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7. O PRODUTO: VIDEODOCUMENTÁRIO "A VIDA SEM TRILHA SONORA"

7.1 Defesa do produto

7.1.6 Roteiro simples

Produto: Videoducumentário

Título: A VIDA SEM TRILHA SONORA

Duração: Livre

Abertura com imagens que trazem sentido ao título. Lettering: A VIDA SEM TRILHA SONORA

Uma cascata de água e sua perca de som. Uma flor ao silêncio, e a natureza com som de pássaros. O silencioso movimento de carros e o barulho de um caminhão na pista.

TELA PRETA

Lettering: Com este videodocumentário, mostraremos como coisas simples do nosso dia a dia, podem não ser tão simples assim para algumas pessoas.

IMAGEM DA ELIANE ANTES DA APRESENTAÇÃO

Entrevista – Eliane: Este é o meu sinal (um aperto na bochecha direita). Meu nome é Eliane.

Entrevista – Lisiane: Oi, eu sou a Lisiane, eu sou a irmã da Eliane. Sou a irmã mais nova dela. Antigamente, quando ela era mais nova, e nós duas saíamos de ônibus, e eu ia falar com ela no ponto de ônibus, muitas vezes ela me dava tapas nas mãos Pra mim não falar com ela, porque as pessoas faziam bullying na época, riam, achavam engraçado ela estar falando comigo, faziam chacotas.

Já nos dias de hoje, melhorou muito né, já não tem tanto bullying em questão à Libras, mas ainda falta muito.

Entrevista – Eliane: As pessoas, homens e mulheres, riam, faziam piada dos surdos, como se fossemos bobos. Eles não entendem as libras, e dão risada. Desde criança, quando estávamos em grupo e falávamos em sinais, as pessoas já olhavam e riam. Fofoca não pode! Eu e minha irmã, sempre tivemos uma comunicação difícil. Antes,

eu batia na mão dela por vergonha das pessoas nos encarando e rindo da gente, mas elas não entendem os sinais.

As pessoas, homens, mulheres e os médicos do hospital só sabem falar com a boca, não sabem falar em sinais e eu não entendo. Eles precisam aprender a se comunicar em Libras pra eu entender.

No dentista, eles falam e eu não entendo. Como vou perguntar se meu dente está limpo, se tenho cáries? Se ele me chama para o consultório, precisa falar em sinais.

VÍDEO NO UPA

Entrevista – Eliane: Na época, quando eu Eliane engravidei, ia ao hospital mas ninguém falava Libras. Sendo surda, era muito difícil a comunicação. Para minha irmã era fácil, ela sabe falar em sinais e me ajudou. Estava sempre comigo, me levava de carro nas consultas, eles conversavam e ela falava tudo pra mim, era bom.

Se o médico não me entendia, então falava com a minha irmã, e ela traduzia tudo em sinais para mim, tudo sobre a gravidez e como seria meu parto. Sendo surda, eu não entenderia se estivesse sozinha.

Pra eu ir sozinha no hospital é difícil, eu não entendo. Pra quem fala é mais fácil, mas pra quem é surdo, é difícil se comunicar. No meu atendimento, o médico pedia para que chamasse minha irmã para ajudar. Durante o parto, um pano ficava entre mim e o médico, então, além de não ouvir, eu também não via o que acontecia. Minha irmã participou de todo o momento, ficou lá dentro comigo e traduzia tudo o que o médico dizia pra mim e tudo o que eu respondia pra ele. Foi muito bom!

Meu filho, Erick (sinal no queijo) não sabia os sinais, era difícil, ele não entendia. Com o tempo, fui ensinando de pouco em pouco, até aprender. Hoje ele gosta de falar em Libras. A Lisiane, tia dele, sempre ajudou, e ele ficava muito feliz, gostava muito de falar o português com a tia e em sinais comigo, é muito bom, fico feliz!

Entrevista – Lisiane: É, sempre foi muito difícil.

Muitas vezes eu preciso largar a minha casa, os meus filhos, pra poder correr com ela com médico, ou pra levar ela no banco fazer alguma coisa, por que sozinha ela não consegue.

Entrevista – Lisiane: Ela já foi, tentou se virar, e a médica ao invés de entender que ela estava ruim do estômago, a médica entendeu que ela falou que era café. É complicado!

Muitas vezes, algumas pessoas até se esforçam em entender, mas outras não fazem questão.

Ela fica triste por que ela quer ter a vida dela, ela quer andar com as próprias pernas, mas muitas vezes ela não consegue por isso, por não ter um intérprete naquele local. Por exemplo, a escola, eu tenho que estar sempre acompanhando o filho dela com matrícula, com professora, eu tenho que acompanhar ele nas atividades em casa, por que ela tem dificuldade, e por que o português é diferente do Libras

Entrevista – Eliane: E se a minha mãe morre? Ou meu pai morre? Como sou surda, não vou saber me comunicar, terei problemas, vou sofrer, não tenho trabalho, não vai ter ninguém para me ajudar, vou ficar triste e sem entender, por que as pessoas não sabem falar Libras, o português do ouvinte é diferente pra mim. Por isso as pessoas precisam aprender Libras, assim podem ajudar, eu pergunto, você responde e eu entendo para caminharmos juntos.

As pessoas precisam aprender os sinais desde pequenos, para que no futuro possam ensinar outras pessoas, e até se tornarem professores da língua e ajudar também. Nós somos todos iguais. Ouvintes e surdos são igualmente inteligentes. Os surdos são bobos? São menos inteligentes? Não! Nós somos iguais e isso é bom. As crianças surdas também são inteligentes, assim como as crianças ouvintes, isso é muito bom e bonito.

Aprender Libras é fácil, vamos aprender! De pouco em pouco se aprende. Não precisa ser uma aula profunda de início, mas aos poucos, com calma, vai aprendendo e conseguindo entender como é bom.

Entrevista – Lisiane: Todo local, uma loja, um banco, um mercado, deveria ter pelo um intérprete disponível, pelo menos um, sabe? Deveria de ser Lei isso. Não precisa todos falar, mas um, para que possa ter esse atendimento à eles. Como ela mesma disse, eles são normais, e eles são como eu ouvinte, não tem diferença porque ela é

normal, simplesmente ela não fala com a boca, ela fala com as mãos... mas ela tem coração... e sentimentos né.

Entrevista – Eliane: Abraços, amo vocês!

Lettering: Produção: Maria Eduarda Leithardt Costa; Edição: Bruno Boschi; Filmagem: Ane Beatriz Horst.

Lettering: “A VIDA SEM TRILHA SONORA – Um videodocumentário sobre a falta de acessibilidade para a Comunidade Surda de Foz do Iguaçu.”

Lettering: Videodocumentário apresentado como requisito parcial para obtenção de nota no Trabalho de Conclusão de Curso – TCC, da acadêmica Maria Eduarda Leithardt Costa.

7.1.7 Acessibilidade do documento

Não seria possível tratar de inclusão e acessibilidade durante todo o estudo e não inseri-lo no produto final deste estudo. Por isso, o videodocumentário conta uma janela de Libras durante as falas de Lisiane, que é ouvinte, para que todos os surdos se sintam inclusos neste processo e possam compreender o que está sendo dito. Há também legendas durante as falas de Eliane, como tradução as Libras, para que todos os ouvintes possam entender o material e compreender sua importância.

7.1.8 Edição

Para a edição do produto foi contratado o serviço de um editor especialista no software Adobe Premiere. O processo permitiu que o resultado final fosse o mais harmônico possível, com a finalidade e os detalhes necessários para seu

entendimento. “A montagem dá forma final a um filme cuja estrutura já vem definida, em detalhes, desde o período da escrita do roteiro” (Puccini, 2012, p. 94).

7.1.9 Divulgação

Para a divulgação do produto deste trabalho, a rede social Youtube será utilizada. A plataforma conta com mais de 1,8 bi de usuários por mês, utilizada para publicação de vídeos, e é a segunda mais acessada do mundo. A escolha por esta rede social se dá pela facilidade de busca por quem quer assistir o material, com um curto link de transmissão, que pode ser facilmente compartilhado entre os espectadores.

O matéria já está disponível na plataforma, e pode ser acessado através do link < https://www.youtube.com/watch?v=anGXdt0tKZk&t=2s >.

8 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A ideia deste trabalho surgiu após a identificação do problema: como um videodocumentário será capaz de retratar as dificuldades enfrentadas pela comunidade surda de Foz do Iguaçu, devido à falta de acessibilidade? Para isso, foram feitas pesquisas bibliográficas com foco nos surdos, sua origem, sua história, além dos processos de linguagem que enfrentaram, tanto para sua aceitação, quanto para um modelo ideal para sua comunicação. Além deste, foi abordado o assunto documentário, o que é e como produzi-lo, para responder nosso problema.

Para que pudéssemos obter resultados, foram aplicadas duas pesquisas, uma quantitativa e outra qualitativa. A pesquisa quantitativa, serviu para definirmos o perfil dos participantes, que se dividiram em dois grupos, um de surdos, com o intuito de saber suas experiências e interpretações sobre a acessibilidade no município, e com um grupo de ouvintes, onde pudemos traçar suas idades, profissões e entendimento sobre os conceitos de inclusão e acessibilidade. Já com a pesquisa qualitativa, foi possível tomar conhecimento sobre a história de três surdos, que vivem em Foz do Iguaçu e enfrentam dificuldades muito semelhantes entre si.

Analisadas estas situações e respondidos os questionamentos, temos os objetivos específicos todos respondidos, sendo eles, o impacto da falta de acessibilidade na vida de uma pessoa surda, a identificação de locais que oferecem atendimento ao público em Foz do Iguaçu, a comunicação com essas pessoas e o retrato dessas dificuldades na vida de um cidadão surdo no decorrer do processo.

Feito isso, cabe ao objetivo geral deste trabalho ser executado, sendo ele a criação de um produto que fosse capaz de retratar a realidade destas pessoas. Para a construção do videodocumentário, foram selecionadas duas irmãs, uma surda e outra ouvinte, para que juntas pudessem mostrar partes de suas vidas e as questões relacionadas a acessibilidade e a comunicação que dificultam seu dia a dia.

Com este trabalho buscou-se mostrar como a falta de acessibilidade e interpretes em locais públicos do município de Foz do Iguaçu podem afetar a vida de uma pessoa surda. O material serve para apresentar as necessidades que essas pessoas tem, além de ressaltar seu apelo a toda a comunidade, para que saibam se

comunicar e possam inclui-los em todos os processos, seja em hospitais, bancos, mercados, ou ambientes livres de lazer. A pertinência desta produção corresponde a própria missão do Jornalismo para com a sociedade, dando voz a quem não possui, evidenciando fatos e situações, além de denunciar situações de injustiça, para que sejam restauradas as normativas vigentes, garantindo a ordem e o bem-esta de todos.

Pensando não apenas em falar sobre um fato isolado, este trabalho tem o intuito de abranger toda a Comunidade Surda, levando suas perspectivas de vida ao “outro”, para que possam enfim analisar a situação com olhos de empatia, entendendo a necessidade de comunicação que todas as pessoas enquanto seres humanos possuem, além da inclusão entre todos, e o sentimento de acolhimento que um simples sinal pode trazer.

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