Uma das fases de preparação e desenvolvimento de uma rota é o reconhecimento do percurso no terreno, no qual deverá ser feito um desvio sempre que ao longo deste se encontre algo que se considere digno de interesse, monumento, igreja, etc. Com a informação recolhida elabora-se um percurso. É com a definição do percurso que se constitui um itinerário que vai promover/ divulgar os recursos e despertar o interesse daqueles que ainda não são devidamente (re)conhecidos. Podemos salientar que a realização de itinerários constitui um bom meio de apresentação do património e recursos de uma região. Quando estes são implementados numa região ou num espaço urbano, constituem instrumentos de desenvolvimento local. Os itinerários culturais urbanos para além da preservação do património histórico e cultural, com a sua exploração poderão estabelecer formas de dinamização social, económica mas também cultural dos centros urbanos. Segundo Pereiro Peréz “apostar neles pode significar um custo muito baixo e uma rentabilidade muito alta através da geração de riqueza indireta” (PEREIRO PERÉZ, 2002).
Na realidade, o investimento inicial na criação de um itinerário cultural é relativamente baixo se o compararmos com a rentabilidade económica que a médio prazo poderá daí advir.
4.3.1 Objetivos gerais e específicos
Constitui objetivo geral da Rota divulgar, proteger e valorizar um património (casas brasonadas) que testemunha a evolução da cidade. Na verdade este património, depois de estudado, divulgado e dinamizado, pode contribuir para o aumento da oferta turística de Guimarães. Dotar a cidade de um novo produto turístico, capaz de envolver entidades particulares e privadas é uma mais-valia para uma cidade tão diversificada.
No que diz respeito aos objetivos específicos, podemos sintetiza-los da seguinte forma: - Dinamizar a cidade tendo como base as casas brasonadas que possui;
- Dar a conhecer a genealogia das famílias que habitaram estas casas e que contribuíram para história da cidade e do concelho de Guimarães;
- Promover o interesse pela heráldica local;
- Dotar Guimarães de um novo produto turístico, enriquecendo a sua oferta turística; - Criar novos nichos de mercado;
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- Promover o desenvolvimento económico da cidade;
- Elaborar roteiros sobre as Casas Brasonadas do centro urbano de Guimarães;
- Diversificar o plano anual de atividades do Museu de Alberto Sampaio, dotando-o como entidade gestora da Rota.
4.3.2. Avaliação
Como elementos facilitadores e inibidores à implementação da Rota das Casas Brasonadas no centro urbano de Guimarães podemos apresentar os que constam no quadro seguinte.
Tabela 1 - Elementos facilitadores e inibidores à implementação da Rota das Casas
Brasonadas no centro urbano de Guimarães127
Elementos Facilitadores Elementos Inibidores
1 - A sua localização - um centro histórico certificado como “Património da Humanidade”
1 - O clima, com Invernos frios e chuvosos e amplitudes térmicas anuais significativas, devido aos fatores continentalidade e localização
2 - A oferta cultural no período de Verão, centrada num dos locais de passagem da Rota (centro histórico)
2 - O fato do Norte de Portugal e o Minho, em particular, onde se insere, constituir um “produto residual” em termos de estratégia turística nacional
3 - A visibilidade que o “destino turístico cultural Guimarães” teve a nível nacional e internacional, com o evento “Cidade Europeia da Cultura 2012”.
3 - A limitada visibilidade do “destino turístico cultural Guimarães”, por falta de um evento periódico de grande visibilidade “internacional” que lhe projete a imagem (apesar desta visibilidade ter crescido durante 2012, em que Guimarães foi Cidade Europeia da Cultura).
4 - A proximidade e boa acessibilidade entre os principais monumentos128 e museus129 com
4 - Débil qualidade e quantidade da oferta de animação cultural.
127 Relativamente aos elementos facilitadores e inibidores do turismo na cidade de Guimarães, veja-se: RIBEIRO; REMOALDO,
2011:639, Tabela 2.
128 Por exemplo: Castelo, Igreja de Nossa Senhora da Oliveira, Padrão do Salado, antigo convento de Santa Clara, Igreja de São
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Elementos Facilitadores Elementos Inibidores
o itinerário a implementar, permitindo ao turista visitá-los sem grande esforço em termos de mobilidade.
5 - A qualidade das infraestruturas hoteleiras existentes, incluindo duas pousadas de grande valor arquitetónico, Hotéis, Hostels e uma Pousada da Juventude
5 - A débil oferta de alojamento em termos quantitativos.
6 - As acessibilidades (posiciona-se a 50 km do Aeroporto Internacional do Porto, com ligação direta por autoestrada A3 e A7, e está a 160 km do Aeroporto Peinador, em Vigo)
6 - As boas acessibilidades com as principais cidades do Norte do País não facilitam a estadia em Guimarães.
7 - O reconhecimento nacional e internacional de Guimarães como um dos melhores destinos turísticos em 2012.
7 - A deficiente concertação de itinerários e de promoção com outros municípios da região que possibilite uma estadia mais prolongada do turista e a diversificação do cabaz de produtos oferecido.
8 - O itinerário abrange uma área de frequência turística consolidada (centro histórico) mas também valoriza e aumenta esta presença noutras áreas da cidade. 9 - Possibilidade de visitar o exterior de todas as casas.
9 - A impossibilidade de visitar o interior de algumas casas de propriedade privada. 10 - Disponibilidade de alguns organismos
instalados nas casas permitirem visitas ao seu interior.
10 - Dificuldade de visitar o interior de algumas casas fora do horário pós laboral. 11 - Disponibilidade de alguns privados
permitirem visitas ao interior das casas.
11 - Impossibilidade de visitar alguns compartimentos privados.
Análise Swot
A Análise SWOT revela-se a forma essencial de validar as estratégias planeadas na criação de um itinerário cultural. O objetivo da avaliação é agrupar uma série de informações positivas e
129 Por exemplo: Museu de Alberto Sampaio, Paço dos Duques de Bragança, Museu Arqueológico da Sociedade Martins
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negativas sobre o território de implementação desse itinerário. Deste modo consegue-se criar uma estratégia conducente ao seu desenvolvimento.
Esta análise SWOT da Rota das Casas Brasonadas do centro urbano de Guimarães, pretende criar um ponto de partida para que mais tarde, com o resultado dos dados analisados, seja possível desenvolver propostas concretas de atuação para combater as fragilidades detetadas.
Oportunidades
Boa localização face aos aeroportos de Porto e Vigo;
Boas acessibilidades – a este nível a cidade apresenta uma boa rede viária para a população local e visitantes
Proximidade regional com pólos turísticos importantes – nomeadamente Braga e Porto, podendo desenvolver-se alguma complementaridade na promoção e captação dos fluxos de visitantes;
Investimentos em Animação Turística como mais-valia local – por parte de privados e públicos;
Potenciação da promoção turística e seus principais produtos turísticos;
Oferta de estabelecimentos de restauração e entretenimento noturno com funcionamento todo o ano - Atração de receitas que podem ser reinvestidas na região, nomeadamente na preservação e conservação dos seus recursos naturais e culturais; Criação de percursos pedestres;
Tendência para a valorização de aspetos relacionados com o património edificado; Aposta na oferta de novos produtos turísticos, potenciando os recursos endógenos; Aproveitar o investimento público para o sector do turismo;
Pontos Fracos
Destino turístico de passagem;
Falta de indicação e sinalização dos pontos de interesse turístico no terreno;
Falta de acesso aos pontos de interesse turístico, quer por via de horários incompatíveis ou por via de desconhecimento e ausência de acompanhamento;
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Falta de recursos humanos especializados (guias);
Falta de documentos em língua estrangeira e fraca qualidade de informação; Falta de informação sobre a oferta turística existente;
Carências na promoção e informação turística, especialmente de materiais de divulgação;
Poucas empresas de animação;
Pontos Fortes
Reconhecimento internacional do seu Património
Riqueza e diversidade de recursos culturais (património, artesanato, gastronomia) Qualidade e valor da paisagem urbana
Boas acessibilidades;
Aumento do número de visitantes nacionais e estrangeiros nos anos de 2011/2012; Bom acolhimento e simpatia da população local para com os visitantes.
Ameaças
O aumento significativo do número de visitantes pode prejudicar a sustentabilidade do concelho;
A procura é cada vez mais exigente, relativamente à oferta/disponibilidade de animação; A qualidade dos serviços e da informação, torna imperativa a qualificação da sua oferta; Possibilidade de o destino ser preterido a favor de outros em proximidade, com uma
oferta de maior qualidade e mais oportunidades de atividades de animação.
4.3.3. Definição e descrição dos itinerários
Decidimos subdividir a Rota em dois itinerários diversificados geograficamente, mas complementares historicamente: centro histórico de Guimarães e da cidade. Estes espaços correspondem a períodos diferentes do desenvolvimento e expansão urbana da cidade ao longo do tempo. O centro histórico corresponde aos dois pólos fundadores e aglutinadores da cidade: o castelo e a Colegiada de Nossa Senhora da Oliveira, que se fundiram por deliberação de D. João
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I em 1389 (FERREIRA, 2000). Os arrabaldes, espaço extramuros, coincidem com a abertura de novos eixos viários de ligação a outras cidades do noroeste de Portugal (Braga e Porto) e com a edificação de novos conventos fruto da expansão urbana. Estes itinerários encontram-se num ambiente urbano. Devido à sinuosidade das ruas de cariz medieval e à proximidade geográfica dos seus recursos turísticos, os percursos deverão ser pedestres, utilizando os passeios das praças, calçadas, ruas e outras artérias urbanas da cidade. Efetivamente, os circuitos pedestres associados ao turismo cultural em ambientes urbanos têm vindo a ganhar alguma notoriedade, detendo vantagens favoráveis a outro tipo de circuitos. Estes constituem instrumentos de desenvolvimento local e a sua exploração poderá possibilitar formas de dinamização social, económica e cultural aos centros urbanos.
Para definir um percurso é necessário fazer a ligação entre os pontos turísticos que irão traçar a rota. Os nossos percursos levam-nos a percorrer todo o espaço classificado Património Mundial da Humanidade (corresponde ao nosso 1º itinerário) e arruamentos circundantes (corresponde ao 2º itinerário). Podemos definir estes percursos como lineares de pequena rota. O 1ºitinerário, ou seja, o do centro histórico, perfaz uma distância total de 1757 metros, sendo um percurso com grau de dificuldade fácil e com poucos desníveis: a altitude máxima é de 220 metros e a mínima de 181 metros. O 2º itinerário, denominado arrabaldes, totaliza uma distância de 4751 metros, sendo igualmente um percurso com grau de dificuldade fácil e com poucos desníveis: a altitude máxima é de 200 metros e a mínima de 175 metros. Estes percursos são aconselhados durante todo o ano, no entanto os dias de precipitação podem ser um impedimento à sua realização.
Em complemento destes dois itinerários que constituem o percurso da Rota das Casas Brasonadas do centro urbano de Guimarães, incluímos outros itinerários de menor escala e temáticos, a saber:
Casas Brasonadas numa rua de Elite Uma Casa, uma peça
Uma Casa, uma Instituição Uma Casa, um Jardim Três Casas, um Arcebispo
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Estes itinerários foram elaborados a partir do universo das casas incluídas nos dois principais itinerários da Rota. Contudo não abrangem mais que quatro casas, de forma a que possam ser mais facilmente utilizados em termos de distancia/tempo. Em alguns casos, incluem casas dos dois principais itinerários da Rota.
O ponto encontro para a realização dos dois principais itinerários (centro histórico e arrabaldes) localiza-se em pleno coração da cidade, no antigo claustro e demais dependências da Colegiada de Nossa Senhora da Oliveira, local onde hoje funciona o Museu de Alberto Sampaio (MAS)130. Além da merecida visita, serão dadas as informações necessárias para percorrer estes itinerários.
Quantos aos itinerários curtos e temáticos, estes poderão iniciar o percurso no MAS, com exceção do itinerário “Uma Casa, uma Instituição” e “Três Casas, um Arcebispo”, que terão como ponto de partida o Paço dos Duques de Bragança. Esta diferenciação deve-se ao fato do próprio Paço dos Duques integrar esses dois itinerários temáticos e o MAS se encontrar espacialmente distante destes percursos. Relembramos também o fato do Paço dos Duques e do MAS integrarem desde agosto de 2012 a mesma gestão diretiva131.
Fig. 28 – Museu de Alberto Sampaio (Foto da Autora)
130 Fundado pelo Decreto Lei nº 15209 de 17 de Março de 1928, sob iniciativa do prestigiado historiador vimaranense Alfredo
Guimarães. A abertura ao público ocorreu a 1 de Agosto de 1931.
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Volume I 4.3.3.1. Principais itinerários
Itinerário do Centro histórico de Guimarães:
Deixado o Museu, iniciamos o nosso percurso dirigindo-nos à primeira casa brasonada: a Casa dos Peixoto132. No caminho passamos pelo largo da Oliveira, uma escolha simbólica, pois foi em torno deste largo que nasceu a cidade de Guimarães. Aqui encontramos a Igreja de Nossa Senhora da Oliveira, local de visita obrigatória, inteiramente ligada à fidalguia vimaranense e do Reino. Aparecem aqui também representadas algumas das armas das famílias que se distinguiram na Batalha de Aljubarrota133 (ver fig.29).
Fig. 29 - Pinturas com motivos heráldicos, no travejamento do teto da Igreja de Nossa Senhora da Oliveira (DGEMN)
Defronte à Igreja está o Padrão do Salado134, comemorativo da Batalha do Salado travada em 1340, entre Cristãos e Mouros, junto da ribeira do Salado, na província de Cádis (sul de Espanha). Do lado Norte deste largo encontra-se o edifício dos antigos Paços do Concelho135.
132 Caso o utilizador por algum motivo (por exemplo, encerramento do museu, previamente ter adquirido dados para a utilização
do percurso) não passe pelo museu, poderá dirigir-se diretamente á primeira Casa da Rota.
133 Pinturas redescobertas aquando das obras de restauro efetuadas pela DGEMN. Sobre estas pinturas veja-se: FERROS, 1981. 134 “D. Afonso IV mandou erguer este alpendre gótico, para comemorar a Batalha do salado, em que as forças portuguesas,
conjuntamente com as castelhanas de Afonso XI, venceram o rei mouro de Granada e os Benimerines de Marrocos. No seu interior podemos admirar um riquíssimo cruzeiro em pedra calcária, executada em 1342, oferecido por Pero Esteves, negociante vimaranense residente em Lisboa” (AZEREDO, 2011: 44).
135 No século XX este edifício foi sede do Arquivo Municipal Alfredo Pimenta, Biblioteca da Fundação Calouste Gulbenkian, Museu
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Podemos ainda fazer uma pausa nas esplanadas existentes no largo da Oliveira e saborear o espaço e a gastronomia local.
Fig. 30 – Padrão do Salado e antigos Paços do Concelho (Foto da Autora)
Deixamos o largo da Oliveira e dirigimo-nos à rua de Santa Maria, a mais antiga da cidade; aqui encontramos várias casas brasonadas, a nº 28 da rua é uma casa que pertenceu à família Peixoto de Carvalho136, tendo sido ampliada no século XVIII, quando Gonçalo Peixoto de Carvalho comprou uma das casas com quintal junto às casas que já tinha, dando-lhe o aspeto que hoje tem. A casa tem assim características do século XVIII, altura das obras. O símbolo heráldico da família está colocado numa das esquinas do edifício.
Continuando a subir a rua de Santa Maria deparámo-nos com uma das casas mais características desta rua, conhecida como Casa do Arco, pois o passadiço que se sobrepõe à pitoresca rua assim o justifica. É a antiga Casa dos Cavaleiros, que os Almadas, da Casa da Azenha, adquiriram em princípios do século XIX, nela recebendo D. Miguel, então Infante. Atualmente pode-se dizer que este edifício é de estilo neoclássico, mas a antiguidade da casa é muito anterior a este período artístico. A Pedra de Armas, do século XIX, está colocada no
136 Sobre as Casas destacadas a negrito neste subcapítulo, vejam-se as respetivas fichas de inventário que incluímos no Volume II
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passadiço que une os dois lados da casa. Este símbolo heráldico encima a janela com varanda de ferro voltada para Norte.
Deixando a Casa do Arco para trás, passamos pelo antigo Convento de Santa Clara137, hoje edifício da Câmara Municipal de Guimarães. Mais à frente podemos saborear as típicas Tortas de Guimarães138, na Casa Costinha. Chegamos num instante à Casa de Francisco Duarte de
Meireles. A sua construção remonta ao segundo quartel do século XVIII. Foi pertença de
Francisco Duarte de Meireles, a quem foi concedido em 1737 as armas dos Braganças. Foi nesta casa que nasceu o arqueólogo e historiador Mário Cardoso em 1889.
Fig. 31 – Vista aérea do antigo convento de Santa Clara (CMG,2001)
Ao terminar esta rua chegamos à Casa dos Valadares de Carvalho, que foi pertença de Lucas Fernandes de Carvalho e de D. Benta Rosa Vieira Valadares. A carta de brasão de armas só foi passada em 1781, ao seu neto Tomás José de Carvalho Valadares Vieira. É uma casa do século XVIII com o valor de uma mansão urbana, tipo nortenho. Deixamos a rua de
137 Sobre a origem, evolução e extinção desta Instituição monástica feminina, veja-se FERNANDES; OLIVEIRA: 11-179. 138 Acerca desta doçaria conventual veja-se: FERNANDES, et al, 2012.
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Santa Maria, em direção ao largo Martins Sarmento, também conhecido de largo do Carmo, aqui temos a igreja do antigo Convento do Carmo139.
Fig. 32 – Vista aérea do largo Martins Sarmento (CMG, 2001)
Continuamos o nosso percurso para Norte em direção ao monte Latito, e passamos pela magnífica Casa do Carmo/ Casa dos Conde de Margaride. A sua construção remonta ao século XVIII; é uma casa armoriada com o brasão do Cardoso de Macedo (Condes de Margaride). A carta de brasão de armas foi passada a Domingos José de Cardoso Macedo, cavaleiro professo na ordem de Cristo, fidalgo de cota de armas e senhor da Casa de Margaride (Mesão Frio- Guimarães)140 e da Casa do Carmo.
Deixando esta Casa deparámo-nos com o monte Latito; aqui encontramos o imponente
Paço dos Duques de Bragança. Mandado construir pelo fundador da Casa de Bragança, D.
Afonso, conde de Barcelos, pouco depois de se tornar senhor da Vila de Guimarães. Edificado junto a um dos monumentos mais carregados de simbolismo da independência de Portugal, o Castelo de Guimarães e ao lado da Capela de S. Miguel, segundo a tradição, o local onde foi batizado o primeiro rei de Portugal.
139 Sobre esta Instituição monástica feminina veja-se: OLIVEIRA, 2003; OLIVEIRA, 2011A.
140 Casa recentemente classificada como Monumento de Interesse Público (Portaria n.º 740-FI/2012, Diário da República,2ª
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Fig. 33 – Vista aérea sobre o Monte Latito (CMG, 2001)
Nas proximidades destes monumentos encontramos o extinto Convento de Santo António dos Capuchos onde podemos visitar a Igreja, sacristia, claustro e o Museu, pertença da Santa Casa da Misericórdia.
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Prosseguimos o nosso caminho para o largo Martins Sarmento. Descemos este largo pelo lado direito, passamos pela casa do conceituado arqueólogo do século XIX, Martins Sarmento, e dirigimo-nos ao largo dos Laranjais, passando pela rua das Trinas.
Chegando ao Largo dos Laranjais, deparámo-nos com mais duas casas brasonadas. O primeiro exemplar data do século XVIII, a Casa dos Laranjais; é composta por dois corpos distintos, sendo um deles uma bela torre de dois andares, construída cerca de 1720. O Brasão (atualmente picado) está colocado na fachada Sul e é de 1720, pertença da família Barros de Faria. De frente a esta casa, no nº25, temos mais um edifício do século XVIII no qual a pedra de armas também se encontra picada141. Deixamos o largo dos Laranjais e seguimos pela rua João Lopes de Faria. Ai encontramos um magnífico exemplar do séc. XVIII, a Casa da família dos
Navarros de Andrade ou das Lamelas, hoje o Arquivo Municipal Alfredo Pimenta. Logo de
seguida e já na rua Gravador Molarinho, encontramos a singela Casa seiscentista da família
dos Valadares de Vasconcelos. Continuando a percorrer esta artéria encontramos a Casa do Morgado dos Almeidas; é uma casa do século XVII e pertenceu à família Carvalho e
Almeida. Ainda nesta rua temos a possibilidade de visitar a galeria de arte Gomes Alves e algumas lojas de artesanato. Deixamos a rua Gravador Molarinho e entramos na rua da Rainha, uma das artérias mais comerciais do centro histórico de Guimarães. Aqui temos a Casa dos
Lobo Machado, moradia nobre típica do século XVIII, com frontaria de estilo rococó. Este
edifício está classificado como Imóvel de Interesse Público e protegido pelo Decreto de lei nº 129/77, DR 226 de 28 de Setembro de 1977. Defronte à casa dos Lobo Machado temos a