O crescimento da população e a demanda social por construções de qualidade implicam em um agravamento dos problemas ambientais, pois a construção civil utiliza mais da metade dos recursos naturais extraídos do planeta na produção e manutenção do ambiente construído, de modo que o consumo na extração de recursos naturais (que processadas industrialmente requer energia e implica em emissões de gases do efeito estufa após extração) é apenas o início do problema que se estende pelo ciclo de vida dos produtos do setor (CBCS, 2014).
A construção civil consome recursos naturais mais que qualquer outro ramo industrial, e também a maior geradora de RSU, o que torna difícil atingir o DS sem que o setor passe por transformações, sendo um sistema que evoluiu de sistemas ―naturais‖ para ―artificiais‖, ao que deve se articular com eficiência ante a ecologia, a informação, a comunicação e o equilíbrio do ecossistema para assegurar sobrevivência (CAMPOS, 2009).
A maioria das práticas de construção atual não está de acordo com os princípios ideais de sustentabilidade. Os esforços de construção sustentável nos países em desenvolvimento não tem sido bem sucedidos, devido a uma série de barreiras para a sua implementação, sendo uma delas a barreira cultural, resultando em desafios na mudança de paradigmas no setor que seja favorável ao meio ambiente, socialmente responsável e economicamente favorável (DAVIES e DAVIES, 2017).
O setor da construção civil, não quantifica facilmente os impactos ambientais dos edifícios à medida que acumulam durante o processo construtivo, ao aferir e gerenciar os impactos ambientais do ciclo de vida desde o projeto, para possibilitar que a execução de edifícios atenda aos valores esperados de forma confiável e eficiente ante os impactos ambientais (emissão de carbono e/ou gasto energético) associados com extração de material, fabricação, transporte e construção semelhante aos métodos de análise de variância de custo e cronograma, através de orçamentos e de medição de impactos durante a construção (RUSSELL-SMITH e LEPECH, 20150).
Os profissionais da construção devem desempenhar um papel fundamental na concepção e na implementação de projetos de construção, sendo necessária a cooperação e formação colaborativa entre os profissionais da construção, a fim de impulsionar a implementação da construção sustentável (DAVIES e DAVIES, 2017).
A construção com princípios sustentáveis considera o ciclo de vida dos materiais utilizados desde o projeto ao propor menor consumo (energia, água e de demais recursos naturais), operação e manutenção, ao mensurar os impactos causados no meio ambiente e na saúde humana (FIGUEROLA, 2008).
Além de integrar profissionais, deve-se considerar a integração entre a captação dos insumos (matéria-prima), ao ponderar os desperdícios no setor com perdas ou custos de deslocamento de transporte, e os problemas ocasionados através dos resíduos de construção e demolição, com impactos ambientais significativos (CBCS, 2014).
A reciclagem destes resíduos é ainda uma exceção no setor, pois uma parcela significativa dos resíduos de construção e demolição é destinada na malha urbana ou em aterros ilegais, gerando custos à sociedade e agravando os problemas ambientais. (CBCS, 2014).
Substituir matéria-prima não renovável, a exemplo do agregado fino natural (areia de rio) por produtos tais como os resíduos de corte de rochas ornamentais em concreto convencional, pode ser uma atividade que valoriza a construção sustentável. A investigação do concreto com diferentes porcentagens deste resíduo indicou que aproximadamente 30% em volume de massa é viável, enquanto o desempenho do concreto melhora significativamente, apresentando benefícios para a construção sustentáveis e reduzindo o efeito prejudicial sobre o ambiente devido à eliminação de resíduos (SINGH, 2016).
A reciclagem dos resíduos de construção e demolição pode depender de políticas de incentivo à produção e ao consumo, e também depender da inovação em sistemas construtivos racionalizados, como a construção modular, incentivando a inovação e a industrialização e combatendo a informalidade (CBCS, 2014).
O uso de técnicas de construção modular para projetos de edificações pode render benefícios econômicos, ambientais e sociais significativos ao longo da atividade projetual (projeto e execução de edificação), com benefícios sustentáveis n o ciclo de vida do projeto, desde a produção e extração de materiais, passando pela construção, operação e manutenção, até o estágio de fim de vida ou de desativação (BENSON e RANKIN, 2016).
A falta de coordenação modular dos projetos e dos componentes, o baixo grau de industrialização e as deficiências de gestão em todo o processo podem gerar perdas, assim como as perdas de materiais nas fases de transporte, de comercialização e na construção agravam os impactos ambientais, aumentando custos e o volume de resíduos (CBCS, 2014).
A coordenação modular apresenta benefícios ao longo de todo o ciclo de vida do projeto, passando pelo o custo inicial mais baixo e a entrega no local da construção, com resultados positivos de eficiência sustentável de 16,8% sobre um método convencional de construção apresentados pela redução das emissões de gases com efeito de estufa, o uso de energia não renovável, menor produção de resíduos e melhora na saúde e segurança dos trabalhadores (BENSON e RANKIN, 2016).
A construção modular tem sido reconhecida como um dos principais métodos construtivos para a construção sustentável, de modo que destacaram em seu estudo (KAMALI e HEWAGE, 2017) que os indicadores da dimensão social da sustentabilidade estão aumentando em relação à dimensão ambiental, e que dimensão econômica da sustentabilidade continua a ser a preocupação entre os profissionais da indústria da construção, contrastando a sustentabilidade da construção modular e com a construção convencional.
Discussões a respeito de sistemas de produção habitacional com novas tecnologias e formas de gestão influenciadas pela autoconstrução e pelas questões ambientais destaca-se o trabalho de profissionais que apresentam propostas com melhores condições de moradia diferenciadas dentro de cada contexto específico (CAMPOS, 2009), a exemplo da disponibilidade de dinheiro, de materiais e de mão de obra.
Dentre as diferentes práticas construtivas, podem ser utilizados sistemas de execução de empreendimentos a partir de técnicas construtivas
―autoconstrução‖, onde se pode construir sua própria casa com materiais da região, e se baseia como ferramenta a utilização e execução de sistemas construtivos executados pelos próprios usuários (futuros moradores) com organização e ações planejadas para saber quando usar determinado material ou equipamento e se obter melhor resultado (LENGEN, 2004).
Para que possa ocorrer de maneira apropriada, é necessário um estudo relativo à necessidade do usuário e do desenvolvimento de técnicas aplicadas na
construção, com mecanismos para sua produção com possibilidade de ser desenvolvido em escala.
Na esfera de autoconstrução, deve-se levar em conta à autogestão, que possui conceitos inversos à lógica da empresa convencional e se baseia no valor atribuído à democracia e à igualdade dentro dos empreendimentos, ideia está em construir uma economia que depende primordialmente dela mesma, de sua disposição de aprender e experimentar, de sua adesão aos princípios da solidariedade, da igualdade e da democracia e de sua disposição de seguir estes princípios na vida cotidiana, se baseando na economia solidária (NASCIMENTO, 2004)
A construção de uma unidade habitacional é o resultado de um conjunto de ansiedades e propostas, não podendo ser isolada a concepção do projeto.
Deve ser uma ação coletiva, na qual os profissionais e os usuários se relacionem em harmonia desde o desenho ainda no projeto e a execução no canteiro de obras (CAMPOS, 2009).