Outro pedido que recebo constantemente é: “Denilso, o que você sugere
que um aluno aprenda? Quais devem ser os tópicos iniciais? Enfim, por onde começar?”
Os especialistas em ensino de língua inglesa dizem que você deve se dedicar ao máximo ao aprendizado de sentenças completas comuns em situações que você certamente vivenciará. Além disto, deve ser capaz de expressar suas ideias de modo que as demais pessoas compreendam o que você quer dizer.
Isto não significa que você deve ter uma pronúncia perfeita, uma entonação parecida com a de um falante nativo da língua inglesa, etc. Também não significa que você deve saber tudo de regras gramaticais ou saber de cor palavras esquisitas e que ninguém sabe ou usa.
Para ter uma noção bem mais ampla sobre o que quero dizer aqui recomendo que você leia os livros: “Inglês na Ponta da Língua – método inovador para melhorar o seu vocabulário” e “Por que assim e não assado? O guia definitivo de collocations em inglês”. Através deles você compreenderá o que nós queremos dizer com aquisição e desenvolvimento de fluência e o que você deve dar mais atenção no seu aprendizado.
Mas e agora!? O que você deve aprender!? A que deve realmente dar atenção!?
De acordo com pesquisas mais recentes estipulou-se que alunos iniciantes devem saber muito mais expressões, collocations, sentenças prontas, uso de palavras frequentes na fala e na escrita. Não há a necessidade para alunos iniciantes saber de cor todas as regras
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gramaticais dos tempos verbais, da formação do plural, dos comparativos, lista de verbos irregulares e coisas assim.
O que todo aluno de nível básico precisa saber é expressões utilizadas em situações corriqueiras e saber como usá-las de modo natural quando tiver a oportunidade para isto.
Por isto minha primeira dica para você é que tenha em mãos livros como Fale tudo em inglês [Ed. Disal]
Como dizer tudo em inglês – Livro de Atividades [Ed. Campus/Elsevier]
Como dizer tudo em inglês [Ed. Campus/Elsevier]
Os dois primeiros livros são os indispensáveis. Você pode adquirir um e depois o outro. Neles você encontrará expressões [sentenças, frases completas, etc] e palavras usadas em uma variedade enorme de situações. Sem contar que tem ainda modelos de diálogos para você ouvir e praticar quando bem quiser.
Se você colocar em prática as dicas que dou neste ebook e tiver um dos livros mencionados acima, tenho certeza absoluta que seu inglês será outro no prazo de um ano ou um ano e meio. Tudo depende de você, claro!
Fora isto aí todo aluno iniciante precisa saber também como usar os principais modal verbs da língua inglesa: can, could, may, must, will,
should, would. Porém, saber os modal verbs não significa ter de saber
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Na verdade você tem de aprender a usar cada um deles de modo espontâneo e natural. Deve aprender em que situações são usados. Deve saber a ideia e intenção que cada um deles expressa. Em resumo, você de saber como eles são usados na prática e não na teoria! A pergunta chave é: "Em que situações do dia a dia usar um e outro?".
Outro tema essencial é o que chamamos de delexicalized verbs. Este nome esquisito refere-se àqueles verbos que possuem vários significados e usos em inglês. Os verbos mais comuns nesta categoria são: get, take,
do, make, look, give, have, keep, put.
Você deve saber o uso de cada um destes verbos, que expressões são formadas com eles, phrasal verbs, etc. Muito cuidado! Não basta pegar o dicionário e decorar tudo ou tentar decorar tudo. Você deve ir aprendendo naturalmente, aos poucos. Anote no seu Caderno de Vocabulário as expressões que for encontrando durante os estudos. Crie sentenças e outros exemplos para poder fixar o uso de cada um conforme for se encontrando com ele.
Há na lingual inglesa um grupo de palavras que é frequentemente utilizado na fala e na escrita. No entanto, muito curso de inglês deixa estas palavras de fora. Recomendo que você ao assistir a um programa de TV, ao ouvir uma música, ao ler um texto, etc veja como estas palavras especiais são usadas e anote-as em seu caderno. Elas são usadas quase que instintivamente por todos os falantes nativos da língua inglesa, logo preste atenção a elas: just, whatever, bit, actually, really, quite, slightly,
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Já elas são usadas com muita frequência em comunicações ao vivo e a cores dedique-se a elas.
Algumas expressões simples como you know, I mean ou palavras como
right, well, so, good, anyway são conhecidas como discourse markers. Ou
seja, são termos usados para organizar a fala e monitorar o progresso do que está sendo falado. Saiba como elas são usadas. Observe diálogos em filmes e seriados e veja como eles colocados em prática na fala. Aprenda a usá-los também. Certamente, seu inglês soará mais natural e espontâneo.
Os substantivos básicos também são essenciais. Para isto é bom ter a lista das 2000 palavras mais usadas da língua inglesa. Porém, não é para decorar a lista como de modo robótico. A ideia é saber as principais
collocations com os substantivos que estão nesta lista. Você deve aprender como estas palavras são usadas, expressões que formam, situações, etc. Não é decorar a lista e achar que está tudo bem!
Palavras como that, this, now, then, ago, away, front, side, back,
opposite of, here, there são importantes também. 'Away' e 'back' são
geralmente usadas em expressões com os tais delexicalized verbs mencionados acima e ainda com go e bring. Portanto, dedique-se a elas. Nestas horas é que vale ter um bom dicionário!
Já nos adjetivos é necessário saber os comuns hot, cold, good, bad, tall,
short, beautiful, ugly, nice, sad, happy, great, fine, lovely, etc é bom
saber também terrible, awful, horrible, brilliant, excellent, awesome. Todos eles são usados em collocations. Olho neles!
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Dos advérbios é bom saber os mais comuns: today, yesterday, tomorrow,
always, usually, never, rarely, seldom, etc. E ainda: eventually, recently, normally, generally, quickly, suddenly, totally, entirely, obviously, basically.
Finalmente, os verbos. Dedique-se ao que descrevem ações e eventos:
run, walk, give, leave, stop, help, feel, put, sit, listen, explain, enjoy, like, accept, fill, say, tell, send, write, read, catch, e outros que fazem parte da
lista de 2000 palavras mais usadas em inglês.
Tudo isto deve ser aprendido de modo natural e através daquilo que chamamos de chunks of language. Nada de explicações gramaticais, regras, termos técnicos e coisas assim. A gramática você aprende através do vocabulário. Isto quer dizer que você aprenderá a USAR o inglês como ele realmente é. Nada de ficar dissecando a língua como se você fosse um médico legista!
O aprendizado da gramática [regras e termos técnicos], de acordo com os especialistas, deve ser deixado para quando você já tiver capacidade para analisar gramaticalmente a língua. No começo você deve aprender a se comunicar e somente mais tarde é que deve ser capaz [isto se quiser] de entender a gramática propriamente dita.
Muitos professores e alunos não gostam disto. Acham que primeiro todos devem aprender a gramática, entender as regras e os termos técnicos e só depois aprender a se comunicar. Na verdade, deve ser o contrário!
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Afinal, na língua portuguesa você aprendeu a se comunicar e só depois a analisar tudo, não é mesmo?
Para encerrar quero acrescentar as informações de um dos mais importantes documentos linguísticos do mundo: Common European Framework of References for Languages [carinhosamente chamado de CEF].
Neste documento os linguistas declararam de forma bem clara quais devem ser os níveis de conhecimento que uma pessoa deve ter da língua. Para eles os níveis são: A1 [básico], A2 [pré-intermediário], B1 [intermediário], B2 [pós-intermediário] C1 [avançado], e C2 [proficiente]. Os linguistas estipularam também o que o aprendiz de uma língua [no
nosso caso, a língua inglesa] deve ser capaz de fazer em cada um destes
níveis. Minha sugestão é que você leia sobre isto e estipule um roteiro para ir caminhando nos seus estudos de inglês. Tendo uma noção do que os especialistas dizem e utilizar isto como roteiro é uma caminhada frutífera rumo aos seus objetivos.
A1 [básico]
Consegue compreender e usar expressões comuns no dia-a-dia e frases bem básicas com o objetivo de satisfazer as necessidades primárias da comunicação. Consegue se apresentar e também apresentar outras pessoas. Consegue fazer e responder perguntas pessoais tais como onde mora, falar sobre pessoas que conhece e sobre o que possui. Consegue interagir de modo bastante simples desde que a outra pessoa fale devagar e claramente.
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A2 [pré-intermediário]
Consegue compreender sentenças e expressões frequentemente relacionadas às áreas de importância primária (por exemplo, informações pessoais e familiares básicas, fazer compras, descrever a geografia local, falar sobre seu trabalho). Consegue se comunicar em tarefas simples e rotineiras desde que estas requeiram uma troca simples e direta de informações sobre assuntos rotineiros e conhecidos. Consegue descrever em termos simples, aspectos de sua formação (background), o ambiente em que vive, e assuntos nas áreas de necessidade primária e imediata. B1 [intermediário]
Consegue compreender os principais pontos em uma comunicação clara sobre assuntos de seu conhecimento normalmente encontrados na escola, trabalho, lazer, etc. Consegue lidar com a maioria das situações que possam surgir durante uma viagem ao país no qual o idioma é falado. Consegue produzir textos simples sobre temas que lhe sejam familiares ou de interesse pessoal. Consegue descrever experiências e eventos, sonhos, esperanças e ambições, bem como dar breves razões e explicações para suas opiniões e planos.
B2 [pós-intermediário]
Consegue compreender as principais ideias de textos complexos tanto de tópicos concretos quando abstratos, incluindo discussões técnicas na sua área de especialização. Consegue interagir com um grau de fluência e espontaneidade que torna possível a interação regular com os falantes nativos do idioma sem que haja tensão mental de cada participante do ato comunicativo. Consegue produzir textos claros e detalhados sobre uma variada gama de assuntos e consegue explicar o ponto de vista de um tópico oferecendo as vantagens e desvantagens de vários pontos.
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C1 [avançado]
Consegue compreender uma variada gama de textos mais longos e complexos, e reconhece o significado implícito dos textos. Consegue se expressar fluente e espontaneamente sem demonstrar claramente que está procurando as expressões que usa. Consegue usar o idioma de modo flexível e eficiente para fins sociais, acadêmicos e profissionais. Consegue produzir textos claros, bem estruturados e detalhados sobre temas complexos, demonstrando ter controle dos padrões organizacionais e estilísticos.
C2 [proficiente]
Consegue compreender com facilidade praticamente tudo o que ouve e lê. Consegue resumir informações de diferentes fontes faladas e escritas, é capaz de reconstruir argumentos e relatos de forma coerente. Consegue se expressar espontaneamente, de modo bastante fluente e preciso, identificando as entrelinhas do que é dito e escrito nas mais complexas situações.