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4. Ato III – A Realização Coreográfica

4.2 A Vivência DA e PARA a Escola Os Momentos Áureos do Enredo

4.2.1 RPDancers – O Regresso da Solista Pródiga

De acordo com a Lei de Bases do Sistema Educativo, artigo 51º, ponto 5, “O desporto escolar visa especificamente a promoção da saúde e condição física, a aquisição de hábitos e condutas motoras e o entendimento do desporto como fator de cultura, estimulando sentimentos de solidariedade, cooperação, autonomia e criatividade, devendo ser fomentada a sua gestão pelos estudantes praticantes, salvaguardando-se a orientação por profissionais qualificados” (p. 5136).

Se há exemplo de grupo no qual o Eu não existe, dando sempre lugar ao

Nós é o Grupo de Desporto Escolar de ARE da escola cooperante, os

RPDancers. Tendo eu pertencido a este grupo ainda na sua terceira edição, no ano de 2006/2007, sendo um elemento dos primeiros grupos-equipa que se afiguraram em campeonatos regionais, distritais ou até nacionais da modalidade naquela escola, os “Foundations”, tal como nos denominava o professor responsável pelo grupo. Foi nostálgico o regresso e causador de um sentimento verdadeiro de amor. A minha relação de amizade com o “Profinho” que havia vislumbrado em mim potencial ainda no alcance da minha maioridade, o porto de abrigo que estes treinos e ensaios seriam numa prática pedagógica em improviso, sem planificações prévias e o meu spotlight lecionando a

minha paixão, a Dança, constituíram um marco enorme neste

meu percurso como EE. Era a minha vez de proporcionar experiências únicas que eu própria havia vivido no seio deste grupo, de fazer aqueles jovens compreenderem o verdadeiro sentido da união que uma equipa de DE proporciona.

Dividido em dois escalões, Iniciados e Avançados, este grupo adquiriu, nos últimos anos, uma dimensão sem precedentes para uma equipa de DE na escola: tetra-regionais e tricampeões nacionais, pelo que a responsabilidade de perpetuar um bom trabalho passava muito pela demonstração de competência e capacidade de trabalho conjunto.

O primeiro dia de treinos foi marcado pelos sorrisos, novidades a relatar das férias de Verão pelos que já faziam parte do projeto e, também, pela minha

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apresentação ao grupo por parte do professor responsável, não como professora estagiária, mas como o seu par durante todo o ano letivo. Foi-me solicitada a introdução à ativação geral específica da Dança como forma de adaptação dos alunos à minha atuação e vice-versa; hábito esse que se repetiu nos vários meses que se seguiram, incluindo treino da flexibilidade e condição física especificamente direcionada para a coreografia em construção.

Todas as escolas que incluam nas suas atividades um grupo-equipa de ARE de DE necessitam de prestar provas em 3 encontros locais para serem apurados para os encontros regionais e, desses, para os nacionais. Este ano houve ainda um primeiro encontro de abertura, que visava não só a competição, mas o convívio entre todos os grupos através de masterclasses ministradas por professores responsáveis pelos grupos-equipa das várias escolas participantes, evento este que contou com a presença da nossa escola e a minha, em particular, como responsável do grupo. O extrato de reflexão seguinte é ilustrativo da dicotomia de papéis, aluno-professor, por mim sentidos nesse dia:

“Tenho de admitir que foi uma experiência maravilhosa. Acompanhar ‘meninos’ e ‘meninas’ em atividades fora da escola, estando eu responsável por eles, foi uma troca de papéis/funções que estranhei, nos seus primeiros momentos: era eu que tinha de decidir, assegurar-me que levava exatamente os mesmos que trazia, que não haveria lixo espalhado ou maus comportamentos que pusessem em causa a imagem da escola... Tudo isto ao princípio foi estranho, mas com a chegada à escola [destinada ao encontro] e começando precisamente com a reunião de responsáveis de Desporto Escolar, foi passível de adaptar na minha mente”. (Reflexão do Encontro de Abertura ARE, 7 Dez 2013)

Tive, também, eu e os meus colegas de NE, o privilégio de estar na organização do III Encontro Local ARE que ocorreu precisamente na nossa escola, no dia 29 de março de 2014. Sempre sob o comando do professor responsável pelo grupo-equipa ARE, perito em organização de espetáculos e eventos artísticos, a responsabilidade revelava-se acrescida, porque, como nos foi relatado pelo mesmo docente, na reunião inicial de DE relativa à estrutura dos encontros “ficou logo declarado pelos responsáveis do DE que o III Encontro iria ser na nossa escola devido à qualidade de organização

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demonstrada em anos anteriores”. A pressão era grande e a nossa vontade de superar as expectativas revelava-se ainda maior. Após um ofício a solicitar material, foi a vez de dividirmos tarefas e ficarmos cada um responsável por uma parte em específico do evento: a mim coube-me a tarefa de auxiliar o disc jockey com a colocação das faixas à medida que os grupos de dança se prontificavam no espaço reservado para a competição.

Contudo, no dia anterior e após o evento competitivo, a preparação do pavilhão para a receção dos grupos e a arrumação de todo o material, respetivamente, desvelou uma capacidade de transformar o espaço destinado num verdadeiro palco: linóleo, verdes, lembranças para todos os grupos, um stand com artigos publicitários da escola e, até, uma esquematização do pavilhão para guiar os grupos perspetivava uma organização para ficar na memória. Mas o que mais cativou a minha atenção foi o esforço conjunto dos estagiários da FADEUP, do pessoal docente e não-docente e da turma de 10º ano do curso de Apoio à Gestão Desportiva para que tudo corresse, efetivamente, bem. Não estava em questão apenas o cumprimento de uma tarefa… Foi uma demonstração genuína de carinho pela escola e pelo Desporto em si. O ambiente era tão agradável que o retorno do pavilhão à sua forma original foi feito com música preparada pelo nosso DJ do evento, onde a boa disposição e passos de dança individuais e até entre membros foram uma constante.

Apurados os dois escalões para os Campeonatos Regionais realizados no passado dia 3 de maio, rumamos a Vila Real. Como já era habitual, algum tempo da viagem era passado com pedidos de várias alunas para que eu as auxiliasse com a maquiagem. Até nestes pequenos gestos eu conseguia sentir

gratidão… Conseguia experienciar um sentimento de confiança total destes

jovens em mim, refletindo-se na segurança que sentiam quando passava um lápis nos seus olhos ou uma esponja nas suas faces… era um comprometimento de que todos queríamos o melhor para o grupo, nem que isso recaísse numa melhor caracterização.

Com a novidade de que, este ano, apenas o primeiro classificado dos Regionais seria apurado para os Nacionais, instaurou-se um misto de

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desalento e desportivismo quando se ouviram os resultados: 3º lugar para os Iniciados e 2º para os Avançados. Foi a vez de demonstrarmos que o importante é participar e honrar a camisola que vestimos em detrimento dos prémios e classificações. Todavia, foi uma grande surpresa quando recebemos a notícia de que o grupo dos Avançados também fora, afinal, apurado para os campeonatos a nível nacional, em Lisboa, alcançando um esplêndido 2º lugar.

Além de todos este momentos, as conversas e opiniões trocadas com o professor responsável, que me conhecia desde os meus 17 anos, foram das maiores aprendizagens que consegui obter neste EP:

“ (…) O professor explicou-me que ser professor de dança também tem que ver com a parte humana que, com esta experiência a lecionar aulas de Educação Física, sentirei progressos. Existem imensos aspetos que transporão as barreiras do contexto escolar e poderão ser aplicados em todas as aulas que lecionarei ao longo da minha vida. Existe, também, o facto de eu não poder sentir-me frustrada por ser, por vezes, a única a dedicar-me a 100% a um projeto. Nem todos nos dedicamos ao mesmo da mesma forma, e eu terei de deixar de ser tão exigente com os outros como são comigo. Disse, inclusivamente, que ‘compreendo a tua frustração, mas não podes ser tão pura’”. (Diário de Bordo, 8 Nov. 2013)

Se eu pudesse fazer um rewind e voltar a viver tudo, fá-lo-ia sem hesitações. Silva et al. (2012, p. 39) afirmam que “o movimento vivenciado ao dançar gera informações que reforçam a ideia de orientação psicodinâmica, que predomina no movimento inconsciente beneficiando a pessoa no entendimento das emoções (…)”. De facto, a Dança permite a expressão dos sentimentos de uma forma única e, com este grupo, a experiência do coletivo através desta área fez-me compreender ainda mais a essência do Ser Humano. Através da Dança sinto que a compreensão mútua foi uma permanente neste ano e que se propagará para os próximos que dele fizerem parte.

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