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2.1 Bases Teóricas Fundamentais do Design Thinking

2.1.2 Rittel

Rittel (1973) foi matemático, designer e professor na escola de Ulm (Alemanha), teve destacada atuação acerca da pesquisa do Design. Seu principal questionamento envolveu a proposição de uma alternativa ao processo linear do Design. Conforme Rittel e Webber (1973), o Design é um processo que pode ser

[...] dividido em duas fases: definição do problema e solução do problema. A definição do problema é uma sequência analítica na qual os designers determinam todos os elementos do problema e especificam todos os requisitos para se alcançar uma solução de design bem-sucedida. A solução do problema é uma sequência sintética na qual várias especificações são combinadas e balanceadas entre si produzindo um plano final para ser levado à produção (RITTEL e WEBBER,1973).

Assim, enquanto as abordagens científicas tradicionais pareciam estar interessadas na solução do problema por quaisquer meios, o novo método proposto por Rittel (1973) estava focado no processo informacional para se alcançar a solução (MALDONADO, 1991; NEVES, 2015).

Isto se explica pelo aumento da complexidade dos problemas de Design (BUCHANAN, 1992, NEVES, 2015). Por outro lado, o processo informacional envolve a criação de bases de dados visando concretizar-se uma base científica para o Design (NEVES, 2015).

O ex-aluno de Rittel (1973) Curdes (2001, p. 37) descreve como o “processo de Design” pode se transformar em um método de Design.

[...] as tarefas de design foram decompostas nos seus componentes, a fim de sintetizá-los de novo em novas soluções. O processo de concepção foi analisado em etapas reprodutíveis. Cada tarefa, não importa o quão complexa, é resolvida analiticamente. Deste modo, os problemas complexos puderam ser resolvidos de um modo elementar, sem a necessidade de propor soluções complexas em detalhes (CURDES, 2001, p. 37).

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O método original de Rittel diz respeito a uma substituição da capacidade criativa humana pela programação de processos passíveis de serem replicados e automatizados (RITTEL e WEBBER, 1973). Assim, o seu objetivo foi dominar as tarefas cada vez mais complexas apresentadas pelo design de produto, com o propósito de substituir a confiança do designer na "intuição" por uma precisão explícita e analítica (NEVES, 2015, p. 53). Desta forma surge a abordagem também proposta por Rittel denominada wicked - problem. (WP). Esta sugere que há uma indeterminância fundamental para todos os problemas de Design. Essa indeterminância implica na percepção de que não há condições definitivas ou limites para tais problemas (RITTEL e WEBBER, 1973, p 161).

A investigação dos WP concentrou-se em encontrar formas de tornar a deliberação explícita, entendendo sua estrutura e sua lógica, suportando-a e fortalecendo o processo, tornando-o mais poderoso e mais controlável (NEVES, 2015, p. 53).

Foi assim que Rittel e Webber estabelecem os parâmetros que definem os WP e que são assim apresentados:

1. Não existem formulações definitivas em WP, mas toda formulação corresponde à formulação da solução de um problema de design.

Há necessidade da compreensão do problema por meio do máximo de informação sobre ele para se conseguir resolvê-lo. O problema e a solução devem ocorrer de forma concomitante. Não é possível se compreender um problema, sem analisar o seu contexto.

2. Não existem regras para parar o processo.

O processo de solucionar o problema é idêntico ao processo de compreender a natureza do problema. Um líder de projeto determina o ponto final do processo não segundo uma razão lógica interna ao processo, mas sim levando em consideração razões externas ao projeto e muitas vezes subjetivas.

3. As soluções não podem ser do tipo verdadeiras ou falsas, mas somente soluções mais adequadas ou menos adequadas.

Os julgamentos são favoráveis ou desfavoráveis de acordo com as determinações deliberadas pelo grupo que podem ser embasadas em valores ou em predileções ideológicas. As avaliações devem ser

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expressas em adequadas ou não adequadas, satisfatórias ou boas o suficiente.

4. Para solucionar os WP não existe uma lista exaustiva de operações válidas.

Qualquer solução encontrada e implementada vai gerar consequências futuras positivas ou negativas que devem ser consideradas. A totalidade dessas consequências deve ser totalmente exaurida.

5. Solucionar um WP envolve uma operação certeira, sem espaço para tentativa e erro.

Cada solução implementada é uma consequência de algo que não pode ser desfeito porque já desencadeou um processo envolvendo novas consequências, novos WP.

6. Em WP não existe um conjunto inumerável de soluções potenciais, nem um conjunto bem definido de operações admissíveis que podem ser incorporadas ao projeto (ou ao plano).

Não existem critérios capazes de provar todas as soluções de um WP identificado. Pode ser que não haja uma solução diante do contexto de um problema ou a solução se baseia no bom senso de uma decisão tomada entre um líder e um cliente.

7. Todo WP é essencialmente único.

Deve existir uma propriedade especial e de importância em um WP que o diferencia dos problemas comuns. Parte da arte de lidar com um WP refere-se a conhecer antecipadamente que tipo de solução é mais apropriado para aquele tipo de problema. Essa percepção antecipada se dá pela familiaridade que o designer e ou equipe de projeto têm de um determinado assunto ou situação.

8. Todo WP pode ser considerado como um sintoma de outro problema.

Problemas são as discrepâncias entre o estado das coisas como elas são e o estado das coisas como deveriam ser. O processo de solução de um problema começa com a busca da causa declarada da discrepância.

Removendo essa causa surge um novo problema do qual o problema original é o sintoma. Neste sentido, este sintoma pode ser considerado um nível mais elevado do problema.

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9. A existência da discrepância representando o WP pode ser explicada de diversas maneiras. A escolha da explicação determina a natureza da resolução do problema.

Ao lidar com WP as possibilidades de razões encontradas para argumentar são muito mais ricas que as permitidas no discurso científico.

A análise da "visão de mundo" é o fator determinante na explicação da discrepância e na resolução de um WP.

10. O responsável pela solução de um WP deve ser um líder atento e positivo.

Em WP o objetivo não é encontrar a verdade, mas melhorar algumas características do mundo onde as pessoas vivem. Os responsáveis devem entender que as pessoas serão afetadas pelas suas decisões transformadas em ações.