5.1 MATEMÁTICOS DO IMPA
5.1.2 Síntese das entrevistas
Matemático Alfa
Alfa fez engenharia na graduação, mas, no mesmo período, cursou as disciplinas de mestrado no IMPA por incentivo de colegas. Alfa diz ter interesse por física e aplicações, por isso procurou o IMPA para aprender matemática: para entender melhor a física. Entretanto, como ele mesmo diz, ele se apaixonou pelo IMPA, pela instituição e decidiu seguir carreira.
Para Alfa, a “matemática é maravilhosa” e isso se deve aos desafios que ela apresenta e também é um instrumento para se entender física. A matemática é parte integrante e fundamental do pensamento científico, pois influencia as ciências, físicas, biológicas e engenharias. Matemática é, ainda, uma necessidade nas telecomunicações, na telemática e na computação; mais ainda, esses campos também trazem problemas matemáticos importantes. Alfa afirmou, diversas vezes, que matemática serve para resolver problemas, dando origem a um ciclo:
“Um aspecto que eu acho fundamental na matemática, e que
para resolver problemas, mas muitas vezes os problemas geram questões matemáticas, que, por sua vez, vão gerar novos problemas de aplicações”.
Segundo Alfa, o reconhecimento internacional do IMPA se deve ao renome dos trabalhos realizados lá e aos órgãos de fomento, que possibilitaram o intercâmbio entre pesquisadores; além disso, o IMPA sempre primou pela qualidade de seus alunos.22 Para Alfa, o interesse principal do instituto é a pesquisa; o ensino,
considerado uma atividade importante, é “[...] uma parte colocada dentro do contexto
de pesquisa”.
Alfa diz que a relação orientador-orientando deve ser de cooperação. A metodologia que usa na orientação de doutorado compõe-se de três etapas: preparação (estudar um problema), seleção (colocar o aluno defronte ao problema) e redação (escrever e formular resultados sobre o problema). Alfa afirma ainda que a segunda fase – seleção – está, na maioria das vezes, ligada aos assuntos que ele está pesquisando no momento.
Um bom professor, para Alfa, é aquele que consegue expressar-se bem e fazer uma boa apresentação – ser um bom expositor. Para melhorar o ensino nos outros níveis, Alfa acha que se deveria valorizar a matemática como ciência e o ensino da matemática como um todo, bem como a beleza da matemática como uma arte, como ciência e suas aplicações, além de motivar as novas gerações a gostar de matemática.
Matemático Beta
Beta iniciou sua carreira como engenheiro. Seu interesse pela matemática era para poder aprender física. Por intermédio de um colega, foi para o IMPA onde, segundo ele, encontrou um ambiente próprio para se fazer matemática.
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dedicação e tenacidade, pois é um trabalho solitário. Além disso, precisa saber aceitar os fracassos. Para Beta, cada matemático carrega um monte de influências. Matemática, em sua opinião, é uma forma de arte, como poesia e música, que está ligada à ciência e à tecnologia. Para se fazer matemática, é preciso uma biblioteca, lápis, papel e pessoas com quem conversar e, para se resolver um problema, dedicação, tempo, treino adequado e orientação.
Para Beta, o reconhecimento do IMPA se deve ao grupo inicial do instituto, em especial aos matemáticos Maurício Peixoto e Leopoldo Nachbin, pois conseguiram, juntamente com outros matemáticos, criar um ambiente onde a pesquisa em matemática fosse o mais importante, pois “[...] não é importante saber matemática,
não é importante ter cultura; o importante é fazer, quase que exagerando um pouco”.
Beta destaca também o papel do IMPA como organizador do Colóquio Brasileiro de Matemática, pois, segundo ele, foi importante para a comunidade matemática brasileira.
A relação orientador-orientando para Beta é como a relação pai e filho. Ensinar, para ele, é uma arte, mas uma arte difícil, que requer dedicação, interesse e amor pelos alunos. Como ele mesmo diz, “[...] eu gosto de dar aula, tenho prazer em dar aula”. O professor pode ser um modelo que pode influenciar os alunos a fazerem aquilo que ele faz. Em outro momento, Beta diz que “[...] na verdade você não ensina
ninguém, você apenas estimula o aluno a aprender”. Ele declara, ainda, que as
pessoas não gostam de matemática porque são obrigadas a pensar e pensar é uma tarefa que dói; aprender matemática não é divertido, é algo que dá muito trabalho, mas compensa.
Matemático Gama
Gama fez graduação em engenharia, mas optou pela matemática porque gostava mais e também por influências de fatores políticos da época. Para Gama, poucas pessoas podem fazer pesquisa em matemática, por isso é necessário ter talento para ser alguém de destaque. O matemático não é alguém sozinho; é alguém que
interage bastante com os colegas e, por isso, recebe muitas influências, mas se for um gênio, dispensa o grupo.
Matemática é, para ele, uma arte, pois “[...] todo matemático é um pouco artista”. Matemática é uma matéria que Gama gosta de fazer e que também ganha a vida com ela.
O IMPA é o melhor instituto de matemática do continente e o promotor da pesquisa em matemática no País. Ainda, segundo Gama, o instituto é reconhecido porque os cursos são bons, o doutorado é mais exigente e a seleção dos alunos é mais rigorosa – por isso os alunos de lá são melhores. A relação com o orientando é, em sua opinião, intensa, como a relação pai e filho.
Para ser um bom professor universitário, Gama acha que o ideal é que a pessoa seja sempre pesquisadora, pois os melhores professores são os que fazem pesquisa. Para melhorar o ensino, Gama diz que é preciso investir nos professores, pagando um bom salário para que pessoas competentes possam trabalhar nas universidades, fazer avaliações constantes e dar estímulos para que o professor faça pesquisa. Além disso, é preciso que os alunos trabalhem duro. Para ele, os alunos no Brasil não trabalham o suficiente.
Matemático Delta
Sua graduação foi em matemática, curso que escolheu porque era a única matéria em que tinha alguma habilidade. Matemática é, para Delta, algo universal, que ele sabe fazer e que por ela tem uma paixão. Concorda com a afirmação de Gauss de que matemática é a rainha das ciências. Para Delta, matemática é uma produção social, pois uma geração é ajudada pela anterior, mas a parte criativa é individual. Em sua opinião, um bom texto matemático é aquele que é suficiente, claro e bem escrito.
Segundo Delta, o IMPA é reconhecido porque os cursos são sérios e exigentes. O instituto é o “[...] líder absoluto na pesquisa matemática no Brasil [...]” e representa a seriedade na pesquisa em matemática no País.
aulas seguem o seguinte roteiro: enunciar claramente o resultado que se quer atingir, apresentar a relevância do assunto, levar o aluno a entender o enunciado e desenvolver completamente a teoria para se chegar ao resultado proposto. Para Delta, para ser um bom professor universitário, é preciso entender bem o assunto e ter interesse em ensiná-lo.