OPERACIONALIZAQAO E FUNDAMENTAQAO LEGAL
CAPITULO 3 — OPERACIONALIZAQAO E FUNDAEMTAQAO LEGAL
3.1. Operacionalizagao das atividades de Factoring
3.1.2. Riscos, Fator de Compra e Comissao “Ad Valorem”
O risco esperado podera ser definido atraves de passado recente, do mercado atual e das projegdes e planejamentos da empresa para um futuro proximo, levando-se em consideragao as perspectives da economia local, nacional e internacional, conforme observa Vasconcellos (1999).
A avaliagao dos riscos e um dos pontos mais dificeis para as empresas de factoring, conforme observa Rizzardo (2000). A pulverizagao do risco e considerada um dos maiores segredos da seguranga das empresas de factoring. Portanto, saber avaliar os riscos compreende um estudo criterioso sobre as empresas que vendem os creditos, ou seja, sobre a empresa-cliente.
Far-se-a, a seguir, consideragdes sobre o risco das operagdes efetuadas pelas empresas de factoring, o fator pago pela compra de creditos e a comissao “ad valorum” paga pela prestagao de servigos a empresa-cliente.
Torna-se evidente que quanto maiores os cuidados da factoring na aquisigao de titulos, menores os riscos assumidos, e quanto menores os cuidados, maiores serao os riscos.
O risco e a perda com vencidos, e e fungao da qualidade e da agressividade da polftica de credito e compra da empresa de factoring.
Sera, portanto, competencia da superior administragao definir qual a polftica de risco a ser assumida, se mais agressiva ou mais conservadora.
O factoring desenvolve-se em dois setores basicos: a compra de direitos creditorios e a prestagao de servigos, como ja abordado em outras oportunidades. Quanto a compra de creditos, cobra-se uma comissao denominada de fator; no tocante aos servigos prestados, arbitra-se a remuneragao pelo trabalho, variando o quantum de conformidade com a extensao ou o volume dos servigos prestados. Referida remuneragao e denominada, pela ANFAC, de “ad valorem”.
Consoante Marksons (1997:50),
Em sintese, pode-se afirmar que quanto melhor a analise de credito e maiores os cuidados na liberagao das operates contratadas, maiores serao as possibilidades de o risco a ser minimizado.
Ao se decidir por uma politica mais conservadora, havera a necessidade de uma maior estrutura de gerentes de negocios, bem como de suporte de controle interno, para que sejam aportadas todas as condigdes de seguranga nas negociagoes efetuadas. Se decidir por uma postura mais agressiva, sera possivel ter uma redugao em seus custos, mas a empresa ficara mais expos ta ao risco.
A ANFAC (2001) esclarece que a prestagao de servigos e a orientagao empresarial, de que necessitar a empresa-cliente, fazem parte da essencia da atividade de factoring, pois e atraves da manutengao do contato diario com seus clientes que ela pode se manter permanentemente informada sobre a evolugao de suas atividades, vendas e da saude financeira, o que implicara menor risco por ocasiao da contratagao de uma operagao.
Ainda segundo aquela Associagao, e fundamental observar o comprometimento com as suas empresas-clientes; dar atengao aos detalhes; e ao acompanhamento diario de todas as atividades. Portanto, o estreito relacionamento entre a empresa de foment© mercantil e o seu publico a Ivo, e que constitue a “parceria” do factoring.
“A prestagao de servigos visa a dar protegao contra riscos comerciais, promover gestao da carteira de devedores, assessorar a compra e venda de sua clientela, enfim, dar um amplo assessoramento ao faturizado, com o escopo de desenvolver seu negocio.”
A media do risco das empresas de factoring e de 4% a. a. ou 0,3% a. m.
sobre o ativo da empresa-cliente, afirmam analistas da ANFAC (2001) e S. M.
Melo (2000). Entretanto cada empresa devera ter um controle de seu risco medio, baseado nos cenarios atuais e futures, considerados como componentes do fator para maior seguranga de seus negocios.
Trata-se de remuneragao que e constituida pelo diferencial na compra dos direitos (creditos), isto e, a diferenga entre o prego de compra e o valor nominal dos titulos.
As factoring, portanto, nao cobram taxa de juros mas cobram o fator de compra de creditos que serd aplicado nas compras de titulos de creditos adquiridos das empresas-clientes, e que e uma das origens das receitas do segmento.
Apos as consideragoes sobre os riscos das operagdes com o institute do factoring, enfocar-se-a o fator de compra dos direitos creditorios pagos a empresa-cliente.
Analisa, ainda, Goulart (2001), que a atividade de fomento mercantil movimentou em 2000 R$ 25,3 bilhoes e atendeu cerca de 65 mil micro, pequenas e medias empresas em todo o Brasil, e segundo a ANFAC (2001), R$ 1,4 bilhao sao provenientes de recursos prbprios das factoring, outros R$
550 milhoes de emprestimos de sbeios ou empresas coligadas e mais R$ 89 milhoes de emprestimos bancarios. Tais recursos giram, em media, em torno de 30 dias, ou seja, trata-se de dinheiro de curtissimo prazo, e o Fator da ANFAC, esta em torno de 4% ao mes.
Apesar das atengdes e medidas de seguranga, ocorreu um aumento do risco de inadimplencia, o que, aliada a redugao da atividade economica, deixa o segmento de fomento mercantil mais seletivo, de acordo com Goulart(2001).
Quando se falar em factoring deve-se necessariamente referir-se a fator de compra e nao a taxa de juros, expressao tipica das instituigdes financeiras nacionais.
A analise cadastral criteriosa e constante de sua clientela; a analise permanente de seus balancetes e/ou balangos, bem como a consulta on -line da Central de Risco/ANFAC, resultarao na diminuigao dos riscos e consequentemente da inadimplencia.
Castro (2000:79) assevera que:
O fator de compra de creditos representa o desagio na compra do titulo de credito e sera determinado pelo somatorio das variaveis relativas ao custo de fundeamento, expectativa de lucro e despesas administrativas, financeiras, tributarias, do risco e do retorno.
O fator de credito das factoring e bem mais atrativo que a taxa de juros.
A grande diferenga entre a taxa bancaria e o fator de compra reside no fato de que o fator e definitive. Saliente-se que nao sera alterado inclusive pela prestagao de apoio crediticio, analise de credito e contribuigao na formagao do
Deverao fazer parte na formagao do fator tanto o custo de capital como os demais custos da empresa de factoring. Portanto, a seguir, os componentes a serem incluidos na composigao do fator:
• Taxa minima de atratividade;
• Custos administrativos;
• Custos tributaries;
• Custos financeiros;
• Risco esperado; e
• Retorno desejado.
“a metodologia de calculo do fator adota como parametro o custo de oportunidade de investimento de urn valor por um prazo e uma taxa de juros pre-determinados. No mercado financeiro, o titulo que representa esse tipo de investimento e o Certificado de Depositos Bancarios (CDB)”.
O percentual do capital proprio versus o custo de oportunidade que balizam o custo basico de investimento da sociedade de fomento mercantil/factor/ng e o que se denomina funding ou fundeamento.
A media ponderada entre os recursos proprios (custo de oportunidade) acrescidos aos recursos de alavancagem (bancos, mutuos de empresas coligadas ou controladas, suprimentos de socios) quando necessaries para atender a demanda dos negocios da empresa representa o custo de fundeamento.
Tabela 11 - EvolufSo do Fator
Para as empresas de factoring, a diferenga entre o valor de aquisigdo dos papdis representatives dos crdditos e o valor dos crdditos adquiridos 6 o fator. Este 6 o lucro dasempresas de factoring.
De acordo com o Informative ANFAC(2000), no periodocompreendido entre julho de 2000 e junho de 2001, o custo de oportunidade, e por conseqadncia, o fator de compra, acompanhou o movimento da taxa bdsica de juro da economia (SELIC) e dastaxas de capitagdo dos bancos via CDB.
Em slntese, o fator, ou o prego de compra dos tltulos de erdditos, d o resultado de contas em quesdoconsiderados oscustos da atividade, as taxas
perfil do mercado-alvo enquanto que os juros banedrios sdo acrescidos de outros custos. Analisando-se os servigos adicionais somados d taxa banedria ultrapassa o fator das factoring.
Demonstrar-se-d na Tabela abaixo a trajetdria do fatorde compra, mds a mds, a partirde 1993 atd o mds de novembro de 2001:
• Receita de Prestagao de Servigo:
• Receitas Operacionais: