5. RESULTADOS OBTIDOS COM O ESTUDO DE CASO
5.4. Rotas dos Ciclistas e o Sistema Cicloviário
5.4.2. Rotas dos Ciclistas e o Planejamento de Ciclo Rotas
Nesta seção, será estudada a relação entre as rotas reais dos ciclistas, com o planejamento do município em implementar rotas cicláveis. Primeiramente, serão apresentadas as Ciclo Rotas do Plano de Mobilidade Urbana do Rio Grande, as quais ainda não possuem previsão para serem executadas. Posteriormente, serão apresentadas as infraestruturas para ciclistas com previsão de implementação ainda no ano de 2018.
5.4.2.1. Planejamento de Ciclo Rotas: Plano de Mobilidade Urbana do Rio Grande
Em meio à crise na mobilidade urbana sofrida pelo município no ano de 2010, a prefeitura contratou, por meio de processo licitatório, o Arquiteto e Urbanista Edson Marchioro para a elaboração do Plano de Mobilidade Urbana, o qual foi apresentado para a população no ano de 2011, via audiência pública. O plano tem por objetivo a efetivação de um transporte coletivo sustentável, onde todos os modos de deslocamento tenham o seu lugar no meio urbano. Marchioro evidencia isto no seguinte trecho apresentado à população:
O novo conceito de mobilidade urbana determina a adoção de uma visão sistêmica sobre toda a movimentação de bens e de pessoas, envolvendo todos os modos e todos os elementos que produzem as necessidades de deslocamentos (RIO GRANDE, 2011, p. 01).
O PMURG abrange: o Programa Calçada Legal, o qual prioriza o pedestre na cidade; o Sistema Cicloviário, com o planejamento de rotas cicláveis na área urbana do município; a Troncalização do Transporte Coletivo Urbano e Industrial; o projeto arquitetônico das Estações Principais de Integração e; o Tratamento dos Pontos Críticos do Rio Grande, o qual modifica o sentido de diversas ruas estruturais da área
urbana, com a intenção de “enlaçar” todas as etapas do PMURG (RIO GRANDE, 2011).
Segundo Martins (2016), apesar das soluções sustentáveis do PMURG, as primeiras ações do Poder Público da época foram voltadas para os automóveis, como a alteração dos sentidos de diversas vias para a criação de binários. Foi realizada também, a qualificação de aproximadamente 3 quilômetros de ciclovia dos quase 27 previstos no PMURG, além da construção de 2 terminais de ônibus dos 6 projetados pela empresa.
Quanto às rotas para ciclistas, através de contagens volumétricas de bicicletas, da possibilidade de adequação dos trechos para a implantação das rotas cicláveis e da atratividade das vias próximas a áreas institucionais e bens do patrimônio histórico municipal, o PMURG sugere dois percursos distintos para o tráfego de bicicletas: a Ciclo Rota Via Orla e a Ciclo Rota Via Estação Central. Ambas as rotas têm início na Rua Roberto Socoowiski e terminam no Centro da cidade. Segundo Marchiro (2011), a proposta de duas rotas é devido às diferenças nas demandas por viagens de bicicletas e devido às distintas finalidades de cada tipo de deslocamento.
A Ciclo Rota Via Orla é indicada no PMURG para uma demanda de viagens para lazer. A rota é localizada ao norte do município, em áreas de orlas e de grande amplidão visual, composta por vias de tráfego moderado e baixa densidade urbana. O percurso possui um total de 12,3km de extensão, com cinco trechos distintos e diferentes tipos de vias cicláveis (RIO GRANDE, 2011).
A Ciclo Rota Via Estação Central é indicada no PMURG para uma demanda de viagens por motivos de trabalho. Localizada ao sul do município, a rota abrange áreas de maior densidade urbana e vias com elevadas velocidades de veículos. Além disso, possui trechos com muitos cruzamentos e trafego de veículos de moderado a alto. A rota apresenta 14,6km de extensão, tendo uma maior abrangência de zonas comerciais que a Ciclo Rota Orla.
Na Figura 54, através da sobreposição das Ciclo Rotas do PMURG com as rotas mais utilizadas pelos ciclistas participantes da pesquisa, percebe-se que muitos dos trechos das Ciclo Rotas coincidem com as principais rotas dos entrevistados. A Ciclo Rota Via Estação Central abrange 44% dos trechos percorridos pelos ciclistas, já a Ciclo Rota Orla, abrande 31%, sendo desses valores percentuais, 25% correspondente à Rua Roberto Socoowisk, a qual pertence a ambos percursos.
Cabe ressaltar que a ciclofaixa – Av. Pelotas, Av. Argentina, Av. Uruguai e Rua Dom Bosco – foi construída posteriormente à elaboração do PMURG, e, possivelmente, tenha atraído os ciclistas que trafegavam por outras rotas para estas vias, as quais não eram opções de rotas no estudo realizado para a elaboração do PMURG. Apesar disto, o segmento da Ciclo Rota Via Estação Central continua sendo
Figura 54 – Mapa da relação das vias mais utilizadas com as rotas do PMURG.
opção de rota para muitos ciclistas que se locomovem dos bairros periférico para o Centro da cidade.
Além disso, na Figura 54, percebe-se a necessidade dos ciclistas em utilizar as vias do Centro da cidade, local este onde estão concentrados grande parte do comércio e dos serviços do município. Apesar disso, o PMURG não prevê a implantação de ciclo rotas que permitam que os usuários acessem estes locais de destino.
5.4.2.2. Planejamento de Ciclo Rotas: Ciclofaixa 2018
Segundo reportagem do jornal local (RODRIGUES, 2018), a construção da ciclofaixa que dará continuidade na infraestrutura existente na Rua Dom Bosco e terminará seu percurso na Av. Dom Pedro II – conforme acordo firmado entre a Prefeitura Municipal do Rio Grande e o MPRS – está aguardando somente a liberação da primeira parcela do financiamento firmado com a Caixa Econômica Federal.
Através da sobreposição dos trechos correspondentes às rotas mais utilizadas pelos ciclistas entrevistados, com a ciclofaixa planejada, percebemos a pouca utilização dos trechos em que será implementada a nova infraestrutura pelos usuários participantes da pesquisa. Conforme a Figura 55, a ciclofaixa não chega a acessar os principais polos de atração de viagem localizados no Centro comercial de Rio Grande, ao contrário disto, a rota interliga os bairros periféricos da cidade, percorrendo a maior parte de sua extensão em unidades de uso misto e uso residencial.
Embora a ciclofaixa planejada pelo município não faça parte das principais linhas de desejo dos ciclistas, possivelmente muitos dos usuários que trafegam nas vias próximas a esta nova infraestrutura, passem a utilizar os locais com facilidades para bicicletas.