3 MÉTODO
3.1 SÍNTESES
3.1.1 Síntese dos Complexos de Paládio
3.1.1.2 Síntese do Paladaciclo [Pd(C 2 ,N-dmba)N 3 ] 2
O esquema sintético utilizado para a obtenção do Paladaciclo [Pd(C2,N-dmba)N3]2 está representado na Figura 8. Esta reação de substituição metatética do íon Cloreto pelo íon Azida foi realizada por reação estequiométrica entre o complexo [Pd(C2,N-dmba)Cl]2, e NaN3 a temperatura ambiente utilizando-se acetona como solvente. A reação foi realizada à temperatura ambiente por 2 h. O produto, na forma de um precipitado amarelo foi isolado por filtração (rendimento: 95%)
Figura 8. Esquema sintético do Paladaciclo [Pd(C2,N-dmba)N3]2
3.1.1.3 Síntese do Paladaciclo [Pd2(C2,N-dmba)2(N3)](µ-dppf)
O esquema sintético utilizado para a obtenção do Paladaciclo [Pd2(C2,N-dmba)2(N3)](µ-dppf) está representado na Figura 9. Este complexo foi obtido
por reação do dímero de azida descrito no item 3.1.1.2 com a bifosfina 1,1’-bis(difenilfosfina)ferroceno(dppf) na relação estequiométrica de 1:1 utilizando-se acetona
como solvente. A reação ocorreu em cerca de 1 hora de agitação entre os reagentes e, ao final, o produto desejado foi obtido por precipitação com hexano seguido de filtração. O composto foi deixado para secar no dessecador a temperatura de 23ºC.
Pd
FIGURA 9. Esquema sintético do Paladaciclo [Pd2(C2,N-dmba)2(N3)](µ-dppf)
3.1.2 Sínteses dos Compostos Fluorescentes
3.1.2.1 Síntese do Precursor Benzazólico 2-(2’-hidroxifenil)benzatiazol
O esquema sintético utilizado para a obtenção do derivado benzazólico está representado na Figura 10. A reação consistiu na condensação na razão molar de 1:1 entre 2-aminotiofenol com ácido aminosalicílico em ácido polifosfórico. Os reagentes foram colocados em um balão e mantidos sob agitação magnética a uma temperatura de 180°C por 5h. Após este tempo, a mistura reacional foi vertida em um béquer contendo cerca de 400 g de gelo picado, onde a mistura foi resfriada e homogeneizada. O sólido resultante foi filtrado em um funil de Buchnner e neutralizado com uma solução de bicarbonato de sódio 10%. Logo após, foi seco à temperatura ambiente e purificado por cromatografia em coluna utilizando diclorometano como eluente.
NH2
SH +
O OH
OH
NH2
1) APF, 180ºC, 5h 2) H2O, NaHCO3
O H N
S
NH2
Figura 10. Esquema sintético do precursor benzazólico 2-(2'-hidroxifenil)benzatiazol.
3.1.2.2 Síntese do 2-[4’-(N-vinileno)-2’-hidroxifenil]benzatiazol
O esquema sintético utilizado para a obtenção do composto 2-[4’-(N-vinileno)-2’-hidroxifenil]benzatiazol está representada na Figura 11. A reação
consistiu na funcionalização na razão molar de 1:1 entre 2-(2'-hidroxifenil)benzatiazol com alceno eletrofílico cianoacetato de etil (Etoximetileno) em metanol. Os reagentes foram colocados em um balão e mantidos sob agitação magnética em refluxo em metanol por 24 h.
Ao final da reação, o sólido resultante, cuja estrutura é ilustrada na Figura 11, foi separado por filtração e seco à temperatura ambiente.
O H N
S
NH2 +
O O
O CH3
N H C H3
Metanol, 24 h Refluxo
N
S
N O
O CH3
N O
H
H
H
Figura 11. Esquema sintético do 2-[4’-(N-vinileno)-2’-hidroxifenil]benzatiazol.
3.1.3 Reações dos Paladaciclos com 2-[4’-(N-vinileno)-2’-hidroxifenil]benzatiazol
3.1.3.1 Síntese do Paladaciclo Fluorescente (COMPLEXO 1)
O esquema sintético utilizado para a obtenção do Paladaciclo Fluorescente (COMPLEXO 1) está representado na Figura 12. A reação consistiu na funcionalização na razão molar de 1:2 entre o paladaciclo [Pd(C2,N-dmba)2(N3)]2 e o ligante fluorescente 2-[4’(N-vinileno)-2’-hidroxifenil]benzatiazol em metanol. Os reagentes foram colocados em um balão e mantidos sob agitação magnética em refluxo em metanol por 24 h. Ao final da reação, a mistura reacional foi evaporada com a obtenção do composto ilustrado na
Figura 12. Esquema sintético do Paladaciclo Fluorescente (Complexo 1)
3.1.3.2 Síntese do Complexo de Coordenação Fluorescente (COMPLEXO 2)
O esquema sintético utilizado para a obtenção do Complexo de Coordenação Fluorescente (COMPLEXO 2) está representado na Figura 13. A reação consistiu na funcionalização na razão molar de 1:2 entre o Paladaciclo [(Pd2(dmba)2N3](µ-dppf) e o ligante fluorescente 2-[4’(N-vinileno)-2’-hidroxifenil]benzatiazol em metanol. Os reagentes foram colocados em um balão e mantidos sob agitação magnética em refluxo em metanol por 24 h. Ao final da reação, a mistura reacional foi evaporada com a obtenção do composto ilustrado na Figura 13.
H5C6
Figura 13. Esquema sintético do Complexo de Coordenação de Paládio (Complexo 2)
3.2 EQUIPAMENTOS
As caracterizações dos compostos sintetizados, ligantes e complexos, foram realizadas pelas técnicas de Espectroscopia vibracional na região do infravermelho, Espectroscopia de ressonância magnética nuclear, Análise elementar (C,H,N) e estudos de Pontos de fusão. Os estudos Físico-Químico dos Complexos de Paládio Fluorescentes foram realizados através das técnicas de Espectroscopia de absorção na região UV-visível e por Espectroscopia de emissão de fluorescência. Os equipamentos utilizados encontram-se descritos a seguir:
Espectroscopia vibracional (IV)
Os espectros vibracionais na região do IV foram medidos em um equipamento Perkin-Elmer mod. Spectrum 100, na faixa de 4.000-400 cm-1, com resoluções de 4,0cm-1, empregando-se a técnica de pastilhas de KBr.
Espectroscopia de Ressonância Magnética (RMN)
Espectros de RMN de
31
P{1H},
13
C{1H} e
1
H , foram medidos em um equipamento multinuclear “BRUKER” mod. AC-200, utilizando-se solventes deuterados para a dissolução das amostras e TMS como padrão de referência interno nos espectros de 1H.
Para os espectros de
31
P{1H} foi utilizado (CH3O)3P como referência externa. As freqüências de 81 MHz, 50 MHz e 200 MHz, foram empregadas nos experimentos.
Análise Elementar C,H,N(%)
As análises centesimais de C,H,N foram feitas utilizando-se serviço de terceiros, solicitadas à Central Analítica da Universidade de São Paulo-USP-SP.
Pontos de Fusão (PF ºC)
Os pontos de fusão foram medidos em um forno programável Büchi mod.
Melting Point B-540.
Espectroscopia na região UV-vísivel e Espectrofluorímetria
As medidas de absorção UV-vísivel foram feitas em um espectrofotômetro UV-visível Photodiode Array Spectrophotometer MultiSpec-1501 (Shimadzu Co, Kyoto, Japão). As medidas de fluorescência foram feitas em um espectrofotômetro Hitachi F-2500 (Hitachi, Ltd., Tokyo, Japão), disponível em nosso laboratório. Em todas as medidas de absorção e de fluorescência, as amostras foram colocadas em cubetas de quartzo, com caminho óptico 2,0 cm, 1,0 cm ou 0,5 cm. A temperatura foi controlada por um banho térmico acoplado ao espectrofluorímetro. A temperatura da sala era mantida a 23ºC por sistema de refrigeração, sendo monitorada durante os experimentos, apresentando variação de aproximadamente 0,5°C.
Software utilizado.
Os dados de correlação de absorção UV-visível e de fluorescência apresentados neste trabalho, foram analisados com o auxílio do software Microcal Origin 6.0.
3.3 ESTUDOS DE PROPRIEDADES E PREPARAÇÃO DE AMOSTRAS
3.3.1 Ligante Fluorescente e Complexos de Paládio Fluorescentes
As sondas fluorescentes utilizadas neste trabalho estão representadas na Figura 14 que apresenta as estruturas moleculares do Ligante Fluorescente e dos Complexos de Paládio Fluorescentes sintetizados e caracterizados.
Ligante Fluorescente
Figura 14. Estrutura molecular do Ligante Fluorescente e dos Complexos de Paládio Fluorescentes.
O Ligante Fluorescente e os Complexos de Paládio Fluorescentes, por serem hidrofóbicos, apresentam baixa solubilidade em água, assim, os estoques do Ligante e dos
Complexos fluorescentes foram preparados em etanol e DMSO na concentração de 50 µmol/L.
Nos estudos de caracterização espectroscópica UV-visível e de Fluorímetria do Ligante e dos novos Complexos de Paládio foram utilizados os estoques dos compostos em etanol. Os estoques dos Complexos de Paládio no solvente DMSO foram utilizados para os estudos das aplicações dos Complexos em modelos de membranas e membranas biológicas.
3.3.2 Estudo Solvatocrômico dos Complexos
O efeito do solvente foi estudado no comportamento espectroscópico dos complexos sintetizados utilizando os seguintes solventes: pouco polar aprótico (clorofórmio, diclorometano), polar aprótico (acetona) e polar prótico (etanol e água), partindo de uma solução estoque do complexo em etanol. Nas medidas feitas em solução aquosa, foram utilizados: tampão HEPES 5 mmol/L pH 7.0 e tampão universal. Os tampões foram preparados em água fornecida pelo sistema Milli-Q. O tampão universal foi preparado numa
solução contendo fosfato de sódio 5mmol/L, citrato de sódio 5 mmol/L, ácido bórico 10 mmol/L, cloreto de sódio 0,16 mol/L, cujo o pH foi ajustado ácido clorídrico 36 mol/L. A
força iônica do tampão universal foi mantida a 0,2 mol/L.
Foram realizados experimentos alterando a polaridade dos solventes nas amostras, variando a concentração de 0/5/10/15/20/30% de 1,4-Dioxano em tampão HEPES 5 mmol/L pH 7.0.
3.3.3 Determinação da Solubilidade dos Complexos de Paládio Fluorescentes em Solução Aquosa
Para determinação da concentração máxima solúvel em água, foi adicionada uma quantidade do complexo sólido em um tubo de ensaio e adicionado 1 mL da solução tampão HEPES 5 mmol/L pH 7,0. Os complexos são hidrofóbicos, para melhor solubilização, as amostras foram mantidas em banho a 37ºC por 24 h. As amostras foram centrifugadas a 6000 RPM durante 2 minutos para garantir que, na solução, não houvesse nenhuma partícula sólida do complexo. A solução foi transferida para outro tubo ensaio, e repetido este procedimento por mais 2 vezes. A concentração do complexo 1 foi determinada através da
absorbância em 335 nm e a concentração do complexo 2 foi determinada através da absorbância em 275 nm. A concentração do Complexo 1 foi calculada a partir da absortividade molar 4,1.103 (L/mol.cm) e a concentração do Complexo 2 foi calculada a partir da absortividade molar 5,3.103 (L/mol.cm).
3.3.4 Estimativa do pKa dos Complexos de Paládio Fluorescentes
Foram preparadas soluções a 4 µmol/L de Complexo 1 e 3 µmol/L de Complexo 2 em 10 mL de solução tampão universal. Os estoques dos Complexos foram preparados com o solvente etanol na concentração 50 µmol/L, onde o solvente foi removido através de um fluxo de Argônio, para eliminar todos os traços de solvente. O passo seguinte consistiu na suspensão desse filme em 10 mL de tampão através de um agitador de tubo vórtex, e num banho mantido a 37ºC por 24 h.
Foram determinados os valores de pKa dos complexos por espectrofotometria UV-visível. A solução foi colocada em um béquer e mantida sob agitação magnética. Este sistema acoplava-se a uma cubeta com fluxo contínuo da solução. Nesta solução foram adicionadas alíquotas de 40 µmol/L de hidróxido de sódio 0,6 mol/L. Após a homogeneização da solução, o pH foi conferido com o medidor de pH e assim foram realizados as leituras no espectro UV-visível. O pKa dos complexos foi determinado, também, por espectrofotometria de fluorescência. Foram determinadas o pKa dos complexos por espectrofotometria de fluorescência. A solução foi colocada em um béquer e mantida sob agitação magnética, acrescentando-se alíquotas de 40 µmol/L de hidróxido de sódio 0,6 mol/L. Foram preparadas 10 amostras de soluções contendo pH entre 2.0 a 12.0. A força iônica da solução foi mantida a 0,2 mol/L.
3.3.5 Determinação do Coeficiente de Partição Octanol/Água (P) dos Complexos
Foram avaliadas as extrações fase orgânica/fase aquosa dos complexos em tampão HEPES 5 mmol/L pH 7.0. Foram preparadas soluções a 4 µmol/L de Complexo 1 e 3 µmol/L de Complexo 2 em 4 mL de solução. Os estoques dos Complexos foram preparados com o solvente etanol na concentração 50 µmol/L, onde o solvente foi removido através de um fluxo de Argônio para eliminar todos os traços de solvente. O passo seguinte consistiu na suspensão desse filme em 4 mL de tampão através de um agitador de tubo vórtex, e num
banho mantido a 37ºC por 24 h. Logo após foram adicionados 2 mL de octanol em cada amostra, homogeneizando-as. As amostras foram deixadas em repouso até a separação das camadas, estabelecendo o equilíbrio dos complexos na fase orgânica e na fase aquosa. A concentração dos Complexos na fase aquosa foi determinada pela emissão de fluorescência em 500 nm.
3.3.6 Partição Octanol/Água dos Complexos em Função do pH das Soluções
Foram avaliadas as extrações fase orgânica/fase aquosa dos complexos em dois pH diferentes sendo estes tampão HEPES 5 mmol/L pH 7.0 e tampão Universal pH 4.0.
Foram preparadas soluções a 4 µmol/L de Complexo 1 e 3 µmol/L de Complexo 2 em 4 mL de solução. Os estoques dos Complexos foram preparados com o solvente etanol na concentração 50 µmol/L, onde o solvente foi removido através de um fluxo de Argônio, para eliminar todos os traços de solvente. O passo seguinte consistiu na suspensão desse filme em 4 mL de tampão através de um agitador de tubo vórtex, e um banho mantido a 37ºC por 24 h.
Logo após foram adicionados 2 mL de octanol em cada amostra, homogeneizando-as. As amostras foram deixadas em repouso até a separação das camadas, estabelecendo o equilíbrio dos complexos na fase orgânica e na fase aquosa. As extrações dos complexos 1 e 2 foram avaliadas por fluorimetria das soluções da fase aquosa e da fase orgânica.
3.3.7 Aplicações dos Complexos como Sensores de Modelos de Membranas e Membranas Biológicas
As aplicações biológicas foram realizadas através do monitoramento dos sensores ligados aos fosfolipídios. Os fosfolipídios possuem duas cadeias de ácidos graxos ligadas a grupos polares que podem ser eletricamente carregados negativamente (fosfatidilcolina (PC), dipalmitoilfosfatidilcolina (DPPC), cardiolipina (CL), dicetil fosfato (DCP)) ou carregado positivamente (dioctadecildimetilamônio (DODAB)). As estruturas das membranas utilizadas neste estudo estão representadas na Figura 15.
Para o estudo do comportamento de fase das membranas, foi utilizado, como fosfolipídio para a preparação de vesículas, o Dipalmitoilfosfatidilcolina (DPPC) que apresenta carga negativa, cuja estrutura molecular mostrada na Figura 15. Uma característica importante das vesículas é o comportamento de fase: aumentando a temperatura do sistema é
possível observar a transição de uma fase mais rígida (fase gel) para uma fase fluida (líquido-cristalina). No caso do DPPC, essas fases foram observadas na temperatura de 37 °C e 55 °C, desta forma obtiveram-se leituras das membranas na fase gel e na fase fluida, respectivamente. A transição de fase desta vesícula é observada em torno de 42 °C (BATISTA, 2007)
Figura 15. Estrutura molecular dos fosfolipídios marcados com os Complexos de Paládio Fluorescentes (BATISTA, 2007)
Foram utilizados modelos de membranas biológicas e mitocôndrias para o estudo das aplicações dos complexos como sensores de membranas. Nos experimentos realizados para aplicação biológica destes complexos como sensores de ligação de proteínas e de fusão de membranas, foi utilizada a proteína cit c em água Mili-Q. Para acessar as ligações
entre os complexos e as membranas, foi utilizada uma solução de NaCl 2,5 mol/L e DNA 5 mg/ml (DNA esperma de salmão disponibilizado pela professora Regina Lúcia Batista
Costa de Oliveira – NIB/UMC). Também foram investigadas as ações do sensor Complexo 1 em mitocôndrias. Nos itens a seguir encontram-se os métodos pelos quais foram preparadas as amostras de modelos de membranas e mitocôndrias:
3.3.7.1 Lipossomos de Dipalmitoilfosfatidilcolina (DPPC), Fosfatidilcolina (PC), Fosfatidil Colina e Cardiolipina (PCCL 8:2, respectivamente) e Cardiolipina (CL)
O procedimento pelo qual foram preparados os lipossomos está representado na FIGURA 16. Os estoques dos fosfolipídios marcados com os complexos de paládio foram preparadas com solvente orgânico (clorofórmio) na concentração de 20 mg de lipídeo DPPC/mL e 20 mg de lipídio PC/mL. A solução de CL em etanol foi obtida comercialmente da Sigma Aldrich Co. Os filmes de 1 mmol/L de lipídeos foram formados a partir dos lipídeos dissolvidos em clorofórmio ou etanol, onde o solvente foi removido através de um fluxo de Argônio para eliminar todos os traços do solvente. Os filmes foram deixados em ambiente de pressão reduzida por aproximadamente 30 minutos. O passo seguinte consistiu na suspensão desse filme em uma solução tampão Hepes 5 mmol/L de pH 7,0 através de um agitador de tubos vórtex, e num banho de ultrassom mantido a 40°C por 20 min. Após sua preparação, a solução de lipossomos foi mantida sob atmosfera de argônio e sob refrigeração (ROBERTS, 1997). As características estruturais dos lipossomas estão representadas na Figura 16.
Figura 16. A) Método de preparação de lipossomas do tipo MLVs, baseado no processo de hidratação do filme lipídico B) Características estruturais dos lipossomos (FRÉDÉRIC, 2005)
3.3.7.2 Vesículas de Brometo de Dioctadecilmetilamônio (DODAB)
Foram preparadas soluções contendo 1 mmol/L de vesículas de DODAB em solução tampão Hepes 2,5 mmol/L pH 7,0. Foi pesada uma quantidade estequiométrica de DODAB que foi colocada em um béquer e diluída com 20 mL da solução do tampão. O béquer foi colocado dentro de outro maior contendo água. O sistema foi mantido sob agitação magnética a 60 ºC por 10 minutos. Então, a solução de DODAB foi transferida para um tubo Falcon e foi agitada em vórtex por 5 minutos. Esta mesma solução foi retornada para o béquer original e novamente mantida sob as mesmas reações anteriores, sendo que este processo foi repetido por 3 vezes. Após sua preparação a solução de vesículas foi mantida em temperatura de 23ºC (RYTÖMA, 1992)
3.3.7.3 Lipossomos de Dicetil Fosfato (DCP)
Foram preparadas soluções contendo 1 mmol/L de lipossomos de DCP em solução tampão Hepes 5 mmol/L pH 7,0. Foi pesada uma quantidade estequiométrica de DCP que foi colocada em um béquer e diluída com 10 mL da solução tampão. O béquer foi colocado dentro de outro béquer contendo água. O sistema foi mantido sob agitação magnética a 70 ºC, resultando em uma solução homogênea e esbranquiçada que foi colocada em um tubo Falcon de 45 mL e deixada resfriar no gelo. Após o que este tubo foi colocado em um banho de ultra-som. A temperatura foi mantida a 40ºC por 20 minutos, resultando numa solução incolor que foi guardada sob atmosfera de argônio, mantida em temperatura de 23ºC.
3.3.7.4 Mitocôndrias
Isolamento das mitocôndriasAs mitocôndrias, sobras de amostras congeladas, nos foram cedidas pelo grupo de pesquisa da Profa. Dra. Iseli Lourenço Nantes – CIIB/UMC. Originalmente, as mesmas foram isoladas de fígado de ratos Wistar machos de aproximadamente 200 g utilizando-se a técnica de centrifugação diferencial (WALDE, 2001). O fígado foi retirado imediatamente após a morte do animal, lavado em solução contendo sacarose 250 mmol/L, tampão HEPES-KOH 10 mmol/L e EGTA 1 mmol/L em pH 7,4 a 4ºC, picado em pequenos fragmentos e homogeneizado em Potter-Elvehjen. A suspensão foi centrifugada a 580g por 5 minutos e o sobrenadante adquirido centrifugado a 10.300g por 10 minutos. O sobrenadante resultante foi descartado juntamente com a fase lipídica superior com pipeta Pasteur, e o sedimento resultante foi ressuspendido em aproximadamente 25 mL do meio contendo sacarose 250 mmol/L, tampão HEPES-KOH 10 mM e EGTA 0,3 mmol/L em pH 7,4 a 4ºC e centrifugado a 3400g por 15 minutos. O sedimento final ou fração mitocondrial foi ressuspenso em solução contendo sacarose 250 mmol/L, tampão HEPES-KOH 10 mmol/L em pH 7,4 a 4ºC, em concentração aproximada de 100 mg de proteína por mL.
Preparação da solução de mitocôndriasA solução utilizada para a suspensão mitocondrial foi preparada em um meio composto por cloreto de potássio 130 mmol/L, Hepes-KOH 10 mmol/L, pH 7.4, com adição de succinato de potássio 5 mmol/L , rotenona 2.5 μmol/L e cloreto de cálcio 10 µmol/L.
Oxidação de Lipídeos das Membranas MitocondriaisPara avaliação da oxidação das membranas mitocondriais, foram propostos dois métodos. O primeiro método foi a indução da lipoperoxidação feita pela adição de (NH4)2Fe(SO4)2 50 μmol/L e citrato de sódio 2 mmol/L na solução padrão, seguida por incubação durante 20 minutos, a 37ºC nas mitocôndrias. No segundo método, a indução da lipoperoxidação feita pela adição de: a) t-BOOH 0,6 mmol/L; b) t-BOOH 0,6 mmol/L/EGTA
10 μmol/L. A adição do EGTA faz com que o cálcio presente na solução seja complexado. O controle da lipoperoxidação foi realizado pela suspensão de mitocôndrias no meio padrão.
Medida de inchamento mitocondrialFoi avaliado o inchamento das mitocôndrias em diferentes soluções: a) mitocôndria em meio padrão (com CaCl2); b) mitocôndria em meio contendo t-BOOH 0,6 mmol/L e sem cálcio, (o cálcio foi complexado pela adição de EGTA); c) mitocôndria em meio padrão e adição de t-BOOH 0,6 mmol/L. A solução da suspensão das mitocôndrias de fígado de rato foi preparada na concentração de 0,4 mg/mL de proteína em 4 mL de solução.
O inchamento mitocondrial foi avaliado espectrofotometricamente pela diminuição da absorbância em 540 nm.
Peroxidação lipídica de membranaA abertura do poro de transição de permeabilidade pode ou não envolver danos à fração lipídica, que foi avaliada pela formação de TBARS. Foi determinada a concentração molar de MDA das mitocôndrias em diferentes soluções: a) mitocôndria em solução padrão;
b) mitocôndria em solução ausente de cálcio; c) mitocôndria em solução ausente de cálcio
com adição de t-BOOH 0,6 mmol/L; d) mitocôndria em solução padrão com adição de t-BOOH 0,6 mmol/L. A mitocôndria de fígado de rato 0,4 mg/mL de proteína em 4 mL de
solução. Desta solução 1 mL foi utilizado para a determinação da concentração molar de TBARS. Após a adição de 1 mL de ácido tiobarbitúrico (TBA) 1% preparado em hidróxido de sódio 50 mmol/L e 20% de ácido polifosfórico, seguido por incubação durante 20 minutos, a 85ºC. O ácido tiobarbitúrico (TBA) se liga ao MDA formando o complexo TBARS, que passa a ter coloração de acordo com a quantidade de complexo formado. O complexo TBARS foi extraído com 2 mL de n-butanol e a absorbância determinada em 532 nm. A concentração de TBARS foi calculada a partir da absortividade molar igual a de um 1,56.105(L/mol.cm) (BUEGE, 1978).
4 RESULTADOS E DISCUSSÃO
4.1 CARACTERIZAÇÃO DOS COMPOSTOS SINTETIZADOS
As moléculas sintetizadas neste trabalho, foram caracterizadas por técnicas de espectroscopia vibracional na região do infravermelho (IV), ressonância magnética nuclear de hidrogênio (1H) e fósforo 31P{1H}, análise elementar (% C,H,N). Em alguns casos também foram realizadas medidas de ponto de fusão.
4.1.1 Caracterização dos Paladaciclos
4.1.1.1 [Pd(C2,N-dmba)Cl]2.
Pd H N
H H3C CH3
Pd
N H
CH3 H C H3 Cl
Cl
Figura 17. Fórmula estrutural do composto [Pd(C2, N-dmba)Cl]2
Uma vez obtido e isolado o composto [Pd(C2,N-dmba)Cl]2, ilustrado na Figura 17 o mesmo foi caracterizado pelas técnicas descritas. Neste caso não foram necessárias medidas de análise elementar e de ponto de fusão, por tratar-se de material de partida já conhecido de nosso grupo de pesquisa. Os dados obtidos encontram-se listados a seguir:
RMN 1 H (δ,ppm, CDCl3): 2,60 (s) [6H, –N(CH3)2]; 2,61 (s) [6H, –N(CH3)2];
3,94 (s) [2H, –NCH2 –]; 7.3 (m) [H–Ar]
IV(cm-1,KBr): 3051 (ν C–H, –N–CH3); 2910 (ν C–H, –N–CH2); 1445 (δ C–H, –CH2–); 1574 (ν C–C, Ar–Pd); 1399 (ν C–N); 737 (δ C–H, Ar-orto substituído);
330 (νas Pd–Cl).
4.1.1.2 [Pd(C2,N-dmba)N3 ]2
Pd H N
H H3C CH3
Pd
N H
CH3 H C H3 N3
N3
Figura 18. Fórmula estrutural do composto [Pd(C2,N-dmba)N3]2
Uma vez obtido e isolado o composto [Pd(C2,N-dmba)N3]2, ilustrado na Figura 18 o mesmo foi caracterizado pelas técnicas descritas. Neste caso não foram
Uma vez obtido e isolado o composto [Pd(C2,N-dmba)N3]2, ilustrado na Figura 18 o mesmo foi caracterizado pelas técnicas descritas. Neste caso não foram