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Riscos das Responsabilidades Contingentes

No documento Orçamento do Estado para 2015 (páginas 83-87)

II. Estratégia de Consolidação Orçamental

II.4. Análise de Riscos Orçamentais

II.4.2. Riscos das Responsabilidades Contingentes

II.4.2.1. Garantias e Contragarantias

Garantias Concedidas ao Sector Bancário

O stock da dívida garantida pelo Estado às Instituições de Crédito, após 1 de outubro de 2014 ascendia, a 6.300 milhões de euros (Quadro II.4.1.):

Quadro II.4.1. Garantias Concedidas ao Sector Bancário Posição em 1 de outubro de 2014

Fonte: DGTF.

Novo Banco 3 500

Garantia de Carteira 2 800

TOTAL………. 6 300

Em itente Montante em m ilhões

de EUR IREF - Iniciativa para o reforço da estabilidade financeira

Garantia de Carteira / BEI

No que respeita às operações financeiras contratadas pelas Instituições de Crédito (IC) e garantidas pelo Estado no âmbito da Iniciativa para o Reforço das Estabilidade Financeira (IREF), prevê-se o seu reem-bolso até ao final de 2015, de acordo com os respetivos planos de amortização, aprovados pelo Garante.

Refira-se que as IC sempre asseguraram o pagamento atempado da dívida garantida e das respetivas comissões de garantia ao Estado, desde 2008, data em que foi lançada a IREF, tendo-se verificado a amortização antecipada de diversas operações, por opção das IC

Relativamente à Garantia de Carteira, é de mencionar que se trata de um instrumento no âmbito do qual a República Portuguesa assegurou, até ao limite de 2.800 milhões de euros, o cumprimento das obrigações de pagamento assumidas pelas IC (BPI, CGD, BES e BCP) junto do BEI, referentes a uma carteira de operações de financiamento de projetos desenvolvidos e a desenvolver em Portugal, cuja exposição po-derá atingir um montante máximo de 6.000 milhões de euros.

Esta garantia tem um prazo de sete anos, seguindo um plano de amortização indicado pelo BEI que em 2015 se situa em cerca de 366 milhões de euros. A maioria das operações incluídas beneficia de garanti-as bancárigaranti-as, reduzindo garanti-assim o risco garanti-assumido pelo Estado.

Garantias Concedidas a Outras Entidades

O stock da restante dívida garantida pelo Estado ascendia em 30 de junho de 2014 a cerca de 18.038,5 milhões de euros, concentrando-se nas operações contratadas pelas empresas que constam do seguinte quadro:

Quadro II.4.2. Garantias Concedidas a Outras Entidades

* Disperso por cerca de 38 entidades públicas não reclassificadas, privadas e países objeto da cooperação portuguesa.

Fonte: DGTF.

No caso das empresas reclassificadas no perímetro das AP identificadas no Quadro II.4.2. o montante da dívida e dos encargos anuais está já registado na conta das AP. Acresce o facto de no Orçamento do Estado para 2015 se prever a concessão de financiamentos do Estado ou aumentos de capital, através

Entidades reclassificadas dentro do perímetro das AP para efeitos de OE2015

PARVALOREM 3 177,10 17,61%

METROPOLITANO DE LISBOA 2 770,46 15,36%

REFER 2 626,79 14,56%

CP 791,57 4,39%

EDIA 541,96 3,00%

METRO DO PORTO 925,17 5,13%

PARQUE ESCOLAR 1 042,68 5,78%

PARUPS 691,46 3,83%

ESTRADAS DE PORTUGAL 200,66 1,11%

TRANSTEJO 55,00 0,30%

Entidades não reclassificadas

ADP 1 393,94 7,73%

CARRIS 318,80 1,77%

STCP 220,00 1,22%

Outras* 2 171,64 12,04%

Regiões Autónomas

Região Autónoma da Madeira 1 074,78 5,96%

APRAM 36,47 0,20%

TOTAL 18 038,48 99,80%

Beneficiário da Garantia Montante Garantido

em m ilhões de EUR %

da DGTF, que permitirão a essas empresas assegurar o respetivo serviço da dívida, mitigando desta forma o risco de incumprimento.

Para as demais entidades identificadas no quadro supra, o Orçamento do Estado contempla, igualmente, a concessão de empréstimos por parte da DGTF que permitirão assegurar o pagamento do serviço da dívida, designadamente, no caso da STCP, CARRIS e RAM, neste último caso por via da utilização das verbas remanescentes do empréstimo PAEF-RAM.

Deste modo, o risco orçamental de eventuais execuções de garantia em 2015 por incumprimento dos devedores limitar-se-á, em grande parte, à AdP, cuja dívida a vencer nesse ano se estima em cerca de 85 milhões de euros. No entanto, salienta-se que esta empresa é totalmente detida pelo Estado, e que até à data nunca se verificou qualquer execução de garantia e que a dívida garantida em causa corresponde a financiamentos contraídos junto do BEI, cujas condições financeiras são favoráveis.

Em relação aos beneficiários acima designados por “Outras”, cujo stock da dívida ascende a cerca de 2.171,6 milhões de euros, a previsão dos reembolsos para 2015 estima-se em cerca de 88,6 milhões de euros, não se prevendo um risco de incumprimento significativo com base no histórico das execuções de garantia. Excecionam-se as situações da Parque Expo e da Europarque, relativamente às quais se ins-creveram no OE 2015 cerca de 5,5 milhões de euros e 3,2 milhões de euros respetivamente, uma vez que já em anos anteriores as mesmas foram objeto de pagamento em execução de garantias.

II.4.2.2. Parcerias Público-Privadas

No setor das Parcerias Público-Privadas (PPP) persistem riscos orçamentais ou responsabilidades con-tingentes decorrentes sobretudo de decisões passadas, nomeadamente, dos concursos suspensos, da execução dos contratos em vigor e da sua respetiva modificação.

Setor Rodoviário

No tocante às PPP rodoviárias, existe um conjunto de litígios pendentes que respeitam, designadamente, a pedidos de reposição do equilíbrio financeiro dos contratos, bem como a outros pedidos de indemniza-ção apresentados pelas concessionárias – alguns já em processo arbitral, outros em fase pré-contenciosa e outros ainda em que apenas foi anunciada a intenção de apresentar pedidos de reposição do equilíbrio financeiro.

Os fundamentos destes pedidos e processos arbitrais são de diferente natureza, fundamentados em questões relacionadas com a construção, a implementação de portagens em autoestradas alegadamente indutoras de tráfego para as concessões em questão, as variações da taxa de IRC e, nalguns casos, derrama, a introdução da TRIR e ainda o facto de não ter sido adotado um sistema obrigatório de identifi-cação eletrónica de veículos.

Vários pedidos apresentados foram objeto de recusa por parte do Estado, por se entender que os factos invocados não são suscetíveis de fundamentar contratualmente o pagamento das compensações deman-dadas. Contudo, existem algumas situações, envolvendo valores substancialmente menos expressivos, que poderão ter acolhimento apenas parcial pelo parceiro público.

Contudo, à data de apresentação da Proposta do Orçamento do Estado para 2015, não é possível quanti-ficar monetariamente o impacto orçamental subjacente aos processos arbitrais e demais litígios relaciona-dos com as alegadas reposições de equilíbrio financeiro relaciona-dos contratos. Mais ainda, desconhece-se a data de desfecho dos processos em curso, admitindo-se, no entanto, que alguns destes processos possam ter repercussão orçamental no decurso do ano de 2015.

Nas PPP Rodoviárias, cumpre ainda relevar que as poupanças acordadas no âmbito da renegociação dos contratos de concessão que se encontra em curso, só serão plenamente efetivadas após a aprovação dos contratos pelas entidades financiadoras, e posterior apreciação por parte do Tribunal de Contas.

Relativamente às receitas provenientes da cobrança de taxas de portagem, poderão ocorrer desvios or-çamentais entre as receitas orçamentadas e aquelas que virão de facto a ocorrer.

A este respeito, refira-se que, na exploração dos contratos de PPP no sector das infraestruturas rodoviá-rias em que a receita de tráfego é apropriada pela Estradas de Portugal, os riscos de procura são assumi-dos por esta. Caso se verifique um desvio face às previsões de receitas, espera-se que, à semelhança do sucedido no passado, a mesma seja mitigada pela capacidade de adaptação do orçamento da empresa à evolução verificada nas suas receitas, não sendo expectável qualquer necessidade de reajustamento com encargos adicionais.

Setor da Saúde

No que diz respeito às PPP do setor da Saúde, e à semelhança do que tem sucedido no passado recente, não se antecipam riscos orçamentais assinaláveis, na medida em que os contratos possibilitam uma ges-tão direta dos respetivos níveis de produção e custos associados numa base anual, que tem permitido balizar os potenciais riscos orçamentais associados.

Setor da Segurança

No que respeita ao contrato de concessão do Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal (SIRESP), encontram-se pendentes de resolução quatro pedidos de reposição do equilíbrio financeiro do contrato, relacionados com alegados atrasos na montagem da rede SIRESP ou com encar-gos adicionais incorridos pela concessionária para que o prazo definido contratualmente não fosse in-cumprido.

À data de apresentação da Proposta do Orçamento do Estado para 2015, não é possível quantificar o impacto orçamental que poderá advir destes processos, admitindo-se que alguns possam ter repercussão em 2015.

Setor Ferroviário

Por último, no que toca às PPP ferroviárias, cumpre referir a existência, por um lado, de um pedido de reposição do equilíbrio financeiro da concessão ferroviária - Eixo Norte-Sul (ENS) com fundamento no aumento da taxa de utilização da infraestrutura (TUI) em 2012 e, por outro lado, de um pedido de indem-nização, já em processo arbitral, apresentado pela concessionária do Troço da Linha Ferroviária de Alta Velocidade Poceirão-Caia, na sequência da recusa de visto pelo Tribunal de Contas ao respetivo contrato de concessão.

Relativamente ao pedido de reposição do equilíbrio financeiro da concessão ferroviária Eixo Norte Sul, foi já constituída a comissão de negociação que assegurará a respetiva negociação em nome do Conceden-te, esperando-se que o processo tenha desfecho no início de 2015.

No que concerne ao processo arbitral apresentado pela concessionária do Troço da Linha Ferroviária de Alta Velocidade Poceirão-Caia, estão a decorrer os respetivos trâmites, antevendo-se o respetivo desfe-cho em 2015, ocorrendo o eventual impacte orçamental no ano em que for executada a decisão que vier a ser tomada por este tribunal.

Encontra-se ainda pendente um pedido de indemnização por parte de um concorrente ao concurso relati-vo à concessão de rede de alta velocidade, no troço entre Lisboa e Poceirão, na sequência da decisão de não adjudicação.

II.4.3 Estratégia de Gestão da Dívida Direta do Estado e o seu Impacto na

No documento Orçamento do Estado para 2015 (páginas 83-87)