• Nenhum resultado encontrado

Rock no Brasil: Antecedentes

No documento RODRIGO OTÁVIO DOS SANTOS (páginas 77-86)

2 O ROCK E O BRASIL DOS ANOS 1980

2.1 Rock no Brasil: Antecedentes

O que podemos chamar de rock e, mais especialmente rock brasileiro, veio, como informa Pugialli (2006), na esteira de bandas e artistas oriundos dos Estados Unidos da América ou na Inglaterra. Lá, a partir da década de 1950, como afirma Hobsbawm (2010), consolida-se o ideal de juventude, que a partir deste momento não era mais percebida como um estágio necessário à preparação para a vida adulta, e sim como um estágio terminativo em si mesmo. Pode-se ainda afirmar que a partir deste momento, a juventude começou a ser encarada como estágio final do pleno desenvolvimento humano. Esta construção dá-se a partir da diferença entre os jovens nascidos antes e depois de 1950, uma vez que, ainda de acordo com Hobsbawm (2010), a maioria dos pais nascidos no período entre-guerras passou a ter consciência desta nova fase da vida quando seus filhos cresceram. Ao mesmo tempo, os jovens dos anos 1950 e 1960 não tinham como entender as agruras sofridas pelos seus pais e avós, seja por causa das guerras mundiais, seja por causa das dificuldades da vida no campo. A industrialização e a metropolização da sociedade causaram profundas diferenças entre as gerações pré e pós 1950, construindo no imaginário cultural a ideia da juventude, no qual os indivíduos nesta faixa etária mostravam-se mais abertos às novidades e aos novos modos de vida, tendo mais autonomia que as crianças e menos responsabilidade que os adultos. Mesmo assim, é importante frisar que esta

construção de juventude aplicava-se muito mais nos centros urbanos do que nas periferias ou no campo durante a década de 1950 e 1960.

Um dos principais símbolos deste período, ainda segundo o autor, é a música rock. Ela era a expressão cultural máxima dos jovens no período, e seus ídolos estavam cada vez mais em voga, provocando e suscitando novas formas de olhar para aquela camada da população. Hobsbawm (2011) chega a afirmar que a partir da década de 1960, nos países menos politizados tal como o Brasil, a indústria fonográfica tinha de 70% a 80% de sua produção voltada ao público consumidor de rock.

Para este trabalho, avaliaremos a música a partir do golpe de 1964 no Brasil, haja vista a importância também cultural do período em nosso país.

Neste momento, segundo Mariz (2000), a música Garota de Ipanema, de Tom Jobim e Vinícius de Moraes alcança o ponto máximo da parada de sucessos nos Estados Unidos. É a exportação e consolidação da Bossa Nova. Para Napolitano (2008), o próprio Vinícius de Moraes imaginava, junto com seus pares, a Música Popular Brasileira como meio para problematizar a consciência dos brasileiros enquanto povo e inserir ou afirmar o sentido de nação nos indivíduos, ao mesmo tempo que elevava o nível musical da população.

Neste momento, os álbuns Depois do Carnaval, de Carlos Lyra e Um Senhor de Talento, de Sérgio Ricardo, ainda segundo Napolitano (2008), tentavam estabelecer as bases não somente estéticas, mas também ideológicas da Bossa Nova de esquerda. Este tipo de canção ganhou as rádios e a indústria fonográfica no Brasil, ao mesmo tempo que talvez tenha se distanciado do propósito político inicial. Essas canções, entretanto, eram muito caras para serem produzidas, conforme veremos adiante.

Em 1964, ano de enormes transformações políticas no Brasil, surge, em contraposição à Bossa Nova, o rock no Brasil. Para Pugialli (2006), ele atendia pelos nomes de Roberto e Erasmo Carlos. É nesse ano que a música É Proibido Fumar alcança o posto de mais tocada no Brasil, ao mesmo tempo que Arrastão de Edu Lobo e Vinícius de Moraes ganha o I Primeiro Festival de Música Brasileira da TV Excelsior e Jorge Ben lança um novo ritmo dançante, com a canção Chove Chuva. A canção de Erasmo e Roberto Carlos, porém, era rock. E continha uma característica diversa daquela que Hobsbawm (2010) afirma. Para o autor, a hegemonia cultural dos EUA na cultura popular era tão forte que as músicas rock em países não anglófonos

era também feita na língua de Shakespeare. No Brasil, não somente na década de 1960, isso foi diferente.

A “dominação americana” era denunciada pelos músicos e admiradores da Bossa Nova. Tocar guitarra elétrica era um pecado durante este período. Ao mesmo tempo, para os cultuadores do rock, a Bossa Nova era música ultrapassada. Nesta disputa, quem se saiu melhor foram as emissoras de televisão, que, de acordo com Mariz (2000), criaram diversos programas musicais para saciar a necessidade cada vez maior de música da juventude do país, principalmente graças ao seu maior alcance, já que as rádios no período tinham alcance geográfico menor.

De acordo com Napolitano (2008), o lançamento do programa Fino da Bossa, em maio de 1965, foi seguido pelo Bossaudade, com Eliseth Cardoso e Ciro Monteiro em julho do mesmo ano e depois por Jovem Guarda, em setembro de 1965, com Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Wanderléa apresentando. Cada um desses programas ia ao ar em um dia da semana, sendo, ainda de acordo com Napolitano (2008), que o Fino da Bossa passava nos televisores às quartas-feiras e seu rival, Jovem Guarda, ia ao ar aos domingos.

O nome “Jovem Guarda” surgiu, segundo Motta (2001) a partir do nome da coluna de Ricardo Amaral no jornal Última Hora. Esta era uma coluna destinada aos jovens do período. Ali Amaral testava formas diferentes de escrever, inventava gírias, modas e influenciava nos lugares que as pessoas frequentavam.

O auge do programa Jovem Guarda foi em 1966. No período, segundo Napolitano (2008), eram veiculadas músicas com temática ingênuas, mas que ainda assim rendiam muitos dividendos aos seus criadores e intérpretes. Motta (2001) informa que Erasmo Carlos, por exemplo, era o único possuidor de um Rolls-Royce do Rio de Janeiro. E tudo com o dinheiro oriundo das canções O Calhambeque e Quero que vá tudo para o inferno. A influência destes artistas era tamanha que criaram três distintas linhas de roupas, brinquedos e acessórios. Um para cada participante do programa. A linha “Calhambeque”, de Roberto Carlos, a linha

“Tremendão”, de Erasmo Carlos, e a linha “Ternurinha”, de Wanderléa. O bordão de Roberto Carlos “é uma brasa, mora?!?” transforma-se na mais popular gíria do Brasil.

O jovem não consumia apenas o que era produzido no Brasil. Ainda que com alguma dificuldade, havia sempre a importação de álbuns em vinil das bandas e artistas ingleses e americanos. Assim, os artistas tupiniquins se adequaram à moda europeia e norte-americana. Aos poucos, o visual dos apresentadores do Jovem

Guarda foi chegando mais perto do visual que os hippies adotavam nos EUA: calças bocas-de-sino, camisetas de babados e paletós de veludo. Há uma tentativa (sempre discriminada pela turma da Bossa Nova) de acompanhar a cultura dos países do Primeiro Mundo.

Depois de tanta disputa entre as facções dos bossa-novistas e roqueiros, surge algo que consegue fundir ambos os elementos. Esta novidade foi chamada de Tropicalismo por Nelson Motta em sua coluna no jornal Última Hora. Para Napolitano (2008), Caetano Veloso, Gilberto Gil e Os Mutantes conseguiram trazer o tipo dos vocais de apoio e as guitarras elétricas para a MPB nacionalista, cujas letras apontavam poéticas urbanas do Brasil, sendo nacionalistas porém se afastando das temáticas do “morro” e do “sertão”, presentes em muitas canções da MPB mais regionalista. Para Napolitano (2008), é no Festival da Record de 1967, com as músicas Alegria, Alegria e Domingo no Parque que se inicia simbolicamente o ano de 1968 no Brasil.

O LP Tropicália ou Panis et circenses, lançado em agosto de 1968 pelos Mutantes acabou se tornando o grande acontecimento musical do período, com suas colagens e aproximações tanto com a MPB quanto com o rock inglês e norte-americano. Foi, para muitos autores, um disco-manifesto, em que uma nova forma de se expressar procurava seu lugar entre a juventude. E tanto encontrou que, ainda de acordo com Napolitano (2008), no festival da TV Record de 1968 a palavra

“tropicalismo” já era um rótulo e já possuía sua torcida distinta.

Com a chegada do AI-5, em 13 de dezembro de 1968, vários nomes da música brasileira foram banidos, exilados ou se auto-exilaram. Entre eles Caetano Veloso e Gilberto Gil. Ao mesmo tempo, de acordo com Couto (2009), a partir deste ano, a televisão se consolida como veículo de massa, deixando o rádio, até então o maior veículo de cultura, informação e entretenimento, em segundo lugar, principalmente nas capitais e nas grandes cidades do Brasil.

A Jovem Guarda também se extingue. A saída de Roberto Carlos em janeiro de 1968 acabou com o programa na televisão, porém o próprio movimento já estava em crise, uma vez que a agenda do jovem mudou. Músicas sobre carros rápidos ou encontrar uma garota para paquerar não encontravam mais eco nos anseios da juventude. Os jovens, de acordo com Hollanda & Gonçalves (1999) queriam discutir sexualidade, comportamento e a revolução.

Com a televisão sendo o principal vetor de informação e principalmente entretenimento, e o governo militar apoiando fortemente certas ações, a Rede Globo de Televisão, pertencente ao jornalista Roberto Marinho, inicia seu projeto de hegemonia televisiva. Para tanto, seu principal produto (em conjunto com os telejornais) são as novelas. Estes folhetins são, a partir do final da década de 1960, a forma como a sociedade brasileira se percebe na televisão, como veremos.

Com o ano de 1969 e a já comentada prisão e exílio de Caetano e Gil, as

“brigas” entre estilos musicais começaram a rarear, uma vez que havia um inimigo comum: a ditadura. Ao mesmo tempo, acabava-se também a era dos festivais. Brigar por esta ou por aquela canção parecia não ter mais sentido em um país dominado pela truculência militar.

Em Londres, segundo Motta (2001), Caetano Veloso vivia um exílio melancólico, ansioso para voltar ao Brasil e ao mesmo tempo compondo músicas cada vez mais introspectivas. Gilberto Gil, por sua vez, parecia mais animado, e mergulhou na vida e na música pop. Chico Buarque, por sua vez, foi para a Itália e não conseguiu o sucesso esperado. Seus discos venderam muito pouco e ele teve que se contentar em fazer pequenos shows e até mesmo ser banda de apoio de Josephine Baker.

Em 1970, Buarque decide voltar ao Brasil e o faz com apoio da Rede Globo.

A censura apertava cada vez mais e a canção Apesar de Você foi emblemática. Ela foi executada normalmente até que posteriormente foi censurada. Graças à censura e ao comportamento juvenil da época, ela tornou-se mais e mais famosa, já que as pessoas, impossibilitadas de ouvi-la nas rádios, a cantavam. A música foi protagonista, ainda de acordo com Motta (2001), da proibição mais pública do Brasil. O que a tornou ainda mais popular.

Os meios de comunicação, segundo Napolitano (2008), juntamente com a Indústria Cultural, conhecem uma expansão sem precedentes em nosso país. Os bens culturais começam a ser consumidos em escala industrial. O autor destaca, além das novelas, os noticiários, os fascículos sobre temas diversos, coleções de livros e revistas. Assim, por meio das bancas de jornal (que viram bancas de revistas), a cultura escrita chega às camadas mais pobres da população.

Ao mesmo tempo, o número de universitários aumenta em dez vezes apenas na década de 1970, sendo em sua maioria jovens oriundos da classe média e que, além dos conhecimentos técnicos, ganhavam também mentalidade e postura crítica. Para estes jovens havia três opções naqueles anos de chumbo. Ainda de acordo com

Napolitano (2008), o jovem poderia resistir democraticamente nas pequenas ações do seu cotidiano, poderia também partir para atos de guerrilha clandestina ou ainda

“associar-se” ao desbunde e a busca de uma vida “fora” da sociedade estabelecida. De qualquer forma, estes jovens eram os grandes consumidores de cultura do período, principalmente teatro, cinema e música.

Foi com este público em mente que Nelson Motta, em 1974, surge com o programa Sábado Som, que, veiculado na Rede Globo, trazia trechos de concertos de bandas como Black Sabbath e Pink Floyd. Foi o primeiro programa de rock estrangeiro veiculado numa grande televisão no Brasil. E por meio dele diversos adolescentes que viriam a se tornar músicos na década seguinte tomaram seu primeiro contato com determinadas bandas.

O verão de 1972, de acordo com Motta (2001) e Bahiana (1980) foi o apogeu do desbunde brasileiro. Muitos jovens do período decidiram virar hippies, pacifistas radicais que viviam em comunidade, faziam música e artesanato, tentaram abolir o dinheiro, o casamento, a família, o congresso, as forças armadas e tudo o mais que eles tinham como repressores de uma vida feliz, tal qual os ideais contraculturais que percorriam diversos países mundo afora. E também como em boa parte do mundo ocidental, estes jovens usavam drogas alucinógenas, como a maconha ou o LSD.

Destes jovens, a banda que mais se destacou foi Os Novos Baianos. Eles gravaram seu primeiro álbum com a RGE, com auxílio de João Araújo, presidente da gravadora e pai de um dos principais nomes da geração roqueira que surgiria em poucos anos. O disco vendeu pouquíssimo e a banda foi demitida da gravadora. A banda foi convidada para gravar na Phillips e o som ficou ruim. Para Motta (2001), no Brasil não se sabia gravar rock. Mesmo assim, a banda conquistou inúmeros fãs e vendeu milhares de discos.

A próxima grande estrela a surgir no rock brasileiro em 1972 foi Raul Seixas.

Talvez o maior expoente no hiato entre a jovem guarda e o rock dos anos 1980, segundo Souza (2011), Seixas despontou efetivamente a partir da música Let me sing, metade rock cantado em inglês e metade baião nordestino cantado em português.

Seixas não gostava de João Gilberto e também não gostava dos trabalhos de Gil e Veloso. Ele era, como chamou Motta (2001), pós-tropicalista. Juntou-se com Paulo Coelho, letrista, que editava revista hippie underground sobre discos voadores e afins. Na época, o emprego de Raul Seixas era na gravadora CBS, onde produzia discos de artistas populares e logo depois, como informa Souza (2011), tornou-se um

dos maiores ícones musicais do Brasil e que, como veremos, foi contemporâneo das bandas de rock dos anos 1980.

Em 1973 temos o início de um dos maiores fenômenos de massa do rock brasileiro, só superado mais de dez anos depois com a banda RPM, conforme veremos adiante: o Secos & Molhados, de Ney Matogrosso, João Ricardo e Nelson Conrad.

A banda se apresentava paramentada com maquiagens e trajes únicos e sensuais, tornando-os ainda mais caricatos e exóticos. Suas músicas misturavam rock com MPB, música latina misturada com música portuguesa ou norte-americana.

Utilizavam ao mesmo tempo guitarras e violões, somados às suas letras contundentes, de protesto contra a ditadura ou de simples exaltação à natureza ou à infância. Em seu primeiro disco chegaram a vender mais de 700 mil cópias. Novamente segundo Motta (2001), o Secos & Molhados foi a primeira banda nacional com uma atitude rock a conquistar o sucesso de massa no Brasil.

No mesmo período do sucesso do Secos & Molhados, a ditadura inseria uma censura cada vez mais ferrenha. Para Gaspari, Hollanda & Ventura (2000), assim como os artistas haviam aprendido a criar mensagens nas entrelinhas das canções, os militares também haviam aprendido a lê-las. Entretanto, o excesso de zelo muitas vezes fez com que músicas sem o menor cunho político fossem censuradas por suposta apologia contra o regime. Ao mesmo tempo, músicas também sem visão política eram vistas pelos inimigos do regime como libelos, ainda que não fosse essa a intenção dos autores da canção. As pessoas tinham a necessidade de enxergar mensagens codificadas em todas as canções da MPB, houvesse ou não tais mensagens. Para Motta (2001, p.269), “desenvolveu-se o patético hábito de "ler" nas entrelinhas de tudo, mesmo o que não tinha nada, em busca de alguma coisa, algum protesto, alguma esperança.”

Neste contexto, de acordo com Souza (2011), Raul Seixas converte-se, ao mesmo tempo, em ídolo das favelas e também ídolo das elites pensantes, um artista avançado em seu tempo. Em 1974 ele e seu letrista Paulo Coelho decidem criar a

“Sociedade Alternativa”, onde tudo se podia. Motta (2001) diz que ambos agiram de maneira ingênua, ao acreditarem que o governo militar não iria se preocupar com um pequeno movimento que pregava a ausência de leis. Como acontecia comumente naquele período, foram presos e torturados. Quando foram libertados estavam assustados e decidiram mudar a temática de suas letras e discursos para o misticismo oriental. A parceria não superou tais discussões e acabou. Paulo Coelho foi fazer

letras para Rita Lee, que havia saído dos Mutantes em 1972 e se juntado ao Tutti-Frutti.

Raul, por sua vez, em 1975 participa e fecha como atração principal o primeiro grande festival de rock no Brasil: o Hollywood Rock. Com o patrocínio da marca de cigarros Hollywood, da empresa Souza Cruz, foi organizado no estádio do Botafogo, no Rio de Janeiro e contava com Erasmo Carlos, Cely Campello, Os Mutantes, Rita Lee, Veludo, O Peso e Vímana.

Vímana era a banda formada por grandes futuros expoentes do rock brasileiro dos anos 1980. Formavam a banda Ritchie, Lulu Santos, Luiz Paulo Simas e Fernando Gama. Segundo Lobão e Tognolli (2010), Lobão entrou para a banda aos 17 anos de idade, para tocar no musical da atriz Marília Pêra intitulado A Feiticeira em fevereiro de 1975.

A banda era de rock progressivo 4, contando com inúmeros teclados, percussões, guitarras, violões e flauta doce. Mesmo com esta vertente progressiva, historicamente sem muito sucesso comercial no mundo e, principalmente, no Brasil (a despeito do álbum Dark Side of The Moon, da banda inglesa Pink Floyd, até hoje o álbum mais vendido da história), o Vímana gravou o compacto Zebra e se destacou, conforme aponta Bryan (2004).

Este destaque foi fundamental para que um dos grandes tecladistas do período, Patrick Moraz, da banda inglesa Yes, um dos maiores expoentes de rock progressivo no mundo os chamasse para ser sua banda de apoio entre 1977 e 1978, até que Moraz demitisse Lulu Santos da banda, o que, segundo Dapieve (1995), fez com que os demais se desestimulassem e a parceira acabasse em 1978.

Em 1976, a disco music estava virando febre. De acordo com Motta (2001), a percepção era de que o rock ficara para trás, e o futuro era este estilo de música, com batidas cadenciadas e dançantes, que fazia com que as pessoas dançassem (daí o nome) sem parar. O local onde as pessoas iam para escutar e dançar este tipo de

4Rock progressivo é um subgênero do rock que surgiu no fim da década de 1960, na Inglaterra. Entre suas principais características estão composições longas, com harmonia e melodias complexas, aproximando-se muito da música erudita; letras que abordam temas como ficção científica, fantasia, religião, guerra, amor, loucura e história; álbuns conceituais, nos quais o tema ou história é explorado ao longo de todo o album; vocalizações pouco usuais e uso de harmonias vocais múltiplas; o uso de síncope, compassos compostos e mistos, escalas musicais e modos complexos, sendo que algumas peças usam múltiplos andamentos e tempos muitas vezes sobrepostos; enormes solos de praticamente todos os instrumentos, expressamente para demonstrar o virtuosismo dos músicos e a inclusão de peças clássicas nos álbuns, entre outros elementos que se distinguim de banda para banda.

música eram as discotecas e os principais expoentes musicais eram Donna Summer, Bee Gees, KC and the Sunshine Band e Abba.

No Brasil, o empresário Nelson Motta junta-se com o agitador cultural Júlio Barroso e lançam o The Frenetic Dancing Days Discotheque, uma discoteca nos moldes norte-americanos, mais especificamente nos moldes nova-iorquinos. Uma das novidades da casa de shows era a performance musical das garçonetes, que em determinado momento da noite subiam no palco e cantavam algumas músicas. Elas ficaram conhecidas como As Frenéticas: Sandra Pêra (irmã da Marília), Regina Chaves, Leiloca e Lidoka, Dulcilene de Morais e Edir de Castro. Por pressão dos frequentadores da casa, as Frenéticas passaram a atender menos as mesas e a cantar mais no palco.

O acordo de Nelson Motta com o proprietário do shopping center onde o Dancing Days se instalara era de apenas poucos meses de funcionamento, e no dia 5 de novembro de 1976 ele fechou as portas para a construção do Teatro dos Quatro, de

O acordo de Nelson Motta com o proprietário do shopping center onde o Dancing Days se instalara era de apenas poucos meses de funcionamento, e no dia 5 de novembro de 1976 ele fechou as portas para a construção do Teatro dos Quatro, de

No documento RODRIGO OTÁVIO DOS SANTOS (páginas 77-86)