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PARTE II – TRABALHO DE CAMPO

CAPÍTULO 7 – CONCLUSÕES E PROPOSTAS

7.1 SÍNTESE CONCLUSIVA

Após a elaboração de um trabalho de campo desta natureza, redigir conclusões é fundamental para sintetizar as principais ideias emergentes da pesquisa efectuada.

Sendo esta síntese de enorme responsabilidade, é importante referir que, acerca do padrão de consumo de álcool, de tabaco e de café por parte dos militares da GNR, não se têm realizado muitos trabalhos de âmbito académico.

A análise de bibliografia relacionada com a temática e a análise documental, sobretudo o relatório de actividades do Serviço de Psiquiatria/Psicologia do Centro Clínico da GNR, constituiu-se um bom ponto de partida para a realização deste trabalho que teve como principal finalidade o estudo do padrão e hábitos de consumo dos militares da GNR, de álcool, de tabaco e de café, numa perspectiva de tentar apurar quais os factores de implantação e estabelecer possíveis consequências do consumo exagerado das referidas substâncias. Nunca se procurou com este trabalho apurar se existe alcoolismo na GNR ou qualquer tipo de doença relacionada com o consumo exagerado de tabaco e café sendo que, esse âmbito, compete ao Centro Clínico.

Considerando os resultados obtidos parece criar-se um raciocino lógico de que a maioria dos militares têm por hábito consumir bebidas alcoólicas a todas ou quase todas as refeições, tal como o café pois, consideram ambos como complementos da refeição, apesar do consumo de café, juntamente com o consumo do tabaco, aparecerem a qualquer período do dia, com especial relevância para os patrulhamentos nocturnos. O consumo a quase todas as refeições, de álcool, sobretudo de vinho e cerveja, acontece quer em serviço quer fora dele, o que dá forma à ideia de que o consumo não se dá devido à fácil acessibilidade e baixos preços praticados nos bares da GNR.

Parecem também surgir momentos em que o consumo de álcool aumenta, sendo também diferentes as bebidas consumidas. Esses momentos são os fins-de-semana, em

Capítulo 7 – Conclusões e Propostas

saídas nocturnas, quando os militares se encontram fora de serviço e as bebidas consumidas são as destiladas, Whisky, vodka, etc.. Já o consumo de tabaco e café é constante durante todos os dias.

Sendo este padrão - consumo de bebidas alcoólicas e de café - considerado moderado, surge associado a este cenário o que levaria um militar a consumir exageradamente bebidas alcoólicas. Apesar de se apurar que o consumo de tabaco é elevado, os motivos principais que levam ao exagero no consumo são semelhantes para as três substâncias.

O consumo de álcool parece variar segundo o género, apesar de relativamente ao consumo de tabaco e de café tal não se verificar. A H1 é então parcialmente validada. A H2 é também parcialmente validada, pelo facto de o consumo de álcool e tabaco variar segundo a idade, mas o consumo de café não. A fase de integração na instituição pode ser motivo para se alterarem ou iniciarem práticas de consumo de certas substâncias aditivas. Neste caso, transparece a ideia que a H3 é parcialmente validade pois o aumento de consumo nesta fase dá-se apenas relativamente ao tabaco. A H4 é refutada pois as transferências de locais de trabalho parecem não estar na base do aumento do consumo destas substâncias. O motivo principal que surge para o aumento do consumo de substâncias aditivas, como é o caso do álcool, do tabaco e do café é a pressão inerente ao serviço. É a H5, portanto, totalmente validada. Apesar de, na fase de integração não se parecer dar o aumento do consumo destas substâncias pode este surgir com a primeira colocação, após o termo do curso de formação e provável afastamento da família. A H6 é assim parcialmente validada pelo que, transparece que só o consumo de álcool é que aumenta com o afastamento das famílias. Uma das ideias chave retiradas dos hábitos de consumo dos militares é que o consumo de substâncias aditivas, principalmente as estimulantes do SNC aumenta no decurso do patrulhamento nocturno. Contudo a H7 é só parcialmente validada pois durante o patrulhamento nocturno dá-se o aumento do consumo de tabaco e de café, o que não acontece com o consumo de álcool. A H8 pode-se considerar parcialmente validada pois o consumo de álcool aumenta durante as horas fora de serviço; apesar de o padrão habitual de consumo ser beber às refeições, os militares aproveitam os dias de folga para saírem à noite e consumirem mais um pouco que o habitual. O consumo de tabaco e de café não se altera por este motivo, sendo que o principal condicionante do aumento do consumo de tabaco e de café já foi atrás referido, o serviço nocturno.

Pode-se então resumir que, das hipóteses práticas lançadas, apenas uma foi totalmente refutada sendo as outras parcial ou totalmente validadas. Constata-se também que estas hipóteses parcial ou totalmente validadas permitem retirar uma conclusão elucidativa dos motivos diversificados que estão na base do consumo de álcool.

Importante referir que, na base da implantação do consumo destas substâncias, estão portanto, motivos de ordem profissional sobretudo, entre os quais se destacam: a pressão

Capítulo 7 – Conclusões e Propostas

inerente ao serviço, o afastamento das famílias em virtude da colocação que os militares têm e o facto de efectuarem serviço durante o período nocturno. Podem-se apurar também alguns de natureza pessoal que são as perturbações das relações familiares e os hábitos culturais/tradições.

Não sendo exagerado o consumo destas substâncias aditivas, não deixam de requerer especial atenção devido às consequências que podem advir de um possível excesso, ainda que pequeno. O consumo de café transparece como aquele mais rotineiro e habitual e pode provocar consequências no indivíduo sobretudo a nível psicológico, destacando-se as dores de cabeça, irritabilidade e insónias. Estes sintomas podem ser prejudiciais para a actividade policial, na medida que podem afectar a ponderação e bom senso do militar, fundamental para desenvolver a sua actividade correctamente. Contudo, o seu consumo moderado contribui para estimular a vigília fundamental nesta profissão por isso é que é amplamente consumido durante as horas de serviço nocturno.

Relativamente às consequências do consumo excessivo de tabaco, estas são sobretudo patológicas, associadas também à dependência regular. Doenças como infecções pulmonares, tromboses e bronquites podem surgir, o que é prejudicial para o desenrolar normal da actividade operacional da GNR.

Em termos de consequências, o consumo de álcool é aquele que mais contribui para um deficitário desempenho da actividade operacional. As consequências podem ser de várias ordens. Em primeira instância, o consumo exagerado de álcool provoca doenças do foro físico e psíquico. Com os excessos de álcool, surgem muitas vezes problemas familiares e laborais, consequências estas gravíssimas para o perfeito desempenho da actividade policial.

É necessário então continuar a apostar na prevenção e controlo do abuso, sobretudo do álcool, para que a missão da GNR não saia prejudicada pelo consumo desta substância aditiva.

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