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6 Políticas públicas de desenvolvimento e tecnologias da informação e da

6.5 RNP2: uma rede acadêmica, lenta e gradual

O êxito da Internet, como empreendimento, levou ao desvio de suas funções originais tornando-a bem diferenciada dos seus primeiros propósitos. Diante de sua abrangência mundial e aberta, totalmente, aos interesses do mercado, não pode mais ser vista como um sistema de comunicações para uso do governo voltado apenas para o ensino e a pesquisa. A Internet II surge como uma forma de complementar e incentivar o dinamismo da Internet, a partir do desenvolvimento de novos modos de produção e colaboração interativas de produção científica, facilitando o acesso às pesquisas especializadas e muito caras.

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Não se destina a substituir a Internet, mas adicionar conectividade ao sistema, com acesso seletivo. [...] As novas tecnologias empregadas em sua edificação são uma evolução das tecnologias atuais e deverão estabelecer os padrões de uma nova infra-estrutura global de comunicações (MANDEL et all, 1997, p. 41).

O Brasil pretende aderir ao projeto Internet II, capitaneado pelos EUA, e para isto prevê a criação de uma espinha dorsal de telecomunicações que centraliza todo o fluxo de comunicação entre os países da América Latina e os EUA. Assim, vai estar envolvido na construção e na manutenção da espinha dorsal de altíssima velocidade da grande rede internacional. Irá fazer parte da nova estrutura de dados que estão sendo projetadas pelo governo americano, em parceria com as empresas IBM e AT&T. A Fase III da RNP será justamente dedicada a RNP243.

A RNP, principal espinha dorsal da Internet no Brasil, existente há mais de 10 anos, voltará a ser uma rede, exclusivamente, acadêmica. Criada, prioritariamente, para atender aos setores de produção de conhecimento, pesquisa e desenvolvimento pretende se afirmar como uma rede científica, com interesses voltados para o avanço tecnológico do Brasil. A rede retarda seus objetivos ao isentar-se dessa função e deixa uma lacuna no mundo do trabalho, da ciência e do conhecimento.

O Brasil estabeleceu um acordo de cooperação (MOU) entre a RNP e a UCAID44, entidade que coordena o desenvolvimento do projeto da Internet II nos EUA e em maio de 2000, inaugura o novo backbone RNP2, que conectará todo o Brasil ao backbone da Internet II americana, com velocidade de 155 Mbps. O novo

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Disponível em: <http://www.mp.br>. Acesso em: 12 jul. 2001. 44

UCAID, significa University Corporation for Advanced Internet Development. É uma corporação sem fins lucrativos constituida por três Universidades americanas, com o objetivo de orientar o avanço e o desenvolvimento da Internet2. Orienta também estudos e descobertas relativas às aplicações em todas as áreas de conhecimentos, e em especial em engenharia e ferramentas para redes eletrônicas de alto desempenho. Disponível em: <http://www.rnp.br?i2.html>. Acesso em: 06 set. 1998.

backbone possibilitaria o desenvolvimento e o uso de aplicações avançadas trafegando em uma infra-estrutura com alta largura da banda e Qualidade de Serviço (QoS). Este acordo incluiu as Redes Metropolitanas de Alta Velocidade (REMAV’s), em implantação através de projetos pilotos em 14 cidades brasileiras. O sistema de relação entre o Estado e as empresas se realiza por meio de parcerias, no âmbito das Telecomunicações, da Informática e do Terceiro Setor. A ação do governo se concentra nos processos de pesquisa, desenvolvimento e prototipagem da nova estrutura e de seus serviços. A participação do Brasil no Projeto Internet II americano, dar-se-á por intermédio da interconexão das redes acadêmicas dos dois países e de experimentos conjuntos.

Dando prosseguimento as metas do governo, as 14 REMAV’s foram criadas para implantação de serviços direcionados tentando superar as questões advindas da infra-estrutura. Estas redes são formadas por consórcios de Instituições de Ensino Superior e de Institutos de Pesquisa, com a parceria de empresas privadas que prestam serviços as telecomunicações. O novo empreendimento utilizou a tecnologia ATM para os Pontos de Presença (PoPs) que concentram maior fluxo de tráfego de dados e Frame Relays para os (PiRs) com menor tráfego, apesar das críticas. O backbone interligaria todas as REMAV’s e com isto as instituições de pesquisa do MCT ganhariam novas conexões internacionais.

Os municípios que aderiram ao consórcio da Internet II – Projeto de Rede Acadêmica de Alta Velocidade possuindo como parceiros, as Universidades e os órgãos de fomento federais, poucos foram adiante, apesar de Raphael Mandarino, Presidente do Comitê Gestor, afirmar que “[...] a educação, a pesquisa e a construção do conhecimento em todas as áreas e mais especificamente a sua

transmissão, foram das aplicações pioneiras que mais frutos renderam até então, CG.”45

As Universidades, de um modo geral, principalmente, as que não são consideradas centros de excelência, têm feito um esforço imenso no sentido de implantar a Internet e de implementar ações ligadas à rede, embora, pouco se observe, do lado do governo, um incentivo maior para com a expansão dessas ações. A atenção do Estado tem sido incisiva em matéria empresarial nas preparações do lado da burocracia. Do lado do desenvolvimento científico e tecnológico, as motivações não são as mesmas. A Internet II, começa a ser cuidada, gradualmente, com a criação de um fundo de pesquisa denominado de Sociedade da Informação. O Presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou em entrevista ao Ministério da Ciência e Tecnologia sobre o seguinte empreendimento:

Nós estamos criando um fundo de pesquisa – um Programa que criamos chamado “Sociedade da Informação”. E, aí, nós temos quatro prioridades na questão científica. Uma é a Biotecnologia, uma é a questão espacial, a outra é a Informática, e a outra são questões institucionais (MCT, 2001). 46 De uma forma geral, somente a criação da Internet comercial e da Internet acadêmica são insuficientes. A necessidade de socializar a rede é mundial. Pesquisa realizada pelo Wall Street Journal, NBC para sua edição interativa, aponta que:

Apesar de toda pretensão em termos de acessibilidade e inclusão a Internet não pode vangloriar-se de comunidade eletrônica que espelha toda a população como um todo. [...] os usuários da Internet são ricos, educados e mais jovens do que a população no seu conjunto.

A Gazeta Mercantil de 15/11/96 publicou que Jason Fry, pesquisador alemão, prêmio Nobel de Física de 1978, vice-presidente dos grandes Laboratórios da AT &

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BRASIL. MCT. FHC ao Último Segundo (IG). Presidente fala sobre a Internet e Sociedade da Informação no Brasil. Disponível em: <http://www.mct.gov.br/Temas/Socinfo/fhc.htm>. Acesso em: 18 jul. 2001..

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Bell – EUA, afirmava que o principal obstáculo para a população total da rede Internet são os custos, pois ninguém quer pagar por serviços on line, US$ 20 por mês, porque as pessoas estão ganhando muito pouco dinheiro. Para ele, o grande benefício trazido pela Internet para as pessoas comuns é o acesso às informações, antes inacessíveis, apesar da Web ser ótima, o mais importante é o correio eletrônico por sua aplicação. Daí a necessidade em democratizá-la.