4 CAPÍTULO II – FRAGMENTAÇÃO FLORESTAL E SUAS
5.3 SÍNTESE DOS RESULTADOS
5.3.1 Uso da terra e das águas
5.3.1.1 Uso e cobertura da terra
O mapeamento e classificação do uso e cobertura da terra mostrou, de modo geral, uma matriz ainda predominantemente florestal, alterada principalmente no baixo e médio curso da bacia, em razão urbanização desordenada, cuja expansão tem se direcionado à região da cabeceira. Por se tratar de uma bacia periurbana, além da fragmentação da paisagem natural decorrente das atividades urbanas, há, ainda, aquela derivada do uso da terra para fins agropecuários, mineração e extrativismo ilegal de madeira. A retirada da cobertura vegetal tem intensificado a ocorrência de processos erosivos e de assoreamento dos corpos d’água, além dos impactos negativos sobre a qualidade dos recursos hídricos.
5.3.1.2 Usos múltiplos da água
A bacia do Tarumã-Açu, por se tratar de uma bacia periurbana, apresenta uma diversidade de usos antropogênicos da terra e a maior parte dessas atividades é dependente da disponibilidade de água, tanto em termos quantitativos como qualitativos.As águas da BHTA desempenham papel essencial não apenas do ponto de vista ecológico, mas também da perspectiva do desenvolvimento socioeconômico da bacia e do Município. Graças ao enorme potencial cênico da paisagem da bacia, o turismo e a recreação correspondem a dois importantes usos das suas águas. Outros usos observados são abastecimento, irrigação, dessedentação de animais, aquicultura e pesca, navegação e diluição de efluentes.
5.3.2 Transformação antrópica e fragmentação da paisagem
5.3.2.1 Estado de conservação da bacia
A abertura de estradas (ramais e vicinais) tem levado à ocupação de áreas no médio e alto curso, resultando em avanço do estado de degradação da paisagem natural da bacia, já classificado como regular, mesma categoria atribuída ao baixo e médio curso. O alto curso, embora ainda com status de pouco degradado, requer atenção dos gestores, devido à perda contínua de cobertura florestal, especialmente por não apresentar áreas destinadas à conservação dos remanescentes florestais.
5.3.2.2 Fragmentação florestal e áreas prioritárias
As métricas de paisagem apontam uma bacia bastante fragmentada, sobretudo na região do baixo curso, incluindo as áreas de proteção, com exceção da Reserva Florestal Adolpho Ducke. A região da cabeceira, por sua vez, concentra a maior quantidade de área total e área central de remanescentes florestais, com alta conectividade estrutural e funcional, fundamentais para a sustentabilidade dos recursos naturais e da paisagem da bacia, mas que, no entanto, não estão sob proteção, requerendo a atenção dos gestores. Os pequenos fragmentos, localizados principalmente no baixo curso, são mais vulneráveis às pressões externas
(ambientais e antrópicas). Contudo, demonstraram potencial uso como elementos de ligação entre os fragmentos maiores (trampolins ecológicos), necessitando de igual atenção dos gestores, neste caso com a perspectiva de restauração.
5.3.3 Qualidade das águas superficiais no baixo curso
No que diz respeito à qualidade das águas superficiais no baixo curso, com exceção do pH, todos os demais parâmetros analisados estão, em média, de acordo com os padrões do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) para águas de Classe 2. Apesar disso, a acidez das águas pretas do Tarumã-Açu constitui condição natural, se sobrepondo aos limites referenciais. Constatou-se, ainda, que a perda de cobertura florestal e os usos antropogênicos, sobretudo o despejo de efluentes e o descarte irregular de resíduos sólidos, contribuíram para o aumento nos valores de pH, OD, CE, STD e TB nos períodos de vazante e de menor ocorrência de chuvas, principalmente nas regiões dos igarapés da Bolívia e do Gigante. Isso indica a redução da capacidade de autodepuração nesses trechos, quando há diminuição do fluxo.
5.4 CONCLUSÃO
O conflito de interesses e o potencial para exploração de recursos naturais variados moldaram a ocupação e a transformação da paisagem da bacia do Tarumã-Açu, e são, possivelmente, agravados pela falta de governança, de políticas integradas e pela inexistência dos instrumentos de gestão, como o plano de bacia. Nesse sentido, o Relatório de Situação oferece subsídios importantes à elaboração do PBH e à definição de estratégias de conservação e restauração dos remanescentes florestais, indicando áreas prioritárias para implementação dessas ações, como o uso de estratégias em rede.
5.5 REFERÊNCIAS
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