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4 O RISCO BANCÁRIO

4.2 Os Tipos de Risco e sua Gestão

4.2.3 Risco Operacional

Dentre os aqui apresentados, o risco Operacional é, sem dúvida, o mais difícil de se obter uma definição clara e definitiva. Talvez por ser o que se encontra em estágio mais embrionário de estudos, é provável que isso tenha ocorrido em função dos órgãos reguladores somente agora terem se atentado para o fato de que grande

parte das maiores quebras de bancos ocorridas nos últimos anos, como: Barings, Daiwa, Credit Lyonnais, entre outros, estarem diretamente ligadas a eventos de

ordem operacional.

Marshall (2002, p.20) discorre a respeito de risco operacional para qualificar e definir esse evento e, segundo ele, dos três tipos de risco para os quais se aloca capital, o risco operacional é o que se encontra em estágio menos adiantado, mas em certo sentido, entretanto, exige abordagem mais geral. Ele sugere uma estrutura potencial na qual integra todas as demais exposições, isso porque em grande parte o risco operacional oferece uma bandeira útil sob a qual os gerentes podem se comunicar e fazer cumprir uma perspectiva mais consistente e inclusiva relativa a todos os riscos em toda a organização.

Assim como gerentes e vendedores iniciam negócios que geram risco de mercado e de crédito para a instituição, o gerente de operações empreende ações que produzem riscos operacionais. Esses riscos poderão vir de eventos únicos que vão desde a negociação irresponsável e erros contábeis até atividades terroristas bem como acordos judiciais inéditos e de práticas de vendas impróprias e falhas de sistemas a sabotagem.

Para Marshall (2002, p.20), a própria diversidade de eventos que levam ao risco operacional torna fugazes as definições. As definições tornam-se questões de categorização com dois extremos de pensamentos:

1. A Visão Estreita: esses riscos resultam de falhas operacionais nos Back- Offices, ou áreas operacionais da empresa; essa é uma visão limitada por deixar

de tratar outros eventos que residem nas interfaces de operações e de outras áreas de negócios como o risco de reputação, jurídicos etc.

2. A Visão Ampla: sugere que o risco operacional é um resíduo quantitativo, ou seja, a variância do lucro líquido que não explicada pelos demais riscos, como crédito e mercado. O problema dessa visão reside no fato de ser demasiadamente ampla e negativa, e só poderá ser utilizada na medição do risco operacional para efeito de alocação de capital, ficando quase impossível a sua utilização no gerenciamento de operações; seria mais ou menos como definir um cachorro como alguma coisa que não seja um gato.

De fato a visão que vem prevalecendo no mercado é a visão estreita, através dela as empresas tem implementado processos cujo objetivo é mapear as atividades e coletar acompanhá-las com o objetivo de apontar e mitigar toda e qualquer falha que venha a ocorrer no fluxo dessas atividades.

A maioria dos reguladores tem adotado definições situadas em algum ponto entre essas visões extremas, focalizando no risco de falhas de tecnologia, de controle e de pessoal. Por exemplo, o Conselho Diretor do Manual de Atividades de Negociação por Sistema do Federal Reserve, define riscos operacionais e de sistemas como “o risco de erro humano ou fraude, ou o de que sistemas falharão em adequadamente registrar, monitorar e contabilizar transações ou posições”. Isso se assemelha à influente definição do Comitê do Basiléia em 1994 Risk Management Guidelines (vol.

16) para derivativos OTC (Over The Counter), adotou uma definição que tem sido

utilizada em vários bancos. Postula que o risco operacional é: “Risco de que deficiências em sistemas de informações ou em controles internos resultarão em perdas inesperadas. Este risco é associado a erro humano, falhas de sistemas e procedimentos e controles inadequados”. O Office of the Controller of the Currency

(autoridade controladora da moeda) (1989) descreveu o risco operacional incluindo falha de sistema, conturbação de sistema e comprometimento de sistema.

Em Marshall (2002, p.75), as técnicas para medição do risco operacional apresentam-se em duas variedades básicas: as abordagens de cima para baixo e as abordagens de baixo para cima, explicadas a seguir:

1. De Baixo para Cima (Bottom up): essas abordagens desagregam os alvos em

muitos subalvos e avaliam o impacto de fatores e eventos sobre eles. Em geral, essas abordagens são mais precisas e relevantes às necessidades de gerentes operacionais.

2. De Cima para Baixo (Top down): Essas abordagens utilizam alvos agregados

como valores de lucro líquido ou de ativos para analisar fatores de risco operacionais e evento de perda que causam flutuações no alvo. Essas abordagens são mais baratas porém menos precisas do que as de baixo para cima.

O Comitê do Basiléia utiliza em seu modelo mais básico, como o BIA (Basic Indicator Approach), um processo Top Down com a aplicação de um fator fixo de 15% sobre o

lucro total da instituição. O modelo ASA e ASA1 (Alternative Standardise Approach)

um modelo mais semelhante ao Bottom Up em que as linhas de negócios são

segmentadas, porém continua a aplicar um percentual fixo só que agora de forma diferenciada para cada segmento, vide Tabela 2, a seguir.

.

Os percentuais apresentados na Tabela 2 são frutos de um estudo realizado pelo Comitê do Basiléia em conjunto com os principais bancos da Europa e EUA, nos quais as perdas operacionais foram coletadas.

Somente nos modelos proprietários mais avançados é que as instituições poderão utilizar modelos estatísticos sobre uma base de perdas observadas ao longo de pelo menos sete anos.

Mercado de Capitais 18% Tesouraria 18% Varejo 12% Comercial 15% Pagamentos e Liquidações 18% Serviços de Agentes 15% Administração de Ativos 12% Corretagem de Varejo 12% Fonte:

TABELA DE RISCOS OPERACIONAIS TABELA 2

Percentual aplicado sobre a receita bruta da linha de negócio

Comitê do Basiléia, Converg.. Internacional de mensuração de capital e padrões de capital (2004, p.165)