1. A palavra risco na imprensa nacional
1.1. Risco, um termo omnipresente e versátil
Análise de 12 a 25 de Setembro de 2005- JN e DN
JN DN
nº de textos
163 91
nº de ocorrências na primeira página
6 3
nº total de ocorrências da palavra
236 154 risco + atentado 1 1 risco + incêndio 7 3 risco + doença 11 10
nº de textos por tema
risco + gripe das aves
7 5
Tabela nº 1
1.1. a) Jornal de Notícias
No que diz respeito à ocorrência da palavra risco no Jornal de Notícias durante o período considerado, verificamos que ela aparece em 163 textos. Se contabilizarmos todas as ocorrências da palavra risco no total daqueles textos e nas referências de primeira página, o número ascende a 236.
Aparece em todas as secções mas aquela em que por mais vezes é mencionada a palavra risco é a Sociedade. As 44 referências verificadas surgem em 25 textos e correspondem a 18,6% do total.
Logo a seguir contabilizam-se os 24 textos e as 29 vezes em que risco surge na secção País, o que corresponde a 12,2% do total. Refira-se que esta é uma secção que aparece desdobrada nas várias edições do Jornal de Notícias, correspondendo este número às vezes em que a palavra risco surge referenciada na secção País nas edições Nacional, Minho, Centro e Lisboa durante o período considerado.
A terceira secção em que mais vezes ocorre a palavra risco é a Centro. São onze textos e dezasseis as vezes aqui verificadas, o que em termos estatísticos corresponde a 6,7%.
Com 15 referências surgem empatadas a secção Sénior e a revista dominical Notícias Magazine, editada em parceria com o Diário de Notícias. Refira-se que todas as ocorrências verificadas na Notícias Magazine estão presentes em apenas um texto, enquanto na Sénior elas surgem repartidas por seis textos, representando cada uma a 6,3% do total.
Com a secção Política passa-se o mesmo do que com a secção País. Também a Política surge desdobrada pelas várias edições do Jornal de Notícias, sendo o total de catorze ocorrências referente ao surgimento da palavra risco em todas as edições do matutino portuense. Presente em doze textos na Política, a ocorrência da palavra risco é muito semelhante na secção de Desporto, onde em onze textos se verificam treze referências. Na Política as catorze ocorrências verificadas constituem 5,9% da amostra, enquanto as treze do Desporto representam 5,5%.
Acima da dezena de ocorrências surge ainda a secção Grande Porto com onze vezes a palavra risco referenciada, o que constitui uma percentagem de 4,6% do total.
Abaixo das dez ocorrências surgem as secções Em Foco e Economia com nove referências cada uma, sendo importante realçar que a secção Em Foco não tem tema fixo, antes reportando-se a acontecimentos diversos que merecem atenção especial e alargada num dado dia.
Na secção dedicada à Opinião dão-se oito ocorrências, seguindo-se as secções Etcetera, Minho e Última com sete vezes a palavra risco referenciada.
Na contagem decrescente da ocorrência da palavra risco por secção no Jornal de Notícias, surge o Mundo com seis, a Grande Lisboa e o JN Negócios com cinco. Seguem-se a Cultura, Polícia Lisboa e TV com quatro referências e, finalmente, as
secções Preto no Branco e Página do Leitor com apenas uma ocorrência da palavra risco durante o período considerado para esta análise.
Entre as 236 ocorrências da palavra risco verificadas no Jornal de Notícias, seis delas surgem integradas em chamadas à primeira página, sendo também de destacar as dez vezes em que risco aparece como parte integrante do título de notícias. Numa dessas notícias em que o substantivo risco surge no título, ele vem acompanhado pelo adjectivo “social”, o que configura uma classificação adoptada por um organismo oficial. É como “crianças em risco social” que a Comissão Nacional de Saúde da Criança e Adolescente caracteriza um grupo de três mil crianças hospitalizadas em 2003. “Crianças em risco” e “consultas de alto risco” para grávidas são outras expressões encontradas no texto.
Do total dos 163 textos do Jornal de Notícias onde consta a palavra risco, verifica-se que 31 deles reportam, precisamente, a temáticas que têm a ver com a saúde. Aqui destaca-se um texto sobre doenças cardiovasculares onde a palavra risco surge por seis vezes, e um outro sobre a diabetes onde o número de ocorrências sobe para quatro. No primeiro caso, a palavra risco surge inserida em três diferentes expressões: “pessoas em risco”; “factores de risco”; “risco cardiovascular”. No segundo caso, fala-se da necessidade de identificar os indivíduos “em alto risco de desenvolver diabetes”; da importância de determinado medicamento ou dieta para a “redução de risco” no que concerne a esta doença; e do “grupo de risco para diabetes”, que inclui pessoas com idade igual ou superior a 45 anos, com sobrecarga de peso, entre outros.
Referência ainda, no campo da saúde, para os seis textos que têm em comum a temática da gripe das aves e pelo menos uma ocorrência da palavra risco.
Numa enorme abrangência temática que vai dos desastres naturais ao encerramento da Associação dos Amigos da Música da Anadia, e do terrorismo à escala global à problemática da esterilização dos animais de companhia, o uso da palavra risco nos textos noticiosos do Jornal de Notícias durante o período considerado surge, além da saúde, principalmente associado a temas desportivos (treze textos), aos incêndios (nove textos) e ao desemprego (nove textos). Eis alguns exemplos: “Jardel tem contrato de risco pelo Goiás” é um título sobre o futebolista Mário Jardel que assinou um contrato com o clube brasileiro válido por cerca de três meses, “tendo um
salário reduzido, dependente da produtividade com um pequeno extra em cada jogo que participar”; “Seis distritos em risco muito elevado” é como se intitula um artigo sobre a probabilidade de ocorrência de incêndios, sendo os restantes distritos classificados como sendo de “risco moderado” ou “risco reduzido”; e “45 mil sem emprego previstos para 2009” é o título de uma notícia que dá conta de uma previsão do Centro de Emprego de Guimarães. O artigo aborda o risco de mais 31 mil cidadãos ficarem sem posto de trabalho além dos 14 mil já inscritos.
1.1. b) Diário de Notícias
A mesma análise feita no Diário de Notícias durante o mesmo período de tempo revela a presença da palavra risco num total de 91 textos. A soma de todas as vezes que a palavra surge, incluindo referências na primeira página, ascende a 154 ocorrências. Ou seja, os números são significativamente inferiores quando comparados com os da análise ao Jornal de Notícias.
Tal como no JN, também no Diário de Notícias é a secção Sociedade que lidera a estatística de ocorrências e textos. Num conjunto de 27 textos, por 59 vezes surge referenciada a palavra risco nesta secção, o que em termos percentuais significa 38,3%. A segunda secção com mais vezes a palavra risco repetida é Economia Negócios. Em apenas sete textos verificam-se dezassete ocorrências, muito contribuindo para isso um texto com um total de nove repetições. Esta secção contribui com 11% do total das ocorrências da palavra risco no Diário de Notícias no período considerado.
Dentro da mesma área temática mas reportando ao caderno semanal DN Negócios, verificamos a existência de doze repetições da palavra risco, o que representa 7,7% do total da amostra.
Com as mesmas características da secção Em Foco do Jornal de Notícias, a secção Tema do Diário de Notícias regista nove ocorrências da palavra risco. A este número corresponde a percentagem de 5,8% do total de ocorrências.
Logo a seguir surge a secção de Desporto. São sete as ocorrências aqui registadas, correspondendo a 4,5% da amostra considerada.
Nas secções Nacional, Media e TV e Opinião verifica-se que cada uma regista seis ocorrências da palavra risco, seguindo-se logo abaixo o caderno semanal DNA com quatro e as secções Internacional, Grande Lisboa e Última com três cada uma.
As secções menos representativas com apenas uma ocorrência da palavra risco durante o período considerado são a secção Artes e a secção Pessoas. Estas completam o leque das secções do jornal, sendo que em todas elas a palavra está presente.
Das 154 ocorrências da palavra risco verificadas no Diário de Notícias durante o período considerado, três delas surgem impressas na primeira página sendo que duas constam da respectiva manchete e a outra constitua uma chamada a essa mesma primeira página. Como parte integrante de títulos de notícia, a palavra risco surge destacada em seis textos.
No que diz respeito às temáticas abrangidas por notícias onde consta o uso da palavra risco, a lista é menos extensa se a compararmos com a do Jornal de Notícias, mas ainda assim é extremamente diversificada.
O topo da lista temática onde constam referências à palavra risco é no Diário de Notícias ocupado pela economia. No total são treze os textos encontrados, numa listagem em que se destaca uma notícia sobre a racionalização governamental dos fundos de capital de risco, onde esta mesma palavra surge repetida por oito vezes. O artigo fala de um novo modelo para o capital de risco que está a ser desenhado pelo Ministério da Economia que visa uma maior racionalização dos instrumentos públicos. Aqui a palavra risco surge unicamente incluída na expressão “capital de risco”.
Longe do realce destacado que merece no Jornal de Notícias, a saúde é o segundo tema com mais textos com ocorrências da palavra risco. Nos doze textos então encontrados, por oposição aos 31 do JN, sublinhe-se as quatro notícias dedicadas à gripe das aves, e também dois artigos em que a palavra risco surge repetida por sete e seis vezes, respectivamente: o primeiro referente às crianças em risco social já destacada na análise feita ao JN, e o segundo à vacinação dos bombeiros portugueses contra a hepatite. No artigo do DN sobre as crianças hospitalizadas, tal como no JN, as expressões em que a palavra em estudo surge são “risco social”, “consultas de alto risco” para grávidas e “crianças em risco”, a que acresce a variante “menores em risco”. No artigo sobre a vacinação dos bombeiros contra a hepatite, fala-se dos riscos decorrentes do combate aos incêndios e do socorro a vítimas para a saúde destes
profissionais, catalogados neste texto como constituindo “um grupo de risco sujeito a contrair infecções graves”.
Com onze textos onde se pode ler a palavra risco pelo menos uma vez contabiliza-se a temática internacional, dominada, no que toca ao número de textos, pelo duelo eleitoral para chanceler da Alemanha entre Gerhard Schroeder e Angela Merkl.
Para além destes três grandes temas, não há mais nenhum que se destaque em número de textos, mas importa sublinhar que, à semelhança do que acontece no JN, os incêndios merecem uma referência particular na análise feita ao Diário de Notícias. Isto devido à existência de um texto sobre a responsabilidade portuguesa no total da área ardida na Europa do sul onde a repetição da palavra risco acontece por quatro vezes; e também pela referência que, noutra notícia, o secretário de Estado do Ordenamento do Território e das Cidades faz à prioridade que deve existir na elaboração de uma “carta de risco de incêndios”. Esta referência remete a palavra risco para uma esfera oficial, o que só por si lhe confere uma importância e um significado próprios.