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5. Propostas de gestão e perspectivas

5.3. Roteiro turístico

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No seio deste projecto, desenvolveu-se um conjunto de percursos turísticos que compreendem a Paisagem Protegida da Serra do Açor e do Parque Natural da Serra da Estrela. Com este roteiro pretende-se a valorização destas áreas de socalcos, que se encontram nos últimos anos, muito distantes da realidade urbana, votados, cada vez mais, ao despovoamento e ao esquecimento.

A partir deste objectivo, foi perspectivado um percurso geral que liga Arganil, Oliveira do Hospital e Seia. Entre as sedes de concelho ligam-se uma série de locais no meio de vilas e aldeias, encontrando potencialidades patrimoniais, arquitectónicas, físicas, etnográficas, gastronómicas, entre muitas outras (fig. 70). Assim, pretende-se divulgar estas regiões serranas, incentivando o turista a percorrer estes caminhos e contribuindo assim para revitalizar estas regiões e dinamizar a economia local.

Fig. 72 - A população residente é cada vez mais idosa, Colcurinho.

Fig. 73 - Campos em socacos abandonados, ardidos em Julho de 2005, Torno. De facto, os incêndios têm constituído o agente mais agressivo na destruição das áreas de socalcos (fig. 73). Os impactes ambientais são elevados e a evolução das vertentes é condicionada. Não só os efeitos directos do fogo são prejudiciais, mas também aqueles que lhes são subsequentes fazem-se sentir por longos períodos de tempo. As áreas serranas do centro de Portugal têm sido particularmente afectadas por estes fenómenos, alterando por completo a paisagem, em grande parte agora preenchida por matos e espécies vegetais mais rentáveis economicamente.

Aos socalcos pouca atenção tem sido dada. Ano após ano a mancha de socalcos vai diminuindo e estas estruturas ancestrais vão sofrendo o abandono e a degradação que os poucos e envelhecidos habitantes serranos não conseguem inverter. Perante estas constatações, urge a sua preservação, que aqui sublinhamos, pela representatividade do património natural e cultural que estas estruturas constituem. A revitalização e preservação de algumas delas poderiam impelir o desenvolvimento turístico destas regiões, que assim se alheariam do anonimato a que têm sido votadas (fig. 74).

6. Considerações finais

A partir da investigação realizada nas bacias hidrográficas do rio Alvoco e da ribeira de Pomares foi possível analisar um conjunto de parâmetros que se encontram relacionados com a actual utilização dos socalcos agrícolas. O estudo realizado nos concelhos da área de estudo, quer através da análise cartográfica em gabinete, quer na confrontação do terreno, revelou um panorama em que a degradação avança, ao mesmo tempo que se perde a população e as actividades agrícolas (fig. 72). Como se constatou, fenómenos como a terciarização e o êxodo rural contribuíram grandemente para grandes mudanças na ocupação do solo. Com esta realidade, o estrato arbóreo avança sobre os campos agrícolas e estende-se a área de matos descuidados mais susceptíveis a incêndios florestais.

Só que, para que tal venha a suceder, os municípios envolvidos não poderão ficar à espera de que sejam os outros a resolver-lhe os problemas. Como muitos outros munícipios que já estão a transformar e a valorizar o seu património de socalcos, terão de deitar mãos à obra, pois, se assim o fizerem, ficarão para a história por terem transformado áreas votadas ao abandono em exemplos de sucesso (fig.s 75 e 76).

Caso contrário, ficarão também para a história, mas desta vez pela negativa, ou seja, por não terem sabido explorar as possibilidades de financiamento que o novo Quadro Comunitário de Apoio lhes oferece para a valorização desses espaços e, como tal, contribuirão consciente e decisivamente para a sua degradação. Se assim o fizerem, no futuro serão responsabilizados por isso.

É uma questão de opção.

Fig. 74 - Paisagem de socalcos preservada, Cabrizes.

Fig. 75 - Um bom exemplo de recuperação do património, Foz de Égua.

Fig. 76 - Muros de elevada qualidade construtiva, Portela do Arão.

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Indíce

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Introdução --- 3 1. Enquadramento geográfico --- 5 1.1. Caracterização física --- 5 1.2. Caracterização demográfica --- 6 2. Metodologia --- 7

3. Áreas-amostra e parcelas experimentais --- 9

3.1. Estrutura --- 10

3.2. Estado de conservação --- 13

3.3. Uso agrícola --- 15

3.4. Fisionomia vegetal --- 17

3.5. Condições meteorológicas locais --- 19

3.6. Erosão nos socalcos --- 21

4. Riscos naturais --- 23

4.1. Campos em socalcos e os incêndios florestais --- 23

4.2. Campos em socalcos e episódios pluviosos extremos --- 24

5. Propostas de gestão e perspectivas --- 27

5.1. Prevenção dos riscos naturais através da redução do risco de incêndio ---- 28

5.2. Preservação do património de socalcos --- 29

5.3. Roteiro turístico --- 30

Considerações finais --- 31

Projecto Terrisc

Recuperação de Paisagens de Socalcos e Prevenção de Riscos Naturais

Núcleo de Investigação Científica de Incêndios Florestais Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra

Aérodromo da Lousã, Chã do Freixo, 3200-395 Lousã Tel. 239 992 251 / Fax. 239 992 302

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Cimo da Ribeira

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