Capítulo 2 – Do Contrato de Trabalho
5) Súmula nº 331 do Tribunal Superior do Trabalho
A partir da publicação da Reforma Trabalhista em relação à terceirização, houve a revogação tácita dos dispositivos I, II e III da Súmula nº 331 do Tribunal Superior do Trabalho, permanecendo vigentes, portanto, os dispositivos IV, V e VI:
Súmula nº 331 do Tribunal Superior do Trabalho. I – A contratação de trabalhadores por empresa interposta é ilegal, formando-se o vínculo diretamente com o tomador de serviços, salvo no caso de trabalho temporário (Lei nº 6.019, de 03.01.1974) (Revogado tacitamente).
II – A contratação irregular de trabalhador, mediante empresa interposta, não gera vínculo de emprego com os órgãos da Administração Pública direta, indireta ou fundacional (art. 37, II, da CF/1988) (Revogado tacitamente).
III – Não forma vínculo de emprego com o tomador a contratação de serviços de vigilância (Lei nº 7.102, de 20.06.1983) e de conservação e limpeza, bem como a de serviços especializados à atividade-meio do
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tomador, desde que inexistente a pessoalidade e a subordinação direta (Revogado tacitamente).
IV – O inadimplemento das obrigações trabalhistas, por parte do empregador, implica a reponsabilidade subsidiária do tomador dos serviços quanto àquelas obrigações, desde que haja participado da relação processual e conste também do título executivo judicial.
V – Os entes integrantes da Administração Pública direta e indireta respondem subsidiariamente, nas mesmas condições do item IV, caso evidenciada a sua conduta culposa no cumprimento das obrigações da Lei n.º 8.666, de 21.06.1993, especialmente na fiscalização do cumprimento das obrigações contratuais e legais da prestadora de serviço como empregadora. A aludida responsabilidade não decorre de mero inadimplemento das obrigações trabalhistas assumidas pela empresa regularmente contratada.
VI - A responsabilidade subsidiária do tomador de serviços abrange todas as verbas decorrentes da condenação referentes ao período da prestação laboral.
Objeto do contrato de terceirização. Como já visto nos dispositivos anteriormente destacados, em decorrência da Reforma Trabalhista, é possível que ocorra a terceirização tanto da atividade-meio, como da atividade-fim dos tomadores de serviços.
Anteriormente à Reforma, somente era possível a terceirização de serviços relacionados às atividades-meio.
Convém, logo, que conceituemos cada atividade:
Atividade-meio – trata-se da atividade secundária da empresa, sendo aquela que, por vezes, não provém ao empregador qualquer tipo de lucro. Podemos citar como exemplo a atividade de vigilância, limpeza etc.
Atividade-fim – trata-se da principal atividade da empresa, atividade da qual o empregador se sustenta no mercado e da qual retira o seu lucro.
Não poderá haver terceirização. Afirmam os arts. 5º-C e 5º-D da Lei 6.019/74:
Art. 5º-C da Lei 6.019/74. Não pode figurar como contratada, nos termos do art. 4º-A desta Lei, a pessoa jurídica cujos titulares ou sócios tenham, nos últimos dezoito meses, prestado serviços à contratante na qualidade de empregado ou trabalhador sem vínculo empregatício, exceto se os referidos titulares ou sócios forem aposentados.
Art. 5º-D da Lei 6.019/74. O empregado que for demitido não poderá prestar serviços para esta mesma empresa na qualidade de empregado de empresa prestadora de serviços antes do decurso de dezoito meses, contados a partir da demissão do empregado.
Portanto, não é possível que a empresa tomadora de serviços venha a contratar prestadora de serviços cujos sócios ou titulares tenham exercido atividade
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laboral para aquela num período não superior a 18 meses, salvo se esses sócios ou titulares forem aposentados.
Da mesma forma, não poderá o empregado da tomadora de serviços que for demitido num período não superior a 18 meses ser contratado enquanto empregado de prestadora de serviços.
Terceirização na administração pública. Afirma o art. 10, §7º, do Decreto-Lei 200/67:
Art. 10, §7º, do Decreto-Lei 200/67. Para melhor desincumbir-se das tarefas de planejamento, coordenação, supervisão e controle e com o objetivo de impedir o crescimento desmensurado da máquina administrativa, a Administração procurará desobrigar-se da realização material de tarefas executivas, recorrendo, sempre que possível, à execução indireta, mediante contrato, desde que exista, na área, iniciativa privada suficientemente desenvolvida e capacitada a desempenhar os encargos de execução.
Como podemos ver, é totalmente possível que a Administração Pública, visando evitar o crescimento desmensurado da máquina pública, terceirize determinadas tarefas executivas, mediante contrato de terceirização com empresa de iniciativa privada suficientemente desenvolvida e capaz de desempenhar tais tarefas.
Responsabilidade das tomadoras perante os empregados terceirizados.
Dispõe a já mencionada Súmula nº 331, IV, do Tribunal Superior do Trabalho
Súmula nº 331 do Tribunal Superior do Trabalho. (...) IV – O inadimplemento das obrigações trabalhistas, por parte do empregador, implica a reponsabilidade subsidiária do tomador dos serviços quanto àquelas obrigações, desde que haja participado da relação processual e conste também do título executivo judicial.
Portanto, as tomadoras de serviços têm sim responsabilidade sobre os empregados terceirizados, ainda que subsidiária, isto é, somente será responsabilizada a tomadora, uma vez que já executada a prestadora de serviços, não sendo suficiente para a quitação da dívida em relação aos empregados (averiguação de bens mediante consulta no Bacen Jud, Arisp Jud e Rena Jud).
Além disso, para que seja efetivada a responsabilidade da tomadora, é necessário que sejam configurados, cumulativamente, os seguintes elementos:
1) A tomadora deve participar da relação processual, ou seja, a tomadora deve figurar como parte do processo;
2) A tomadora deve constar na condenação no título executivo judicial criado em decorrência do processo, ou seja, é necessário que a tomadora seja condenada ao pagamento dos direitos trabalhistas dos empregados juntamente com a prestadora de serviços.
Uma vez que um ou ambos os elementos anteriormente dispostos não tenham sido observados, não há o que se falar em responsabilização da tomadora.
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Responsabilidade da Administração Pública em decorrência da terceirzação.
Afirma a Súmula nº 331, V, do Tribunal Superior do Trabalho:
Súmula nº 331 do Tribunal Superior do Trabalho. [...] V – Os entes integrantes da Administração Pública direta e indireta respondem subsidiariamente, nas mesmas condições do item IV, caso evidenciada a sua conduta culposa no cumprimento das obrigações da Lei n.º 8.666, de 21.06.1993, especialmente na fiscalização do cumprimento das obrigações contratuais e legais da prestadora de serviço como empregadora. A aludida responsabilidade não decorre de mero inadimplemento das obrigações trabalhistas assumidas pela empresa regularmente contratada.
Bem como qualquer outra tomadora de serviços, a Administração Pública, enquanto nesta condição, também possuirá responsabilidade subsidiária. Convém informar, porém, que destaca o trecho da súmula acima referido a responsabilidade pela incidência de dois elementos específicos, quais sejam:
1) Culpa in eligendo: ocorrerá quando houver qualquer descumprimento às