratégias de contratação (montantes, pricing e repricing);
Projeção de taxas de juro e de câmbio.
O método de repricing gap calcula o montante de ativos e de passivos que renovam de taxa de juro dentro de um determinado período (Time Bucket), normalmente 1 mês. O diferencial entre o montante dos ativos e dos passivos que renovam taxa de juro num determinado período representa um Gap, que será positivo (negativo) se o total dos ativos for superior (inferior) ao total dos passivos.
Os modelos de repricing construídos podem ser:
Estáticos: apenas considerando a situação patrimonial e extrapatrimonial no final de cada mês;
Dinâmicos: consideram a situação patrimonial e extrapatrimonial prevista para os meses seguintes, a partir da situação inicial e da evolução previsível das diversas variáveis de negócio, nomeadamente montantes, prazos de renovação de taxa de juro, liquidações antecipadas e mobilizações.
Na construção dos modelos são considerados os seguintes aspetos metodológicos:
Os ativos e os passivos remunerados estão agrupados de acordo com o prazo de repricing, tipo de indexante e a finalidade da operação;
Os ativos e os passivos remunerados de taxa fixa são considerados como fazendo repricing na data de vencimento;
Atualmente, não se aplicam coeficientes de mobilização antecipada (de depósitos e crédito) optando-se por relevar a maturidade residual dos respetivos contratos.
Nos ativos e passivos remunerados que não estão diretamente indexados a uma taxa de mercado, a data de repricing coincide com a data de vencimento, aplicando-se idêntico tratamento ao ramo fixo dos swaps de taxa de juro.
Os depósitos à ordem são considerados como fazendo repricing entre um e dois anos, sendo de referir que a alteração à remuneração destes depósitos apenas é efetuada por via administrativa.
Disciplina de Mercado - 2014 35 12.2 Testes de Esforço realizados
Para além dos testes de esforço reportados ao Banco de Portugal, a CEMG realiza regularmente outros estudos de impacto que pretendem proporcionar uma visão analítica da sua posição em termos de liquidez, resultados do exercício e capital quando sujeita a cenários adversos decorrentes de alterações em fatores de risco como taxas de juro, spreads de crédito, reembolsos de depósitos, margens de avaliação de ativos elegíveis aplicadas pelo Banco Central Europeu (BCE), notações de rating (da CEMG e das contrapartes), sinistralidade das carteiras, colaterais, entre outros.
Os resultados obtidos nos cenários adversos analisados, de acordo com os requisitos e pressupostos macroeconómicos estabelecidos pelo Banco de Portugal no âmbito do plano de ajuda financeira à República Portuguesa, atestam a adequação dos níveis de capitalização da CEMG.
Os testes de esforço e análises de cenários são divulgados e debatidos com o C.A.E., sendo as conclusões retiradas posteriormente incorporadas nos processos de tomada de decisões estratégicas, nomeadamente na determinação de níveis de solvabilidade, liquidez, exposição a riscos específicos (riscos de contraparte e de preço) e globais (riscos de taxa de juro, cambial e de liquidez), assim como no âmbito do pricing, dos critérios de concessão de crédito e de desenvolvimento da oferta de produtos.
12.3 Informação quantitativa - risco de taxa de juro
Apresenta-se o modelo “Risco de Taxa de Juro (carteira Bancária) ” em base consolidada, que considera os impactos decorrentes de rate shock de 200 p.b. (+-), conforme o reporte semestral ao Banco de Portugal:
Quadro 28 – Risco de Taxa de Juro (Carteira Bancária)
(milhares de euros)
Dez-14 Dez-13
+ -55.358 109.017
- 55.358 -109.017
+ -3,48% 6,22%
- 3,48% -6,22%
"+ " = choque de 200 pb na taxa de juro, no sentido ascendente
"- " = choque de 200 pb na taxa de juro, no sentido descendente Efeito na situação líquida de um choque
de 200 pb na taxa de juro:
Valor % Fundos
Próprios
De acordo com a metodologia prevista na Instrução n.º 19/2005 do Banco de Portugal, o impacto na situação líquida decorrente de uma deslocação paralela de 200 p.b. da curva de taxas de juro é de 3,48% do valor dos fundos próprios (conforme quadro 28). A sensibilidade da carteira bancária ao risco de taxa de juro encontra-se assim dentro dos limites orientadores definidos pelo BIS em “Principles for the Management and Supervision of Interest Rate Risk”
(limite de 20%).