No final do capítulo anterior, Rockwell Kent já está com todos os preparativos concluídos para vir ao Brasil com Jerome Davis, ou seja, Rockwell434 possui cartas de apresentação fornecidas pelo embaixador brasileiro em Washington, Oswaldo Aranha, documentos e panfletos comprometedores435, os quais são rasgados e jogados ao mar durante o vôo para o Rio de Janeiro – e aqui, Rockwell não especifica os tipos de documentos e panfletos -, através do sanitário do avião e uma lista contendo os nomes dos prisioneiros políticos, incluindo o de Luis Carlos Prestes. Após uma parada em Porto Rico436, onde Rockwell sai em apoio aos Nacionalistas, presos pelo Massacre de Poncé ocorrido no domingo de ramos, conforme detalhado no capítulo 1, Rockwell embarca novamente no avião e chega ao Rio de Janeiro437 no dia vinte e cinco de novembro de 1937, para uma estada de nove dias, como observador político.
Durante esse período, Rockwell entra em contato com “pessoas de todas as classes
e liberais corajosos muito bem informados” 438 a fim de colher dados para a elaboração de seu relatório “Brazil and Vargas” (Brasil e Vargas). Em relação aos liberais, aqui fica claro que para aquele momento, liberais são todos os cidadãos comunistas ou não que se voltam contra Vargas, lutando pelo fim da ditadura, pela volta da democracia e dos direitos constitucionais, caçados pelo ditador, através da Lei de Segurança Nacional. No que tange aos nomes dessas pessoas com as quais entra em contato, nada se sabe, pois, Rockwell não os divulga em nenhum de seus escritos ou anotações. Embora tenha pedido em uma carta439 endereçada ao embaixador Oswaldo Aranha, que o ajudasse a entrar em contato com Vargas, seus ministros da justiça, da guerra e do supremo tribunal militar, entre outros, é pouco provável que tenha conseguido fazê-lo, uma vez que não há registros desses encontros nos arquivos do Smithsonian Institution. Pois, ao chegar ao Brasil, agentes da polícia secreta de Vargas o buscam a meia-noite, enquanto dormia no Hotel Luxor (vide imagem logo abaixo), localizado na Avenida Atlântica, no bairro de Copacabana, para um
434 KENT. Op.cit, 1938, p. 15. 435 KENT. Op.cit, 1940, p. 334. 436 KENT. Op.cit, 1955, p. 507. 437 KENT. Op.cit, 1938, p. 15. 438
... people of all classes and … thoroughly well informed, courageous liberals… KENT. Op.cit, 1955, p. 508, (Trad.da autora).
439
interrogatório440 durante o qual, descobrem que Rockwell possui uma lista de prisioneiros encabeçada pelo nome de Prestes.
Papel de carta do Hotel Luxor, reel 5164, frame 114.
Rockwell vem ao Brasil como observador político e colhe dados para a redação de seu relatório, o qual é publicado em 1938 na Inglaterra, pela revista Life and Letters Today (Vida e Cartas Hoje), publicação especializada em escritos literários e artísticos. Mas por que isso ocorre? Por que o relatório não é publicado pelo Joint Committe for the Defense of the Brazilian People (Comitê Unido pela Defesa do Povo Brasileiro), se eles foram os responsáveis pela viagem juntamente com o National Committee for People’s Rights (Comitê Nacional pelos Direitos do Povo)? Após voltar aos Estados Unidos, Rockwell passa meses escrevendo e enviando seu texto várias vezes para a revisão de Horace B. Davies, conselheiro temporário do Joint Committee for the Defense of the Brazilian People (Comitê Unido pela Defesa do Povo Brasileiro). Rockwell, entretanto, acaba se decepcionando com a demora e com a falta de resposta de Davies nos envios dos rascunhos revisados. Em uma carta441 enviada em vinte e nove de março de 1938 à Marina Lopes, membro do referido comitê, Rockwell apresenta seu relatório demonstrando claros sinais de decepção pela alteração do tom de seu texto, tornando-o mais agressivo, inclusive, pela adição de uma nota de rodapé sobre a morte de Barron, adição essa que o irrita, por não concordar com a hipótese oficial de assassinato pela polícia. A necessária inclusão do documento442, aqui revela a insatisfação de Rockwell em relação à atitude de Davies:
440
KENT. Op.cit, 1938, pp. 16-18.
441
Carta de Rockwell Kent endereçada à Marina Lopes, 29 de março de 1938. Reel 5164, frame 171, Smithsonian Institution.
442
March 29th, 1938 Dear Marina:
Here’s The Report! As I said last night, Mr. Davies’s corrections and eliminations – except for a few corrections of fact of which I have gratefully availed myself – were all directed to altering the tone of the report. I was perhaps most angered by the footnote which had been introduced in reference to Barron. You will recall my having told you on my return that I was far from convinced that Barron had been officially murdered by the police; and I gave my reasons. I was then asked, and I agreed, to suppress my conclusions and not discuss the Barron case. While in Boston I told Mr. Davies the whole story, including my agreement not to put anything about it in my report. Yet in Mr. Davies’s revision of my report appears the following
29 de março de 1938 Prezada Marina:
Aqui está o Relatório! Como eu disse ontem à noite, as correções e eliminações de Mr. Davies – exceto por algumas correções de fato, das quais eu me beneficiei – foram todas direcionadas a alteração do tom do relatório. Talvez eu tenha me irritado mais com a nota de rodapé que foi introduzida em referência à Barron. Você se lembrará quando lhe disse na minha volta, que eu estava longe de estar convencido de que Barron havia sido oficialmente assassinado pela polícia; e eu dei meus motivos. Fui então perguntado, e concordei em suprimir minhas conclusões e não discutir o caso Barron. Enquanto estava em Boston, contei ao Mr. Davies a história completa, incluindo minha concordância em não colocar nada sobre isso no relatório. Novamente na revisão de Mr. Davies ao meu relatório aparece a seguinte nota de rodapé: “Victor Allan Barron, um jovem americano, foi preso no Rio de Janeiro no início de 1936. Seu corpo, contendo marcas de tortura, foi encontrado fora do hospital da polícia algumas semanas mais tarde. A polícia diz que ele cometeu suicídio. A história é contada pelo pai do jovem, Harrison George, em um panfleto intitulado, Aconteceu no Brasil (1936).” !!!!!!!!!!!!!!!
Você notará que no lado oposto da página 3 percebi cortes que deveriam ou poderiam ser feitos. Em eliminando o relato de nossa
footnote: “Victor Allan Barron, an American youth, was arrested in Rio de Janeiro early in 1936. His body, bearing marks of torture, was found outside the police hospital some weeks later. The police said he had committed suicide. The story is told by the young man’s father, Harrison George, in a pamphlet entitled It Happened in Brazil (1936).”!!!!!!!!!!!!!!!
You will note that opposite Page 3 I have noted cuts that should or may be made. By eliminating the account of our little experience with the police – which, as you know, I have never taken very seriously – you will save about six pages – more, I think, than Mr. Davies saved. But while I think that that portion is the least important passage of the report, I do believe that it makes the report more entertaining and readable. Please use your own judgment.
Let me repeat that a report must not be thought of as propaganda except as it may, or may not, happen to have propaganda value. Its proper function os to present such factual material, as impartially as possible, as may – or may not – support the propaganda of a Cause.
I have dated the report. That date should be printed as establishing the fact that the report was not prepared in the light of subsequent reports and news from Brazil.
Faithfully yours. Carta de Rockwell Kent endereçada à Marina Lopes, 29 de março de 1938. Reel 5164, frame 171, (Trad. da autora), Smithsonian Institution.
pequena experiência com a polícia – a qual, você sabe, nunca levei muito a sério – você economizará por volta de seis páginas – mais, eu acho, do que Mr. Davies economizou. Mas, enquanto penso que aquela porção é a passagem menos importante do relatório, eu realmente acredito que ela faz o relatório mais alegre e legível. Por favor, use seu próprio julgamento.
Deixe-me repetir que um relatório não deve ser pensado como propaganda a menos que possa, ou não, ter valor de propaganda. Sua própria função é apresentar tal material real, tão imparcialmente quanto possível que possa – ou não – sustentar a propaganda de uma Causa.
Eu datei o relatório. Aquela data deveria ser impressa como estabelecedora do fato de que o relatório não foi preparado à luz dos relatórios e notícias subseqüentes do Brasil.
Respeitosamente,
Assim, em vista da demora nas respostas de Davies aos contatos de Rockwell e as alterações propostas pelo primeiro, tornando-o mais agressivo, pela inclusão do caso Barron, Rockwell decide publicar seu relatório na Inglaterra. Porém, antes de enviá-lo para lá, Rockwell conversa duas vezes por carta com seu companheiro de viagem, Jerome Davis com a finalidade de acertar alguns detalhes concernentes à sua publicação, uma vez que Davis também atua como observador político e, posteriormente publica um artigo intitulado “It Did Happen in Brazil” 443 (Realmente Aconteceu no Brasil) em nove de fevereiro de 1938 no jornal The New Republic (A Nova República). Desse modo, são dois os relatórios publicados; entretanto, há que se observar as diferenças entre ambos, sobretudo no que se refere ao tom do discurso empregado. Pois, em uma das cartas enviadas a Davis, em primeiro de fevereiro de 1938, Rockwell444 diz:
443
DAVIS, Jerome. “It Did Happen in Brazil”. In: The New Republic, February 9th, 1938. Reel 5164, frames 178-180, Smithsonian Institution.
444
It is quite possible that your understanding of the situation there will differ from mine, and that you do conclude that Brazil is now frankly Fascist. I think that that difference of opinion between us will be immaterial, for there will be no contradiction in the facts that we both present. I have tried, in my report, to avoid speaking with authority, and to make it clear that in the short time we were there I could get no more than an impression of public opinion and public reaction, and that my impressions depended entirely on those classes of Brazilians whom I was able to meet. Carta de Rockwell Kent a Jerome Davis. February 1st, 1938. Reel 5214, frame 522, (Trad. da autora), Smithsonian Institution.
É bem possível que seu entendimento da situação lá irá diferir da minha e que você realmente conclua que o Brasil é francamente fascista. Eu penso que aquela diferença de opinião entre nós será imaterial, pois não haverá contradição nos fatos que ambos apresentamos. Tentei, em meu relatório, evitar falar com autoridade e esclarecer que, no curto tempo em que estivemos lá, pude captar não mais do que uma impressão da opinião pública e da reação pública, e que minhas impressões dependeram inteiramente naquelas classes de brasileiros com os quais fui capaz de encontrar.
Mas, voltando um pouco para a questão do relatório redigido por Rockwell, deve-se ressaltar que antes de ser publicado com o título pelo qual é conhecido, “Brazil and Vargas” (Brasil e Vargas), existe uma primeira versão não publicada e de conteúdo mais longo, intitulada “Brazilian Report” (Relatório Brasileiro), ou seja, a versão publicada contém doze páginas contra vinte e três, da primeira. Por que essa diferença?
Capa da versão “Brazilian Report”. Reel 5164, frame 185.
Talvez a razão principal seja o número de páginas limite imposto pela Revista inglesa Life and Letters Today (Vida e Cartas Hoje), uma vez que a mesma publica vários artigos de autores variados, a cada volume. Mas, aqui podem haver outras razões ocultadas
pelo número de páginas, pois, há uma grande diferença de teor entre as duas versões redigidas por Rockwell, sobretudo no que concerne ao modo pelo qual o autor classifica o governo ditatorial de Vargas. É necessário destacar que antes de publicar seu relatório, o autor foi devidamente orientado pelo embaixador brasileiro em Washington, Oswaldo Aranha, para que não escrevesse nada que pudesse ferir as relações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos, conforme o próprio texto publicado445 por Rockwell demonstra:
“Por favor”, disse o embaixador Aranha quando o deixei, “não escreva nada sobre o Brasil que perturbe a amizade entre os brasileiros e americanos”, confio que não tenha feito. Deixe-me ir além e tentar apoiá-lo. “Todos os executivos americanos”, disse- me um executivo americano no Rio, “dizem que Vargas vai parar com sua tolice e jogar bola”. Bom: vamos jogar bola. Com Vargas no bastão, vamos atacá-lo.
Se em “Brazil and Vargas” (Brasil e Vargas) Rockwell adota uma postura mais cautelosa em relação à Vargas, em “Brazilian Report” (Relatório Brasileiro), sua postura é mais ofensiva e ameaçadora, na medida em que acrescenta ao parágrafo final as seguintes frases446: “Vamos taxar ou boicotar o café brasileiro e atacar Vargas. O Brasil se
alegraria”. O autor remove a frase “Com Vargas no bastão, vamos atacá-lo.” Apesar de
serem essas as frases utilizadas por Rockwell na conclusão de seu “Brazilian Report” (Relatório Brasileiro), existem diversos rascunhos rasurados para a elaboração do mesmo e, em um desses Rockwell conclui dizendo: “Vamos taxar ou boicotar o café brasileiro e
arrancar Vargas.” 447- do poder. Entretanto, além da ofensiva final contra Vargas, Rockwell inclui na primeira versão um outro trecho448 localizado na página dezenove, em que demonstra seu tom de denúncia face ao fascismo imperante no Brasil de Vargas:
445
“Please,” said Ambassador Aranha as I left him, “write nothing about Brazil that will disturb the friendship between Brazilians and Americans,” I trust I haven’t. Let me go further and attempt to strengthen it. “All the American business men,” said an American business man to me in Rio, “say that Vargas is going to stop his nonsense and play ball.” Good: let’s play ball. With Vargas at the bat, let’s strike him out. KENT. Op.cit, 1938, p. 27, (Trad.da Autora).
446
Let us tax or boycott Brazilian coffee and strike Vargas out. Brazil would cheer. KENT, Rockwell.
Brazilian Report. Ausable Forks, New York, s/d. Reel 5164, frame 207, Smithsonian Institution. 447
Let us tax or boycott Brazilian coffee and force Vargas out. KENT. Rockwell, s/d. Reel 5164, frame 233, (Trad.da autora), Smithsonian Institution.
448
He has, to be sure, accepted the support of the Integralistas, a militant Fascist minority which, to swell its paltry ranks, paraded its little boys and girls in uniform.
That European Fascist influence is active in Brazil is not to be disputed. Yet the reason for this is primarily economic. Brazil wants trade: and trade with Fascist nations entails friendliness. Brazil is open to Fascist influence, and that influence is the more welcome in that it is consistent with the Church’s stand on Spain.
Ele449, certamente, aceitou o apoio dos Integralistas, uma minoria militante fascista que, para inchar seu grupo insignificante, desfilou seus pequenos meninos e meninas em uniformes.
Que a influência fascista está ativa no Brasil, não é para ser contestada. Novamente a razão para isso é principalmente econômica. O Brasil quer comércio: e comércio com nações fascistas requer amizade. O Brasil está aberto para a influência fascista, e aquela influência é a mais bem-vinda naquilo em que é consistente com a posição da Igreja na Espanha. Vargas é ditador: de Mussolini, Hitler, Franco – mãos, acaloradas e encorajadoras mãos no outro lado do mar.
Assim, tanto na versão não publicada – “Brazilian Report” (Relatório Brasileiro) - quanto na publicada na Inglaterra em 1938 – “Brazil and Vargas” (Brasil e Vargas) -, percebe-se o posicionamento crítico de Rockwell em relação à Vargas e ao fascismo, pois, para o autor, o fascismo existe e está infiltrado dentro da política e da economia brasileira. Aliás, Rockwell não é o único a perceber e a falar sobre as relações entre o ditador brasileiro e os regimes totalitários europeus, uma vez que, nessa relação existe um grande perigo para a política da boa vizinhança de Franklin Delano Roosevelt, perigo esse que não só ameaça os acordos comerciais firmados em Wall Street com o Brasil, como pode expandir os limites dos regimes totalitários europeus para a América do Sul, em especial para o Brasil. Apesar da repercussão do “suicídio” de Barron na imprensa norte-americana, um ponto citado por Harrison George450 em “It Happened in Brazil” (Aconteceu no Brasil) merece destaque, por propor que o cadáver de seu filho, Victor Allan Barron, deve conclamar o povo a lutar para impedir que o imperialismo norte-americano imponha o fascismo sobre o povo brasileiro. Dessa maneira, têm-se aqui duas opiniões: a primeira, defendida por Rockwell451, de que Vargas, na verdade, não seria um homem cruel capaz de matar Prestes. Porém, ao mesmo tempo em que Rockwell não vê crueldade em Vargas, afirmando a vertente inofensível de um homem que caminha livremente pelas ruas sem ser Vargas is Dictator: from Mussolini, Hitler, Franco – hands, warm, heartening hands across the sea. KENT, Rockwell. Brazilian Report. Ausable Forks, New York, s/d. Reel 5164, frame 204, Smithsonian Institution.
449
Rockwell se refere a Vargas.
450
GEORGE. Op.cit, 1936, p. 22, reel 5164, frame 143, Smithsonian Institution.
451
importunado, Rockwell o compara ao Rei Luís XIV, citando a famosa máxima do rei:
“L’Etat c’est Moi!”. Além disso, o autor em questão destaca o passado escravocrata
latifundiário do país, responsabilizando-o pelo atraso do presente, atraso esse vinculado às relações comerciais travadas com Wall Street.
Do outro lado, vêm as considerações de George e de Jerome Davis452, que do mesmo modo, falam sobre o Brasil latifundiário vindo de uma economia escravocrata. Porém, George ataca tanto Vargas quanto o governo norte-americano, responsabilizando-os pelo assassinato de seu filho, ocorrido em nome da continuação do comércio com os Estados Unidos, alegando que os mesmos nada fizeram para impedir a prisão, tortura e morte de Barron. Além do panfleto de George existe o relatório de Jerome Davis, publicado em fevereiro de 1938. Se o texto de George está calcado na morte de Barron, o de Davis nem o menciona, uma vez que opta por bater de frente contra a ditadura de Vargas, claramente um foco fascista que pode se alastrar para todo o Hemisfério Sul, ameaçando os Estados Unidos de várias maneiras, inclusive através da quebra dos acordos comerciais estabelecidos com o Brasil e do enfraquecimento da política norte-americana protagonizada pelo New Deal de Roosevelt. Ou seja, segundo o relatório contundente e de linguagem franca e objetiva de Davis453, o nazismo já está penetrado no sul do território brasileiro, região que possui forte colonização germânica. E que essa penetração se dá através de programas de rádio transmitidos em língua portuguesa, diretamente de Berlim, todas as noites. Aliás, esse perigo também é tratado por Thomas E. Skidmore454, que ressalta a facilidade da entrada nazi-fascista, a fim de se imporem militarmente no território brasileiro, devido à grande área de fronteira sem fiscalização ou com fiscalização precária, além da enorme costa em formato “de peito de pomba-papo-de-vento... que avança sobre o
Atlântico” 455, segundo Hudson Strode.
Assim, a partir dos relatórios de Rockwell, de Davis e de George é necessário que se perceba o que pode estar por trás da crítica feita em relação ao governo ditatorial de Vargas, pois, no discurso politizado de Rockwell existe uma preocupação a qual permeia igualmente os outros autores, no que concerne o avanço ameaçador do fascismo no Brasil e seu conseqüente perigo de expansão em território norte-americano, o que comprometeria as
452
DAVIS. Op.cit, 1938, pp. 10-12, reel 5164, frames 178-180, Smithsonian Institution.
453
DAVIS. Op.cit, 1938, p. 10, reel 5164, frame 178, Smithsonian Institution.
454
SKIDMORE. Op.cit, 1999, p. 119.
455
…pouter pigeon breast…pushes… out into the Atlantic. STRODE, Hudson. “South by Thunderbird” apud KENT. Brazilian Report. s/d, p.1, reel 5164, frame 186, (Trad.da autora), Smithsonian Institution.
relações comerciais de Wall Street com a América do Sul. Mesmo sendo de esquerda, Rockwell é bem aceito pelo conciliador Roosevelt, a quem considera favorável à paz, democracia, justiça e à liberdade, até então – posteriormente, a situação muda, conforme se verá no próximo capítulo quando será discutida a mudança de opinião de Rockwell com o passar dos anos.
Após analisar os textos em si, cabe discutir o porquê da publicação de “Brazil and