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2. POLÍTICAS PÚBLICAS DIRECIONADAS Á ACESSIBILIDADE NA ESCOLA PÚBLICA.

2.2 SALAS DE RECURSOS MULTIFUNCIONAIS E SEU FUNCIONAMENTO

Uma escola que se preocupa com a verdadeira inclusão é aquela que além de possuir profissionais que buscam proporcionar aos alunos uma aprendizagem eficiente, também se articula para adquirir instrumentos estruturais e físicos para garantir melhores condições de ensino. Desse modo, compreende-se que o papel das Salas de Recursos Multifuncionais nas escolas comuns da rede pública de ensino é atende algumas demandas da necessidade histórica da educação brasileira, principalmente para romper com os aspectos de discriminação da educação especial.

A Sala de Recursos Multifuncionais é um programa que "cumpre o propósito da organização de espaços, na própria escola comum, dotados de equipamentos, recursos de acessibilidade e materiais pedagógicos que auxiliam na promoção da escolarização, eliminando barreiras", essas que servem de bloqueio para uma plena participação dos alunos com algum tipo de deficiência em todo contexto educacional e social (BRASIL,2012,p.6).

Para Alves(2006), nesse ambiente escolar é onde se realiza o atendimento educacional especializado para alunos com algum tipo de deficiência. Com isto, ocorre o desenvolvimento de estratégias de aprendizagem, "centradas em um novo fazer pedagógico que favoreça a construção de conhecimentos pelos alunos, subsidiando-os para que desenvolvam o currículo e participem da vida escolar". Dessa forma, a definição Sala de Recursos Multifuncionais se "refere ao entendimento de que esse espaço pode ser utilizado para o atendimento às diversas necessidades educacionais especiais e para desenvolvimento das diferentes

complementações ou suplementações curriculares"(ibid, p.13).

Ainda de acordo com o autor, uma mesma sala de recursos multifuncionais, organizada com diferentes equipamentos e materiais, pode atender, conforme cronograma e horários diferentes, alunos com algum tipo de deficiência como, altas habilidades/super-dotação, dislexia, hiperatividade, déficit de atenção ou outras necessidades educacionais especiais. Para ocorre atendimento com alunos cegos e surdos, por exemplo, deve dispor de profissionais com formação e recursos necessários para um atendimento educacional especializado, com capacidade de atender individualmente e coletivamente esses alunos. "Portanto, essa sala de recursos é multifuncional em virtude de a sua constituição ser flexível para promover os diversos tipos de acessibilidade ao currículo, de acordo com as necessidades de cada contexto educacional" (ibid,p.14).

De fato, observamos que essa Sala de Recursos Multifuncionais pode ser composta em dois tipos o I e II, existindo uma pequena diferença entre elas, pois a segunda é contemplada com todos recursos da primeira e itens pedagógicos para o trabalho oferecido aos alunos com deficiência visual como, impressora Braille, soroban, entre outros recursos, mas cada escola possuí uma das estruturas que disponibiliza equipamentos, mobiliários, materiais didáticos e pedagógicos para o funcionamento e organização da mesma.

Neste aspecto, as SRM favorecem o desenvolvimento inclusivo principalmente nas instituições públicas, essas que têm implantado o programa em seu espaço escolar, pois visa atualizar seus recursos para manter um atendimento educacional especializado de maior qualidade. Assim, o Conselho Nacional de Educação, através da Resolução CNE/CEB nº 4/2009, estabelece as Diretrizes Operacionais para o Atendimento Educacional Especializado na Educação Básica, informando que:

Art. 5º O AEE é realizado, prioritariamente, nas salas de recursos multifuncionais da própria escola ou em outra de ensino regular, no turno inverso da escolarização, não sendo substitutivo às classes comuns, podendo ser realizado, em centro de atendimento educacional especializado de instituição especializada da rede pública

ou de instituição especializada comunitárias, confessionais ou filantrópicas sem fins lucrativos, conveniadas com a secretaria de educação ou órgão equivalente dos estados, do Distrito Federal ou dos municípios.(BRASIL,2012,p.5)

Portanto, para ocorrer uma efetiva operação da política de SRM dentro do âmbito escolar, de fato é necessário, recursos, profissionais comprometidos com o ensino e uma quantidade expressiva de alunos com deficiência matriculados nas classes comuns de ensino regular, porque de acordo com o registro no Censo Escolar, que ocorrerá a liberação de ações que contribuirão para um funcionamento com eficiência.

Essas ações são praticadas mediante as atualizações das SRM nas instituições que continuam apresentando matrículas de alunos público alvo da educação especial, e se ampliam com o apoio complementar de outros programas do governo como, Programa de Formação Continuada de Professores na Educação Especial.

Com isto, para supervisionar este trabalho, é realizada uma visita pelos técnicos do MEC/SECADI. Todas informações a respeito de como esta sendo realizado o processo e o funcionamento das SRM, deve ser imprescindivelmente informado ao MEC/SECADI, por meio de ofício do Secretario de Educação, principalmente quando acontecer troca de SRM para outra escola, destruição de recursos por calamidade pública, eventual furto de alguns itens, dentre outras situações.

Neste sentido, o funcionamento desse programa não seria possível sem a formação dos professores que trabalham com um atendimento diferenciado e a participação da família juntamente com a comunidade e a parceria na "articulação Inter setorial das políticas públicas, para a garantia do acesso dos estudantes com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou super-dotação, no ensino regular"(ibid,2012,p.7).

De acordo com Brasil (2012, p.7), vale destacar o público alvo da SRM que recebem o atendimento educacional especializado:

Estudantes com deficiência - aqueles que têm impedimentos de longo prazo de natureza física, intelectual, mental ou sensorial, os quais, em interação com diversas barreiras, podem ter obstruída sua participação plena e efetiva na escola e na sociedade; Estudantes com transtornos globais do desenvolvimento - aqueles que apresentam quadro de

alterações no desenvolvimento neuropsicomotor, comprometimento nas relações sociais, na comunicação e/ou estereotipias motoras. Fazem parte dessa definição estudantes com autismo infantil, síndrome de Asperger, síndrome de Rett, transtorno desintegrativo da infância; Estudantes com altas habilidades ou super-dotação - aqueles que apresentam potencial elevado e grande envolvimento com as áreas do conhecimento humano, isoladas ou combinadas: intelectual, acadêmica, liderança, psicomotora, artes e criatividade. (BRASIL,2012, p.7)

Diante desse público, os profissionais da educação especial elaboram estratégias para garantir melhores condições de aprendizagem dentro dos recursos que as SRM apresentam. Durante o processo desse funcionamento os professores com formação especializada para o exercício do atendimento educacional especializado, organizam a carga horária dos alunos de acordo com suas necessidades educacionais especiais.

Neste sentido, esses profissionais realizam algumas atribuições como Alves (2006), afirma que:

Atuar, como docente, nas atividades de complementação ou suplementação curricular específica que constituem o atendimento educacional especializado dos alunos com necessidades educacionais especiais; atuar de forma colaborativa com o professor da classe comum para a definição de estratégias pedagógicas que favoreçam o acesso do aluno com necessidades educacionais especiais ao currículo e a sua interação no grupo; promover as condições para a inclusão dos alunos com necessidades educacionais especiais em todas as atividades da escola; orientar as famílias para o seu envolvimento e a sua participação no processo educacional; informar a comunidade escolar acerca da legislação e normas educacionais vigentes que asseguram a inclusão educacional; participar do processo de identificação e tomada de decisões acerca do atendimento às necessidades educacionais especiais dos alunos; preparar material específico para uso dos alunos na sala de recursos; orientar a elaboração de materiais didático-pedagógicos que possam ser utilizados pelos alunos nas classes comuns do ensino regular; indicar e orientar o uso de equipamentos e materiais específicos e de outros recursos existentes na família e na comunidade; articular, com gestores e professores, para que o projeto pedagógico da instituição de ensino se organize coletivamente numa perspectiva de educação inclusiva.( ALVES, 2006, p. 17)

Nesta perspectiva, os professores que atuam na SRM, identificam, organizam, orientam e elaboram atividades tais como: Braille, Libras, Língua Portuguesa para alunos surdos; orientação e mobilidade, "informática acessível; Comunicação Alternativa e Aumentativa - CAA, atividades de

desenvolvimento das habilidades mentais superiores e atividades de enriquecimento curricular"(BRASIL,2012,p.9). Esses docentes precisam estar sempre no processo de atualização, pois atendem diferentes necessidades educacionais especiais, assim como os professores da classe comum de ensino regular. Ambos devem buscar aplicar um ensino de qualidade, independente do seu espaço de atuação, porque é um direito do estudante com e sem deficiência. Diante disto, é importante o aprimoramento da dinâmica no âmbito da escola e principalmente a parceria entre os profissionais da equipe de educação para conquistarem melhores condições nas escolas.

2.3. A INCLUSÃO DO ALUNO ESPECIAL NAS ESCOLAS MUNICIPAIS DE

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