3.5.1 C
OORDENAÇÃO DOP
ROCESSO DET
OMADA DED
ECISÃOOutro fator importante que deve ser planejado é a questão da coordenação e do processo de tomada de decisão. A coordenação na rede ocorre de maneira transversal entre agentes interdependentes, o coordenador deverá buscar integrar e equilibrar empresas diferentes, configurando uma só unidade, solucionando questões da expectativa dos envolvidos e potencializando interações entre os mesmos. Este tipo de atitude viabiliza o trabalho colaborativo e a realização de projetos conjuntos entre equipes formadas por membros de diversas Ejs.
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Nas redes, os gestores devem operar através das fronteiras organizacionais, gerindo os recursos disponibilizados pelos parceiros da rede. Isso provoca uma quebra dos padrões normais de autoridade e comando hierárquico, introduzindo em seu lugar a chamada decisão consensual. Gerstein (1992), salienta que os valores que norteiam a rede de cooperação estão embasados no compartilhamento e na cooperação, o contrário da desconfiança e do senso de propriedade e autoridade comuns as empresas que operam fora de uma rede. Quebram-se assim, os paradigmas da autoridade e comando e surgem as idéias de influência e negociação.
Deve ficar a cargo dos gestores a promoção do fluxo informacional, facilitar o alinhamento das estratégias, reduzir as assimetrias e estabelecer expectativas comuns entre os participantes. Snow e Thomas (1993) afirmam que a gestão das redes é conduzida em sob diferentes contornos, no qual os gestores assumem três características distintas, depedendo do grau de implantação em que a rede se encontra. São elas:
• Primeiro momento: o gestor atua na formação da rede aproximando os interessados e gerando uma corrente interna de confiança;
• Segundo momento: atua como se fosse um operador, cuja finalidade central é coordenar o conjunto de empresas para que o processo operacional darede ocorra de maneira eficiente. Neste ponto ele deve voltar sua atenção a identificação dos principais problemas e à implantação de soluções viáveis para o desenvolvimento da rede;
• Terceiro momentos: o gestor torna-se o mediador da rede, promovendo a cooperação mediando conflitos monitorando os participantes aproxima do os agentes externos e aparelhando os novos associados. Atua também no desafio de reduzir as barrerias à entrada e à saída da rede, ampliando o acesso e a socialização das informações.
O gestor também deve procurar motivar e comprometer os participantes valendo-se da relação ambígua de dependência e independência de cada “empresa” em relação ao grupo. A
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melhor maneira de obter-se esse tipo de comprometimento, segundo Balestrin e Verschoore (2008) é democratizando e descentralizando a tomada de decisões.
3.5.2 I
NSTRUMENTOS DET
OMADA DED
ECISÃOAs redes de cooperação caracterizam-se por relações equilibradas e pela auto-motivação dos envolvidos, que agem impulsionados por interesses individuais e coletivos. Essa interação entre os participantes rompe com o modelo centralizador de decisão, visto que a lógica da decisão reside não mais em um único indivíduo. mas no coletivo estabelecido pelos associados. Os instrumentos de tomada de decisão presentes nas redes de cooperação preconizam o suporte à participação aberta, estimulando a descentralização e o envolvimento dos associados.
Como destacado na literatura sobre redes, seus participantes possuem direitos, mas também responsabilidades. Os direitos incluem participação nas decisões da rede de que fazem parte. Uma rede não pode ser vendida, fechada ou mesmo anexada a outra empresa contra a vontade de seus associados e sem que eles sejam consultados. Portanto, a tomada de uma decisão que afete estruturalmente uma rede de cooperação requer o amplo consentimento de seus membros (HANDY, 1997).
A tomada de decisão pelos gestores, assim como ocorre nas empresas individuais, pode determinar o sucesso ou o fracasso de uma rede de cooperação. Por tal motivo, são estabelecidos instrumentos de tomada de decisão que procuram minimizar as divergências de interesses entre as empresas envolvidas e, principalmente, entre estas e os gestores da rede. Desenvolvida pela teoria da agência (BARNEY; HESTERLY, 1996), a separação entre agente e principal torna-se confli- tuosa quando os interesses de um não se alinham aos do outro.
Para lidar com esse último ponto, um dos instrumentos de tomada de decisão mais freqüentes nas empresas e redes de cooperação é a instituição de um conselho de administração para acompanhar, controlar e avaliar o desempenho dos gestores. Os conselhos das redes de cooperação são compostos por representantes das empresas que são escolhidos pelo conjunto de
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associados, desde que não tenham assumido outra função de decisão na rede. Reúnem-se ordinária ou extraordinariamente para apreciar as contas, os balancetes, o balanço geral e outros demonstrativos de resultado. Além disso, são responsáveis por emitir pareceres sobre a gestão e a recomendação de providências que sejam necessárias para sanar as irregularidades ou melhorar as ações desenvolvidas pela rede.
Nas redes de cooperação, em geral não há direitos de propriedade em cotas ou ações. Os direitos de propriedade dos associados estão ligados à sua empresa. Dessa maneira, a motivação do representante da empresa associada (principal) em acompanhar, controlar e avaliar o desempenho do gestor da rede (agente) é menor do que nas empresas. O resultado disso é que os conselhos de administração das redes são menos atuantes, não devendo, por isso, ser o único instrumento de decisão colegiada.
Nesse sentido, um dos instrumentos fundamentais para a tomada de decisões relevantes em colegiado é a reunião geral de associados, conhecida também como assembléia da rede. Nela, os representantes de todas as empresas são conclamados para discutir e deliberar sobre o andamento das ações referentes aos objetivos que a rede almeja alcançar. A reunião geral de associados também monitora a implantação das macroestratégias e a consecução dos objetivos, por meio da avaliação comparativa entre os indicadores deliberados e os resultados alcança-dos pela rede. É importante que essas decisões sejam tomadas com a ampla participação dos associados, pois só assim a rede de cooperação exercerá efetivamente seu maior diferencial competitivo: a capacidade e a cooperação do grupo na busca de objetivos comuns. Além do mais, as decisões tomadas em assembléia devem ser assumidas por todas as empresas envolvidas, ainda que ausentes ou discordantes, visto que a rede deve seguir sua trajetória equilibrada e consensual de funcionamento.
No que diz respeito às decisões operacionais, exemplos de redes bem-sucedi-das vêm demonstrar que elas não devem ser deliberadas na reunião geral de associados. Normalmente as redes estabelecem um órgão decisório operacional com poderes para tomar as decisões relativas às atividades rotineiras. Denominado diretoria da rede, esse órgão é composto por representantes
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escolhidos entre as empresas associadas que, na maioria das vezes, recebem o suporte de assessores contratados. Nesse caso, é salientada a importância da renovação periódica dos membros participantes, tendo em vista impedir que alguns representantes se estabeleçam por longos períodos na diretoria da rede, o que poderia comprometer o preceito da ampla participação na gestão.
A tabela 4 sumariza a discussão até aqui realizada a respeito dos instrumentos de tomada de decisão das redes de cooperação. Nele são apresentadas algumas ações que devem ser consideradas para a constituição da diretoria e do conselho de administração da rede, bem como sugestões para organizar e realizar uma reunião geral de associados.
Tabela 4: Relação dos instrumentos de tomada de decisão em redes de cooperação. Fonte: Balestrin e Verschoore (2008) Instrumentos de tomada de decisão Ações sugeridas Conselho de
administração Instituir contratualmente a forma de composição dos membros do conselho; Elaborar o cronograma anual das reuniões do conselho; Organizar os assuntos que serão tratados na reunião do conselho;
Definir o momento de apresentação de atividades e resultados dos gestores; Definir o momento de apresentação de atividades e resultados da diretoria; Estabelecer o prazo para a tomada de decisões e deliberações do conselho; Elaborar a ata de decisões do conselho de administração de cada reunião. Reunião geral
dos associados (assembléia)
Organizar um cronograma anual das reuniões ordinárias da rede; Convocar reuniões extraordinárias com a devida antecedência;
Definir claramente o horario de inicio e, principalmente, o horário de finalização; Estruturar o local para que seja adequado às discussões entre os associados; Organizar os assuntos que serão previamente elencados na pauta da reunião; Estabelecer um quorum mínimo para as decisões;
Coletar a assinatura de todos os representantes das empresas presentes na reunião; Recuperar os objetivos contidos no planejamento e no plano de ação da rede; Definir o momento de apresentação de resultados das equipes de impIementação; Definir o momento de apresentação de atividades da diretoria da rede;
Abrir espaços para a participação efetiva dos associados da rede;
Estimular debates que contribuam e enriqueçam as ações estratégicas da rede; Fazer a mediação dos conflitos sem gerar barreiras à participação;
Elaborar e distribuir o relatório das reuniões com as decisões tomadas. Diretoria da
rede Tomar as providências necessárias para uma boa gestão; Implementar as disposições contratuais e as decisões das assembléias; Zelar pelo cumprimento do regulamento interno;
Resolver questões operacionais que visem ao ganho coletivo; Elaborar o orçamento do exercício anual;
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