1 INTRODUÇÃO
2.11 Síntese das idéias e conceitos mais relevantes
Para Whaba (2002) o principal desafio das organizações no atual ambiente econômico é, ao
mesmo tempo, definir e formular a estratégia empresarial e identificar e implantar
sistemáticas que possam demonstrar melhor todos os custos, para que o gestor possa focar e
eliminar aqueles mais prejudiciais ao desempenho do negócio.
Shingo (1996) estabelece que a produção é uma rede composta por processos (fluxo de
materiais no tempo e espaço) e operações (trabalho) com o objetivo de transformar matéria-
prima, em produto acabado – agregando valor entre um estado e outro da transformação.
Imai (1996) sugere a adoção de sistemáticas que possam identificar perdas potenciais ou reais.
Liker (2005) defende a adoção das métricas de classificação de perdas utilizadas do Sistema
Toyota de Produção (STP):
Excesso de estoque; Refugo ou retrabalho; Excesso de movimento; Excesso de processamento; Espera; Excesso de transporte;
Segundo Takahashi e Osada (1993), é necessário investigar a eficiência dos ativos produtivos
com base na capacidade de projeto e nos índices de qualidade dos produtos gerados. Os
autores sugerem a adoção do Índice de rendimento global do equipamento que pode ser
calculado a partir do produto do tempo de operação pela velocidade operacional e pelo índice
de qualidade de produto.
De acordo com Suzuki (1994), o Índice de Eficiência Global (IEG), deve ser empregado pela
empresa como indicador de desempenho de um equipamento, linha de produção ou sistema de
operacional. O autor sugere que as perdas em IEG podem ser influenciadas por:
Paradas Programadas; Ajustes de Produção; Falhas de Equipamentos; Falhas Operacionais; Produção Normal; Produção Anormal;
Produção Off-Spec / Rejeitos; Reprocessamento;
Assim, o autor define três fatores que podem ser utilizados para calcular o IEG:
Fator de Capacidade: relação do Tempo líquido de operação pelo Tempo de Operação;
Fator de Qualidade: relação do Tempo Efetivo de operação pelo Tempo líquido de operação;
Sendo assim, o IEG pode ser calculado como sendo a relação entre o Tempo efetivo de
operação e o tempo calendário.
Além do IEG, Suzuki (1994) defende que existem oportunidades adicionais além daquelas
apontadas pelo IEG. Estas oportunidades são representadas pela diferença existente entre a
situação de desempenho atual e a ideal / teórica ou factível àqueles parâmetros de processo
que influenciam diretamente os custos de produção ou faturamento. Alguns exemplos
ilustrados pelo autor são: Consumos específicos – energia elétrica, vapor, combustíveis, gases
industriais, insumos químicos, dentre outros. Outras oportunidades também podem ser
encontradas em matérias-primas, produtos intermediários e produtos acabados. As referências
utilizadas para comparação e cálculo das diferenças de desempenho podem ser internas –
através de valores de projeto ou melhores desempenhos alcançados historicamente; externas –
a partir de valores de benchmarking externo – ou teóricos – como limites de estequiométricos
ou de perda zero.
A árvore de perdas, então, pode funcionar como uma sistemática de identificação das perdas
de produção – através do cálculo do IEG – e dos custos de produção – através da comparação
de desempenho entre a performance atual e as melhores já obtidas, os valores de projeto ou
referências teóricas. A partir do cálculo destes valores, pode-se encontrar os pontos
prioritários para atuação da empresa com vistas a redução de perdas.
Segundo Eckes (2001), o seis sigma tem sido usado como uma sistemática para melhoria de
desempenho dos diversos processos – essenciais – ao negócio. Para o autor o foco da
Para Breyfogle III (2003) as principais causas normais ou comuns de variabilidade num
processo, estão relacionadas a seis principais fontes: Mão de obra, Meio Ambiente, Material,
Método, Medição, e Máquina. Segundo do autor, o seis sigma é baseado na execução de
projetos de melhoria a partir da redução da variação de processos importantes para o negócio.
Cada projeto é composto por cinco etapas:
Definição: onde o escopo do projeto é validado a partir do que é importante para o cliente e do valor da baixa qualidade.
Medição: onde, dentre outras atividades, avalia-se o sistema de medição, as variáveis chave de entrada e saída do processo e a capacidade do processo em atender as
especificações acordadas.
Análise: onde se estuda as principais variáveis, buscando-se correlações estatísticas. Implantação de melhorias: onde são levantadas as possíveis melhorias, com base no
levantamento realizado nas etapas anteriores.
Controle: etapa que aufere os resultados obtidos financeira e estatisticamente e define a estratégia de controle para sustentação dos ganhos.
De acordo com d´Ávila (2002), os processos petroquímicos a partir de carga líquida têm três
estágios ou gerações:
Primeira geração: quebra das moléculas de nafta (cadeias carbônicas longas) a altas temperaturas, gerando principalmente eteno, propeno, butadieno e correntes
aromáticas;
Segunda Geração: Onde ocorre a polimerização do eteno e propeno transformando-os em Polietileno (PE), Polipropileno (PP), PoliCloreto de Vinila (PVC), Polietileno
Terceira Geração: É a transformação dos produtos da segunda geração em aplicações conhecidas, como tubos, embalagens, produtos automotivos, utensílios domésticos e
outros.
Para o autor, os processos da primeira e segunda gerações têm características de processos
contínuos uma vez que o fluxo de operação é permanente sem a existência de lotes.
Processos com estas características podem ter sua abordagem de perdas simplificada,
desconsiderando-se, por exemplo, a perda por espera, excesso de movimento e excesso de
transporte. Sendo uma abordagem sugerida por Robinson e Ginder (1995), adotar a perda total
do tempo de produção, como uma das possibilidades de adaptação da sistemática usada para
processos discretos em processos contínuos. Em complemento, os autores sugerem a
identificação e gerenciamento da restrição do processo.
Os mesmos autores citam a DuPont como um dos principais exemplos de empresas de
processo contínuo e na indústria química e petroquímica, a adaptarem o TPM e o Seis Sigma
a sua estratégia empresarial.
Durante o levantamento do referencial teórico, não foi possível verificar um caso em que as
duas sistemáticas em estudo, a Árvore de Perdas e o Seis Sigma, tivessem sido implantados de
forma conjunta.
O caso da DuPont, é o que mais se assemelha ao caso em estudo por ser uma empresa com
processos contínuos, na área petroquímica e, portanto com necessidade de adaptações.
Também a DuPont implantou as duas sistemáticas em suas plantas. No entanto, não se
conseguiu verificar no levantamento feito, a aplicação conjunta: a Árvore de Perdas, teve a
sua implantação realizada juntamente com o TPM em meados da década de 1980 e o Seis