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3.2 Síndrome de Burnout

3.2.1 Síndrome de Burnout no Brasil

A síndrome de burnout no Brasil, conforme apresenta Benevides-Pereira (2003), teve sua primeira publicação no ano de 1987 pelo médico cardiologista Hudson Hubner França, na Revista Brasileira de Medicina, o qual discorre sobre burnout. O primeiro livro sobre burnout no idioma português foi uma obra de Maslach e Leiter no ano de 1999, sendo estes autores renomados no assunto. No mesmo ano, Codo coordena um livro que retrata um estudo sobre a síndrome de burnout em professores da rede pública de ensino, com base em extensa pesquisa realizada a nível nacional. Além disso, Garcia e Benevides-Pereira (2003, p. 76) retratam que a síndrome de burnout “apesar de divulgada desde a década de 70, é pouco conhecida no Brasil sendo que são poucos os trabalhos realizados em nosso país”. A maior parte dos autores que são utilizados como referência nas pesquisas encontradas são americanos e europeus, tais como: Gil-Monte, Peiró (1997), Maslach e Leiter (199) e Esteve (1999).

De acordo com Benevides-Pereira (2010, p. 16), “no Brasil, a Lei nº. 3048/99 reconhece a síndrome de esgotamento profissional como doença de trabalho, síndrome esta entendida como sensação de estar acabado”. Infelizmente, os estudos sobre burnout no Brasil, ainda são escassos e poucos são os profissionais que tem conhecimento sobre esta síndrome. Dessa forma,

o sentimento de “vazio” acerca do tema, impulsionou uma professora do Departamento de Psicologia da Universidade Estadual de Maringá a pesquisar e dedicar-se com mais afinco sobre

burnout, no ano de 1995, influenciada por sua tese de doutorado.

Ainda, conforme retrata Benevides-Pereira (2010), a partir de 1997 um grupo de professores, psicólogas e estudantes de psicologia da mesma Universidade citada acima, resolveram formar o NEPASB – Núcleo de Estudos e Pesquisas avançadas sobre a Síndrome de Burnout, que mais tarde teve seu nome alterado para GEPEB – Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Estresse e Burnout. Este grupo se formou com o intuito de investigar e estudar mais profundamente sobre estresse e burnout, bem como entrar em contato com outros profissionais de diversas instituições que tivessem interesse especifico sobre este assunto. Segundo Benevides-Pereira (2010), ao retratar sobre grupos de pesquisa e estudos sobre burnout e estresse no trabalho, é de suma importância que se destaque os trabalhos pioneiros de grupos de pesquisadores liderados por Marilda Lipp na cidade de Campinas, a qual apresenta estudos significativos sobre estresse e o de Wanderley Codo, que descreve sobre burnout em professores.

Além disso, os níveis da síndrome de burnout são diferentes de uma cultura para a outra. E conforme afirma Maslach, Jackson e Leiter (1996 apud Benevides-Pereira, 2010), as investigações realizadas em diferentes países tem apresentado resultados diversos, o qual indicam que existem variações não somente na cultura, mas também nas categorias profissionais e características referente ao trabalho. Logo, acaba por deixar claro que há necessidade de estudos específicos para cada população.

As autoras Mary Sandra Carlotto e Sheila Gonçalves Câmara desenvolveram um estudo no ano de 2008, que teve como objetivo analisar a produção cientifica sobre a síndrome de

burnout no Brasil. A busca bibliográfica foi realizada em março de 2007 nas bases de dados

eletrônicas da BVS, IndexPsi e Pepsic, o qual não foi estabelecido um período, em função da síndrome ser um fenômeno recente no Brasil. A busca na base de dados possibilitou encontrar 40 artigos utilizando as palavras-chave: síndrome de burnout, burnout e síndrome do esgotamento profissional. Assim, todos os artigos foram analisados e alguns foram excluídos por não caracterizar o tema e utilizar o termo como sinônimo de estresse, bem como aqueles que publicados em revistas brasileiras, mas como autores e populações estrangeiras. A partir deste filtro, foram levantados 28 artigos, sendo em sua maioria relatos de pesquisa (CARLOTTO E CÂMARA, 2008)

Seguindo sobre o estudo de Carlotto e Câmara (2008), as autoras verificaram que a maior concentração dos relatos de pesquisa foram as realizadas em profissionais da saúde,

seguida dos professores, estudantes, bombeiros, policiais e servidores públicos. Além disso, a maior parte das publicações estão localizadas em revistas da área de psicologia e em menor concentração em áreas afins. E no que tange ao período de publicação, as autoras contataram que a primeira publicação foi em 1999 e os anos de 2002 e 2005 são os que tem um maior número de trabalhos. Dessa forma, as autoras pontuam que:

Somente o avanço da ciência nesse campo, que envolve mais que a manifestação de uma doença ocupacional, refletindo-se em um contexto mais amplo, de relações de trabalho, saúde e produção, pode conferir a credibilidade para que se possa, em um futuro próximo, influir sobre as políticas públicas de trabalho no plano nacional. (CARLOTTO E CÂMARA, 2008, p. 157)

Portanto, a síndrome de burnout está relacionada ao esgotamento profissional e todos os indivíduos estão sujeitos a apresentarem os seus sintomas. Vale ressaltar que o trabalho é de grande relevância para o ser humano, pois além de ser fonte de sobrevivência é também um dos meios para se alcançar a almejada realização profissional e pessoal. Assim, a gestão eficiente e eficaz do ambiente de trabalho e do capital humano nas organizações, é de suma importância para que se tenha sinergia entre todos os envolvidos. Pois, uma vez que um indivíduo apresente os sintomas da síndrome de burnout, não é somente a sua qualidade de vida que será prejudicada, mas a de todos àqueles que estão a sua volta.

4 METODOLOGIA

Neste capítulo é apresentado os métodos que foram utilizados para a elaboração da pesquisa. Sendo assim, se apresenta a classificação da pesquisa, sujeitos da pesquisa e universo amostral, coleta de dados e a análise e interpretação dos dados.

4.1 Classificação da Pesquisa

Na percepção de Zamberlan et al. (2014) a classificação da pesquisa é baseada de nas suas principais características em relação: à natureza, aos níveis ou objetivos, segundo os procedimentos técnicos, meios e estratégias de pesquisa.

Quanto à natureza da pesquisa, a mesma se divide em básica e aplicada. Assim, este estudo se caracteriza como uma pesquisa aplicada, pois visa gerar conhecimento específico sobre a síndrome de burnout, a fim de buscar a aplicação direta dos resultados obtidos a partir da amostra de trabalhadores estudantes do ensino superior. Conforme retrata Gil (1999, p. 43), a pesquisa aplicada “apresenta muitos pontos de contato com a pesquisa pura, pois depende de suas descobertas e se enriquece com o seu desenvolvimento; todavia, tem como característica fundamental o interesse na aplicação, utilização e consequências práticas dos conhecimentos”. Em relação à abordagem da pesquisa, está se divide em quantitativa e qualitativa, no qual este estudo se caracteriza das duas formas. Como quantitativa, pois os dados foram coletados através de respostas caracterizadas pelo tipo de escala Likert de 7 pontos, passando por análise estatística e posteriormente sendo apresentadas em tabelas e gráficos, fornecendo informações mais concretas e objetivas. E como qualitativa, pois os dados também foram obtidos através de uma pergunta aberta, com uma compreensão mais subjetiva e complexa, sendo estas informações confrontadas com os dados quantitativos. Dessa forma, segundo Zamberlan et al. (2014), a pesquisa quantitativa considera que tudo pode ser quantificável, sendo possível traduzir através dos números, opiniões e informações, podendo assim realizar a classificação e análise das mesmas. E a pesquisa qualitativa, defende que há uma relação dinâmica entre o mundo real e o sujeito, ou seja, se tem uma ligação intrínseca entre o mundo objetivo e a subjetividade do sujeito, no qual não pode ser explicado em números. Além disso, os dados foram coletados de forma quantitativa e discutidos de forma qualitativa.

Quanto aos objetivos da pesquisa, está é composta por três tipos: exploratória, descritiva e explicativa. Este estudo se classificada como uma pesquisa descritiva, pois descreve e analisa os fenômenos da realidade que foi estudada, no qual buscou-se descrever as características dos

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