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6. Avaliação das Rotinas: Instrumentos

6.1. Routines Based Interview

O RBI inicia-se com a Routines Based Interview (RBInterview Anexo 2) elaborado com base em diversas visitas domiciliárias (McWilliam, 2003; 2010a; McWilliam, Casey & Sims, 2009). A RBInterview é um método informal e semiestruturado de recolha de informações sobre a criança e a rotina diária da família, permitindo aos pais ou cuidadores relatarem as tarefas e a forma como as crianças realizam essas tarefas no decurso das rotinas diárias, possibilitando aos técnicos orientar os pais na determinação e priorização dos objetivos (McWilliam, 2010a; McWilliam, Casey & Sims, 2009). Portanto, e segundo McWilliam (2003; 2010a) e Almeida e colaboradores (2011), a RBInterview é uma ferramenta que pode ser aplicada tanto no contexto familiar como na creche ou no jardim-de-infância. Percebe-se que a RBInterview tem um grande contributo no processo de recolha de dados fundamentais para construir a intervenção (McWilliam, 2010b; Almeida et al., 2011; Pereira, 2010; McWilliam et al., 2009), proporcionando o conhecimento do que cada membro da família faz e como o faz, ao longo das diferentes rotinas do dia-a-dia, apesar de que as rotinas da criança constituem o foco central da entrevista, de forma a analisar o seu nível de envolvimento, independência, autonomia e relações sociais (Pereira, 2010; Almeida et al., 2011). Segundo Pereira (2010), a entrevista permite, para além de conhecer o funcionamento da criança, auscultar também o nível de satisfação dos membros da

86 família, em cada rotina. Portanto, a RBInterview é o ponto de partida para a construção do PIAF (McWilliam, et al., 2012, cit in. Saraiva, 2014) e para além disso tem-se revelado útil para o estabelecimento de relações fortes com as famílias e para avaliar as verdadeiras necessidades da família (Boavida, Akers, McWilliam e Jung, 2015). No estudo de Boavida e colaboradores (2015) foram investigadas as propriedades psicométricas da Checklist RBInterview, realizada por 120 profissionais de IPI, os resultados indicaram que as pontuações obtidas na Checklist RBI eram confiáveis/fidedignas.

McWilliam (1992, cit in. Almeida et al., 2011) e Pereira (2010) mencionam que a

RBInterview se organiza em cinco fases:

(1) Preparação da família e do educador (se existir) para a entrevista – Pedir aos presentes que acompanham as rotinas da criança no seu dia-a-dia, que pensem como a criança funciona no seio dessas mesmas rotinas, devendo o profissional de IPI informar a família sobre o tema “rotinas”, disponibilizar formulários e apresentar locais possíveis para a realização da entrevista; (2) Implementação da RBInterview que se inicia com o relato por parte das famílias

sobre as suas rotinas e a seguir se a criança tiver um educador, este também participa na entrevista descrevendo as rotinas da criança na creche. Pode ser realizada por uma ou duas pessoas e o(s) entrevistador(es) apenas escuta(m) o(s) entrevistado(s);

(3) Seleção de objetivos pela família – é essencial apontar as preocupações da família porque podem ser objetivos importantes para uma futura intervenção; (4) Registo dos objetivos e estratégias pelos profissionais, segundo o input da

família – os objetivos que surgem da entrevista deverão ser funcionais, especificando uma necessidade sentida pela família ou pela criança em determinado contexto;

(5) Revisão nos meses subsequentes.

Durante o decorrer da entrevista existem seis questões que o profissional formula indiretamente:

(a) O que fazem todas as outras pessoas? (nas rotinas da família, isto refere-se a outros membros da família; nas rotinas da creche/jardim-de-infância, tem a ver com as outras crianças); (b) O que faz a criança?; (c) Como é o envolvimento da criança – como e quanto participa ela na rotina? (d) Como é a independência da criança –

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quanto pode a criança fazer por si mesma?; (e) Como são as suas relações sociais – como é que a criança comunica e se relaciona com os outros?; (f) 6. Quão satisfeito/a está o prestador de cuidados com a rotina? Esta é a grande questão e se o desejar, o entrevistador pode dispor de uma escala de pontuação para a satisfação com a rotina; o formulário da RBInterview tem um espaço para registar uma pontuação de um a cinco (Almeida et al., 2011, p.92).

Segundo McWilliam e colaboradores (2009) existem alguns indicadores de qualidade que os entrevistadores devem ter em conta durante a entrevista, sendo estes:

(a) Ouvir ativamente – o entrevistador nunca deve dar um “okay” como resposta; O entrevistador deve repetir o que o pai disse para demonstrar que percebeu o que ele expressou;

(b) Fazer perguntas de acompanhamento de forma profunda – O entrevistador deve de ajudar a “pintar o retrato” das rotinas e funcionamento da criança na rotina; Não deve ouvir a descrição do pai e seguidamente passar para a próxima pergunta;

(c) Continuar a conversa – A RBInterview é uma entrevista que não deve ter pausas, mas sim ser uma conversa fluída e natural mesmo quando o entrevistador estiver a escrever;

(d) Perguntas proactivas sobre o desenvolvimento da criança – O entrevistador deve fazer perguntas sobre o futuro, ou seja, o que é provável a criança fazer a seguir;

(e) “Perguntas inteligentes” - Revelar compreensão sobre o funcionamento da família;

(f) Comportamentos não-verbais – O entrevistador deve utilizar mensagens não- verbais para transmitir aceitação e interesse. Linguagem não-verbal transmite informalidade e simpatia mais fortemente do que a linguagem verbal;

(g) Meio social de rotinas – Perceber como a criança lida com outros adultos e colaboradores. A presença de outras pessoas pode afetar a forma como a rotina se desenvolve;

(h) Procurar opiniões e interpretações – Exemplo: perguntar porque a criança faz algo que o pai está a relatar e perguntar como o pai se sente sobre essa rotina;

88 (i) Saber gerir a conversa – O entrevistador tem de manter o controlo da conversa, saltar assuntos que não são importantes e tomar atenção a assuntos sobre os quais necessita de saber mais pormenores;

(j) Empatia - Estabelecer um vínculo com os pais é essencial;

McWilliam (2010b) refere que apesar das rotinas serem o ponto central da RBI nem todas as dificuldades da criança se manifestam nas rotinas do seu dia-a-dia, por isso mesmo este método de intervenção inicia com uma entrevista que tenta perceber logo em primeiro lugar quais as preocupações maiores da família e, de facto, as conversas sobre rotinas levam a muitas preocupações para além do que acontece nas mesmas. Segundo McWilliam (2010a) e McWilliam e colaboradores (2009) para a realização da

RBInterview seria ideal que os entrevistadores fossem treinados. No entanto, através

do uso regular deste protocolo, um profissional que tenha um conhecimento adequado sobre o desenvolvimento da criança, que esteja devidamente informado sobre a criança e a família e que tenha competências para que a realização da entrevista seja bem-sucedida, pode utilizá-la como instrumento de trabalho (McWilliam, et al., 2009).

6.1.1. Scale for the Assessment of Teachers’ Impressions of Routines and Engagement.

Segundo Clingenpeel e McWilliam (2003), a SATIRE (Anexo 3) é utilizada por profissionais que trabalham com educadores e com famílias procurando desenvolver planos de intervenção funcionais para crianças com necessidades especiais. Esta escala é para ser utilizada em conjunto com a RBInterview.

Os autores referem que após a recolha da informação, junto da educadora, acerca da forma como a criança funciona nas rotinas juntamente com informação fornecida pela família sobre as rotinas vividas em casa e na comunidade, os profissionais e as famílias obtêm uma visão mais completa das capacidades e necessidades da criança, a partir da qual se podem tomar decisões mais fundamentadas acerca da intervenção. Segundo os mesmos autores os objetivos e resultados conseguidos através desta avaliação são funcionais pois abordam competências que são úteis à criança para a resolução de múltiplas situações diárias e também são transdisciplinares, uma vez que podem ser abordados por diversos profissionais.

89 6.1.2. Families In Natural Environments Scale Of Service

Evaluation.

McWilliam (2000b) desenvolveu o questionário “Families In Natural Environments

Scale Of Service Evaluation” (FINESSE Anexo 4) que faz perguntas aos profissionais

para avaliar as suas práticas típicas e ideais para a prestação de serviços em intervenção precoce. A FINESSE foi desenvolvida com o objetivo de conceber um instrumento que avaliasse todas as dimensões referidas no RBI (McWilliam et al., 2007, cit in. Augusto, 2012). É um questionário de autoavaliação e apresenta quatro componentes de avaliação: primeiro contacto, planeamento da intervenção, funcionalidade e prestação de serviços (McWilliam, 2000b). Este questionário é composto por dezassete itens, avaliados numa escala de um a sete. É pedido ao profissional que, para todos os itens, sinalize qual a prática que se aproxima mais da que usa diariamente (típica) e qual a que se aproxima da que considera ideal (Augusto, 2012). Segundo McWilliam (2000b) a descrição associada à pontuação sete corresponde à prática recomendada, portanto quanto mais se aproxima da pontuação um, mais se afasta do recomendado. Segundo o autor a escala inclui, ainda, uma pergunta aberta sobre os fatores que contribuíram para as discrepâncias entre as práticas típicas e as práticas consideradas ideais.