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3. Saberes locais
Kongprasertamorn Kamonthip (2007) estudou a existência dos saberes locais para a protecção do meio-ambiente e do desenvolvimento comunitário na vida dos agricultores em Tambon Bangkunsa – Tailândia. Esclarece que os estudos anteriores em Tailandia indicam que saberes local como ―local wisdom as knowledge based on the experiences of people that is handed down over the generations, sometimes by those who may be seen as village philosophers‖, pelo que que a ideia central daquela comunidade, está centralizada nas praticas rituais relacionadas à preservação da natureza.
As características dos saberes locais são seguintes: (1) local wisdom must incorporate knowledge of virtue that teaches people about ethics and moral values; (2) local wisdom must teach people to love nature, not to destroy it; and (3) local wisdom must come from the older members of the community (Kamonthip, 2007.p.2). É portanto, a questão é que os saberes locais são orais, e muito difícil para ser
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socializá-los e desenvolve-los no uso publico (Kamonthip, 2007.p.2). Kamonthip explorou também a existência de dois tipos saberes locais da comunidade: (1) beliefs related to local practices for collecting shellfish and (2) other aspects of their culture and beliefs (Kamongthip, 2007.p.6). Johannes (1991) falou sobre a importância da ‗Integrating traditional ecological knowledge and mangament with environmental impacts assessment‘, porque refere-se as plantações, os animais e também algumas plantas medicinais. 4. Relações intrínseca entre a ecologia e a humana: epistemologia local
Alguns estudos revelam que ‗Timor-Leste Island is derived from limestone and metamorphosed marine clays which originated fragile, unproductive and low fertile soils (Henriques et al, 2011). Mas a sociedade é rico em fábulas e lendas que têm relações especiais na vida dos timorenses e, talvez, um dos fundamentos para explicar o sentido de pedagogia da terra timoriana.
Origem e uma-lisan: o animismo
Uma-lisan é conhecida também por Uma-lulik que exerce um papel central na preservação e promoção dos saberes locais. Narrativas sobre os Atoni de Ambeno descrevem sobre cinco personalidades hereditárias da ilha, e cada um tem o seu papel, particularmente identificadas. Afon Sila e o Senobai Sila são o Lia Anin que podem conversar com o bento, a chuva e a natureza em geral. Eles têm uma personalidade mística para comunicar com o mundo escuro. Bio Silo do atoni Ambeno tem poder de controlo à agricultura e sistema de produção da agrícola. Eles morem por causa da fome e doente, mas não por causa da guerra. Os atoni têm enorme paciência por causa disso. Liurai Sila e o do Lorosae que idêntico com guerreiros e morte pela guerra, tem pouco paciência.
Primeiro, a legenda sobre a existência da Ilha de Timor é associada sempre com a estória de viagem de um rapaz e o crocodilo. A relação de solidariedade e amizade começou a estabelecer quando o rapaz salvou o crocodilo numa lagoa. Anos mais tarde, o crocodilo lembrou o bom espírito do rapaz e voltou para dar o seu respeito, levando o rapaz no seu dorso à direcção do oriente, que no final de viagem se transformou em uma ilha, que chamada ilha de Timor.
Não só a origem da ilha de Timor, mas também a origem das tradições orais do homem timorense. Um bom galo de cor vermelha, por exemplo, transformou-se um homem bonito e casou-se com uma mulher, nesse casamento resultou a nascença dos antecedentes de Galolen de Manatuto.
Outra estória dizia assim: era uma vez, o Mualero do Maluro de Matebian viajou até ao Akadiru Hare- Loi do Ossu, encontrou setes pássaros de Kakatua que se transformaram setes donzelas bonitas, tomaram banhos na ribeira dentro duma floresta. O Maulero conseguiu atrair a menina mais nova entre das setes irmãs, a Dadakou, casou com ela e viveram juntos em harmonia na zona de Matebian. Acredita-se que o Maulero e a Dadakou são antecedentes do povo de Maluro de Quelicai e do Lore de Lospalos, alguns de Bemasse-Laleia.
Cada indivíduo pertence a uma casa sagrada que lhe dá o nome e um lugar, um papel na sociedade. Cada Casa sagrada tem a sua história de origem, a sua genealogia familiar e os vários rituais que funcionam como elo de ligação, de união entre a comunidade, a vida do passado e do presente. Assim sendo, a casa sagrada funciona como estrutura de base para toda a vida social dos timorenses, seja a nível individual ou familiar, pelo que a prática ritual é algo constante e fundamental para a sua continuidade.
Jean-Christophe Galipaud et al, num dos seus estudos sobre heranças (herritage) culturais, encontrou lendas do origem da comunidade do tétum-terik na parte norte do pais, nomeadamente no que diz respeito à uma guerra entre os bunaque e os dois aprinceses do telecao (tecer) estrangeiros na sua terra. Após de confrontação, os dois aprinceses transformam atirados ao mar, e mais tarde foram libertados pelo crocodilo e trazidos ao terrestre de Suai, surgiu assim, o povo de tétum-terik (cf. Galipaud et al 2015.p.12). E, assim vem dos estórias da origem dos povos, animais, plantas e até comidas que transformam-se ao homens e mulheres lindas, casaram com homens e mulheres reais, surgiram os antecedentes dos povos de timor. Outras fábulas dos timorenses descrevem uma interligação entre a natureza, os animais, plantas, água, ar, e a atmosfera, o sol, a lua e as estrelas, uma relação intima, encontrada nas práticas das gerações da uma- lisan.
Nos meses anteriores da invasão da Indonésia, Francisco Borja da Costa projectou uma eminente tragédia contra o povo de Timor, as famílias da natureza e do planeta, e expressou tal tragédia em seu poema intitulado ―Um Minuto Silencio‖ e, pelo que na mesma época que Ruy Cinatti em Portugal, dedicou um poema sob o título ‗Premonição‘ para recordar a alma guerreira timorense e seu respectivo povo.