4. Área de Negócios de Cimentos e Derivados – GRUPO SECIL
4.3. Síntese Global da Atividade do Grupo Secil
Em 2014, o mercado europeu de construção entrou numa nova fase de crescimento. Após sete anos de profunda crise, durante o qual o mercado decresceu 21% no volume, e depois de mais um ano negativo em 2013 (-2,7%), o EuroConstruct confirmou que 2014 terá sido o primeiro ano de recuperação na produção da construção. O crescimento deverá ter sido moderado em 2014 (+ 1%), mas deverá consolidar no futuro próximo: + 2,1% em 2015 e + 2,2% no período de dois anos seguintes.
No entanto, a atividade de construção e o consumo de cimento continuaram em baixa na União Europeia, especialmente nos países com graves dificuldades orçamentais e financeiras, como é caso de Portugal, o principal mercado do Grupo Secil. Nos restantes mercados onde o Grupo Secil atua, ainda que estes não se encontrem em recessão, as economias da Tunísia e do Líbano encontram-se condicionadas por outros fatores de instabilidade, nomeadamente político e social, cujos desenvolvimentos nem sempre previsíveis podem condicionar as atividades.
Neste enquadramento desfavorável, o volume de negócios da área de Cimentos foi de 429,6 milhões de euros, 5,0%
acima do valor registado no exercício do ano anterior, sendo que este aumento se deveu maioritariamente à boa performance das operações de exportação de cimento e clínquer a partir de Portugal, cujo volume de negócios cresceu 22,4% face ao ano transato, e da unidade de negócio de cimento da Tunísia, que apresentou um crescimento de 14,8% quando comparado com o ano de 2013.
O EBITDA da área dos cimentos foi de 74,4 milhões de euros, o que se traduziu num aumento de 18,4% face ao ano de 2013. Esta variação resulta do aumento do volume de negócios anteriormente referido e do efeito das medidas de gestão que têm vindo a ser implementadas, com o objetivo da redução de custos e maximização da eficiência.
À semelhança do sucedido com o volume de negócios, o crescimento do EBITDA é devido, essencialmente, às operações em Portugal e na Tunísia, onde este indicador aumentou 4,3 milhões de euros e 9,6 milhões de euros, respetivamente.
Destaca-se a diminuição significativa dos custos operacionais, incluindo os custos com pessoal, resultante do processo de restruturação e otimização operacional realizada em Portugal durante os anos de 2012 e 2013, que, em conjunto
Unid. 2014 2013 14/13 (%)
Capacidade produtiva anual de cimento 1.000 t 7.650 7.650 0%
Vendas Cimento cinzento 1.000 t 4.611 4.574 1%
Vendas Cimento branco 1.000 t 73 87 (17%)
Vendas Cal artificial 1.000 t 57 56 1%
Vendas Clinquer 1.000 t 633 231 175%
Betão-pronto 1.000 m3 939 1.027 (9%)
Inertes 1.000 t 1.792 1.790 0%
Prefabricação em betão 1.000 t 24 23 8%
Argamassas 1.000 t 90 99 (9%)
Cal hidráulica 1.000 t 24 22 7%
Cimento-cola 1.000 t 12 12 (2%)
com a atividade de exportação, permitiu compensar o impacto da quebra de atividade no mercado interno em Portugal.
A margem EBITDA durante o exercício de 2014 situou-se nos 17,3%, 2,0 p.p. acima da margem observada no exercício do ano transato.
Os resultados operacionais situaram-se em 24,4 milhões de euros, que comparam com 10,7 milhões de euros no ano anterior, em resultado do aumento do EBITDA anteriormente referido e da diminuição das amortizações em cerca de 5 milhões de euros.
No exercício económico de 2014, o resultado líquido consolidado atingiu 9,7 milhões de euros.
O investimento global do Grupo Secil ascendeu a 16,7 milhões de euros, dos quais 11,9 milhões dizem respeito a investimentos operacionais e 4,8 milhões de euros são relativos a investimentos de desenvolvimento.
A 31 de dezembro de 2014, a dívida líquida cifrava-se em 178,4 milhões de euros (-46,5 milhões de euros do que em 2013).
Distribuição do Volume de Negócios por Segmentos e Geografia Segmentos
* Inclui Inertes, Argamassas e Pré-fabricados
O volume de negócios do segmento Cimento e Clínquer aumentou 6,3% face ao ano de 2013. A boa performance das exportações a partir de Portugal, em conjunto com o aumento das vendas na Tunísia, permitiram mais que compensar a diminuição da atividade registada nas vendas de cimento dirigidas ao mercado interno em Portugal e em Angola. O conjunto dos segmentos Inertes, Argamassas e Pré-fabricados registou igualmente um aumento face ao ano anterior, que se cifrou em 8,8%. No caso do segmento Betão Pronto, registou-se uma quebra de 4,2%, resultante da diminuição do volume de negócios na Tunísia e no Líbano.
330,6
57,8
20,9 351,5
55,4
22,7
Cimento e Clinquer Betão Pronto Outros Segmentos *
Milhões Euros
2013 2014
-4,2%
+8,8%
+6,3%
Geografia
Nota: O segmento Portugal inclui Silonor (França) e Secilpar (Espanha).
O volume de negócios resultante do conjunto das operações desenvolvidas fora de Portugal e das exportações a partir de Portugal aumentou o seu peso relativo: 65,8% vs 63,5% registados em 2013.
Distribuição do EBITDA por Segmentos e Geografia
Nota: O segmento Portugal inclui Silonor (França) e Secilpar (Espanha).
222,4
Em termos de repartição geográfica, o EBITDA manteve o mesmo nível de concentração das operações fora de
As previsões mais recentes divulgadas pelo FMI apontam para um crescimento do produto interno bruto de cerca de 0,8% (IMF Country Report, FMI, janeiro 2015). No caso do Banco de Portugal, as atuais previsões estimam um crescimento de 0,9% (Boletim Económico do Banco de Portugal, dezembro 2014).
De acordo com a FEPICOP – Federação Portuguesa da Indústria da Construção e Obras Públicas, embora a evolução da construção se mantenha desfavorável, observou-se durante o ano de 2014 um abrandamento da crise neste setor.
Assim, embora os indicadores quantitativos disponíveis tenham mantido uma tendência de quebra, esta foi mais moderada que em 2013.
O índice de produção na construção registou em dezembro de 2014 uma variação de -5,2% em termos homólogos (INE, dezembro 2014), traduzindo uma redução menos expressiva que a verificada no mês anterior (-5,8%) e o índice de emprego diminuiu 2,3%. Apesar destes índices terem continuado a apresentar reduções, as variações homólogas têm vindo a diminuir, prolongando a tendência de variação menos negativa na atividade da construção, que se manteve ao longo de 2014.
Neste enquadramento desfavorável, o Grupo Secil apresentou os seguintes indicadores globais da atividade desenvolvida em Portugal durante o exercício de 2014:
4.4.1.2. Cimento e Clínquer
A acompanhar a tendência verificada na construção, a procura de cimento continuou em queda. De acordo com os dados disponíveis, o consumo de cimento terá registado uma variação homóloga de -7% comparativamente a 2013, estimando-se que o mercado tenha atingido cerca de 2,6 milhões de toneladas. Apesar de se ter continuado a verificar uma quebra, esta é menos significativa que as registadas nos últimos anos.
No mercado nacional, as vendas de cimento da Secil acompanharam esta tendência e atingiram 913 mil toneladas, menos 8,3% que em 2013, sendo que esta queda se atenuou ao longo do ano. De facto, o primeiro semestre foi mais penalizador em virtude não só da tendência do mercado, mas também pelas condições atmosféricas verificadas. O
Portugal
(milhões de euros) 2014 2013 14/13 (%) 2014 2013 14/13 (%) Unid. 2014 2013 14/13 (%)
Cimento e Clinquer 173,4 161,4 7,5% 31,4 26,1 20,6% 1.000 t 2.601,2 2.233,6 16,5%
Betão Pronto 41,0 40,8 0,3% -4,8 -2,9 -68,2% 1.000 m3 664,0 699,0 -5,0%
Inertes 8,8 7,6 15,0% -0,4 -0,2 -62,5% 1.000 t 1.739,4 1.733,8 0,3%
Argamassas 9,7 9,2 5,4% 1,4 0,9 58,3% 1.000 t 126,0 133,5 -5,6%
Pré-fabricados 3,1 2,6 17,7% -0,1 -0,2 58,1% 1.000 t 19,4 18,6 4,0%
Outros 0,5 0,8 -32,4% -0,1 -0,6 79,6%
Total 236,4 222,4 6,3% 27,4 23,1 18,8%
Quantidades Vendidas
Volume de Negócios EBITDA
segundo semestre revelou-se menos gravoso, apresentando variações homólogas menos negativas.
É de assinalar, a incorporação de cimento branco Secil em várias obras relevantes, entre as quais se salientam o edifício da nova sede da EDP em Lisboa e o edifício da fundação Nadir Afonso em Chaves.
Relativamente a obras com cimento cinzento, destacam-se o reforço de potência de duas importantes barragens, a da Venda Nova e a de Salamonde, localizada em Vieira do Minho, a remodelação do Palácio da Justiça em Gondomar, diversas empreitadas de supressão de passagens de nível na Linha do Minho, o último troço do IC 16 em Lisboa, o pavimento da ampliação do Porto de Sines, o pavimento da placa oeste da Base Aérea nº5 em Monte Real, o Túnel do Marão e o estruturante projeto da construção da rede de rega do Alqueva.
Indicadores
Volume de Negócios EBITDA
A unidade de negócio de cimento em Portugal, que inclui as vendas efetuadas em Portugal e exportações, registou um volume de negócios de 173,4 milhões de euros, o que representou um crescimento de 7,5% face aos valores do ano anterior.
Este crescimento resultou, conforme anteriormente referido, da boa performance da atividade de exportação, que registou um aumento do volume de negócios em 22,4% e uma contribuição de 64,9% para o volume de vendas total, já que no mercado interno se verificou uma diminuição no volume de negócios e no volume de vendas de, respetivamente, 4,3% e 8,3%, face ao ano anterior.
O EBITDA atingiu um valor de 31,4 milhões de euros, 20,6% acima do valor registado no ano transato. Destaca-se a diminuição significativa dos custos operacionais, incluindo os custos com pessoal, resultante do processo de restruturação e otimização operacional realizada em 2012 e 2013, que, em conjunto com a atividade de exportação, permitiu compensar o impacto da quebra de atividade no mercado interno.
Atividade Industrial
Durante o ano de 2013, a produção de cimento nas fábricas do Grupo Secil em Portugal atingiu 2,1 milhões de toneladas, o que representou uma redução de 0,6% face a 2013, refletindo a diminuição da procura.
Produção de Cimento
161,4 173,4
2013 2014
Milhões Euros
7,5%
26,1 31,4
2013 2014
Milhões Euros
20,6%
2014 2013 14/13 (%)
Cimento Cinzento (1.000 t) 2.066 2.062 0,2%
Cimento Branco (1.000 t) 74 90 -17,5%
Total (1.000 t) 2.140 2.152 -0,6%
O cimento produzido nas três fábricas do Grupo Secil em Portugal continua a apresentar características finais bastante homogéneas e elevados padrões de qualidade, aspeto que se considera essencial para garantir um reconhecimento geral no mercado sobre o alto nível de exigência requerido pela Secil.
A performance operacional em 2014 foi muito positiva, tendo sido conseguida uma gestão muito eficaz da capacidade produtiva e encontrando-se os custos de produção de clínquer e de cimento abaixo dos verificados em 2013. Destaca-se a diminuição dos custos com combustível, com energia elétrica e com mão-de-obra (Destaca-serviços de produção e manutenção externos).
Refira-se ainda a redução dos custos operacionais da rede de distribuição, na sequência da otimização dos fluxos entre os entrepostos comerciais e da racionalização efetuada ao nível do transporte marítimo, que permitiram a redução dos custos com transporte no território nacional.
Prosseguiu-se o aumento da utilização de resíduos industriais como combustível térmico, ficando a taxa de utilização de combustíveis ficado nos 44,5% em 2014. Os esforços e investimentos nesta área continuam a ser uma prioridade, visando a obtenção de uma taxa de utilização de Combustíveis Alternativos superior com a consequente poupança dos custos energéticos.
Investimento
Os investimentos realizados em 2013 totalizaram 5,1 milhões de euros, resultando num aumento de 10,3% face ao ano anterior.
Destacam-se a substituição dos motores de frequência e impulsores na linha 9 e a adaptação da segunda linha de paletização de expedição na fábrica do Outão.
4.4.1.3. Betão-Pronto
Volume de Negócios EBITDA
A escassez de obras derivada da situação no setor da construção, associada à situação concorrencial muito forte que esta área tem vindo a enfrentar, refletiu-se no volume de vendas desta unidade de negócio, que atingiu em 2014 cerca de 664 mil m3, traduzindo uma variação negativa de 5,0%. Refira-se que esta situação teve reflexos particularmente nas vendas no continente, que decresceram cerca de 10%, uma vez que as vendas efetuadas na Região Autónoma da Madeira cresceram significativamente.
Neste contexto adverso, o volume de negócios desta unidade de negócio manteve-se estável comparativamente a 2013, atingindo cerca de 41,0 milhões de euros, devido à boa performance verificada na Região Autónoma da Madeira, que permitiu compensar a quebra nas quantidades vendidas e o decréscimo do preço de venda verificados no continente.
40,8 41,0
2013 2014
0,3%
MilhõesEuros
(2,9) (4,82)
2013 2014
-68,2%
MilhõesEuros
Em 2014, os custos variáveis de produção cresceram, tendo sido afetados principalmente pelo aumento dos custos com transporte e bombagem de betão, não tendo as poupanças obtidas com o processo de redimensionamento desta área, que registou uma redução dos custos com pessoal em cerca de 6%, sido suficientes para colmatar esse aumento.
Assim, o EBITDA desta unidade de negócio cifrou-se em cerca de 4,8 milhões de euros negativos, traduzindo uma diminuição de 68,2% face ao ano anterior.
4.4.1.4. Inertes
Volume de Negócios EBITDA
Num enquadramento de mercado que se mantém desfavorável, o volume de vendas da unidade de negócio de inertes permaneceu estável, totalizando 1.739 mil toneladas, 0,3% acima do registado no ano anterior. Em 2014, foi dada continuidade à estratégia de abordagem ao mercado implementada no ano anterior, através do fornecimento de agregados mais valorizados, tendo as vendas sido compostas por um mix mais valorizado.
Neste contexto, o volume de negócios desta unidade cifrou-se em 8,8 milhões de euros, um aumento de cerca de 15,0% face ao ano de 2013. Este crescimento deve-se ao aumento do preço médio de venda, reflexo direto de um mix de vendas caracterizado por produtos com um preço mais elevado, conforme anteriormente referido.
O EBITDA atingiu -0,4 milhões de euros, o que representou uma variação negativa de 62,5% relativamente ao ano anterior, em resultado da conjugação (i) do aumento dos custos variáveis de produção, devido essencialmente ao aumento do custo com combustíveis, e (ii) do registo de imparidades em stocks e clientes no valor de 1,3 milhões de euros. Refira-se, no entanto, que o EBITDA teria sido positivo se as imparidades atrás referidas não tivessem sido
aposta nas vendas de produtos técnicos, que possibilitou o aumento das vendas de argamassas técnicas (produtos técnicos e soluções de isolamento térmico), ou seja de produtos de maior valor acrescentado. Adicionalmente, esta área tem também apostado no desenvolvimento e promoção de soluções vocacionadas para a renovação/reabilitação de edifícios.
No mercado externo, o volume de vendas apresentou um crescimento de 58,6% face ao ano anterior, atingindo 15,7 mil toneladas, fruto da continuação da aposta em mercados internacionais e do esforço significativo na promoção e divulgação dos produtos junto de clientes e através da presença em feiras internacionais.
Neste contexto, apesar das vendas totais em volume terem decrescido, o volume de negócios cresceu 5,4%
comparativamente ao exercício do ano transato, cifrando-se em cerca de 9,7 milhões de euros, reflexo da estratégia acima referida, que tem permitido atenuar o impacto da quebra do volume de vendas.
O EBITDA atingiu cerca de 1,4 milhões de euros, o que traduz um incremento de 58,3%.
4.4.1.6. Pré-Fabricação em Betão
Volume de Negócios EBITDA
Em 2014, o setor da pré-fabricação continuou a ser marcado por uma concorrência muito agressiva e por preços baixos, refletindo o facto da oferta instalada ser superior à procura.
Nesta conjuntura, o volume de vendas da unidade de negócio de pré-fabricados registou um aumento de 4,0% face ao ano anterior, atingindo as 19 mil toneladas, em resultado do aumento verificado nas vendas destinadas ao mercado interno, que cresceram 7,5%.
Assim, o volume de negócios em 2014 cifrou-se em 3,1 milhões de euros, traduzindo um crescimento de 17,7%
comparativamente ao ano transato, devido ao efeito conjugado do aumento das vendas para o mercado interno e do aumento dos preços de venda no mercado externo, dando continuidade à estratégia comercial adotada em 2013 para este mercado.
O desempenho operacional foi superior ao de 2013, tendo o EBITDA desta unidade de negócio apresentado em 2014 um crescimento de 58,1%, atingindo 87 mil euros negativos. Refira-se que a reestruturação ocorrida em 2013 permitiu reduzir os custos com pessoal em cerca de 12%.
4.4.2. Tunísia
4.4.2.1. Enquadramento de Mercado
Apesar da situação desfavorável, a economia tunisina deverá ter crescido 2,4% em 2014, ligeiramente acima dos 2,3%
verificados em 2013 (IMF Country Report, FMI, dezembro 2014). No entanto, a situação económica permanece frágil,
2,6
3,1
2013 2014
Milhões Euros 17,7%
(0,2) (0,1)
2013 2014
Milhões Euros
58,1%
com um crescimento insuficiente para fazer face ao elevado nível de desemprego do país, continuando a mesma a ser afetada pelos efeitos da primavera árabe, pela instabilidade política e social e pelo prolongamento do período de transição política. Refira-se que o FMI vai continuar a apoiar a Tunísia na implementação do seu programa económico através de apoio financeiro, assessoria política e assistência técnica.
Os setores exportadores e do turismo mantiveram a tendência recessiva em 2014, situação recorrente desde o início de 2011, ano em que ocorreu a destituição do governo. Conforme referido, o país tem vindo a atravessar um período de instabilidade política e social, a qual se espera resolvida, na sequência das eleições realizadas em outubro de 2014 para a Assembleia Legislativa e em dezembro de 2014 para a Presidência da República.
Os indicadores globais da atividade desenvolvida na Tunísia pelo Grupo Secil, nos exercícios de 2013 e 2014, apresentaram a seguinte evolução:
4.4.2.2. Cimento e Clínquer
Em 2014, especialmente a partir de junho, a procura de cimento no mercado interno sofreu uma retração, em virtude da recessão que se verifica nos setores de obras públicas e da construção habitacional e comercial. Neste enquadramento, a evolução do consumo de cal e cimento registou um decréscimo de 1,7%, tendo sido comercializadas um total de 7,55 milhões de toneladas.
O desempenho comercial desta unidade de negócio melhorou face a 2013, registando-se um crescimento de 1,2% no volume de vendas, que atingiu cerca de 1,3 milhões de toneladas. Refira-se que o incremento verificado nas quantidades vendidas durante o ano de 2014 resulta do crescimento da atividade de exportação, que registou uma variação positiva de 68,0%, uma vez que no mercado interno, onde a concorrência é cada vez mais acentuada, o volume de vendas decresceu cerca de 4,1%.
Indicadores
Volume de Negócios EBITDA
O volume de negócios da unidade de negócio de cimento ascendeu a cerca de 68,1 milhões de euros, 14,8% acima do valor registado no ano anterior, salientando-se a boa performance registada no mercado externo.
Tunísia
(milhões de euros) 2014 2013 14/13 (%) 2014 2013 14/13 (%) Unid. 2014 2013 14/13 (%)
Cimento e Clinquer 68,1 59,3 14,8% 17,2 7,2 140,1% 1.000 t 1.287,5 1.272,3 1,2%
Betão Pronto 7,2 7,8 -8,2% 0,5 0,9 -48,8% 1.000 m3 150,5 175,1 -14,1%
Pré-fabricados 0,1 0,0 318,0% 0,0 0,0 111,2% 1.000 t 4,7 3,4 38,3%
Total 75,5 67,2 12,3% 17,6 8,0 119,2%
A liberalização dos preços de venda no mercado local, que ocorreu no início de janeiro de 2014, teve um impacto positivo no volume de negócios desta unidade, uma vez que permitiu colmatar o impacto negativo registado ao nível das quantidades vendidas no mercado interno anteriormente referido. No mercado externo, apesar das vendas terem sido condicionadas pela instabilidade política que se verifica na Líbia, principal destino das exportações da unidade de negócio de cimento, foi registada uma evolução bastante favorável durante o ano de 2014, o que se traduziu num aumento do volume de negócios de 67,0% comparativamente ao período homólogo.
De referir que a desvalorização do dinar tunisino teve um contributo negativo no volume de negócios desta unidade em cerca de 2,9 milhões de euros.
Em 2014, a unidade de cimento apresentou um EBITDA de 17,2 milhões de euros, 140,1% acima do valor registado no ano anterior. Este crescimento deveu-se ao aumento do volume de negócios anteriormente referido e à melhoria da performance da área da produção.
Refira-se que, durante o ano de 2013, os custos de produção tinham sido negativamente afetados com a aquisição de clínquer a terceiros a um preço mais elevado, em resultado de paragens ocorridas nos dois fornos para substituição dos arrefecedores. Em 2014, a produção de clínquer aumentou e as compras ao exterior reduziram-se significativamente, tendo-se verificado um aumento da produção média diária e um aumento do fator de utilização dos fornos. Também, em resultado dos investimentos realizados em 2013, obtiveram-se ganhos de eficiência energética, materializados através da melhoria dos indicadores de consumo de energia elétrica e térmica, comparativamente com igual período do ano anterior.
Atividade Industrial
A produção de cimento atingiu 1,3 milhões de toneladas, traduzindo um aumento de 1,1% face ao ano anterior. No caso do clínquer, a produção cifrou-se em 997 mil toneladas, 16,3% acima do registado no ano transato. Refira-se que a produção efetuada em 2013 tinha sido marcada por paragens ocorridas nos dois fornos para substituição dos arrefecedores.
Investimento
Os investimentos ascenderam a 3,2 milhões de euros, destacando-se como principal investimento a alimentação de petcoque à torre de pré-aquecimento para substituição do gás natural, que permitiu a diminuição da utilização deste combustível comparativamente a 2013.
4.4.2.3. Betão-Pronto e Pré-fabricação em Betão
Volume de Negócios EBITDA
Na Tunísia, conforme anteriormente referido, o setor das obras públicas encontra-se em recessão, por falta de verbas,
7,9 7,3
2013 2014
Milhões de Euros
-6,9%
0,9 0,5
2013 2014
Milhões de Euros
-48,2%
e o da construção privada, por ausência de financiamento bancário. Assim, durante o ano de 2014, num contexto de diminuição de grandes obras públicas, associado ao aumento generalizado do preço das matérias-primas e da energia, verificou-se uma quebra do consumo de betão-pronto. Assistiu-se também a um ligeiro aumento do auto consumo de betão (produção de betão em obra) e das vendas do mercado paralelo.
Neste enquadramento, a atividade da unidade de negócio de betão pronto apresentou um desempenho inferior ao de
Neste enquadramento, a atividade da unidade de negócio de betão pronto apresentou um desempenho inferior ao de