Esquema 24. Mecanismo geral da reação de Mitsunobu
3. Resultados e Discussão
3.2 Híbridos com espaçador triazólico
3.2.2 Síntese de híbridos PPT/MNT e PPT/oxo-MNT
Quatro estratégias para o preparo dos híbridos da PPT (25) com espaçador triazólico foram avaliadas, sendo que a primeira estratégia (Esquema 27), correspondente a primeira testada para o híbrido com GNT (7, Esquema 15), consiste na reação click na última etapa entre dois intermediários avançados, fragmentos A e B.
Esquema 27. Retrosíntese da primeira estratégia avaliada para a preparação de híbridos com espaçador triazólico. Para isso, o acoplamento do espaçador 117 com a 4-OHPPT (102) foi realizado por meio da reação de substituição nucleofílica bimolecular (SN2) no brometo primário 117
(NaH, DMF anidro) para obtenção do intermediário 144, em 58% de rendimento (Esquema 28).
Esquema 28. Síntese do intermediário 144. a) NaH, DMF, t.a., 19h, 58%.
De posse dos dois fragmentos contendo a azida 144 e o alcino 145 necessários para a reação click, esta foi avaliada em diferentes condições, apresentadas na Tabela 2. Entretanto, nenhuma das condições testadas forneceu o produto desejado 146. A condição reacional apresentada na primeira entrada, que apresentou bons resultados para os intermediários 121 e 122, não permitiu o isolamento do produto, nem a recuperação do material de partida. Acredita-se que a porção da imida presente na 4-OHPPT (102) possa complexar com o catalisador de cobre, impossibilitando que a reação ocorra. Então, a segunda condição testada baseia-se na mistura prévia da 4-OHPPT (102) com Ti(Oi-Pr)4, para
que o titânio coordene com a imida e esta não sequestre o catalisador de cobre no meio reacional. Porém, esta condição também não foi capaz de produzir o produto desejado. A terceira tentativa foi a troca da fonte de cobre,125 embora, não houve reação e o material
de partida foi recuperado.
Tabela 2. Condições reacionais testadas para a reação click com a 4-OHPPT (102)
a) TBSOTf, 2,6-lutidina, DCM, 0 °C, 4 h, 81%. RMP = recuperação do material de partida.
A partir destes resultados, concluiu-se que a estrutura da 4-OHPPT (102) não é compatível com a reação click. Portanto, uma segunda estratégia de obtenção dos híbridos consistiu na introdução da 4-OHPPT (102) no final da rota, através de um intermediário avançado que já contém o monastrol (36) e o triazol formado (fragmento A) para evitar a reação click na presença da 4-OHPPT (102).
Esquema 29. Retrosíntese da segunda estratégia avaliada para a preparação de híbridos com espaçador triazólico. Deste modo, a reação click foi realizada com o derivado 145 e a azida 117, nas mesmas condições da Tabela 2 (entrada 1), para obtenção do triazol 147 em 52% de rendimento (Esquema 30). Sua formação foi confirmada pelo sinal característico do próton do anel triazólico no espectro de 1H RMN(7,29 ppm).
Esquema 30. Síntese do intermediário 147. a) CuI (20 mol%), ascorbato de sódio, Et3N, THF, 50 °C, 20 h, 52%.
Em seguida, a etapa de introdução da 4-OHPPT (102) foi avaliada utilizando diversas condições reacionais apresentadas na Tabela 3. Entretanto, nenhuma das condições testadas foi capaz de produzir o produto desejado 148. A entrada 1 que emprega as mesmas condições utilizadas para a síntese do intermediário 144 (Esquema 28) não forneceu o produto 148. Mesmo com a troca da base (entrada 3) ou quando empregado aquecimento (entrada 2 e 4) o produto 148 não foi obtido. A entrada 5 emprega um excesso de base para garantir que o ânion formado não seja protonado novamente pelos prótons dos nitrogênios do núcleo dihidropirimidina.
Tabela 3. Condições reacionais para a reação de SN2 da 4-OHPPT (102)
RMP = recuperação do material de partida.
Considerando estes resultados, levantou-se o questionamento se o ânion da 4- OHPPT (102) não seria um bom nucleófilo para a reação de SN2 ou se o haleto utilizado não
seria compatível com as condições da reação empregada. Para avaliar a influência do monastrol (36) na reação SN2, uma terceira estratégia (Esquema 31) explorou o preparo
prévio do triazol (fragmento A), introdução da 4-OHPPT (102) via reação de SN2, e posterior
introdução do fragmento B via esterificação.
Assim, o fragmento 126, preparado no Esquema 21, foi submetido à reação SN2
em diversas condições reacionais, como apresentado na Tabela 4. A condição apresentada na entrada 1 forneceu o produto sem o grupo de proteção do álcool primário. Acredita-se que o grupo de proteção tenha sido clivado durante a etapa de purificação. Ao repetir a reação em maior escala (entrada 2), observou-se a degradação da 4-OHPPT (102) no meio reacional sendo isolado somente o produto 150, resultante da degradação da 4-OHPPT (102) (Figura 20), recuperando-se parte do triazol 126. Acredita-se que o NaH esteja contaminado com seu produto de hidrólise (NaOH) e que, dessa forma, tenha ocorrido a hidrólise da 4-OHPPT (102). A terceira condição avaliada foi a utilização de uma base mais volumosa (t-BuONa), previamente purificada, para garantir a ausência de NaOH. Entretanto, não houve reação e o material de partida foi recuperado. O mesmo foi observado quando condições mais brandas foram utilizadas (entrada 4). Assim, foi concluído que a 4-OHPPT (102) não é um bom substrato para a reação de substituição nucleofílica com o haleto 126.
Tabela 4. Condições reacionais avaliadas para a reação de substituição nucleofílica da 4-OHPPT (102)
RMP = recuperação do material de partida.
Dessa maneira, uma quarta estratégia de síntese foi avaliada focada na troca do brometo 126 pelo álcool 130 (fragmento A), como descrito anteriormente para a síntese dos híbridos com a 4-OHGNT (78), visando a introdução da 4-OHPPT (102) por meio da reação de Mitsunobu (Esquema 32).119
Esquema 32. Retrosíntese da quarta estratégia avaliada para a preparação de híbridos com espaçador triazólico.
Dessa forma, utilizando a mesma metodologia apresentada no Esquema 23, a reação de Mitsunobu com a 4-OHPPT (102) e o álcool primário 130 forneceu o produto desejado 149 (Esquema 33). A remoção do grupo de proteção TBS (44% para 2 etapas), seguida da esterificação de Mitsunobu122 do álcool primário 151, com o ácido carboxílico
131 forneceu o primeiro híbrido (152) da PPT/MNT com espaçador triazólico, em 57% de rendimento. Portanto, o híbrido 152 foi obtido em um total de 7 etapas, considerando-se a sequência linear mais longa, em rendimento de 8% a partir do cloridrato 98.
Esquema 33. Rota de síntese do híbrido 152. a) DIAD, PPh3, Tolueno/THF, t.a., 24 h; b) HF∙piridina, THF, 0 °C, 12h, 44% (2 etapas); c) 131, DIAD, PPh3, THF, t.a., 24 h, 57%.
A síntese dos híbridos com espaçador triazólico com o oxo-monastrol (37) foi inicialmente avaliada utilizando a rota já estabelecida no Esquema 33, porém utilizando a reação de Mitsunobu com o ácido carboxílico 139, proveniente da hidrólise do oxo- monastrol (37), preparado de acordo com a metodologia descrita no Esquema 25, em 81% de rendimento. Entretanto, observou-se a recuperação dos materiais de partida e o produto desejado não foi obtido. Em seguida, a reação foi repetida em DMF como solvente, pois em THF o ácido 139 é pouco solúvel. Contudo, os materiais de partida foram recuperados. Então, decidiu-se avaliar outra metodologia já relatada na literatura124 para formação de um
éster com o ácido 139 do oxo-monastrol (37), a qual consiste na esterificação de Steglich com EDC·HCl e DMAP, em DMF à 50 °C. Entretanto, o produto desejado não foi obtido, recuperando-se apenas o álcool primário 151.
O resultado acima levou a conclusão de que o fenol do intermediário 139 deve estar protegido para esta reação pois há a competição deste com o álcool primário 151 durante a reação de esterificação, provavelmente causando a polimerização do intermediário 139. Assim, após a proteção da função fenólica presente no composto 139 com TBS, a esterificação de Steglich com álcool primário 151 forneceu o produto desejado 154 em 25% de rendimento (Esquema 34). Em seguida, a desproteção do fenol forneceu o híbrido 155 em 30% de rendimento. Dessa maneira, o híbrido 155 foi obtido em um total de 8 etapas, considerando-se a sequência linear mais longa, em rendimento de 1% a partir do cloridrato 98.
Esquema 34. Rota de síntese do híbrido 155. a) TBSCl, imidazol, DMF, t.a, 3h, 35%, b) álcool 151, EDC·HCl, DMAP, DMF, 50