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8) Atraso mental

2.5 Saúde mental: Santa Catarina e Florianópolis

O atendimento de doentes mentais em Santa Catarina teve início, em um primeiro momento, em Brusque e Joinville com a respectiva instalação do asilo de Azambuja, em 1910 (sob o controle das freiras da Irmandade Divina Providência), e do hospital Dr. Schneider em 1923. Neste período, os tratamentos ainda eram muito embasados no caráter filantrópico destas instituições.

Fig. 5 – Diagrama conceitual: Arquitetura da exteriorização, centrífuga (fuga do centro). Fonte: elaborado pela autora

A assistência psiquiátrica no Estado surge oficialmente no ano de 1942 com a implantação do Hospício Colônia Santana, no município de São José na Grande Florianópolis. A cerca de 30 km da capital, o Hospital estava implantado em uma área desocupada e distante dos centros urbanos, como assim estabelecia seu conceito (fig.6 e 7).

Segundo o discurso de seus idealizadores:

[...] era de estilo sóbrio e agradável arquitetura, existindo uma harmonia entre o ajardinamento e a arborização, em complemento às modernas instalações do hospital, tornando a vida dos pacientes, um ‘recreio ameno e continuado’ e oferecendo ao visitante, um panorama de belíssima perspectiva a uma afirmação vigorosa da sabedoria e da instituição social que realizou tal vulto. (FONTOURA, 1997, p.56).

Quando então inaugurado, o Hospital, de caráter público, possuía capacidade inicial para 300 leitos sendo que em seu primeiro ano de funcionamento já haviam 311 pacientes provenientes de regiões de todo o Estado.

No final da década de 40, com um quadro muito maior de internações do que de altas, o número de pacientes já chegava a 534 e, a partir da década de 50, já se começa a pensar na construção de um novo hospital. Porém, continuava-se a ampliá-lo construindo novos pavilhões.

A demanda psiquiátrica catarinense passa cada vez a ser maior, tanto pelo crescimento da população, pelas crises econômicas, quanto pelo próprio saber psiquiátrico que cada vez mais conseguia diagnosticar uma variedade ainda maior de doenças. O Hospital

Fig.6 – Localização do Hospital em relação à capital.

Fonte: Wikimapia, 2008.

Fig.7 - Vista do Hospital em 1944 Fonte: Arquivo Hospital

Colônia Santana chega ao final da década de 50 com 800 pacientes, o que justificava o seu aumento de mais leitos.

Durante a década de 60 foi construído o manicômio judiciário em Florianópolis, mais três hospitais de iniciativa privada, além de mais um novo pavilhão na Colônia Santana com capacidade para 234 leitos. Os três hospitais localizavam-se em: Criciúma (com capacidade para 90 leitos), São José (com capacidade para 173 leitos) e Joinville (com capacidade para 80 leitos).

A partir da década de 70, surge então uma nova política de interiorização da psiquiatria e a construção de uma rede de ambulatórios em algumas cidades onde existiam psiquiatras com disponibilidade para assumir as atividades. Em 1986, constata-se que o número de ambulatórios não passavam de 35 e que a Colônia Santana estava com superpopulação, tendo 1709 pacientes e capacidade para 1000 leitos, chegando o número de reinternações, neste mesmo ano, a 4.983 (ver gráfico 1).

Observa-se ainda que, no que diz respeito “[...] à obtenção da ‘cura’, os resultados são por demais negativos, assim como os resultados do trabalho de ‘prevenção’, haja visto o aumento das consultas subseqüentes, internações e reinternações”.(SANTOS, 1994, p.99)

Gráfico 1 – Gráfico síntese do número de internações por ano do Hospital Colônia Santana.

Assim:

[...] a política de saúde mental catarinense, e a prática psiquiátrica até 1987, podem ser, em linhas gerais, caracterizada pela pretensão da cura, pela obtenção de lucro, pela segregação ou exclusão social, acompanhada da perda da cidadania do “doente mental”. (SANTOS, 1994, p.101)

A partir desta crise, inicia-se um processo lento de mudanças, bem como em todo país. A Reforma, juntamente com o processo de desisntitucionalização e desmontagem do sistema hospitalocêntrico, toma suas bases no Estado.

A Reforma Psiquiátrica em Florianópolis inicia-se em 1996, com a implantação do Núcleo de Atenção Psicossocial (NAPS), hoje chamado Centro de Apoio Psicossocial II – Ponta do Coral. Esta unidade faz parte da rede de atendimento extra-hospitalar já regulamentada segundo as leis e diretrizes de cunho nacional, anteriormente explicitadas.

Atualmente, a rede de saúde mental em Florianópolis ampliou-se e conta com três Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), sendo um para atendimento ao adulto (CAPS II – Ponta do Coral), um para crianças e adolescentes (CAPSi) e um para atendimento a crianças com problemas com álcool e outras drogas (CAPSadi).

Hoje, o Hospital conta com uma lotação máxima de até 380 pacientes, reestruturando-se e diminuindo gradativamente seu número de leitos. Este processo de reestruturação culminou em sua divisão atual em duas partes: uma parte diz respeito a 160 leitos destinados ao tratamento de curta permanência, constituída pelo Instituto Psiquiátrico de Santa Catarina (IPq/SC), e outra referente a 220 leitos destinados ao tratamento de longa permanência, denominada de Centro de Convivência Santana.

Como visto anteriormente, no item referente às alterações sofridas pelos equipamentos hospitalares (item 2.4.2), hoje, o Hospital tem com principal função o tratamento de internações de curta permanência, devendo fortalecer sua ação enquanto Instituto Psiquiátrico de Santa Catarina. As demais enfermarias, destinadas ao tratamento de longa permanência e constituintes do Centro de Convivência Santana, são ocupadas por pacientes considerados moradores da Instituição. A maioria foi internada várias vezes, alguns nunca receberam alta, porque necessitam de cuidados constantes, e outros não possuem mais nenhum tipo de vínculo familiar, não tendo para onde retornar. Esta parte do Hospital deverá ser lentamente redirecionada às estruturas extra-hospitalares, aplicadas, neste caso, na forma das residências terapêuticas.

CAPÍTULO 3: O APORTE DA PSICOLOGIA AMBIENTAL NA BUSCA DE UM